Trecho A: A ciência deste século é uma grandessíssima tola. E, como tal, presunçosa e cheia de orgulhos dos néscios. ..................................................................................... ..................................................................................... ......................................................................................
Vamos à descrição da estalagem. Não pode ser clássica, assobiam-me todos estes rapazes de pera, bigode e charuto, que fazem literatura cava e funda desde a porta do Marrare até ao café de Moscou...
Trecho B: A quem custa é a quem paga para todos esses balões de papel – a terra e a indústria.......................... ...................................................................................... ......................................................................................
Este capítulo deve ser considerado como introdução ao capítulo seguinte, em que entra em cena Frei Dinis, o guardião de S. Francisco de Santarém.
Ao longo do romance Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, há a utilização de oito espaços compostos por linhas pontilhadas, como os acima referidos. A utilização deles pode ser entendida como
O trecho a seguir pertence à obra “Você Verá”, de Luiz Vilela.
“O BEMNão, não, já vou logo dizendo, para evitar equívocos: o Bem do título, o Bem com maiúscula, não se refere a essa coisa etérea e sublime de que nos falam as religiões e filosofias, essa coisa que deveria ser o objetivo a perseguir em nossas vidas, na convivência com os nossos semelhantes. Não, não é isso (...)”
Ao longo do conto, constata-se que o personagem a que esse trecho faz referência é um
PROCURA DA POESIA
[...]
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
[...]
ANDRADE, Carlos Drummond. Obra completa. Rio de Janeiro:Aguilar, 1964. p. 138-139. Fragmento.Ao longo de sua produção poética, Carlos Drummond de Andrade tratou de temas variados, tanto aqueles presentes na tradição lírica, como o amor, quanto a reflexão sobre o trabalho do poeta. No Texto III, o eu lírico desenvolve a ideia de que
Ao longo das décadas de 1820 e 1830, o Brasil firmou acordos internacionais e promulgou leis que declararam extinto o tráfico internacional de escravos e declararam livres os negros que entrassem em território nacional. A peça Os dois ou o inglês maquinista, escrita e encenada na década de 1840, põe em cena a permanência do comércio ilegal de escravos e o tratamento dispensado aos negros naquela sociedade. Nessa peça de Martins Pena:
Leia o excerto do conto “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector, para responder aquestão.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante (LISPECTOR, 1996, p. 7).
O trecho do livro é o momento em que a menina (personagem principal do conto) conseguira pegar emprestado o livro “As reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. A narração é feita em primeira pessoa do singular.
Ao lermos a narrativa da personagem, podemos interpretar que:
Com base numa ideia central de Lucien Goldmann, o crítico e historiador Alfredo Bosi propõe, para a moderna ficção brasileira, enquadramentos como estes:
I.romances de tensão mínima: as personagens não se destacam visceralmente da estrutura social e da paisagem que as condicionam. Exemplos, as histórias populistas de Jorge Amado.
II. romances de tensão crítica: o herói opõe-se e resiste agonicamente às pressões da natureza e da exploração social. Exemplos, os romances de Graciliano Ramos.
III. romances de tensão transfigurada: o herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafísica da realidade: Exemplos, Guimarães Rosa e Clarice Lispector.
(Apud História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970)Ao lado de Jorge Amado, outros escritores incumbiram-se de retratar aspectos marcantes da historia e da cultura da região em que nasceram. Entre eles, destaca-se o nome de José Lins do Rego,
Ao lado de Cláudio Manoel da Costa, Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga é um dos nomes mais representativos do arcadismo brasileiro. No entanto, além de poeta, Gonzaga escreveu um conjunto de sátiras ao Governador de Minas Gerais, Luís da Cunha Menezes. Como se chamam essas sátiras?
Capítulo um
Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho.Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a sintaxe; prometi ao Arquimedes a composição tipográfica; para a composição literária convidei Lúcio Gomes de Azevedo Gondim, redator e diretor do Cruzeiro. Eu traçaria o plano, introduziria na história rudimentos de agricultura e pecuária, faria as despesas e poria o meu nome na capa.
São Bernardo, Graciliano Ramos.Ao iniciar-se com um raciocínio da ordem da economia e da produção, São Bernardo remete a dois outros romances: o primeiro também se abre com uma reflexão de fundo econômico, e o segundo carrega, já na sua divisão interna, as marcas do processo econômico. Esses dois romances são, respectivamente,
E, afinal, pergunta ele [Rousseau], como é esse negócio de “ricos” e “pobres”, como é que é? Esta desigualdade, para Rousseau, não é “natural”, não decorre da Natureza − pois naquela época se falava assim − do próprio Homem. Ela decorre da história dos homens e das relações múltiplas que entre eles se estabelecem e que provocam, como produtos derivados, uma porção de males como: a miséria e a opulência, o poder de um lado e, de outro, os pobres desditados; os governantes, de um lado, e, de outro, os pobres governados. Tudo isso, dizia Rousseau, tudo isso que vemos hoje em nossa frente, essas diferenças todas entre nobres, burgueses, camponeses, etc. não são nada naturais e precisam acabar. Sim, precisam acabar, pois é esta “desigualdade” a fonte absoluta e única de todos os males sociais.
(Luiz Salinas Fortes. O Iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 67)Ao formular sua tese acerca das boas qualidades da Natureza, que fazem do homem um ser naturalmente bom, se vale Rousseau do conceito bom selvagem, que viria a prosperar entre escritores românticos brasileiros que, como
TEXTO PARA AQUESTÃO
O médico
… e, de repente, um canto de minha memória que o esquecimento escondera se iluminou, e eu o vi de novo, do jeito como o havia visto pela primeira vez: o quadro. Vejo-me, menino, na sala de espera do consultório médico. Estou doente. Meus olhos assustados passeiam pelos objetos à minha volta, até que o encontram. Pendia, solitário, na parede branca. Levanto-me e me aproximo, para ver melhor. Leio o nome da tela: O médico.
É a sala de uma casa. Cena familiar.
Tudo está mergulhado na sombra, exceto o lugar central, iluminado pela luz de um lampião. Mas a luz é inútil. O lugar mais iluminado é o mais obscuro: uma menina doente. A clareza dos detalhes só serve para indicar o lugar onde o mistério é mais profundo. Quando a luz se acende sobre o abismo, o abismo fica mais escuro. Seus olhos estão fechados, mergulhados em um esquecimento febril. Nada sabe do que acontece à sua volta. Por onde andará ela? Infinitamente longe, num lugar ignorado, onde gesto algum pode tocá-la. Seu braço pende, inerte, sobre o vazio.
O lampião ilumina a menina doente. Mas os olhos de quem examina a tela com atenção desconfiam e percebem a presença de uma outra luz. Do lampião a querosene sai uma outra luz que ilumina a menina. Mas a menina doente sai da luz que ilumina a cena inteira: luz triste, luz sombria, que inunda a sala com o seu mistério: a luz da morte. Também a morte tem a sua luz.
O artista escolheu de propósito. Se, em vez de uma menina, fosse um velho, a morte seria uma outra. A morte tem muitas faces. A morte dos velhos, por mais dolorosa que seja, é parte da ordem natural das coisas: depois do crepúsculo segue-se a noite. A morte dos velhos é triste mas não é trágica. É como o acorde final de uma sonata. O fim é o que deveria ser. Mas a morte de um filho é uma mutilação. [...]
Amei esse quadro a primeira vez que o vi, sem entender. Talvez ele seja a razão por que, quando jovem, por muitos anos, sonhei ser médico. Amei a beleza da imagem de um homem solitário, em luta contra a morte. Diante da morte todos somos solitários. Amamos o médico não pelo seu saber, não pelo seu poder, mas pela solidariedade humana que se revela na sua espera meditativa. E todos os seus fracassos (pois não estão, todos eles, condenados a perder a última batalha?) serão perdoados se, no nosso desamparo, percebermos que ele, silenciosamente, permanece e medita, junto conosco.
ALVES, R. O médico. Campinas, SP: Papirus, 2002. Fragmento adaptado.Ao final do texto, o desejo de ser médico é associado à