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LiteraturaFACISB2015

Três amigas adolescentes foram à dermatologista. Marta reclamava de coceiras na virilha em razão de sarna que havia adquirido, Cecília reclamava de uma micose que lhe provocava coceira nos vãos dos dedos dos pés, e Ruth se incomodava com o odor fétido de suas axilas.

Ao final das consultas, as amigas saíram do consultório cada uma com a indicação de um medicamento:

Medicamento 1: pomada antibactericida.
Medicamento 2: comprimidos antiacaricida.
Medicamento 3: pomada fungicida.

É correto afirmar que, para Marta, Cecília e Ruth, foram indicados, respectivamente, os medicamentos

LiteraturaFUVEST2017

Nasceu o dia e expirou.

Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente.

Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores

Iracema recostase langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.

José de Alencar, Iracema.

É correto afirmar que, no texto, o narrador

LiteraturaUNICAMP2021

Leia o poema e responda à questão que se segue.

A fermosura desta fresca serra
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;

o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do Sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos oferece,
se está, se não te vejo, magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando,
nas mores alegrias, mor tristeza.

É correto afirmar que, no soneto de Camões,

LiteraturaUFMG2010

É CORRETO afirmar que, no conjunto dos contos de Antes do baile verde,a autora

LiteraturaPUC-Campinas2014

Gregório de Matos tanto exprimiu os sentimentos e a ideologia da Contrarreforma, em poemas contritos e moralistas, vazados no estilo barroco, como denunciou a sociedade seiscentista da “cidade da Bahia”, dominada pelas negociatas e falcatruas no comércio do açúcar. Sua perspectiva crítica, a um tempo rancorosa, enérgica e desbocada, deu vazão à série de poemas satíricos, cujos alvos eram os clérigos viciosos, os “mulatos desavergonhados”, os conselheiros corruptos, os falsos “fidalgos caramurus”. Mas há quem veja em sua atitude muito mais o despeito de um aristocrata deslocado do que a indignação de fundo social. O que ninguém contesta é seu talento de poeta.

(GOMES, Raimundo Piva. Inédito)

É correto afirmar que, no Brasil Colônia, o espírito barroco foi muito bem aproveitado pela arte religiosa, pois transformou a atuação da Igreja em um espetáculo imponente e vibrante capaz, a um só tempo, de

LiteraturaUFMG2012

INSTRUÇÃO: As questões de 07 a 15 baseiam-se na obra Os ratos, de Dyonelio Machado, indicada para leitura prévia.

Leia este trecho:

“— Meu filho, tu estiveste às portas da morte. A mãe fez uma promessa, se tu sarasses...” Era andar um ano vestido de Santo Antônio. — E ele se recorda bem daquela figurinha marrom, no colo da mãe, encolhida, debulhada num pranto impotente e trágico... No meio da rua, rodeado de espaço e de sol por todos os lados, seria a suprema vergonha... Como ter coragem?... como?... “— Mas tu não vês que é pior o sofrimento que tu dás a essa criança com semelhante coisa? Olha se fosse meu filho, eu tirava já-já essa roupa. Deus que me perdoasse...”

MACHADO, Dyonelio. Os ratos. 2. ed. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010. p.36.

É CORRETO afirmar que, nesse trecho, o autor

LiteraturaFMJ2014

Rio, 6 de maio de 1946.

Clarice

Seminarstrasse é decididamente a única rua do mundo em que você poderia morar: estou imaginando um calçamento de pedras, certinho, uma ladeira até o fim, o Consulado num edifício de dois andares. Bem, agora é que me veio a ideia de que em Seminarstrasse é somente o Consulado; mas de qualquer maneira é Seminarstrasse, não tem dúvida, só poderia ser uma coisa assim.

Muitas coisas aconteceram depois que você foi embora. E uma delas é a triste realidade de minha partida dentro de três dias para os Estados Unidos, com Helena e tudo, para onde vou de mudança, veja você. Terei instintos gregários? Vou trabalhar em Nova York, por algum tempo, por muito tempo, ou para sempre... De lá talvez tome rumo da Europa, já me vejo visitando vocês aí na Seminarstrasse, SEMINARSTRASSE!!! número trinta, que me deslumbra em maiúsculas. Oh, quisera eu morar em Nova York numa rua assim, de um sol assim. Quisera trafegar em idênticas seminarstrasses, de largas perspectivas horizontais, deslizando em planos sucessivos de tristeza, saudade e calma. No entanto, me espera o Edifício Comercial de Nova York, numa gigantesca Quinta Avenida, desajeitada, ridícula e agressiva. Vou-me embora e não volto mais, estou triste e com pena de vocês aí tão longe, viajar é muito ruim. Ainda é tempo de não ir, não tomar o avião, dizer que esqueci o principal, e o principal é ficar, ir para casa, ler um livro, conversar, dormir e esquecer. Mas vou.

(Cartas perto do coração, 2001.)

É correto afirmar que o texto

LiteraturaCUSC2017

Para responder a questão, leia o poema “pobre alimária” de Oswald de Andrade (1890-1954), publicado em 1925.

pobre alimária1

O cavalo e a carroça
Estavam atravancados nos trilhos
E como o motorneiro2se impacientasse
Porque levava os advogados para os escritórios
Desatravancaram o veículo
E o animal disparou
Mas o lesto3 carroceiro
Trepou na boleia
E castigou o fugitivo atrelado
Com um grandioso chicote

(Obras completas, vol 7, 1974.) 1 alimária: animal quadrúpede. 2 motorneiro: indivíduo que dirige bonde. 3 lesto: ágil, ligeiro.

É correto afirmar que o poema

LiteraturaCAMPO REAL2020

Leia o seguinte excerto, retirado de “Corpo fechado”, de Guimarães Rosa:


– Mané Fulô, tenho um particular, com licença de seu doutor...
Pura formalidade, a convocação: Targino falou alto, ali à porta da venda, a três passos da minha pessoa. Manuel Fulô tremia nas pernas, e eu ouvi tudo. Peremptório e horrível:
– Escuta, Mané Fulô: a coisa é que eu gostei da das Dor, e venho visitar sua noiva, amanhã... Já mandei recado, avisando a ela... É um dia só, depois vocês podem se casar... Se você ficar quieto, não te faço nada... Se não... – E Targino, com o indicador da mão direita, deu um tiro mímico no meu pobre amigo, rindo, rindo, com a gelidez de um carrasco mandchu. Então, sem mais cortesias, virou-se e foi-se.
Eu perdi o peso do corpo, e estava frio. Me mexia todo, sem querer. Manuel Fulô oscilou para o balcão, mas não pode segurar o copo; passou a mão no suor da testa:
– Eu... eu... eu...
Aí eu vi que já se ajuntara gente, todos falando por metades só:
– Coitado do Mané... Coitadinha dessa moça... Coitado do Mané Fulô...
Peguei-lhe do braço. Arrastei-o. [...].

(ROSA, Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 293.)

É correto afirmar que o desfecho do conflito consiste:

LiteraturaPUC-SP2020

Leia o poema a seguir, extraído de Claro enigma, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.

Um boi vê os homens

Tão delicados (mais que um arbusto) e correm
e correm de um para o outro lado, sempre esquecidos
de alguma coisa. Certamente falta-lhes
não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres
e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves,
até sinistros. Coitados, dir-se-ia não escutam
nem o canto do ar nem os segredos do feno,
como também parecem não enxergar o que é visível
e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes
e no rasto da tristeza chegam à crueldade.
Toda a expressão deles mora nos olhos – e perde-se
a um simples baixar de cílios, a uma sombra.
Nada nos pelos, nos extremos de inconcebível fragilidade,
e como neles há pouca montanha,
e que secura e que reentrâncias e que
impossibilidade de se organizarem em formas calmas,
permanentes e necessárias. Têm, talvez,
certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem
perdoar a agitação incômoda e o translúcido
vazio interior que os torna tão pobres e carecidos
de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme
(que sabemos nós?), sons que se despedaçam e tombam no campo
como pedras aflitas e queimam a erva e a água,
e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Claro enigma. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 1991, p. 25-26.).

É correto afirmar que no fragmento “Coitados, dir-se-ia não escutam / nem o canto do ar nem os segredos do feno, / como também parecem não enxergar o que é visível / e comum a cada um de nós, no espaço”, o eu lírico de Drummond parece dialogar com