“A descoberta avivou o espírito do passado. D. Paula forcejou por sacudir fora essas memórias importunas; elas, porém, voltavam, ou de manso ou de assalto, como raparigas que eram, cantando, rindo, fazendo o diabo. D. Paula tornou aos seus bailes de outro tempo, às suas eternas valsas que faziam pasmar a toda a gente, às mazurcas, que ela metia à cara da sobrinha como sendo a mais graciosa coisa do mundo, e aos teatros, e às cartas, e vagamente, aos beijos; mas tudo isso – e esta é a situação – tudo isso era como as frias crônicas, esqueleto da história, sem a alma da história.”
ASSIS, Machado de. D. Paula. Várias histórias. 3. ed. São Paulo: Martins Claret, 2013, p. 128.Em relação à citação acima, assinale a alternativa correta.
Em relação a Cirino, personagem da obra Inocência, de Visconde de Taunay, é correto o que se afirma em:
TEXTO:
Lembranças de morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
5 E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
10 Do deserto, o poento caminheiro
— Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde o fogo insensato a consumia:
15 Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
20 Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta destes flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar dos teus amores.
25 Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta — sonhou — e amou na vida.
Em relação à análise do poema, é correto afirmar:
Texto II
[...] Na testa de Fabiano o suor secava, misturando-
-se à poeira que enchia as rugas fundas, embebendo-
-se na correia do chapéu. A tontura desaparecera,
o estômago sossegara. Quando partissem, a cabaça
não envergaria o espinhaço de sinha Vitória. Instintivamente
procurou no descampado indício de fonte.
Um friozinho agudo arrepiou-o. Mostrou os dentes
sujos num riso infantil. Como podia ter frio com semelhante
calor? Ficou um instante assim besta, olhando
os filhos, a mulher e a bagagem pesada. O menino
mais velho esbrugava um osso com apetite. [...]
RAMOS, G. Vidas Secas. RJ/SP: Record, 2013, p. 124.Em que sentença o uso da palavra até é feito como em “... o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis,” (Texto I, L. 8-9)
Em que alternativa todos os poetas pertencem ao denominado Romantismo Brasileiro:
Texto para aquestão
Sextilhas Românticas
Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
- Mas que importa o rouxinol?
Frio, nevoeiros da serra
Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol!
Sou romântico? Concedo.
Exibo, sem evasiva,
A alma ruim que Deus me deu.
Decorei "Amor e medo”,
"No lar”, "Meus oito anos”... Viva
José Casimiro Abreu!
Sou assim, por vício inato.
Ainda hoje gosto de Diva,
Nem não posso renegar
Peri tão pouco índio, é fato,
Mas tão brasileiro... Viva,
Viva José de Alencar!
[...]
Em quatro das alternativas que se seguem, registram-se características que, presentes no excerto, atestam a filiação romântica declarada pelo poeta. A única alternativa em que isso NÃO ocorre é:
Em quatro das alternativas abaixo, registram-sealguns dos aspectos que, para bem caracterizar o gênero e o estilo das Memórias póstumas de Brás Cubas, o crítico J. G. Merquior pôs em relevo nessa obra de Machado de Assis. A única alternativa que, invertendo, aliás, o juízo do mencionado crítico, aponta uma característica que NÃO se aplica à obra em questão é:
Em poesia, para determinar a medida de um verso, divide-se o verso em sílabas
Leia o texto a seguir.
Último poema
Agora deixa o livro
volta os olhos
para a janela
a cidade
a rua
o chão
o corpo mais próximo
tuas próprias mãos:
aí também
se lê
MARQUES, Ana Martins. O livro das semelhanças. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 29.
Em O livro das semelhanças (2015), a poeta Ana Martins Marques aproxima-se de uma espécie de estética do cotidiano, em poemas nos quais a sensibilidade pode ser objeto da poesia a partir de relações estabelecidas com sensações ou objetos do senso comum. Em “Último poema”, o eu lírico:
Em O demônio familiar, a personagem Pedro, por ter sidoalforriada, teve sua condição social aparentemente mudada. Entretanto, no contexto brasileiro ao qual a obra de Alencar se refere, o discurso ideológico subjacente diz respeito à figura do negro