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LiteraturaUEL2017

Leia o texto a seguir.

No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro: passou mais de seis anos não falando. Se o incitavam a falar, exclamava: – Ai que preguiça!... e não dizia mais nada. Quando era pra dormir trepava no macuru pequeninho sempre se esquecendo de mijar. Como a rede da mãe estava por debaixo do berço, o herói mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. Então adormecia sonhando palavras feias, imoralidades estrambólicas e dava patadas no ar.

(Adaptado de: ANDRADE, M. Macunaíma. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p.7.)

Enquanto produção cultural, o Modernismo procurava reconhecer as identidades que formavam o povo brasileiro. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a presença da temática indígena no movimento, tendo por modelo o romance de Mário de Andrade.

LiteraturaUnichristus2020

Gil Vicente foi poeta e dramaturgo português, considerado o “Pai do Teatro Português”. Em Portugal, Gil Vicente foi a figura mais importante do humanismo literário. O teatro de Gil Vicente, chamado de Teatro Vicentino, teve origem em 1502 com a apresentação de seu texto “O Monólogo do Vaqueiro”. Suas peças, de caráter popular, possuem um forte teor satírico. Nas obras mais emblemáticas, ele critica os costumes da sociedade portuguesa, tecendo um fiel retrato de sua época. Além do caráter satírico, o conteúdo das obras apresentava um teor moralizante, repleto de humor. O teatro de Gil Vicente caracteriza-se, antes de tudo, por ser primitivo e popular, embora tenha surgido e se desenvolvido no ambiente da corte. Teatro de sátira social, não perdoa qualquer classe, povo, fidalguia ou clero. Obra moralista, põe em prática o lema do castigat ridendo mores (rindo, corrige os costumes), realizando o princípio de que a graça e o riso, provocados pelo cômico baseado no ridículo e na caricatura, exercem ação purificadora, educativa e purgadora de vícios e defeitos.

A Literatura portuguesa. Massaud Moisés; São Paulo: Cultrix, 2008.

Enquanto comediógrafo, Gil Vicente destaca-se como o mais inspirado autor de teatro em toda a história da Literatura Portuguesa, servindo de ponte de trânsito, traço de união entre

LiteraturaCESMAC2017

Engenheiro e ensaísta social, Euclides da Cunha (1866-1909) é autor de uma das obras clássicas da interpretação social do Brasil: Os sertões (1902). Sobre essa obra é correto afirmar o que segue.

LiteraturaUNIMONTES2012

Encontram-se no livro Eu, de Augusto dos Anjos, as seguintes características, EXCETO

LiteraturaFDSM2017

Considere os seguintes comentários a respeito do capítulo Olhos de ressaca do livro Dom Casmurro de Machado de Assis para responder à questão

“Enfim chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, a mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...

As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela. Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem as palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.”

Considere os seguintes comentários a respeito do capítulo em questão, no contexto amplo do romance de que faz parte.

I - Quem narra este episódio é Bentinho, marido de Capitu. Este fato compromete a avaliação presente na narrativa, pois ele está envolvido no episódio a tal ponto de podermos duvidar, negando a validade do ponto de vista do narrador,

II - Pela ótica de Bentinho, Capitu, antes de chorar o morto lamenta a perda do vivo.

III - Para Bentinho, o choro de Capitu não é como o das outras pessoas, ele tem uma natureza clandestina, disfarçada, como o de alguém que se sentisse vigiado, portador de um secreto mistério que a ninguém poderia ser revelado.

Encontra-se correto, o que se afirma

LiteraturaFDSM2016

INSTRUÇÃO: Leia o último capítulo de Dom Casmurro(1899), de Machado de Assis (1839-1908), para responder à questão

Capítulo CXLVIII – E bem, e o resto?

Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu
coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nemos de cigana oblíqua e dissimulada. Mas
não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de
Mata cavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se
[5] soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. I: "Não tenhas ciúmes de tua
mulher para que ela não se meta aenganar-te com a malícia que aprender de ti". Mas eu creio que não, e tu
concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da
outra, como a fruta dentro da casca.
É bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a
[10] saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis
o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve! Vamos à História dos
Subúrbios.

MACHADO DE ASSIS. Dom Casmurro. São Paulo: Ática, 2004. p. 183-184.

Considere os seguintes comentários a respeito do capítulo em questão, no contexto amplo do romance de que faz parte.

I. No último capítulo, comparecem tanto os traços do Bentinho ex-seminarista, na referência feita ao texto bíblico, quanto do Bentinho advogado, no emprego de recursos da linguagem argumentativa para convencer o leitor a respeito da traição de que teria sido vítima.

II. Bentinho termina por negar que a “Capitu da Praia da Glória” já estivesse dentro da “de Matacavalos”, uma vez que, segundo o narrador, o seu gênio traiçoeiro só se revelou depois de adulta.

III. Bentinho conclui sua narrativa totalmente livre de ressentimentos, reconciliado com sua própria consciência, o que se nota pela ausência de ironias no último capítulo.

IV. O narrador apresenta sua tese com o máximo de objetividade, apresentando provas irrefutáveis quanto ao fato de Capitu ter se envolvido numa relação adulterina com Escobar.

Encontra-se correto o que se afirma

LiteraturaFDSM2016

Leia o seguinte poema de Adélia Prado:

Qualquer coisa que brilhe

São eternos esta oficina mecânica,
estes carros, a luz branca do sol.
Neste momento, especialmente neste.
Ainda que se mova, tudo é parado e vive,
[5] num mundo bom onde se come errado,
delícia de marmitas de carboidrato e torresmos.
Como gosto disso, meu deus!
Que lugar perfeito!
[10] Ainda que volta e meia alguém morra, é tudo muito eterno,
só choramos por sermos condizentes.
Necessito pouco de tudo,
já é plena a vida,
[15] tanto mais que descubro:
Deus espera o pior de mim,
num cálice de ouro o chorume do lixo
que sempre trouxe às costas
[20] desde que abri meus olhos,
bebi meu primeiro leite
no peito envergonhado de minha mãe.
Ofereço cantando, estou nua,
[25] os braços erguidos de contentamento.
Sou deste lugar,
com tesoura cega cortei aqui meu cabelo,
sedenta de ouro esburaquei o chão
[30] atrás do que brilhasse.
Pois o encontro agora escuro e fosco
no dia radioso e único e não cintila.
Veio de Vós. A vida. Do opaco. Do profundo de Vós.
[35] Abba! Abba! Aceita o que me enoja,
gosma que me ocultou Teu rosto.
Vivo do que não é meu.
Toma pois minha vida
[40] e não me prives mais
desta nova inocência que me infundes.

PRADO, Adélia. Miserere. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2015. p.89-90.

Sobre o poema em questão, considere os seguintes comentários:

I. O eu lírico descobre exultante que a beleza de sua vida encontra-se exatamente no reconhecimento de seus limites, defeitos e fragilidades, bem como na experiência da simplicidade das coisas do cotidiano tais como são.

II. O eu lírico experimenta uma epifania diante de realidades banais, tais como a “oficina mecânica”, os “carros”, a “luz do sol”, as“marmitas de carboidrato e torresmos”, que servem de provocação para a descoberta para um senso mais profundo da existência.

III. Em atitude religiosa, o eu lírico apresenta-se tal como é diante de Deus, encontrando no reconhecimento e na aceitação de sua própria pequenez e falibilidade a “nova inocência” que lhe confere sentido à existência.

Encontra-se adequado à intepretação do poema o que se afirma em

LiteraturaFACASPER2011

Empregada desde a Antiguidade, a alegoria foi com frequência cultivada na Idade Média cavaleiro-cristã, a exemplo do Auto da barca do inferno, de Gil Vicente. Tomando por base essa peça, é correto afirmar que o emprego dodiscurso alegórico constitui:

LiteraturaUnichristus2018

O romance Thérèse Raquin está à frente do seu tempo, porque defende o postulado darwinista acerca da criação do homem no Universo; porém, o mesmo fator que faz desse romance uma obra de vanguarda também pode servir de instrumento para uma crítica em relação à corrente literária iniciada por Émile Zola, porque atrela a tese da origem do homem com aquela que indica o mesmo como um simples resultado do meio ambiente, tornando-o um títere das circunstâncias. O resultado desse processo é a elaboração de uma literatura que torna o homem amoral, uma vez que desqualifica o livre-arbítrio.

COUTINHO, Afrânio. A literatura no Brasil – Parte 4: Era realista e era de transição. São Paulo: Global Editora, 2004.

Émile Zola afirmou que, em Thérèse Raquin, buscou estudar temperamentos e não caracteres. Segundo Alfredo Bosi, uma obra realista se tingirá de naturalismo sempre que

LiteraturaUCS2015

No “Soneto do amor total”, de Vinicius de Moraes, o sujeito poético declara seu amor, mesclando sentimentos e desejos.

Soneto do amor total

[...] Amo-te como um bicho, simplesmente

De um amor sem mistério e sem virtude

Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde

É que um dia em teu corpo de repente

Hei de morrer de amar mais do que pude.

Fonte: MORAES, Vinicius de. Antologia poética. Rio de Janeiro: Editora do Autor. p. 293.

Embora tenham sido compostos no período Modernista, os versos acima retomam um traço característico do Romantismo, qual seja