Em O Mulato, de Aluísio de Azevedo, o retorno de Raimundo, da Europa, indica que a educação reflete bem as correntes filosóficas e de pensamento do final do século XIX.
Assinale a alternativa que identifica corretamente essa questão.
A questão está relacionada ao Texto abaixo:
TEXTO
A SERENÍSSIMA REPÚBLICA
(CONFERÊNCIA DO CÔNEGO VARGAS)
Meus Senhores,
Antes de comunicar-vos uma descoberta, que reputo de algum Ilustre para o nosso país, deixai que vos agradeça a prontidão com que acudistes ao meu chamado. Sei que um interesse superior vos trouxe aqui; mas não ignoro também, – e fora ingratidão ignorá-lo, – que um pouco de simpatia pessoal se mistura à vossa legítima curiosidade científica. Oxalá possa eu corresponder a ambas.
Minha descoberta não é recente; data do fim do ano de 1876. [...] Senhores, [...] credes que se possa dar regímen social às aranhas? Aristóteles responderia negativamente, como vós todos, porque é impossível crer que jamais se chegasse a organizar socialmente esse articulado arisco, solitário, apenas disposto ao trabalho, e dificilmente ao amor. Pois bem, esse impossível fi-lo eu. [...] A aranha, Senhores, não nos aflige nem defrauda; apanha as moscas, nossas inimigas, fia, tece, trabalha e morre. Que melhor exemplo de paciência, de ordem, de previsão, de respeito e de humanidade? [...] Sim, Senhores, descobri uma espécie araneídia que dispõe do uso da fala; coligi alguns, depois muitos dos novos articulados, e organizei-os socialmente.
Assinale a alternativa que expressa, adequadamente, o foco narrativo do texto:
Leia abaixo o poema extraído da poesia palaciana portuguesa encontrada no Cancioneiro geral.
Cantiga a uma mulher que lhe disse que não curasse de a servir, que perderia muito nisso
Quem pode tanto perder,
que mais perdido não seja,
quem vos viu e se deseja
livre de vosso poder!
E neste conhecimento,
inda que faleça amor,
o que menos vosso for,
tem menos contentamento
e na culpa maior dor.
Pois que posso eu perder,
s’isto tudo em mim sobeja,
que mais perdido não seja,
vivendo sem vosso ser?
RESENDE, Jorge de. In: RESENDE, Garcia de (org.). Cancioneiro geral, v. 3. Stuttgart: Gedruckt auf Kosten des litterarischen Vereins, 1852, p. 326-327.Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE a temática central do poema.
Leia o texto a seguir, de autoria de Machado de Assis, para poder responder à questão:
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria e ousadia da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
Assinale a alternativa que expressa a verdade em relação à frase “Ao vencedor, as batatas”:
No conto “O espelho”, de Machado de Assis, uma personagem assume a palavra e narra uma história.
(Machado de Assis, O espelho. Campinas: Editora da Unicamp, 2019.)Assinale a alternativa que explicita sua interlocução com os cavalheiros presentes.
De acordo com a obra “O Pagador de Promessas” responda à questão.
A obra “O Pagador de Promessas” de Dias Gomes, narra a história de Zé-do Burro. Um homem de modos simples, porém muito fiel ao amor que destina ao amigo Nicolau e à fé em Santa Bárbara, para quem fez a promessa que fundamenta a história, sendo a grande causa do seu início e fim.
ASSINALE a alternativa que explica o motivo pelo qual Zé-do-Burro não foi capaz de cumprir a sua promessa.
Leia o trecho a seguir, do conto O peru de Natal, de Mário de Andrade, e responda a questão.
O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, duma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro sangue dos desmancha-prazeres.
Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira a mamãe a ideia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.
(ANDRADE, M. de. O peru de Natal. In: Contos novos. 13. ed. Belo Horizonte; Rio de Janeiro: Villa Rica, 1990. p. 75.)Assinale a alternativa que estabelece, corretamente, a conexão do trecho do conto com o Modernismo.
TEXTO
16
Meu avô me levava sempre em suas visitas de corregedor às terras de seu engenho. Ia ver de perto os seus moradores, dar uma visita de senhor nos seus campos. O velho José Paulino gostava de percorrer a sua propriedade, de andá-la canto por canto, entrar pelas suas matas, olhar as suas nascentes, saber das precisões de seu povo, dar os seus gritos de chefe, ouvir queixas e implantar a ordem. Andávamos muito nessas suas visitas de patriarca. Ele parava de porta em porta, batendo com a tabica de cipó-pau nas janelas fechadas. Acudia sempre uma mulher de cara de necessidade: a pobre mulher que paria os seus muitos filhos em cama de vara e criava-os até grandes com o leite de seus úberes de mochila. Elas respondiam pelos maridos:
— Anda no roçado.
— Está doente.
— Foi pra rua comprar gás.
Outras se lastimavam de doenças em casa, com os meninos de sezão e o pai entrevado em cima da cama. E quando o meu avô queria saber por que o Zé Ursulino não vinha para os seus dias no eito, elas arranjavam desculpas:
— Levantou-se hoje do reumatismo.
O meu avô então gritava:
— Boto pra fora. Gente safada, com quatro dias de serviço adiantado e metidos no eito do Engenho Novo. Pensam que eu não sei? Toco fogo na casa.
— É mentira, seu coronel. Zé Ursulino nem pode andar. Tomou até purga de batata. O povo foi contar mentira pro senhor. Santa Luzia me cegue, se estou inventando.
E os meninos nus, de barriga tinindo como bodoque. E o mais pequeno na lama, brincando com o borro sujo como se fosse com areia da praia.
— Estamos morrendo de fome. Deus quisera que Zé Ursulino estivesse com saúde.
— Diga a ele que pra semana começa o corte da cana.
(REGO, José Lins do. Menino de engenho. 102. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 2010. p. 57-58.)Menino de engenho, de José Lins do Rego, é narrado por Carlinhos e se passa na fazenda de açúcar do avô do menino. No fragmento apresentado (Texto), o narrador expressa o seu ponto de vista sobre a relação entre o avô e os agregados da fazenda.
Assinale a alternativa que corretamente sintetiza o ponto de vista do narrador em relação ao avô:
Leia o texto Tragédia brasileira, de Manoel Bandeira:
Misael, funcionário público da Fazenda, com 63 anos de idade.
Conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituta com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado da Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo que ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa. Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava um namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.
(BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 2009, pp. 135-136.)Assinale a alternativa que corretamente evidencia uma das características da modernidade nesse texto de Manuel Bandeira:
Leia o poema Cota zero, de Carlos Drummond de Andrade, apresentado a seguir:
STOP.
A vida parou
ou foi o automóvel?
Assinale a alternativa que corretamente demonstra um poeta irônico e, ao mesmo tempo, sintonizado com o progresso técnico presente na poesia modernista brasileira: