AprendiAprendi
LiteraturaPUC-PR2012

Considere as afirmativas abaixo sobre os aspectos formais do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:

I. Apegada ao estilo simbolista, do qual nunca se afastou, a autora escreve no livro apenas sonetos de temática amorosa ambientada no contexto da proclamação da República no Brasil.

II. Encarnando até as últimas consequências o espírito da neovanguarda dos anos 1950, a autora escreve no livro uma série de poemas concretos sobre a história do Brasil, colocando como centro da luta pela liberdade assumida pelo movimento abolicionista.

III. Embora se abra a uma variedade de metros poéticos, predominam no texto as redondilhas maiores (de sete sílabas) e as redondilhas menores (de cinco sílabas). Isso demonstra o apego da autora à tradição e, ao mesmo tempo, a busca por exprimir vivacidade e musicalidadeque, segundo os teóricos, são alcançados de modo mais pleno nesse tipo de métrica.

IV. Composto de “romances”, tomados como narrativas de tom lírico, o romanceiro é uma referência à tradição poética medieval, para a qual o termo romance tinha um sentido diferente do atual. Primordialmente, havia romances que não eram escritos em prosa. Essa ligação com o passado hibrido – narrativo e lírico – da forma romance é trabalhada esteticamente nos textos do livro, que contam uma ação, mas com elementos poéticos.

É correto o que se afirma SOMENTE em:

LiteraturaFIP2019

Alguns anos após a publicação de Sagarana, Guimarães Rosa escreveu uma carta a João Condé, explicando a gestação de seus contos. Primeiro, decidira escrever uma série de “histórias adultas da carochinha”; só depois pusera-se a pensar na localização dos relatos. “Podia ser Barbacena, o Rio, a China, o arquipélago de Neo-Baratária, o espaço astral ou, mesmo, o pedaço de Minas Gerais que era mais meu. E foi o que escolhi”. Rosa, como sabemos, voltou ao chão real de sua aldeia para engendrar alguns dos momentos mais luminosos e universais de nossa literatura (...)

Os primeiros contos publicados pelo demiurgo de Cordisburgo parecem inspirados nos relatos de terror e aventura de Edgar Allan Poe: é o caso de O Mistério de Highmore Hall, peripécia gótica situada num castelo escocês, e Chronos Kai Anagke, em que um jovem desnorteado assiste a uma partida de xadrez entre o Tempo e o Destino. É fácil concluir que, nesses relatos juvenis, (...) para apossar-se do sertão “que era mais seu”, Rosa teve de transitar por outros universos sob a égide da pura imaginação. Os liames do insólito e do maravilhoso, aliás, estendem-se também por sua obra madura, como bem demonstra a leitura de Um Moço Muito Branco, A Menina de Lá e a A Terceira Margem do Rio. (...)

Como argumenta Braulio Ravares no interessantíssimo livro A “Pulp Fiction”, de Guimarães Rosa (Marca de Fantasia, 2008), há indícios de que Rosa apreciasse mesmo a literatura fantástica, incluindo a ficção científica e outros gêneros que a crítica brasileira tradicionalmente desprezou.

(...)

(José Francisco Botelho – VEJA – 12.12.2018 – adaptação)

Sobre esse texto, são feitas as seguintes afirmativas:

I. No período inicial, o leitor é informado do teor da carta de Guimarães Rosa, que consiste na forma como foram concebidos seus contos.

II. O terceiro período enfatiza a diversidade espacial que caracteriza toda a obra de Guimarães Rosa.

III. Todo o segundo parágrafo presta-se a construir a conclusão de que Guimarães Rosa teve de aventurar-se em cenários incomuns e extraordinários, para aquietar-se, como dono, do ambiente que já era seu.

IV. O último parágrafo tem como propósito revelar a reação positiva da crítica brasileira ante esse aspecto surreal da obra de Guimarães Rosa.

É correto o que se afirma somente em:

LiteraturaFAG2018

O acendedor de lampiões

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele que doira à noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua

(Jorge de Lima)

A respeito do poema de Jorge Lima “O acendedor de lampiões”, considere as seguintes afirmações:

I. O poema se desenvolve a partir da oposição entre dois temas: a injustiça social, representada pela pobreza do acendedor de lampiões, e a falsidade de crenças e ideais propostos à sociedade.
II. O poema apresenta um único tema, o da injustiça social, ao qual todas as imagens apresentadas ao longo do texto se subordinam.
III. O poema se desenvolve a partir da comparação entre dois temas distintos, mas complementares: o da contraditória situação vivida pelo acendedor de lampiões, e o da falsidade de crenças e ideais propostosà sociedade.

É CORRETO o que se afirma em:

LiteraturaUNITINS2022

Semeadura

Hugo Pontes

Os gestos de mãos ágeis
semeando a terra;
Os gestos de mãos frágeis
semeando carinho;
Os gestos de mãos gastas
semeando trabalho;
Os gestos de mãos bíblicas
semeando a paz;
Os gestos de mãos dadas
semeando amor;
Os gestos de mãos limpas
semeando honestidade
No universo de preocupações
dos homens já sem mãos.

Pontes,Hugo.Poemas visuais e poesia.São Paulo: Dix Editorial, 2007.

A partir do texto de Hugo Pontes e de conhecimentos pessoais prévios, avalie as afirmativas a seguir.

I. A repetição das mesmas expressões, como “Os gestos de mãos [...]” e “semeando [...]” é um recurso estilístico denominado polissíndeto que, no estrato fonológico, contribui com a musicalidade do poema.

II. No poema que se constrói com paralelismo de versos, isto é, com a mesma construção sintática, as mãos funcionam como sinédoque e representam pessoas que agem de forma persistente para o bem.

III. A repetição do verbo semear, no gerúndio, remete a ações que iniciaram e continuam a ser realizadas. Ou seja, as mãos realizam atos contínuos e positivos a serviço de um mundo melhor. Os dois últimos versos, entretanto, quebram a expectativa do leitor ao revelar homens sem mãos no universo, corrompido pelas preocupações.

É correto o que se afirma em:

LiteraturaUNIPAM2015

Este texto é de Carlos de Drummond de Andrade, publicado no livro Farewell. Leia-o para responder à questão.


Diante de uma criança


Como fazer feliz meu filho?
Não há receitas para tal.
Todo o saber, todo o meu brilho
de vaidoso intelectual


vacila ante a interrogação
gravada em mim, impressa no ar.
Bola, bombons, patinação
talvez bastem para encantar?


Imprevistas, fartas mesadas,
louvores, prêmios, complacências,
milhões de coisas desejadas,
concedidas sem reticências?


Liberdade alheia a limites,
perdão de erros, sem julgamento,
e dizer-lhe que estamos quites,
conforme a lei do esquecimento?


Submeter-se à sua vontade
sem ponderar, sem discutir?
Dar-lhe tudo aquilo que há
de entontecer um grão-vizir?


E se depois de tanto mimo
que o atraia, ele se sente
pobre, sem paz e sem arrimo,
alma vazia, amargamente?


Não é feliz. Mas que fazer
para consolo desta criança?
Como em seu íntimo acender
uma fagulha de confiança?


Eis que acode meu coração
e oferece, como uma flor,
a doçura desta lição:
dar a meu filho meu amor.


Pois o amor resgata a pobreza,
vence o tédio, ilumina o dia
e instaura em nossa natureza
a imperecível alegria.

Julgue os itens a seguir como verdadeiros ou como falsos.


I. O poema, embora pertença à escola modernista, apresenta duas características da escola romântica: o niilismo, registrado na sexta estrofe, e sublimação do amor, registrada na última.
II. A oposição entre o mundo material e o espiritual, típica da escola barroca, registra-se no poema quando do questionamento do eu lírico acerca da possibilidade de o seu filho sentir-se sem paz, sem arrimo, com alma vazia e amarga.
III. Os vários questionamentos feitos e as respectivas respostas revelam o despreparo do eu lírico para com a possibilidade de fazer uma criança feliz.
IV. A progressão temática do poema sustenta-se no par pergunta/resposta por meio do qual se articula um ponto de vista subjetivo sobre os efeitos do amor na relação pai e filho.

É CORRETO o que se afirma em

LiteraturaUSF2019

O romancista Aluísio Azevedo situa sua principal obra em um núcleo de moradia coletiva: “[n]oventa e cinco casinhas comportou a imensa estalagem. As casinhas eram alugadas por mês e as tinas por dia: tudo pago adiantado.” Analise o que se afirma a respeito de alguns personagens dessa estalagem retratada em O cortiço, do referido autor, e assinale o que for correto.

1. A escrava Bertoleza, no início da obra, possuía uma quitanda bastante afreguesada. Para mantê-la, pagava a seu senhor um valor mensal. Depois de morto seu senhor, Bertoleza se amigou com João Romão, que se apropriou do dinheiro dela para iniciar a construção da estalagem.
2. João Romão era empregado de um vendeiro, que lhe deixou a venda e um valor em dinheiro ao retornar a Portugal. Incansável, Romão trabalhou arduamente para ampliar e diversificar seus negócios, tendo como meta alcançar e superar a riqueza de seu vizinho Miranda.
3. Miranda admirava o empenho e a força de João Romão e propôs-lhe sociedade no cortiço, tencionando ampliar a habitação coletiva e multiplicar os lucros, o que lhe seria importante para deixar a mulher adúltera, que era a dona do dinheiro da família.
4. Jerônimo é um dos personagens em que a força do Determinismo do meio se mostra de maneira inequívoca: chega ao cortiço para trabalhar na pedreira e o faz de maneira séria, disciplinada e competente, até conhecer Rita baiana. O português então abrasileira-se e se transforma em um homem displicente e irresponsável.
5. Pombinha é a flor do cortiço. Moradora da estalagem em virtude da falência e posterior suicídio do pai, tem no casamento a oportunidade de sair dali e iniciar nova vida, junto da mãe e do jovem esposo, o comerciante João Costa. Entretanto, moldada pela lama moral do ambiente, acaba cedendo aos imperativos do sexo e se torna prostituta e amante de Léonie.

É correto o que se afirma em

LiteraturaUSF2019

Há um certo consenso, entre os críticos literários, em classificar Vidas secas como um romance circular, já que tanto no primeiro quanto no último capítulo encontramos os mesmos elementos: a seca forçando a retirada da família de Fabiano em busca de uma vida melhor. Entre esses dois capítulos, esses dois movimentos, desenvolve-se a narrativa que é considerada uma das mais importantes de sua geração. Analise o que se afirma a seguir, tendo em mente a totalidade da obra.

I. A seca é elemento onipresente no texto, o motor que gera as mudanças da família. O ambiente hostil e a opressão do meio contribuem para a animalização dos personagens.

II. O universo latifundiário arcaico nordestino é denunciado no capítulo Contas, que mostra as opressivas relações socioeconômicas, com Fabiano permanentemente endividado com o patrão.

III. O capítulo O soldado amarelo registra o momento da vingança de Fabiano que, preso injustamente pelo soldado anteriormente, não hesita em vingar-se, devolvendo a violência que havia sofrido.

IV. Os sonhos de Sinhá Vitória são movidos, paradoxalmente, pela necessidade de manter-se lúcida e ativa em meio ao sofrimento da seca, o que justifica seu mutismo e sua pouca habilidade em comunicar-se.

É correto o que se afirma em

LiteraturaUSF2016

As afirmativas a seguir dizem respeito a alguns elementos das obras lidas, no que concerne a personagens e enredo. Analise-as com atenção.

I. Iracema, no início da narrativa, representa o ideal de mulher romântica: jovem, bela, corajosa, ciente do papel que lhe é destinado na tribo em que vive. Ao conhecer Martim, envolve-se emocionalmente com o português e vira-se contra sua gente, defendendo o direito de viver um grande amor. Sua morte é o castigo por ter rompido com os parâmetros românticos e por ter colocado o individualismo à frente das necessidades da coletividade, o que gerou a destruição de sua tribo.

II. Marcela, a bela prostituta, foi a “primeira comoção” do então jovem Brás Cubas. Encantado pela moça, o narrador passou a gastar às largas para manter aceso o interesse da gentil dama. Iludido, Cubas envolveu-se no jogo amoroso e não hesitava em usar de todos os meios para agradar à moça: dava-lhe dinheiro, dobras de ouro, joias e tecidos caros. Em retribuição, Marcela atendia aos pequenos caprichos do seu protetor. O amor durou até o pai de Brás Cubas descobrir o caso e fechar os bolsos.

III. Augusto Matraga representa a projeção de um herói mítico, que sai da escala dos poderosos e passa a habitar o universo dos marginalizados. Ele representa o mal, mas também o bem; ele é o opressor, mas igualmente o oprimido; é um homem violento que se transforma em um ser abnegado que luta pela justiça. É um personagem dual, persistente e que expressa sua fé de modo que reconheçamos as mudanças que geram a purificação de sua alma, expressa no sacrifício final.

IV. Em “A volta do marido pródigo”, o mulato Lalino Salãthiel vive no interior de Minas Gerais, mas sonha em ir ao Rio de Janeiro viver uma vida de aventuras. Para isso, abandona a mulher Maria Rita, com quem retoma o relacionamento meses depois. O mesmo tema repete-se em “Sarapalha”. Dois primos, atacados pela malária, disputam o amor da mesma mulher. Entretanto, o final trágico de “Sarapalha” – que narra com detalhes o assassinato da mulher desejada e o suicídio do narrador-personagem -, distingue os dois contos.

É correto o que se afirma em

LiteraturaUSF2018

Analise as afirmativas que seguem a respeito dos romances lidos para este exame.

I. Marcela, uma linda dama espanhola, configura-se como o primeiro amor de Brás Cubas. Foi com ela que o narrador-defunto experimentou o primeiro beijo e o despertar da sexualidade. Foi Marcela ainda quem o introduziu nas rodas da alta sociedade fluminense, graças à ótima relação que mantinha com pessoas influentes.

II. Iracema representa o perfil de heroína idealizada, típico do Romantismo. Descrita em comparação com elementos da natureza, a virgem dos lábios de mel sela o próprio destino ao oferecer a Martim a bebida ritual, a jurema.

III. Do túmulo, Brás Cubas, o autor-defunto, narra cronologicamente a sua história, partindo do momento em que ela termina, num exercício autobiográfico inédito até então na literatura brasileira. Seu casamento com Virgília, com quem termina seus dias, ocupa lugar de destaque na narrativa, permeada pela ironia e pelo sarcasmo com que desconstrói os ideais românticos vigentes até então.

IV. Apesar de amar Iracema, Martim opta por se afastar dela, por saber que o relacionamento está condenado pelo enorme abismo cultural entre ambos. Além disso, as saudades da formosa noiva portuguesa, cuja imagem não o abandona, provoca-lhe o desejo de voltar à terra natal, o que faz em companhia do filho, Moacir.

V. Memórias póstumas de Brás Cubas mostra o “amor à glória”, que movia o narrador. Embora nunca tenha trabalhado, Cubas dedicou-se durante a vida a imaginar uma série de estratégias e projetos que pretensamente o tornariam famoso, como a criação do Emplasto Brás Cubas.

É correto o que se afirma em

LiteraturaUSF2017

A produção literária de cada época é classificada de acordo com o conjunto de características comuns, dando origem às escolas ou estéticas literárias. A seguir, você encontrará uma série de afirmações a respeito das escolas, dos autores e das obras que compõem o rico acervo da Literatura brasileira. Analise-as.

I. O Barroco é composto pela produção de Gregório de Matos, que escreve poesia religiosa, satírica, amorosa, filosófica e erótica. O outro nome de destaque nesse momento – Padre Antônio Vieira, que escreve sermões religiosos e de caráter crítico-analítico – não pode ser considerado parte da Literatura nacional devido à sua origem europeia.

II. O Romantismo tem uma produção extensa: três gerações na poesia e romances de temas diversos na prosa. Um dos principais nomes do Romantismo nacional é José de Alencar, que escreveu, dentre outros, o romance indígena Iracema. Nessa obra, a beleza e as qualidades da personagem-título são comparadas a elementos da natureza e se destacam com relação a eles, em um exercício de idealização típico dessa escola literária.

III. O Realismo no Brasil é sinônimo de Machado de Assis. A obra inicial desse movimento, Memórias póstumas de Brás Cubas, traz, entre outras características, a conversa com o leitor, a metalinguagem, as referências intertextuais, a análise psicológica, a quebra de linearidade narrativa e o ceticismo.

IV. O Naturalismo destaca-se pelo desvendamento das misérias humanas no aspecto coletivo, em especial nos espaços em que vivem os menos favorecidos. Influenciadas pelo cientificismo, obras como O cortiço, de Aluísio Azevedo, Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, e O Ateneu, de Raul Pompeia, trazem elementos como o determinismo, o evolucionismo e ocriacionismo.

V. As obras em prosa do Pré-Modernismo estabelecem a problematização do país ao abordar questões pertinentes a regiões do Brasil que permaneciam desconhecidas pela grande maioria dos brasileiros até então. Igualmente engajada, a produção literária da Geração de 30 ecoa os princípios pré-modernistas e traz obras em que denunciam as mazelas locais, em especial do Nordeste brasileiro, como Cacau, Fogo morto, Vidas secas e Capitães da areia.

É correto o que se afirma em