AprendiAprendi
LiteraturaUNIEVA2015

Leia o fragmento a seguir para responder à questão.

O amor não termina - esquece de começar. Não explicar é decorar. O amor que não esqueço é justamente o que não sei os motivos do seu fim. O amor que permanece é aquele que não sei como começou.

CARPINEJAR, Fabrício. Chaleira do mar. In: O amor esquece de começar: crônicas. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. p. 93.

De acordo com o excerto, o início do amor é

LiteraturaUnaerp2014

Texto para aquestão.

Inocentes do Leblon

Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.

De acordo com o contexto do poema, o termo inocentes refere-se

LiteraturaFGV-SP2020

Ele se aproximou e com a voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:

- E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?

- Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa, antes que ele mudasse de ideia.
- E se me permite, qual é mesmo a sua graça?
- Macabéa.
- Maca – o quê?
- Béa, foi obrigada a completar.
- Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.

Clarice Lispector, A hora da estrela.

De acordo com estudiosos de A hora da estrela, muitos dos diálogos entre Macabéa e Olímpico, como o acima reproduzido, possuem, primordialmente, a dupla funcionalidade de produzir, ao mesmo tempo,

LiteraturaUFVJM2019

Para o estudioso da canção brasileira Luiz Tatit, em sua obra O século da canção (2004), os sambistas da década de 1930 destacaram-se pelo desenvolvimento de uma forma poética a partir da prosódia popular dos morros cariocas, retratando o cotidiano de vida permeado pela pobreza, pelo humor e pela boemia. Nas palavras de Tatit: "Alheios a qualquer formação escolar, de ordem musical ou literária, esses sambistas retiravam suas melodias e seus versos da própria fala cotidiana. Serviam-se das entoações que acompanham a linguagem oral e das expressões usadas em conversa. Tais recursos, aliás, já vinham das brincadeiras indígenas e dos rituais religiosos das primeiras levas de negros que aqui chegaram"

De acordo com esse texto, o verso que NÃO apresenta prosódia baseada na linguagem popular é:

LiteraturaENEM2019

Biografia de Pasárgada

Quando eu tinha meus 15 anos e traduzia na classe de grego do D. Pedro II a Ciropédia fiquei encantado com o nome dessa cidadezinha fundada por Ciro, o Antigo, nas montanhas do sul da Pérsia, para lá passar os verões. A minha imaginação de adolescente começou a trabalhar, e vi Pasárgada e vivi durante alguns anos em Pasárgada.

Mais de vinte anos depois, num momento de profundo desânimo, saltou-me do subconsciente este grito de evasão: “Vou-me embora pra Pasárgada!” Imediatamente senti que era a célula de um poema. Peguei do lápis e do papel, mas o poema não veio. Não pensei mais nisso. Uns cinco anos mais tarde, o mesmo grito de evasão nas mesmas circunstâncias. Desta vez, o poema saiu quase ao correr da pena. Se há belezas em “Vou-me embora pra Pasárgada!”, elas não passam de acidentes. Não construí o poema, ele construiu-se em mim, nos recessos do subconsciente, utilizando as reminiscências da infância — as histórias que Rosa, minha ama-seca mulata, me contava, o sonho jamais realizado de uma bicicleta etc.

BANDEIRA, M. Itinerário de Pasárgada. São Paulo: Global, 2012.

O texto é um depoimento de Manuel Bandeira a respeito da criação de um de seus poemas mais conhecidos.

De acordo com esse depoimento, o fazer poético em “Vou-me embora pra Pasárgada!”

LiteraturaUEFS2014

TEXTO:

Aqui, ali, por toda a parte, encontravam-se
trabalhadores, uns ao sol, outros debaixo de pequenas
barracas feitas de lona ou de folhas de palmeira. De um
lado, cunhavam pedra cantando; de outro a quebravam
[5] a picareta; de outro afeiçoavam lajedos a ponta de picão;
mais adiante, faziam paralelepípedos a escopro e
macete. E todo aquele retintim de ferramentas, e o
martelar da forja, e o coro dos que lá em cima brocavam
a rocha para lançar-lhe fogo, e a surda zoada ao longe,
[10] que vinha do cortiço, como de uma aldeia alarmada;
tudo dava a ideia de uma atividade feroz, de uma luta de
vingança e de ódio. Aqueles homens gotejantes de
suor, bêbados de calor, desvairados de insolação, a
quebrarem, a espicaçarem, a torturarem a pedra,
[15] pareciam um punhado de demônios revoltados na sua
impotência contra o impassível gigante que os
contemplava com desprezo, imperturbável a todos os
golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso,
deixando sem um gemido que lhe abrissem as entranhas
[20] de granito. O membrudo cavouqueiro havia chegado à
fralda do orgulhoso monstro de pedra; tinha-o cara a
cara, mediu-o de alto a baixo, arrogante, num desafio
surdo.
A pedreira mostrava nesse ponto de vista o seu
[25] lado mais imponente. Descomposta, com o escalavrado
flanco exposto ao sol, erguia-se altaneira e
desassombrada, afrontando o céu, muito íngreme, lisa,
escaldante e cheia de cordas que mesquinhamente lhe
escorriam pela ciclópica nudez com um efeito de teias
[30] de aranha. Em certos lugares, muito alto do chão, lhe
haviam espetado alfinetes de ferro, amparando, sobre
um precipício, miseráveis tábuas que, vistas cá de baixo,
pareciam palitos, mas em cima das quais uns atrevidos
pigmeus de forma humana equilibravam-se, desfechando
[35] golpes de picareta contra o gigante.
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Nobel. 2009. p. 44.

De acordo com as ideias passadas pelo fragmento de “O cortiço”, de Aluísio Azevedo, os homens que trabalham na pedreira

LiteraturaFUVEST2018

Voltada para o encanto da vida livre do pequeno núcleo

aberto para o campo, a jovem Helena, familiar a todas as

classes sociais daquele âmbito, estava colocada num invejável

ponto de observação. (...)

{5} Sem querer forçar um conflito que, a bem dizer, apenas

se esboça, podemos atribuir parte desta grande versatilidade

psicológica da protagonista aos ecos de uma formação

britânica, protestante, liberal, ressoando num ambiente de

corte ibérico e católico, mal saído do regime de trabalho

{10} escravo. Colorindo a apaixonada esfera de independência da

juventude, reveste-se de acentuado sabor sociológico este caso

da menina ruiva que, embora inteiramente identificada com o

meio de gente morena que é o seu, o único que conhece e ama,

não vacila em o criticar com precisão e finura notáveis, se essa

{15} lucidez não traduzisse a coexistência íntima de dois mundos

culturais divergentes, que se contemplam e se julgam no

interior de um eu tornado harmonioso pelo equilíbriomesmo de

suas contradições.

Alexandre Eulálio, “Livro que nasceu clássico”. In: Helena Morley, Minha vida de menina

De acordo com Alexandre Eulálio, a protagonista do romance Minha vida de menina

LiteraturaUFMS2021

Leia, a seguir, o trecho da obra Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

“O que mais a impressionou no passeio foi a miséria geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste, abatido da gente pobre. Educada na cidade, ela tinha dos roceiros ideia de que eram felizes, saudáveis e alegres. Havendo tanto barro, tanta água, por que as casas não eram de tijolos e não tinham telhas? Era sempre aquele sapê sinistro e aquele "sopapo" que deixava ver a trama de varas, como o esqueleto de um doente. Por que, ao redor dessas casas, não havia culturas, uma horta, um pomar? Não seria tão fácil, trabalho de horas? E não havia gado, nem grande nem pequeno. Era raro uma cabra, um carneiro. Por quê? Mesmo nas fazendas, o espetáculo não era mais animador. Todas soturnas, baixas, quase sem o pomar olente e a horta suculenta. A não ser o café e um milharal, aqui e ali, ela não pôde ver outra lavoura, outra indústria agrícola. Não podia ser preguiça só ou indolência. Para o seu gasto, para uso próprio, o homem tem sempre energia para trabalhar. As populações mais acusadas de preguiça, trabalham relativamente. Na África, na Índia, na Cochinchina, em todaparte, os casais, as famílias, as tribos, plantam um pouco, algumas coisas para eles. Seria a terra? Que seria? E todas essas questões desafiavam a sua curiosidade, o seu desejo de saber, e também a sua piedade e simpatia por aqueles párias, maltrapilhos, mal alojados, talvez com fome, sorumbáticos!…” (BARRETO, Lima, 1983 [1915], p. 61 e 62).

Podemos observar no trecho algumas características como: linguagem coloquial, que apresenta elementos da realidade brasileira, personagens marginalizados e espaços interioranos, com temáticas históricas, sociais, políticas e econômicas.

De acordo com a linguagem, a que movimento pertence Lima Barreto?

LiteraturaFACERES2013

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?

Se formosa a Luz é, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos

De acordo com a leitura do texto e conhecimentos correlatos ao autor dele, escolha a assertiva correta.

LiteraturaUFU2015

A Possêidon

Dádivas colhi do mar e a Possêidon, meu canto.

Se a terra adormece e estéril é seu repouso,

Avanças, poderoso! O fundamento das coisas estremece,

Rochedos fendem-se, crispa-se o arvoredo. Mais que os ventos,

Impões o fluxo e a mudança. Lampejos da aurora se acendem

No poente. Move meu canto, move a Terra num bramido,

Touro do Mar, e um novo reino instaura, dissolvendo

Nas águas a impureza dos feitos. Acenda-se o olhar humano

Em chama renovada e às almas de luz os corpos se reúnam!

SILVA, Dora Ferreira. Hídrias. São Paulo: Odysseus, 2004.p.48.

De acordo com a leitura do poema acima, assinale a alternativa correta.