Sem flecha, na rima
O gurpo de rap Brô MCs, criado no final de 2009, é formado pelos pares de irmãos (daí o “bro”, de brother) Bruno/Clemerson e Kelvin/Charles, jovens que cresceram ouvindo hip hop nas rádios da aldeia Jaguapiru Bororo, em Dourados, Mato Grosso do Sul.
— Desde o começo a gente não queria impor uma cultura estranha que invadisse a cultura indígena — afirma o produtor, chamando a atenção para o grande destaque do Brô MCs: as letras em língua indígena. Expressar-se em língua originária e fazer com que os jovens indígenas percebam a vitalidade do idioma nativo é uma das motivações do grupo.
A dificuldade maior vem dos críticos, que não aceitam o fato de que a cultura indígena é dinâmica e sempre incorpora novidades. — “Mas índio cantando rap?”, tem gente que questiona. O rap é de quem canta, é de quem gosta, não é só dos americanos — avalia Dani [o vocal feminino].
BONFIM, E. Revista Língua Portuguesa, n. 81, jul. 2012 (adaptado).Considerando-se as opiniões apresentadas no texto, a indagação “Mas índio cantando rap?” traduz um ponto de vista que evidencia
Esta história poderia chamar-se "As estátuas". Outro nome possível é "O assassinato". E também "Como matar baratas". Farei então pelo menos três histórias, verdadeiras, porque nenhuma delas mente a outra. Embora uma única, seriam mil e uma, se mil e uma noites me dessem.
LISPECTOR, Clarice, “A quinta história”, In: Felicidade clandestina, Rio de Janeiro: Rocco, 2013. p. 128.O parágrafo acima inicia o conto “A quinta história”, de Clarice Lispector.
Considerando-se as características peculiares à obra da escritora, presentes no conto, é correto afirmar que
“Três pastos, uma casa, uma roça de mandioca, arado, carro de bois, cavalo, gado e cachorro. Uma mulher, doze filhos. O baque da cancela era um adeus a tudo isso. Já tinha sido um homem, agora não era mais nada, não tinha mais nada.”
TORRES, Antônio. Essa Terra. Rio de Janeiro: Record, 2005, 20 ed. edição, p. 67.Considerando-se a totalidade do romance e a temática do trecho acima, é correto afirmar:
Como a temperança, também a justiça é uma virtude comum a toda cidade. Quando cada uma das classes exerce a sua função própria, aquela para a qual a sua natureza é a mais adequada, a cidade é justa. Esta distribuição de tarefas e competências resulta do fato de que cada um de nós não nasceu igual ao outro e, assim, cada um contribui com a sua parte para a satisfação das necessidades da vida individual e coletiva. [...] Justiça é, portanto, no indivíduo, a harmonia das partes da alma sob o domínio superior da razão; no estado, é a harmonia e a concórdia das classes da cidade.
PIRES, Celestino. Convivência Política e Noção Tradicional de Justiça. In BRITO. Ética e Política, Ed. da UFG, 1997.Considerando-se a temática apresentada com frequência no Romance de 30 (segunda fase modernista) e o texto apresentado, pode-se afirmar:
Leia o trecho a seguir.
“Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve-me; porque eu sou desvalido e pobre.” (Salmos, LXXXV, 1)
RUBIÃO, Murilo. O ex-mágico da Taberna Minhota. Obra completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 21.Considerando-se a relação de sentido que se estabeleceentre a epígrafe transcrita e o conto do qual ela foi extraída, o ex-mágico se julga “desvalido e pobre” no desfecho dessa narrativa por
Leia o poema de Mario Quintana para responder à questão.
A carta
Hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amare-
[lecida,
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria…
Eu tenho um medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e
[gáveas…
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!
Considerando-se a mensagem global do poema, pode-se concluir que, no último verso, o sujeito poético
I. “Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve! No aconchego Do claustro, na paciência e no sossego, Trabalha, e teima, e sofre, e sua!”
II. “Bertoleza também trabalhava forte [...] e apesar disso, tinha de parte quase o necessário para a alforria. Um dia , porém, o seu homem, depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morte na rua, ao lado da carroça, estrompado como uma besta.”
Os fragmentos de texto destacados contêm elementos estilísticos percebíveis que permitem inseri-los em um determinado estilo literário.
Considerando-se a linguagem, a temática e a forma, os excertos, respectivamente, pertencem ao
TEXTO:
Nosso Tempo
Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
[5] A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
[10] Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
[15] sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
[20] Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
[25] perderam o sentido, apenas querem explodir.
Esse é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
[30] Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
[35] Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
[40] e pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos.
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. A Rosa do Povo. Rio de Janeiro: Record, 22ª-edição, p. 29-31. Adaptado.O poema “Nosso tempo”, publicado em 1945, continua tão atual quanto na época em que foi escrito.
Considerando-se a informação, a realidade geopolítica do mundo, nesta segunda década do século XXI, está bem representada em
Leia o seguinte trecho do capítulo “Contas”, de Vidas Secas.
Tinha a obrigação de trabalhar para os outros, naturalmente, conhecia do seu lugar. Bem. Nascera com esse
destino, ninguém tinha culpa de ele haver nascido com um destino ruim. Que fazer? Podia mudar a sorte? Se lhe
dissessem que era possível melhorar de situação, espantar-se-ia. (...) Era a sina. O pai vivera assim, o avô também. E
para trás não existia família. Cortar mandacaru, ensebar látegos – aquilo estava no sangue. Conformava-se, não pretendia
[5] mais nada. Se lhe dessem o que era dele, estava certo. Não davam. Era um desgraçado, era como um cachorro, só
recebia ossos. Por que seria que os homens ricos ainda lhe tomavam uma parte dos ossos? Fazia até nojo pessoas
importantes se ocuparem com semelhantes porcarias.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas. 103ª. ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 2007, p.97.)Considerando-se a estética da obra Vidas Secas, evidenciada no fragmento apresentado, é correta afirmar que se trata
Leia os textos abaixo
Texto a) Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas.
Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca; foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste também para esta outra margem ... O que eu não sei é se a tua existência era muito necessária ao século. Quem sabe?
Texto b) Aí tem, o leitor, em poucas linhas, o retrato físico e moral da pessoa que devia influir mais tarde na minha vida; era aquilo com dezesseis anos. Tu que me lês, se ainda fores viva, quando estas página vierem à luz, - tu que me lês, Virgília amada, não reparas na diferença entre a linguagem de hoje e a que primeiro empreguei quando te vi? Crê que era tão sincero então como agora; a morte não me tornou rabugento, nem injusto.
Esses trechos acima são de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
Considerando-os, bem como o romance como um todo, NÃO SE PODE afirmar que