Com base em assuntos estudados na literatura brasileira contemporânea, também considerando as peculiaridades e as características estéticas de alguns autores classificados como de tendência contem porânea, assinale a alternativa CORRETA.
Tapera de arraial. Ali, na beira do rio Pará, deixaram largado um povoado inteiro: casas, sobradinho,
capela; três vendinhas, o chalé e o cemitério; e a rua, sozinha e comprida, que agora nem mais é uma
estrada, de tanto que o mato a entupiu.
Ao redor, bons pastos, boa gente, terra boa para o arroz.
E o lugar já esteve nos mapas, muito antes da malária chegar.
(...)
É de-tardinha, quando as mutucas convidam as muriçocas de volta para casa, e quando o carapanã
rajado mais o mossorongo cinzento se recolhem, que ele aparece, o pernilongo pampa, de pés de prata e
asas de xadrez.
Guimarães Rosa.
Com a publicação de Sagarana, em 1946, Guimarães Rosa criou um tipo peculiar de regionalismo literário, cujas principais características foram sua original linguagem e a
19 de abril [1888]
Lá se foi o barão com a alforria dos escravos na mala. Venha,que é tempo. Ainda me lembro que lia na Europa, a nosso respeito, por ocasião da famosa proclamação de Lincoln. Mais de um jornal fez alusão nominal ao Brasil, dizendo que restava agora que um povo cristão e último imitasse aquele e acabasse também com seus escravos. Espero que hoje nos louvem. Ainda que tardiamente, é a liberdade, como queriam a sua os conjurados de Tiradentes.
7 de maio [1888]
O ministério apresentou hoje à Câmara o projeto de abolição. É a abolição pura e simples. Dizem que em poucos dias será lei.
13 de maio [1888]
Enfim, lei. (...) confesso que senti grande prazer quando soube da votação final do Senado e da sanção da Regente. Estava na Rua do Ouvidor, onde a agitação era grande e a alegria geral.
(Machado de Assis. Memorial de Aires. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Obra completa, v. I, 1986, p. 1117-18)Com a proclamação de Lincoln, referida no texto de Machado de Assis, a guerra civil norte-americana, conhecida como Guerra de Secessão,
Mal secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasília: Alhambra, 1995Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo são julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que
“Mas que sensibilidade! Agora não apenas por causa do quadro de uvas e peras e peixe morto brilhando nas escamas. Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebrada. E se quisesse podia permitir-se o luxo de se tornar ainda maissensível, ainda podia ir mais adiante: porque era protegida por uma situação, protegida como toda a gente que atingiu uma posição na vida. Como uma pessoa a quem lhe impedem de ter a sua desgraça. Ai que infeliz que sou, minha mãe. Se quisesse podia deitar ainda mais vinho no copo e, protegida pela posição que alcançara na vida, emborrachar-se ainda mais, contanto que não perdesse o brio. E assim, mais emborrachada ainda, percorria os olhos pelo restaurante, e que desprezo pelas pessoas secas do restaurante, nenhum homem que fosse homem a valer, que fosse triste. Que desprezo pelas pessoas secas do restaurante, enquanto ela estava grossa e pesada, generosa a mais não poder. E tudo no restaurante tão distante um do outro como se jamais um pudesse falar com o outro. Cada um por si, e lá Deus por toda a gente.”
(LISPECTOR, C. Devaneio e embriaguez de uma rapariga. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 14-5)Clarice Lispector se caracterizou por uma escrita bastante sensível e precisa, em busca de uma revelação maior do sujeito, na sua inglória afirmação de ser. Sua capacidade de percepção do mínimo dava a ela uma condição bastante elegante na hora de tecer elementos capazes de propor uma leitura da condição humana em luta consigo mesma. No conto, Clarice se esmerou na capacidade de atingir o alvo com mais brevidade e ambição econômica de espaço. No parágrafo do conto acima, o personagem é descrito tentando juntar duas pontas, a dele e a dos outros à sua volta, no restaurante, mas, enquanto se embriaga, não deixa de cavar um imenso abismo entre ele e o próprio mundo. Isso significa que:
Clarice Lispector estreou na literatura com a obra
Reclame
Se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo
ótica olho vivo
agradece a preferência
CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.
Chacal é um dos representantes da geração poética de 1970. A produção literária dessa geração, considerada marginal e engajada, de que é representativo o poema apresentado, valoriza
Católico, modernista, regionalista, pintor, fotógrafo, poeta, prosador, crítico, político e médico: esses foram alguns dos predicados atribuíveis a Jorge de Lima, ao longo das suas quase seis décadas de vida. No entanto, quando pensamos no escritor alagoano, pensamos basicamente no poeta e, particularmente, em sua obra maior: Invenção de Orfeu. Sobre essa obra, publicada em 1952, é correto afirmar que se trata de um poema:
É noite! Treme a lâmpada medrosa
Velando a longa noite do poeta...
Além, sob as cortinas transparentes
Ela dorme... formosa Julieta!
Entram pela janela quase aberta
Da meia-noite os preguiçosos ventos
E a lua beija o seio alvinitente
- Flor que abrira das noites aos relentos.
O Poeta trabalha!... A fronte pálida
Guarda talvez fatídica tristeza...
Que importa? A inspiração lhe acende o verso
Tendo por musa - o amor e a natureza!
E como o cáctus desabrocha a medo
Das noites tropicais na mansa calma,
A estrofe entreabre a pétala mimosa
Perfumada da essência de sua alma.
No entanto Ela desperta... num sorriso
Ensaia um beijo que perfuma a brisa... ...
A Casta-diva apaga-se nos montes...
Luar de amor! Acorda-te, Adalgisa!
(Castro Alves, “Aves da arribação”. In: Espumas Flutuantes)Castro Alves, poeta da 3ª geração romântica no Brasil, faz amplo uso de recursos expressivos em sua obra. Nos versos transcritos, essa tendência é exemplificada por meio
No filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, a mensagem de carpe diem é transmitida a jovens estudantes para lembrar a brevidade da vida e a urgência de vivê-la de forma extraordinária. Carpe diem é viver o hoje sem preocupações com o amanhã. É desfrutar a vida e os prazeres do momento em que se vive. Essa expressão tem o objetivo de lembrar que a vida é breve e efêmera, razão pela qual cada instante deve ser aproveitado.
Disponível em: <https://www.significados.com.br/carpe-diem/>. Acesso em: 19 set. 17. (Parcial e adaptado.)Carpe diem é uma convenção do período literário denominado