Assinale a alternativa correta.
Sobre Clara dos Anjos (1948), de Lima Barreto, considere as seguintes afirmativas:
1. Narrado em terceira pessoa, o romance aborda a temática da moça pobre, Clara dos Anjos, que é desencaminhada por um rapaz, Cassi Jones, levando-a a constatar a fragilidade social de sua família: “Nós não somos nada nesta vida”.
2. A linguagem empregada pelo narrador para contar a triste história de Clara incorpora registros linguísticos coloquiais, trazendo para dentro do romance o modo pelo qual aquele universo social se relaciona com a língua portuguesa.
3. O processo de sedução de Clara por Cassi Jones revela uma forte tensão social entre a aristocracia local, representada pela família do sedutor, e a classe trabalhadora, representada pela família do carteiro Joaquim dos Anjos.
4. Apesar da educação baseada no desenvolvimento cognitivo e emocional, Clara dos Anjos é corrompida pelo meio social no qual ela vive: o gosto de seu círculo social por modinhas a leva a conhecer o sedutor Cassi Jones.
Assinale a alternativa correta.
Leia o poema a seguir, retirado do livro Claro enigma (1951), de Carlos Drummond de Andrade:
O CHAMADO
Na rua escura o velho poeta
(lume de minha mocidade)
já não criava, simples criatura
exposta aos ventos da cidade.
Ao vê-lo curvo e desgarrado
na caótica noite urbana,
o que senti, não alegria,
era, talvez, carência humana.
E pergunto ao poeta, pergunto-lhe
(numa esperança que não digo)
para onde vai – a que angra serena,
a que Pasárgada, a que abrigo?
A palavra oscila no espaço
um momento. Eis que, sibilino,
entre as aparências sem rumo,
responde o poeta: Ao meu destino.
E foi-se para onde a intuição,
o amor, o risco desejado
o chamavam, sem que ninguém
pressentisse, em torno, o Chamado.
Assinale a alternativa correta.
Sobre as características do Teatro de Revista que correspondem à estrutura de A Capital Federal, considere as afirmativas a seguir.
I. O tema das peças se concentra em intrigas amorosas, conduzidas de forma improvisada, de acordo com a reação do público.
II. O tema das peças gira em torno de uma personagem em busca de algo que a obriga a vagar pela cidade, conhecê-la e encontrar seus tipos característicos.
III. A ação dramática é dinâmica, comportando várias personagens, múltiplos espaços e saltos temporais.
IV. A ação dramática é desencadeada por conflitos internos e externos das personagens e recheada de emoções subjetivas.
Assinale a alternativa CORRETA.
Texto
SUJEITO INDIRETO
Quem dera eu achasse um jeito
de fazer tudo perfeito,
feito a coisa fosse o projeto
e tudo já nascesse satisfeito.
[5] Quem dera eu visse o outro lado,
o lado de lá, lado meio,
onde o triângulo é quadrado
e o torto parece direito.
Quem dera um ângulo reto.
[10] Já começo a ficar cheio
de não saber quando eu falto,
de ser, mim, indireto sujeito.
Analise as proposições em relação à obra Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras., Paulo Leminsky, e ao Texto – SUJEITO INDIRETO.
I. A leitura do poema evidencia uma metalinguagem com duplicidade irônica, pois apresenta uma contestação aos elementos da construção gramatical, e, em consequência desta contestação, desvela um eu poético desiludido.
II. A obra de Leminsky está entre a oralidade e o rigor da construção formal, pois utiliza vários recursos estilísticos, provérbios, humor, trocadilhos da cultura popular, recursos visuais de publicidade, entre outros. No entanto, o poeta também valoriza recursos do poema tradicional – as rimas, essência para a estrutura rítmica dos seus poemas.
III. O poeta faz um jogo de palavras em relação ao título e à inversão do título, no verso 12, como forma de recuperar o sentido mais amplo que o poeta tenciona dar ao poema – uma tentativa de resgatar a essência do poema – a poesia.
IV. Da leitura dos versos “Quem dera eu visse o outro lado, / o lado de lá, lado meio” deduz-se que o poeta está se referindo a um enigma, ou seja, a incógnita que a vida representa.
V. A repetição da estrutura “Quem dera”, nos versos um, cinco e nove, reflete o probabilismo de contestação e o descontentamento do eu-poético no mundo atual, razão pela qual o poeta usa o verbo no pretérito mais que perfeito.
Assinale a alternativa correta.
Texto
O IMPOSSÍVEL CARINHO
Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
-Eu soubesse repor-
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
Bandeira, Manuel. Melhores poemas, seleção de Francisco Assis Barbosa; [direção Edla Van Steen] -17 ed. — São Paulo: Global, 2015, p 77.Analise as proposições em relação à obra Melhores poemas, Manuel Bandeira, e ao Texto.
I. Da leitura do poema, reforçado pelo verso “As mais puras alegrias de tua infância”, infere- se que os momentos alegres da infância ajudam a curar as mágoas.
II. No verso “Quero apenas contar-te a minha ternura” a palavra destacada, quanto à morfologia, é conjunção temporal, logo pode ser substituída por antes que, pois não há prejuízo quanto à sintaxe e ao sentido, no poema.
III. O sinal de pontuação, travessão ( — ), no verso “-Eu soubesse repor-”, é usado para enfatizar o caráter dissonante e confuso do sentimento que o poeta nutre pelo ser amado e sinalizar a poeticidade.
IV. Da leitura do poema, infere-se que o título do poema traduz a impossibilidade do ato de ternura a que o poeta — eu lírico, se propõe, como também justifica o distanciamento do eu-lírico da mulher amada.
V. Na obra Melhores poemas a maior parte dos poemas apontam características da escola romântica como nacionalismo, valorização da línguaF — uso da linguagem coloquial e valorização da natureza, além de algumas tragédias de amor não correspondido.
Assinale a alternativa correta.
TEXTO 4
O comissário pediu que o gerente o ajudasse, reunindo todos, incluindo os dois
cozinheiros, o garçom e a garçonete. Ia começar anotando nomes, endereço, telefone, e-
mail. Ali seria um interrogatório preliminar, quem sabe alguém tivesse não percebido o
tiro, porém visto quem lá de baixo atirara, se ela havia chegado sozinha ou com alguém,
[5] e de que modo este alguém se evaporara. O médico persistia falando do salto alto, que
as jovens de hoje querem ter um metro e oitenta ou mais, a que ali estava deveria ter em
torno de um e setenta, e pesar talvez uns cinquenta e cinco quilos, por que então aquele
salto para ficar uns centímetros mais alta? O comissário observou-a com susto: lembrava
a filha do delegado, bonita, corpo bem modelado no jeans, uma blusa leve com as tais
[10] florzinhas azuis, cabelos curtos, escuros, morena, olhos azuis. Uma pequena bolsa,
presa na mão direita, puxou-a, abriu, nenhum documento, nada que a identificasse.
Chegou a equipe do Samu, o médico confirmou o que havia explicado seu colega: o
comissário pediu que dessem uma rápida examinada na roupa, ver se encontravam algo
que permitisse mais adiante descobrir onde fora comprada, e isso fosse um modo
[15] possível de identificá-la.
MIGUEL, Salim. Nós. Florianópolis: Editora da UFSC. 2015, pp.57/58.Analise as proposições em relação à obra Nós, Salim Miguel, e ao Texto 4.
I. Em “Ia começar anotando nomes, endereço, telefone, e-mail” (linhas 2 e 3) as vírgulas foram usadas para separar termos com a mesma função sintática: objeto direto.
II. Da estrutura verbal “e de que modo este alguém se evaporara” (linha 5), deduz-se que havia alguém com a moça assassinada, e que este passou a ser indiciado como o principal suspeito do suposto crime. III. No período “Chegou a equipe do Samu, o médico confirmou o que havia explicado” (linha 12) os vocábulos destacados são, na morfologia, sequencialmente, artigo definido, artigo definido e pronome demonstrativo.
IV. O desfecho da obra mostra que o comissário tem as provas concretas para identificar o assassino, sendo que esse “nó”, na narrativa, consegue ser desatado.
V. No período “O comissário pediu que o gerente o ajudasse” (linha 1), a oração destacada, em relação à primeira, quanto à sintaxe, é subordinada substantiva objetiva direta.
Assinale a alternativa correta.
TEXTO 2
Dr. Junqueira é doido pela “Valsa n0 6”!
(dramatizando um velho)
Ah, toca a valsa, minha filha, pelo amor de Deus!
(avança até a boca de cena)
[5] Paulo, eu te odeio, e por quê, Paulo?
(num apelo)
Que fizeste de mim, do meu rosto e dos meus 15 anos?
(feroz)
Se eu pudesse enterrar as unhas na carne macia do teu pescoço!
[10] (suplicante)
Dize, ao menos, o que eu sou de ti?
Noiva?
Prima?
Cunhada?
[15] (exasperada)
Que sou eu de ti?
(triunfante)
Esperem, esperem!
(corre ao piano, e toca a “Valsa n0 6”)
[20] Estou-me lembrando! Aos poucos...
(para a plateia)
Paulo cresce como um lírio espantado...
(desenha, com uma das mãos, o lento crescer do lírio simbólico)
Vejo a testa, as sobrancelhas, os olhos, o puro contorno dos lábios!
[25] (estaca)
Mas tua fisionomia está mutilada!
(num lamento)
Faltam várias feições!
(com deslumbramento)
RODRIGUES, Nelson. Valsa no 6. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 2012. p.25Analise as proposições em relação à obra Valsa no 6, Nelson Rodrigues, e ao Texto 2.
I. Nelson Rodrigues buscou em sua obra teatral, representada por um monólogo, trazer à tona o embricamento do diálogo direto com a música, a valsa de Chopin, embora sons dissonantes apontem para um universo em cujo centro está uma pessoa perdida em uma nova vida ou em várias fases da vida.
II. O texto rodrigueano, apesar de ser um monólogo, é mesclado por reflexões de vários personagens, representados apenas pelos pedaços de memórias, delírios, que a personagem Sônia vive e revive.
III. A leitura da obra Valsa n0 6 leva o leitor a perceber que o texto, aos poucos, vai se construindo, juntando a cada momento as memórias de Sônia, a partir do momento em que ela interpreta a presença de outras pessoas, e não apenas a si própria.
IV. A personagem, apresentada por Nelson Rodrigues, não foge ao estereótipo de outras personagens nas peças dele, Sônia é caracterizada como uma personagem psicológica em uma situação romântica.
V. A leitura da obra leva o leitor a inferir que há um jogo de ambiguidade marcante na Valsa n0 6, ou seja, a passagem de menina para mulher, da vida para a morte, da realidade para a ficção.
Assinale a alternativa correta.
Texto 1
EURICÃO – Ai, gritaram “Pega o ladrão!”. Quem foi? Onde está? Pega, pega! Santo
Antônio, Santo Antônio, que diabo de proteção é essa? Ouvi gritar “Pega o ladrão!”. Ai, a
porca, ai meu sangue, ai minha vida, ai minha porquinha do coração! Levaram, roubaram!
Ai, não, está lá, graças a Deus! Que terá havido, minha Nossa Senhora? Terão
desconfiado porque tirei a porca do lugar? Deve ter sido isso, desconfiaram e começaram
a rondar para furtá-la! É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos, assim ninguém lhe
dará importância! Ou não? Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a
para aqui, sob sua proteção? Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças! É
melhor trazê-la. Com a capa, porque alguém pode aparecer. Santo Antônio, faça com que
não apareça ninguém! Não deixe ninguém entrar aqui. Vou buscar minha porquinha, mas
não quero ninguém aqui.
SUASSUNA Ariano. O santo e a porca. 30a ed. José Olympio. RJ 2015, pp.97 e 98.Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto 1.
I. Na peça, Ariano Suassuna procura passar uma visão satirizada entre o sagrado e o profano na cultura do sertanejo nordestino.
II. Da leitura da peça, percebe-se que no momento em que Caroba esconde o dinheiro dentro de um santo de pau-oco – Santo Antônio, Ariano Suassuna traz uma visão acerca da história do Brasil, de como procediam os traficantes de ouro, durante o auge da mineração.
III. A peça encerra com um final feliz de todas as personagens com seus pares, exceto o protagonista, Euricão, que acaba sozinho, fazendo uma reflexão sobre o significado da existência.
IV. A leitura da peça leva o leitor a inferir que, embora seja uma obra do período Modernista, o fato de a personagem Euricão viver a dualidade entre o divino e o material, há uma referência à estética barroca, pois alude ao homem sempre dividido entre o mundo espiritual e o material.
V. A obra reflete a carência do sertão nordestino quando a personagem Euricão depara-se pobre, pois o dinheiro, agora sem valor algum, fora guardado na porca devido à inexistência de alguma agência bancária ou instituição financeira, na região.
Assinale a alternativa correta.
Analise as proposições em relação à obra Vitória Valentina, Elvira Vigna.
I. No nível da linguagem, pode-se perceber na obra a não preocupação com a valorização das palavras, buscando palavras semanticamente fortes, que por vezes chegam a quebrar a homogeneidade do texto.
II. A leitura da obra leva o leitor a inferir que a linguagem visual, na forma de HQ, apresenta mais característica lúdica que propriamente artística.
III. A obra apresenta dois níveis de leitura, logo infere-se a percepção de um tempo diferente em relação à leitura gráfica e à das imagens - linguagem visual, esta de entendimento mais rápido, pois, por ser um romance também imagético, estas representações podem se aproximar mais, ou menos, do referente real.
IV. A leitura do romance gráfico leva o leitor a inferir que, à primeira vista, ele parece uma narrativa que vai construindo e desconstruindo os sentidos, por meio de uma linguagem gráfica e visual, para formar a tessitura textual.
V. Da leitura da obra, infere-se como temática valores que deveriam estar desgastados e, no entanto, permanecem na sociedade atual, tais como opressão causada pelo poder econômico, consumismo a favor da liberdade do ser e do ter.
Assinale a alternativa correta.