Para responder a questão, leia a quarta estrofe do Canto I de Caramuru, de José de Santa Rita Durão, em que o eu poético se dirige a D. José I, rei de Portugal, a quem o poema é dedicado.
Nele vereis nações desconhecidas,
Que em meio dos sertões a fé não doma,
E que puderam ser-vos convertidas
Maior império que houve em Grécia ou Roma:
Gentes vereis e terras escondidas,
Onde, se um raio da verdade assoma,
Amansando-as, tereis na turba imensa
Outro reino maior que a Europa extensa.
Considerando-se que as “nações desconhecidas” fazem referência aos habitantes nativos do Brasil, pode-se concluir que, na visão do eu poético,
I.
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d‘amor!
ABREU, Casimiro de. Meus oito anos. Os melhores poemas deCasimiro de Abreu. Seleção de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1994. p. 34. Direção de Edla van Steen. II.Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, — algumas vezes gemendo, — mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um — “ai, Nhonhô!” — ao que eu retorquia: — “Cala a boca, besta!”
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 2. ed. São Paulo: FTD, 1992. p. 36.Considerando-se os textos I e II (o segundo contextualizado na obra), é correto afirmar:
“Derrubado pela força do passado misturada ao crivo da mangação, não é que Coriolano agora deu para trocar o dia pelo a noite, como um ente desmamado no mundo, visagem das horas morta?! Vem a manhã, vira de tarde, e ele escorado na rede, de porta fechada, remoendo a vida com fuga, sem sustância para encaminhar um assunto positivo, numa leseira sem nervo, o juízo destornado”.
DANTAS, Francisco J.C. Os Desvalidos. 3 ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012,p.214.Considerando-se o trecho e a obra como um todo, sobre a personagem Coriolano, só não tem comprovação em
Texto para aquestão
CAPÍTULO I
Rubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre*, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista*. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
-Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...
Machado de Assis, Quincas Borba.* Glossário:
“chambre”: espécie de roupão.
“Capitalista”: no contexto, significa homem de posses, que vive de rendimentos.
Considerando-se o primeiro capítulo do romance de Machado de Assis (Quincas Borba) sob o aspecto de sua construção (ou composição), verifica-se que ele se assinala por seu caráter
CENÁRIO
De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio d’água que se dirige para o norte, e engrossado
com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.
É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se
espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito.
[5] Dir-se-ia que, vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os
rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde então a beleza selvática; suas ondas são calmas
e serenas como as de um lago, e não se revoltam contra os barcos e as canoas que resvalam sobre elas:
escravo submisso, sofre o látego do senhor.
Não é neste lugar que ele deve ser visto; sim três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda,
[10] como o filho indômito desta pátria da liberdade.
Aí, o Paquequer lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando,
deixando o pelo esparso pelas pontas do rochedo e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De
repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recua um momento para concentrar as suas forças e
precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa.
José de Alencar, O Guarani.Considerando-se o excerto no contexto da obra, verifica-se que, metaforicamente, as relações de hierarquia que o texto estabelece entre os rios de que fala
Texto para aquestão
Dizem todos, e os poetas juram e tresjuram, que o verdadeiro amor é o primeiro; temos estudado a matéria, e acreditamos hoje que não há que fiar em poetas: chegamos por nossas investigações à conclusão de que o verdadeiro amor, ou são todos ou é um só, e neste caso não é o primeiro, é o último. O último é que é o verdadeiro, porque é o único que não muda. As leitoras que não concordarem com esta doutrina convençam-me do contrário, se são disso capazes.
Isto tudo vem para dizermos que Maria-Regalada tinha um verdadeiro amor ao major Vidigal; o major pagava-lho na mesma moeda. Ora, D. Maria era uma das camaradas mais do coração de Maria-Regalada. Eis aí por que falando dela D. Maria e a comadre se mostraram tão esperançadas a respeito da sorte do Leonardo
Já naquele tempo (e dizem que é defeito do nosso) o empenho, o compadresco eram uma mola real de todo o movimento social.
Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.Considerando-se o excerto no contexto da obra a que pertence, verifica-se que a demanda apresentada pelas três senhoras ao major Vidigal tinha como pressuposto a prática da ingerência de interesses de caráter
TEXTO:
Lembranças de morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
5 E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
10 Do deserto, o poento caminheiro
— Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde o fogo insensato a consumia:
15 Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
20 Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta destes flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar dos teus amores.
25 Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta — sonhou — e amou na vida.
Considerando-se o estilo individual e literário do poeta no poema e as características do período sociocultural e político em que está inserido, é improcedente afirmar:
Alta Cirurgia
O cão com dois corações
vagueia pela cidade:
um coração de artifício
e o coração de verdade.
[5] Exulta a ciência, que obrou
tamanha curiosidade:
metade é glória da URSS,
do Brasil a outra metade.
Se o cão é a doçura mesma
[10] em seu natural, que há de
mais carinhoso que um cão
de dupla cordialidade?
Não para aí, no propósito
de servir à humanidade,
[15] a cirurgia moderna,
gêmea da publicidade.
Já pega de outro cãozinho
com a maior habilidade
(não vá um gesto fortuito
[20] lembrar o Marquês de Sade).
Na carne do bicho abrindo
uma vasta cavidade,
implanta-lhe outra cabeça,
que uma não é novidade.
[25] Cão bicéfalo: prodígio
que nos infla de vaidade.
Nem o cérebro eletrônico
o vence em mentalidade.
Se nos furtam dois ladrões,
[30] dois latidos; acuidade
maior, rendimento duplo:
viva a produtividade.
Dois cães que valem por quatro,
“preparou” a Faculdade,
[35] sem perceber entretanto
do Brasil a realidade:
Tanta gente sem cabeça
merecia prioridade,
e ao cão, que já tem a sua,
[40] essa liberalidade.
E o coração, esse, é pena
dá-lo ao cão, que é só bondade,
quando os doutores do enxerto
tinham mais necessidade.”
Considerando-se o estilo individual e literário do poeta no poema e as características do período sociocultural e político em que está inserido, é correto afirmar:
A partir do século XX, surgem novas linguagens nas artes plásticas, muitas vezes criadas por meio de interseções entre os vários campos da expressão artística.
Considerando-se o enredo de Triste fim de Policarpo Quaresma e a imagem acima, parte do resultado da transposição do romance para o formato de história em quadrinhos, tem-se o retrato do episódio em que se verifica a
A questão está relacionada ao Texto abaixo:
TEXTO
A SERENÍSSIMA REPÚBLICA
(CONFERÊNCIA DO CÔNEGO VARGAS)
Meus Senhores,
Antes de comunicar-vos uma descoberta, que reputo de algum Ilustre para o nosso país, deixai que vos agradeça a prontidão com que acudistes ao meu chamado. Sei que um interesse superior vos trouxe aqui; mas não ignoro também, – e fora ingratidão ignorá-lo, – que um pouco de simpatia pessoal se mistura à vossa legítima curiosidade científica. Oxalá possa eu corresponder a ambas.
Minha descoberta não é recente; data do fim do ano de 1876. [...] Senhores, [...] credes que se possa dar regímen social às aranhas? Aristóteles responderia negativamente, como vós todos, porque é impossível crer que jamais se chegasse a organizar socialmente esse articulado arisco, solitário, apenas disposto ao trabalho, e dificilmente ao amor. Pois bem, esse impossível fi-lo eu. [...] A aranha, Senhores, não nos aflige nem defrauda; apanha as moscas, nossas inimigas, fia, tece, trabalha e morre. Que melhor exemplo de paciência, de ordem, de previsão, de respeito e de humanidade? [...] Sim, Senhores, descobri uma espécie araneídia que dispõe do uso da fala; coligi alguns, depois muitos dos novos articulados, e organizei-os socialmente.
O conto é uma narrativa curta, constituída por uma só célula dramática, um só conflito, um só drama, uma só unidade de ação. Entretanto, o autor pode empregar características distintas ao construir cenas do enredo.
Considerando-se essa afirmação, “A sereníssima república” classifica-se como um conto de gênero híbrido, no qual estão presentes: