Leia atentamente,os versos destacados de “Amar”, da seção “AMAR-AMARO”.
Este o nosso destino:
amor sem conta,
distribuído pelas coisas
pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma
completa ingratidão,
e na concha vazia do
amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais
amor
Em seguida, assinale a alternativa CORRETA
Leia o trecho de São Bernardo, de Graciliano Ramos, para responder a questão.
Conforme declarei, Madalena possuía um excelente coração. Descobri nela manifestações de ternura que me sensibilizaram. E, como sabem, não sou homem de sensibilidades. É certo que tenho experimentado mudanças nestes dois últimos anos. Mas isto passa.
(S. Bernardo. 93. ed. Rio de Janeiro, Record, 2012)Em São Bernardo, o narrador, Paulo Honório, conta de seu relacionamento com a esposa, Madalena; relacionamento conflituoso, marcado pelo ciúme excessivo do marido, o que evidenciava o modo como ele
Em São Bernardo, de Graciliano Ramos, o narrador-personagem afirma: “...se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever”. Essa frase revela que o propósito de Paulo Honório é
O triunfo global do capitalismo é o tema mais importanteda história nas décadas que sucederam 1848. Foi o triunfo de uma sociedade que acreditou que o crescimento econômico repousava na competição da livre iniciativa privada, no sucesso de comprar tudo no mercado mais barato (inclusive trabalho) e vender mais caro. Uma economia baseada nas sólidas fundações de uma burguesia composta daqueles cuja energia, mérito e inteligência elevou-os a tal posição deveria − assim se acreditava − não somente criar um mundo de plena distribuição material, mas também de crescente felicidade, de avanço das ciências e das artes, numa palavra, um mundo de contínuo e acelerado progresso material e moral.
(Eric J. Hobsbawm. A era do capital. Trad. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. p. 21)Em S. Bernardo, romance de Graciliano Ramos, o crescimento econômico do protagonista-narrador Paulo Honório deu-se não exatamente pela competição da livre iniciativa privada, mas
Em romances naturalistas, é CORRETO afirmar que:
Uma simples inspeção das datas mostra que o Modernismo se vincula estreitamente a certas transformações da sociedade. 1922 é um ano simbólico do Brasil moderno, coincidindo com o Centenário da Independência. A Guerra Mundial de 1914-1918 influiu no crescimento da nossa indústria e no conjunto da economia. (...) Em 1930, segunda data-chave, sofríamos, como todo o mundo civilizado, os efeitos da grande crise econômica mundial, aberta em 1929, que motivou um decênio de depressão. Golpeando na base o nosso produto de exportação, o café, ele abalou a oligarquia dirigente, apoiada na economia rural e permitiu a vitória dos liberais na Revolução de Outubro. (...) A terceira data-chave, 1945, corresponde ao ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial. Como ocorrera no período de 1914-1918, o conflito influiu decisivamente na nossa economia e mentalidade, fazendo-nos entrar na era industrial, formando um proletariado numeroso, que passou a exigir a sua participação na vida política, liquidando nas áreas adiantadas o mandonismo local.
(Antonio Candido e José Aderaldo Castello. Presença da Literatura Brasileira − Modernismo. Rio de Janeiro / S. Paulo: Difel, 1977, 6. ed., p. 7-9)Em romances como Menino de engenho, de José Lins do Rego, e Cacau, de Jorge Amado, sente-se a força e a decadência de ciclos econômicos regionais, encontrando-se nesses romances a representação
Memorial de Aires é romance de crítica social do Rio de Janeiro. Alguns leitores de Machado de Assis levantaram a hipótese de que seus livros eram autobiográficos.
Em resposta, o autor publicou o Memorial de Aires, que é um livro, sem enredo único e episódico, que tem formato de
TEXTO
ELEGIA
O olhar recebe a forma e esquece a essência
o ouvido perde a música. A mão
já não retém o eterno — nem o efêmero.
O louvor e o lamento a boca abandonaram
os pés. Não guiam mais: estranhos fios
o corpo levam pela estrada curta
e circular, deserta, seca e nua.
Dança fácil, não vida: horror ao chão
falso voo precoce, fuga para o sonho.
O destino e a paisagem rejeitamos;
a rosa o riso o pranto o medo o amor
— o inefável — que brota só da terra
e que os vivos acumulam para a morte
— Mas nós, que flor e fruto destruímos
que nos aliviará a fome e a sede quando
mortos sentirmos o coração vazio?
O Texto exemplifica a poesia de O Homem e Sua Hora, publicado em 1955, de Mário Faustino, poeta que traduziu com maestria a consciência do homem em estado de crise. O poema, a poesia, o poeta e a vida são temas permanentes na obra. A respeito dessas noções, analise as afirmativas a seguir:
I-No poema escolhido está ressaltada a poesia com fins didáticos.
II-Ora o poeta é visto como artista e artesão, ora como cantor inspirado e fecundo; ele ainda pode ser considerado produto da inspiração e do intelecto.
III-O eu lírico reflete sobre a brevidade temporal, a fugacidade da vida e faz conjeturas sobre uma realidade que se impõe, como por exemplo “– o inefável – que brota só da terra / e que os vivos acumulam para a morte”. Daí, o enfrentamento natural da própria finitude e a real dimensão da existência humana.
IV-O eu lírico tem consciência da fugacidade da vida e passa a encarar o mundo em seus contrastes, buscando encontrar neles alguma harmonia. Essa tensão está presente nos versos “O olhar recebe a forma e esquece a essência / o ouvido perde a música. A mão / já não retém o eterno – nem o efêmero.
Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:
Leia atentamente o fragmento do conto O alienista, de Machado de Assis, apresentado a seguir:
[...]
As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo el-rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia.
— A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo.
Dito isso, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, — únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir osinteresses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.
D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. [...]
(ASSIS, Machado. O alienista. São Paulo: Ática, 1985. p. 9.)Sobre a concepção de ciência na visão de Machado de Assis, apresentada nesse fragmento, analise as afirmativas a seguir:
I - O fragmento dialoga com os ideais românticos da primeira metade do século XIX.
II - A escolha da esposa, fundamentada em critérios científicos, rende-lhe uma decepção, pois, mesmo saudável, ela não teve filhos.
III - Simão Bacamarte é a representação típica do herói no Romantismo brasileiro.
IV - Há um tom de ironia, apresentado na narrativa, e de crítica ao determinismo da fase realista na literatura brasileira.
Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:
Se eu morresse amanhã!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
O homem, há muito, debate-se entre o ter e o ser. Boa parte nunca se dá por satisfeita com o que tem, pois sempre há o que conquistar. Com base na leitura do poema (Texto), analise as proposições a seguir:
I - O enunciador reconhece na morte um recurso para libertar-se do constante desejo irrealizado de glória que o persegue.
II - O enunciador debate-se em uma tensão avassaladora entre glórias já conquistadas pela sua família e o esforço para mantê-las.
III - O enunciador debate-se entre glórias ainda por serem conquistadas e o desejo de conquistá-las.
IV - O enunciador deseja a morte por reconhecer-se só e abandonado por todos em um mundo repleto de glórias e felicidades.
Em relação às proposições analisadas, assinale a alternativa que apresenta todos os itens corretos: