Na obra Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles reescreve de forma poética a história oficial de eventos da Inconfidência Mineira, rebelião ocorrida em Vila Rica, no fim do século XVIII, cenário dos “romances” que compõem a referida obra.
Romance LIII ou Das palavras aéreas
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna.
[...]
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
[...]
Ai, palavras, ai, palavras,
íeis pela estrada afora,
erguendo asas muito incertas,
entre verdade e galhofa,
desejos do tempo inquieto,
promessas que o mundo sopra...
Ai, palavras, ai, palavras,
mirai-vos: que sois, agora?
[...]
Perdão podíeis ter sido!
—sois madeira que se corta,
— sois vinte degraus de escada,
— sois um pedaço de corda...
— sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
— sois um homem que se enforca!
Fonte: MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Global, 2012.Com base na leitura dos versos, em que se veem relações entre memória, história e literatura, pode-se fazer o seguinte comentário sobre a linguagem do fazer poético:
Leia os trechos destacados da obra Boca do Inferno, de Ana Miranda:
“Ah, aquela desgraçada cidade, notável desventura de um povo néscio e sandeu. Gregório de Matos foi
informado sobre a morte do alcaide. Sofria ao ver os maus modos de obrar da governança, mas reconhecia
que não apenas aos governantes, mas a toda a cidade, o demo se expunha. Não era difícil assinalar os vícios
em que alguns moradores se depravavam. Pegou sua pena e começou a anotar” (p. 33).
“– Acho que acabou para sempre tua carreira na Relação Eclesiástica, disse Gonçalo Ravasco, rindo.
– Isso ainda veremos. Tratarei de mandar algumas adulações ao arcebispo. Dos meus versos será templo
frequente, onde glórias lhe cante de contino, declarou Gregório de Matos fazendo pantominas.
– Quanta lacônica eloquência!
– Esta é uma grande virtude. Quae fuerant vitia mores sunt. Sim, sim, creio que há vícios que se tornam
virtudes. Tudo depende de quando, como e por que se faz a coisa.
– Para ti tudo são vícios, e por isso vives atormentado com medo do inferno.
– Mas tudo hoje são vícios. E vícios hoje são virtudes” (p. 123-124)”
“A CIDADE DA BAHIA cresceu, modificou-se. Mas haveria de ser sempre um cenário de prazer e pecado,
que encantava a todos os que viviam ou a visitavam, fossem seres humanos, anjos ou demônios. Não
deixaria de ser, nunca, a cidade onde viveu o Boca do Inferno” (p. 331).
Com base na leitura dos trechos e de outros episódios da obra, todas as afirmativas são corretas, EXCETO
Memorial de Aires é o último romance escrito por Machado de Assis, tendo sido publicado em 1908, ano da morte do autor. Obra de caráter autobiográfico, apresenta-se como diversas entradas em uma espécie de diário, em que a relação com a velhice, as dificuldades dos relacionamentos amorosos e afutilidade da elite brasileira no final do século XIX são retratadas por meio de um série de episódios que se intercalam.
O trecho a seguir foi retirado do prefácio Advertência, que introduz a obra.
Quem me leu Esaú e Jacó talvez reconheça estas palavras do prefácio: “Nos lazeres do ofício escrevia o Memorial, que, apesar das páginas mortas ou escuras, apenas daria (e talvez dê) para matar o tempo da barca de Petrópolis”. Referia-me ao Conselheiro Aires. Tratando-se agora de imprimir o Memorial, achou-se que a parte relativa a uns dois anos (1888-1889), se for decotada de algumas circunstâncias, anedotas, descrições e reflexões, — pode dar uma narração seguida, que talvez interesse, apesar da forma de diário que tem. Não houve pachorra de a redigir à maneira daquela outra, — nem pachorra, nem habilidade. Vai como estava, mas desbastada e estreita, conservando só o que liga o mesmo assunto. O resto aparecerá um dia, se aparecer algum dia
ASSIS, Machado de. Memorial de Aires. In:___________. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p. 1096.Com base na leitura dos textos e nas obras de Machado de Assis, é correto afirmar que
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro. [...]
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Com base na leitura do trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade, que integra a coletânea Sentimento do mundo, pode-se afirmar que o autor
Ismael: ¾ Eles morreram porque eram pretos...
Virgínia (com terror) ¾ Foi o destino.
Ismael ¾ (contendo-se ainda) _ Porque eram pretos . (novo tom) ¾ Pensas que
eu não sei?
Virgínia (recuando num sopro de voz) ¾ Não, Ismael, não!...
Ismael ¾ Que fizeste com meus filhos?
Virgínia ( apavorada) ¾ Nada ¾ Não fiz nada....
RODRIGUES, Nelson. Anjo Negro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, p.51.Com base na leitura do trecho acima e na leitura da obra Anjo Negro, assinale a alternativa correta.
Considere-se o poema que Bandeira dedicou a Camões:
Quando n’alma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil tristeza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.
Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza;
Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça [mácula]
O amor da grande pátria portuguesa.
E enquanto o fero [feroz] canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,
Não morrerá sem poetas nem soldados
A língua em que cantaste rudemente
As armas e os barões [homens] assinalados.
(BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 120).
Com base na leitura do texto, é correto afirmar que Manuel Bandeira
Leia o trecho final do conto “A causa secreta”, de Machado de Assis:
De noite, indo repousar uma parenta de Maria Luísa, que a ajudara a morrer, ficaram na sala Fortunato e Garcia, velando o cadáver, ambos pensativos; mas o próprio marido estava fatigado, o médico disse-lhe que repousasse um pouco:
– Vá descansar, passe pelo sono uma hora ou duas: eu irei depois.
Fortunato saiu, foi deitar-se no sofá da saleta contígua, e adormeceu logo. Vinte minutos depois acordou, quis dormir outra vez, cochilou alguns minutos, até que se levantou e voltou à sala. Caminhava nas pontas dos pés para não acordar a parenta, que dormia perto. Chegando à porta, estacou assombrado.
Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-o na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero. Não tinha ciúmes, note-se; a natureza compô-lo de maneira que lhe não deu ciúmes nem inveja, mas dera-lhe vaidade, que não é menos cativa ao ressentimento. Olhou assombrado, mordendo os beiços.
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver; mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram aos borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.
Com base na leitura do texto integral do conto, é correto afirmar:
Aos afetos e lágrimas derramadas na ausência dadama a quem queria bem
Ardor em firme coração nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!
Tu, que em um peito abrasas escondido
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.
Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! Que andou Amor em ti prudente.
Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.
(MATOS, Gregório. In: Clássicos da poesia brasileira. Sel. e org. Frederico Barbosa. São Paulo: Klick, 1997.)
Com base na leitura do texto e em seus conhecimentos sobre o autor e a estética barroca, assinale a alternativa correta:
Capitulo 09
[1] Visitei algumas vezes o Egito subindo o Nilo, partindo do Cairo até chegar de barco a Luxor, __
[2] monumental capital religiosa dos faraós. É um percurso de uns sete dias, e o barco sempre faz
[3] escalas, momento em que os turistas têm __ oportunidade de visitar os monumentos dessa fascinante
[4] civilização. Na última escala de uma dessas viagens, atracamos em Luxor no fim da tarde, e aproveitei
[5] para descer, acompanhado por um guia, e me sentar num café, em uma pequena aldeia próxima __
[6] cidade.
[7] __ brisa estava fresca, e eu descansava prazerosamente do calor pesado do dia, distante do
[8] movimento dos turistas, bebendo um chá, cercado pelos habitantes do lugar, que conversavam e
[9] fumavam seus narguilés, enquanto cabras e crianças circulavam incessantemente.
[10] De repente, uma banda de uns 15 componentes parou em frente ao café, tocando uma música
[11] magnífica. A melodia era de origem árabe, mas tinha um acompanhamento rítmico que era muito
[12] similar ao samba de roda da Bahia. Ao retornar __ noite para o barco, contei para a guia que nos
[13] acompanhava na viagem, uma professora de história da Universidade do Cairo, da minha surpresa
[14] com __ semelhança entre os dois ritmos. Para meu espanto, a guia contou que não era tão
[15] surpreendente assim, pois até o século IX vivia, no lugar que hoje é o sul do Egito e o Norte do Sudão,
[16] um povo chamado iorubá, que, ao perder uma guerra, foi obrigado __ fugir e atravessou a África, até
[17] chegar __ Nigéria trezentos anos mais tarde, no século XII, não mais como povo, por ter se
[18] disseminado no percurso, porém como tribo, sendo os homens negociados tempos depois pelas tribos
[19] locais como escravos, com destino ao Brasil e a Cuba.
MIDANI, André. Do vinil ao download. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 2015. Adaptado.
Com base na leitura do texto é correto afirmar que
Leia o poema a seguir.
Soneto pós-moderno
Cinema Novo, Bossa Nova, tudo
é novo nesta terra! A velharia
nos vem só do estrangeiro. O que seria
do Chaplin sem o velho cine mudo?
Temos tempos modernos! Também mudo
meu modo de pensar a poesia.
Concreto e verso livre contagia,
mas algo mais à frente aguarda estudo:
É o raio do soneto, que ora volta
liberto das amarras do conceito
e sem as igrejinhas de escolta.
Depois do modernismo, vem refeito.
Até o vocabulário já se solta:
ao puro, e ao sujo está sujeito.
MATTOSO, Glauco. Panaceia: sonetos colaterais. São Paulo: Nankin Editorial, 2000. p. 78.Com base na leitura do texto acima, é correto afirmar que o poema