AprendiAprendi
LiteraturaPUC-Campinas2011

Argumento histórico– Na primeira expedição foi ao Rio Grande do Norte um moço de nome Matim Soares Moreno, que se ligou de amizade com Jacaúna, chefe dos índios do litoral, e seu irmão Poti. Em 1608, por ordem de D. Diogo Meneses, voltou a dar princípio à regular colonização daquela capitania. Poti recebeu no batismo o nome de Antônio Filipe Camarão, que ilustrou na guerra holandeza. O Ceará deve honrar sua memória como um varão prestante e seu verdadeiro fundador.

(Adaptado de José de Alencar. Notas e Iracema. S. Paulo: Melhoramentos, 2.ed. p. 154)

Esse texto explicativo de José de Alencar deixa claro que

LiteraturaUNIPAM2013

Leia, com atenção, o texto a seguir para responder à questão.

Texto – O leitor ideal, de Mário Quintana

O leitor ideal para o cronista seria aquele a quem bastasse uma frase.
Uma frase? Que digo? Uma palavra!
O cronista escolheria a palavra do dia: “Árvore”, por exemplo, ou “Menina”.
Escreveria essa palavra bem no meio da página, com espaço em branco para todos os lados, como um campo aberto para os devaneios do leitor.
Imaginem só uma meninazinha solta no meio da página.
Sem mais nada.
Até sem nome.
Sem cor de vestido nem de olhos.
Sem se saber para onde ia...
Que mundo de sugestões e de poesia para o leitor!
E que cúmulo de arte a crônica! Pois bem sabeis que arte é sugestão...
E se o leitor nada conseguisse tirar dessa obra-prima, poderia o autor alegar, cavilosamente, que a culpa não era do cronista.
Mas nem tudo estaria perdido para esse hipotético leitor fracassado, porque ele teria sempre à sua disposição, na página, um considerável espaço em branco para tomar seus apontamentos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha...
Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a palavra “Ventania”. Serve?

(QUINTANA, Mário. Porta giratória. São Paulo: Globo, 1988)

Esse texto de Mário Quintana classifica-se como

LiteraturaFUVEST2013

Leia o seguinte texto.

O autor pensava estar romanceando o processo brasileiro de guerra e acomodação entre as raças, em conformidade com as teorias racistas da época, mas, na verdade, conduzido pela lógica da ficção, mostrava um processo primitivo de exploração econômica e formação de classes, que se encaminhava de um modo passavelmente bárbaro e desmentia as ilusões do romancista.

Roberto Schwarz. Adaptado.

Esse texto crítico refere-se ao livro

LiteraturaUESB2013

... E vendo o homem com os olhos abertos como tudo passa, só nós vivemos como se não passáramos. [...] Todos imos embarcados na mesma nau, que é a vida, e todos navegamos com o mesmo vento, que é o tempo; e assim como na nau uns governam o leme, outros mareiam as velas; uns vigiam, outros dormem; uns passeiam, outros estão assentados; uns cantam, outros jogam, outros comem, outros nenhuma coisa fazem e todos igualmente caminham ao mesmo porto; assim nós, ainda que não pareça, insensivelmente imos passando sempre e avizinhando-se cada um a seu fim: porque, conclui Ambrósio, tu dormes e o tempo anda: Tu dormis et tempus ambulat. Disse pouco em dizer que o tempo anda; porque corre, voa; mas advertiu bem em notar que nós dormimos; porque tendo os olhos abertos para ver que tudo passa, só para considerar que nós também passamos parece que os temos fechados.

VIEIRA, Pe. Antônio. A vida e o tempo. Vieira: trechos escolhidos. Rio de Janeiro: Agir, 1971. p. 84-85. (Nossos Clássicos).

O texto em evidência faz farte do Sermão Primeira Dominga do Advento, cujo autor, Pe. Antônio Vieira, é considerado a maior expressão da prosa barroca em Portugal e no Brasil do século XVII.

Esse texto comprova que

LiteraturaUFRGS2020

Instrução: A questão refere-se à obra de Machado de Assis.

Em Papéis avulsos, há pouca ação, predominando exposição de doutrinas sobre o comportamento humano, por meio do diálogo ou da fala de um personagem que assume a narração.

Esse recurso formal pode ser observado em

LiteraturaUEA2014

Leia o poema de Gregório de Matos para responder à questão.

Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:

Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada

Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
(www.itaucultural.org.br)

Esse poema exemplifica uma característica marcante da estética barroca:

LiteraturaUEA2013

Leia o poema Psicologia de um vencido, de Augusto dos Anjos.

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos. Toda poesia, 2011.)

Esse poema evidencia um aspecto constante na obra de Augusto dos Anjos:

LiteraturaUESB2015

Derramai-vos, prantos meus!

Dai-me prantos, ó meu Deus!

Eu quero chorar aqui!

Em que sonhos de ebriedade

No arrebol da mocidade

Eu nesta sombra dormi!

Passado, por que murchaste?

Ventura, por que passaste

Degenerando em saudade?

Do estio secou-se a fonte,

Só ficou na minha fronte

A febre da mocidade.

AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. São Paulo: FTD, 1994. p. 90.

A geração romântica a que pertenceu Álvares de Azevedo voltou-se para o cultivo de uma poesia marcada pela subjetividade e pela expressão dos desejos mais íntimos.

Esse poema é um exemplo disso porque expressa

LiteraturaUFRGS2012

Observe a figura abaixo.

A Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo em 1922, representou um marco na cultura brasileira. Tarsila do Amaral trouxe a público, em 1928, a obra o Abaporu, que passou a ser representativa do Manifesto Antropofágico.

Esse manifesto

LiteraturaUEMA2020

O trecho a seguir, extraído do Capítulo I, do livro Verão no Aquário, de Lygia Fagundes Teles, traz, pela recordação da personagem Raíza, um diálogo entre a professora de piano e uma outra senhora. Leia-o para responder à questão.

“[...] Adiante, ficava a saleta de minha mãe, aquela mãe silenciosa, sempre vestida de branco, uns vestidos tão
leves que me faziam pensar na história da sereiazinha que se transformara em espuma. [...] Eu podia estender-

me no chão e ali ficar desenhando nas folhas que ela me atirasse, pena não saber o que era esfinge para então
desenhar uma e seria esse o retrato de minha mãe. “É uma esfinge!”, disse dona Leonora à mulher dos tricôs.
[5] “Esfinge?...”, repetiu a mulherzinha parando as agulhas no ar. “E o marido?” [...] “É um farmacêutico fracassado,
bebe demais, você não sabia? Está sempre escondido no sótão em companhia do irmão, um tipo meio louco
que vive cortando coisas, a família inteira é esquisitíssima. Esquisitíssima! A mãe ainda é a única que me inspira
confiança, diz que é escritora...” [...] “Mas escreve o quê?”. E dona Leonora, batendo impaciente com o leque no
piano para marcar o compasso: “Quem é que sabe? A mulher é uma esfinge.[..]”

TELES, L. G. Verão no Aquário. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Há um juízo positivo acerca da mãe da Raíza.

Esse julgamento, entretanto, é maculado por um certo ceticismo revelado na seguinte expressão: