A muito custo, devido às insistências de Dona Margarida, consentira em ajudá-la nos bordados, trabalhados para fora, com o que ia ganhando algum dinheiro. Não que ela fosse vadia, ao contrário, mas tinha um tolo escrúpulo de ganhar dinheiro por suas próprias mãos. Parecia tolo a uma moça ou a uma mulher.
BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. São Paulo: Tecnoprint/Ediouro, s/d, p.72.Em relação às personagens D. Margarida e Clara, é correto afirmar que:
Leia o poema abaixo
NO MEIO DO CAMINHO
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006. p. 16.Em relação às figuras de linguagem de “No meio do caminho”, é correto afirmar que
Leia o trecho do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder à questão.
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2008.)Em relação às atividades que exerceu durante a vida, o narrador
O Último poema
Manuel Bandeira
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas
mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem
os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
A respeito do poema, seguem duas afirmativas ligadas pela palavra PORQUE:
O texto é considerado uma metapoesia.
PORQUE
O eu-lírico anseia por um poema hábil em conter beleza e preciosidade de sentimentos, com simplicidade e pureza.
Em relação as afirmativas:
Leia com atenção o fragmento a seguir, do poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Mello Neto.
“Vejo agora: não é fácil
seguir essa ladainha;
entre uma conta e outra conta,
entre uma e outra ave-maria,
há certas paragens brancas,
de planta e bicho vazias,
vazias até de donos,
e onde o pé se descaminha.
Não desejo emaranhar
o fio de minha linha
nem que se enrede no pelo
hirsuto desta caatinga.
Pensei que seguindo o rio
eu jamais me perderia:
ele é o caminho mais certo,
de todos o melhor guia.
Mas como segui-lo agora
que interrompeu a descida?
Vejo que o Capibaribe,
como os rios lá de cima,
é tão pobre que nem sempre
pode cumprir sua sina
e no verão também corta,
com pernas que não caminham”.
Obra-prima do poeta João Cabral de Mello Neto, a obra Morte e Vida Severina é um auto de Natal com temática regionalista. É um retrato do sertão nordestino com sua seca, sofrimento e os reveses climáticos ainda hoje persistentes.
A partir do contexto do trecho do poema citado e, relacionando-o com a persistente realidade climática nordestina, pode-se inferir sobre a obra:
I - Como muitos sertanejos ainda fazem, Morte e Vida Severina retrata a trajetória de Severino, que deixa o sertão nordestino em direção ao litoral em busca de melhores condições de vida.
II - O excerto mostra a trajetória de Severino que segue o leito do rio e percebe que o rio, durante sua trajetória, interrompe seu curso, pois está seco.
III - A obra é, acima de tudo, uma ode ao otimismo, aos avanços humanos e tecnológicos na solução da seca no nordeste.
Em relação às afirmativas, assinale somente a alternativa correta.
Em relação aos temas abordados e à linguagem utilizada nas crônicas do livro “Ai de ti Copacabana” de Rubem Braga, é inadequado afirmar que a obra:
Morangos Mofados, livro de Caio Fernando Abreu marca uma época de repressão, sobretudo da manifestação de desejos de forma explícita. Caio foi um revolucionário de sua época, sofreu com a perseguição na Ditadura e chegou a ser exilado. Possivelmente isso tudo pode ter refletido na construção dos personagens de suas obras.
Em relação aos personagens de Morangos Mofados, pode-se afirmar corretamente que:
Cantiga de Amor
Mulheres neste mundo de meu Deus
Tenho visto muitas — grandes, pequenas,
Ruivas, castanhas, brancas e morenas.
E amei-as, por mal dos pecados meus!
Mas em parte alguma vi, ai de mim,
Nenhuma que fosse bonita assim!
Andei por São Paulo e pelo Ceará
(Não falo em Pernambuco, onde nasci)
Bahia, Minas, Belém do Pará...
De muito olhar de mulher já sofri!
Mas em parte alguma vi, ai de mim,
Nenhuma que fosse bonita assim!
Atravessei o mar e, no estrangeiro,
Em Paris, Basiléia e nos Grisões,
Lugano, Gênova por derradeiro,
Vi mulheres de todas as nações.
Mas em parte alguma vi, ai de mim,
Nenhuma que fosse bonita assim!
Mulher bonita não falta, ai de mim!
Nenhuma, porém, tão bonita assim!
BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1996.p.418-419.Em relação aos elementos constitutivos do poema, é correto afirmar que Manuel Bandeira
Leia “Poema que aconteceu” e “Coração numeroso”, poemas que integram a obra Alguma poesia, de Carlos Drummond de Andrade.
Poema que aconteceu
Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.
A mão que escreve este poema
não sabe que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.
Coração numeroso
Foi no Rio.
Eu passava na Avenida quase meia-noite.
Bicos de seio batiam nos bicos de luz estrelas inumeráveis.
Havia a promessa do mar
e bondes tilintavam,
abafando o calor
que soprava no vento
e o vento vinha de Minas.
Meus paralíticos sonhos desgosto de viver
(a vida para mim é vontade de morrer)
faziam de mim homem-realejo imperturbavelmente
na Galeria Cruzeiro quente quente
e como não conhecia ninguém a não ser o doce vento
mineiro,
nenhuma vontade de beber, eu disse: Acabemos com isso.
Mas tremia na cidade uma fascinação casas compridas
autos abertos correndo caminho do mar
voluptuosidade errante do calor
mil presentes da vida aos homens indiferentes,
que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis choraram.
O mar batia em meu peito, já não sabia no cais.
A rua acabou, quede árvores? a cidade sou eu
a cidade sou eu
sou eu a cidade
meu amor.
Em relação aos dois poemas, é correto afirmar que:
Leia os dois poemas extraídos de Alguma Poesia,de Carlos Drummond de Andrade.
Sentimental
Ponho-me a escrever teu nome / com letras de macarrão. / No prato, a sopa esfria, cheia de escamas / e debruçados na mesa todos contemplam / esse romântico trabalho. Desgraçadamente falta uma letra, / uma letra somente / para acabar teu nome! – Está sonhando? Olhe que a sopa esfria! Eu estava sonhando... / E há em todas as consciências um cartaz amarelo: / “Neste país é proibido sonhar.”
Poema do Jornal
O fato ainda não acabou de acontecer / e já a mão do repórter / o transforma em notícia. / O marido está matando a mulher. A mulher ensangüentada grita. / Ladrões arrombam o cofre. / A polícia dissolve o meeting. / A pena escreve. Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.
Em relação aos dois poemas, assinale a alternativa incorreta.