Texto para aquestão.
O sertanejo é, antes de tudo, um forte.
Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos
do litoral.
A sua aparência, porém, ao primeiro lance de
[5] vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o
desempeno, a estrutura corretíssima das organizações
atléticas.
É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-
Quasímodo, reflete, no aspecto, a fealdade típica dos
[10] fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e
sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados.
Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar
de displicência que lhe dá um caráter de humildade
deprimente. (...)
[15] É um homem permanentemente fatigado.
Reflete a preguiça invencível, a atonia muscular
perene, em tudo: na palavra remorada, no gesto
contrafeito, no andar desprumado, na cadência langorosa
das modinhas, na tendência constante à imobilidade e à
[20] quietude.
Entretanto, toda esta aparência de cansaço
ilude.
Naquela organização combalida, operam-se, em
segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento
[25] de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das
energias adormidas. O homem transfigura-se. Emper-
tiga-se; (...) e corrigem-se-lhe, prestes, numa descarga
nervosa instantânea, todos os efeitos do relaxamento
habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu
[30] canhestro, reponta inesperadamente o aspecto dominador
de um titã acobreado e potente, num desdobramento
surpreendente de força e agilidade extraordinárias.
No romance Os Sertões, o autor ressalta muitos atributos do sertanejo.
Baseando-se nisso, aquele atributo que se evidencia pela característica socialmente positiva encontra-se no trecho
Os leitores devem estar lembrados de que o nosso antigo conhecido, de quem por algum tempo nos temos esquecido, o Leonardo-Pataca, apertara-se em laços amorosos com a filha da comadre, e que com ela vivia em santa e honesta paz. Pois este viver santo e honesto deu em tempo oportuno o seu resultado. Chiquinha (era este o nome da filha da comadre), achou-se de esperanças e pronta a dar à luz. Já veem os leitores que a raça dos Leonardos não se há de extinguir com facilidade.
(Memórias de Um Sargento de Milícias, Manuel Antonio de Almeida)Baseado no trecho acima e na obra em questão, assinale a afirmação INADEQUADA:
Leia o trecho abaixo, extraído da obra Inocência, de Visconde de Taunay, e respondaà questão.
TEXTO
- Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que vem curar-te de vez.
- Boas-noites, dona, saudou Cirino.
Tímida voz murmurou uma resposta, ao passo que o jovem, no seu papel de médico, se sentava num escabelo junto à cama e tomava o pulso à doente.
Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o rosto, parte do colo e da cabeça, coberta por um lenço vermelho atado por trás da nuca.
Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.
Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces.
Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca pequena, e o queixo admiravelmente torneado.
Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, descera um nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nu um colo de fascinadora alvura, em que ressaltava um ou outro sinal de nascença.
Razões de sobra tinha, pois, o pretenso facultativo para sentir a mão fria e um tanto incerta, e não poder atinar com o pulso de tão gentil cliente.
- Então? - perguntou o pai.
- Febre nenhuma, respondeu Cirino, cujos olhos fitavam com mal disfarçada surpresa as feições de Inocência.
- E que temos que fazer?
- Dar-lhe hoje mesmo um suador de folhas de laranjeira da terra a ver se transpira bastante e, quando for meia-noite, acordar-me para vir administrar uma boa dose de sulfato.
Levantara a doente os olhos e os cravara em Cirino, para seguir com atenção as prescrições que lhe deviam restituir a saúde.
Baseado na obra Inocência, assinale a alternativa INCORRETA:
Avessas ao racionalismo da moderna civilização técnica, as narrativas de João Guimarães Rosa apostam em uma representação mitopoética, próxima à visão do homem rústico e da criança. Nesse sentido, é sintomático que os contos “As margens da alegria” e “Os cimos”, que servem como uma espécie de moldura às Primeiras estórias, sejam narrados do ponto de vista de:
Autores que pretenderam representar O romance regionalista de 30 propuseram:
Para responder à questão, leia o trecho a seguir, retirado da obra Porteira Fechada.
Guedes, o homem de olhar bom, barbudo e encurvado, que se achava sentado defronte ao capitão, meditava na sua história, no destroço da sua vida. Cada anoitecer o encontrava mais desgraçado. Ele não contava o princípio da sua decadência pelo dia em que se mudara pra cidade. Datava-o do dia em que, indo a trote pela estrada, evitando as pedras para poupar o cavalo, sem avistar ninguém, nem no corredor nem nos campos, os seus olhos ardidos do solaço deram com um rombo no aramado. Perto, viu uma ponta de ovelhas esparramadas na encosta duma coxilha. Quase sem pensar, deu de rédeas ao cavalo e entrou na invernada. (...) Ariscas, algumas sentavam. Deixava que se escapassem, como um refugo proposital. Boleou-se do cavalo, então, e saiu num frenesi, errando manotaços na lã crescida e crivada de flechilha do capão rome. Enraivecera-se. (...) Desesperado, apedrejou-o, como que apedrejasse um bicho desprezível.
Acertou-lhe na cabeça. O capão testavilhou e rodou logo adiante. Suado, exausto e furioso, João Guedes arrancou da faca e sangrou-o como quem sangrasse um inimigo. (...) Quando se viu na estrada, à noitinha, carregando a presa atravessada na garupa e sentindo a ardência no peito, dor na lagarta das pernas e suor gelado na testa, horrorizou-se do que fizera e jurou jamais repetir semelhante façanha. Entretanto, instigado pelas próprias necessidades e pelo conluio encorajador com o Fagundes, recaiu uma e outra vez, até o flagrante em que foi preso. Fazia agora dois meses que se achava em liberdade, porém se considerava mais prisioneiro que nunca. Tinham sido dois meses terríveis, esses. Perdera a filha, vendera o cavalo, vendera os arreios, Maria José secava dia a dia, passavam fome. Na véspera, percorrera a cidade à cata duma changa qualquer. Tratara a limpeza dum sítio por oito mil réis. Compreendia que não era serviço pra um homem da sua idade e no seu estado. Talvez caísse no meio das ervas... Depois disso, qual seria o seu próximo passo?
Autor de um conjunto de obras conhecido como _________________, o escritor gaúcho _________________ apresenta forte crítica social ao mostrar _________________ a partir do ponto de vista do _________________
Autor de nove romances, Machado de Assis é considerado não apenas o ponto mais alto da prosa literária dos oitocentos brasileiro, mas também o autor de personagens que estão entre os mais conhecidos e marcantes da nossa literatura. Dentre os nomes abaixo, quais personagens foram frutos da criação de Machado de Assis?
O autor lança um novo romance ‘Essa Gente’, em 14 de novembro. É o primeiro livro lançado pelo escritor desde que ele venceu o Prêmio Camões, o principal troféu literário da língua portuguesa, em maio deste ano.
O diploma do prêmio é assinado pelos presidentes do Brasil e Portugal, mas Jair Bolsonaro deu a entender nesta semana que não vai firmar o documento do prêmio concedido ao compositor, um seu crítico e adversário político.
Autor de livros como Budapeste, Leite Derra mado, O Irmão Alemão, o escritor em questão é:
“À noite parecia-me ouvir passos no jardim. Por que diabo aquele Tubarão não ladrava? O safado do cachorro ia perdendo o faro
Erguia-me, pegava o rifle, soprava a luz, abria a janela:
— Quem está aí?
Seria inimigo, gente dos Gama, do Pereira, do Fidélis? Pouco provável. As ameaças tinham cessado: eu e Casimiro Lopes criávamos ferrugem. Instintivamente, resguardava-me colado à parede. Julgava distinguir um vulto.
— Quem está aí? É bicho de fôlego ou é marmota? Não responde não?
E lá ia no silêncio um tiro que assustava os moradores, fazia Madalena saltar da cama, gritando.
— Que foi? Gemia Madalena aterrada.
— São os seus parceiros que andam rondando a casa. Mas não tem dúvida: qualquer dia fica um diabo aí estirado.”
Entre os vários talentos revelados durante o ciclo do regionalismo nordestino brasileiro, Graciliano Ramos foi o maior.
Autor de linguagem direta e correta, moldada em um estilo seco, conciso, com poucos adjetivos, Graciliano soube equilibrar a investigação profunda dos problemas sociais nordestinos com a análise psicológica de suas personagens, unindo o
Texto base:
“Mulher: Que é isso, João, você está em casa! Diga!
João Grilo: É que o gato que eu lhe trouxe descome
dinheiro.
Mulher: Descome dinheiro?
João Grilo: Descome sim.
Mulher: Essa eu só acredito vendo!
[...]
João Grilo: Está aí o gato.
Mulher: E daí?
João Grilo: É só tirar o dinheiro.
Mulher: Pois tire!
[...]
João Grilo: (Virando o gato pra Chicó, com o rabo
levantado) Tire aí, Chicó!
Chicó: Eu não, tire você!
[...]
João Grilo: (Passa a mão no traseiro do gato e tira
uma prata de cinco tostões.) Está aí, cinco tostões que
o gato lhe dá de presente”.
(SUASSUNA, Ariano.Auto da compadecida. Rio de Janeiro: Agir, 2005. p. 77-79).Auto da compadecida é uma peça produzida com base em romances e histórias populares do Nordeste. O texto aproxima-se dos espetáculos de circo e da tradição popular, por isso, a sua relação com o tragicômico. O texto base apresenta trechos que constituem um diálogo a respeito de um gato que descome dinheiro, trechos retirados da peça teatral acima mencionada. Sobre Auto da compadecida, é correto afirmar: