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LiteraturaFIP2018

Interrogação

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos cânticos.
Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Camilo Pessanha

A propósito do texto, seguem as afirmativas:

I. O eu-lírico nega e confirma seu amor, pondo em dúvida esse sentimento.

II. O poema apresenta como característica do Simbolismo a musicalidade nos versos.

III. Confirmação e negação do amor alternam-se nos trechos ...” procuro teu olhar “ e “... nunca pensei num lar onde fosses feliz, e eu feliz contigo.”

IV. O título confirma a declaração de um sentimento sobre o qual o eu-lírico não tem dúvidas.

É correto o que se afirma apenas em:

LiteraturaUNITINS2014

Leia o poema a seguir.

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

Carlos Drummond de Andrade é considerado o mais influente poeta brasileiro do século XX. Como escritor modernista, segue a libertação proposta por Oswald de Andrade, com a instituição do verso livre. Se dividirmos o Modernismo em uma corrente mais lírica e subjetiva e em outra mais objetiva e concreta, Drummond faria parte da segunda, ao lado do próprio Oswald de Andrade. Levando em consideração o período literário do qual Drummond faz parte e a compreensão do poema, analise as assertivas a seguir.

I – Na primeira estrofe, o eu lírico diz que o amor não tem uma razão de acontecer, que não é preciso entendê-lo para amar, não é preciso ser correto para sentir. O poema mostra uma característica do autor, que é o fazer poético como uma reflexão.

II – A segunda estrofe expõe que, para se amar, não é preciso querer nada em troca, o amor vem do nada e surge como uma brisa suave, que nos envolve até que estejamos totalmente rendidos. Quanto ao aspecto formal, o Modernismo é marcado pelo soneto, com versos decassílabos, rima optativa e tradição da poesia épica.

III – Na terceira estrofe, o eu lírico não conceitua o amor, simplesmente diz que no amor não há porquês, não há razões, regras a serem seguidas, basta que ele complete a pessoa que ama e que é amada. Pode-se afirmar que é um poema lírico e religioso, marcado pelo conflito entre o pecado e o perdão.

IV – Na quarta estrofe, o poeta compara o amor com a morte, pois o amor contribui para nosso crescimento ou para nossa poda. O poema apresenta objetividade temática e culto à forma.

É correto o que se afirma apenas em

LiteraturaUNIFOR2016

Irene no Céu

Manuel Bandeira

Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:

- Licença, meu branco!

E São Pedro bonachão:

- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Em relação ao poema de Manuel Bandeira, considere as afirmações abaixo:

I – A estrutura do poema é formada por três estrofes com sete versos irregulares.

II – O poema apresenta três personagens: narrador, Irene e São Pedro.

III – O foco narrativo está na terceira pessoa com o narrador observador.

IV – O uso de travessão indica uma narrativa no poema.

V – A linguagem utilizada está na norma padrão da Língua portuguesa.

É correto apenas o que se afirma em:

LiteraturaUNIFOR2015

Poema tirado de uma Notícia de Jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e

morava no morro da babilônia num barracão

sem número

Uma noite ele chegou no bar Vinte de

Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e

morreu afogado.

BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1974.

Pelo exposto no texto, avalie as afirmações a seguir:

I. É um poema modernista que faz uma análise crítica da realidade brasileira.

II. Utiliza uma linguagem coloquial, sucinta, que restringe os fatos.

III. Sua estruturação é muito próxima à da prosa, o que nos sugere modernamente um “poema em prosa”.

IV. O autor quer somente retratar a morte na favela.

V. O nome da personagem do poema referese a uma pessoa comum, do povo, indica a condição social do sujeito.

É correto apenas o que se afirma em:

LiteraturaUNIPAM2017

Leia o poema “Sociedade”, de Carlos Drummond de Andrade, publicado no livro “Alguma poesia”, em 1930, para responder à questão seguinte.

Sociedade.

O homem disse para o amigo:
— Breve irei a tua casa
e levarei minha mulher.

O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.

O homem comeu e bebeu.
A mulher bebeu e cantou.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.

Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:
— Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.

No caminho o homem resmunga:
— Ora essa, era o que faltava.
E a mulher ajunta: — Que idiota.

— A casa é um ninho de pulgas.
— Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.

E todas as quintas-feiras
eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.

Nesse poema, o poeta Carlos Drummond de Andrade

I. retoma os ideais parnasianos do fazer poético.
II. valoriza a linguagem contida e o verso livre.
III. sublima a capacidade humana de interagir.
IV. tematiza as relações humanas do cotidiano.

É CORRETO apenas o que se afirma em

LiteraturaUNIPAM2016

Este poema é de Ferreira Gullar, publicado em Antologia Poética. Leia-o para responder à questão.

Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema.

O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em seus arquivos.

Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras.

— porque o poema, senhores,
está fechado:
"não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço.

O poema, senhores,
não fede nem cheira.

O poema Não há vagas, de Ferreira Gullar, enquadra-se no movimento neoconcretista brasileiro, porque o poeta

I. enfatiza a forma em detrimento do conteúdo.

II. idealiza o fazer literário numa perspectiva realista.

III. atrela a criação literária a um projeto de engajamento social.

IV. insere, no processo de criação literária, a expressividade e a subjetividade.

É CORRETO apenas o que se afirma em

LiteraturaUNIFOR2021

Texto

Maniçoba, 19 de junho de 1911. Minha mãe: Aqui cheguei em paz e livramento, graças a Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto aqui é bom como o diabo; acorda-se às cinco da manhã, leva-se o dia lendo, fumando, comendo e rezando; dorme-se às nove horas da noite. Uma vida de anjo. Quando chegar aí – está compreendendo? – hei de ter o corpo pesando 70 quilos e a alma leve de pecados, tão leve como vagons que levam material para a construção da estrada de ferro de Palmeira

Graciliano Ramos DISCINI. Comunicação nos Textos. São Paulo: Contexto, 2005, p.180.

Analise as seguintes afirmações:

I – O emprego do itálico, na primeira linha, sugere que a expressão “paz e livramento” é um neologismo.

II – Na expressão “Isto aqui é bom como o diabo”, encontra-se uma comparação paradoxal.

III –No trecho “Em uma vida de anjo”, identifica-se uma ironia.

IV – Em “e a alma leve de pecados, tão leve como vagons...” encontra-se uma metonímia.

É correto apenas o que se afirma em

LiteraturaEsPCEx2014

É correto afirmar, em relação à poesia do segundo momento modernista brasileiro, que

LiteraturaEsPCEx2013

É correto afirmar sobre o Trovadorismo que

LiteraturaUEA2014

Leia o trecho do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos.

Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.

Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.

– Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai.

Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.

A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.

– Anda, excomungado.

(Vidas secas, 2001.)

É correto afirmar sobre o cenário e sobre os personagens de Vidas secas: