(...) não havia família de dinheiro, enriquecida pela setentrional borracha ou pela charqueada do sul, que não reputasse um compromisso de honra com a posteridade doméstica mandar dentre seus jovens um, dois, três representantes abeberar-se à fonte espiritual do Ateneu.
(Raul Pompéia. O Ateneu. Apud DACANAL, José Hildebrando. Romances brasileiros I. Alegre: Novo Século, 2000. p. 158)Ao analisar o romance O Ateneu, Mário de Andrade fez a seguinte observação acerca de Raul Pompéia: Deu-lhe a ideia do seu romance a incompetência de viver adquirida ou pelo menos arraigada nele pelo drama do internato; vazou no livro o seu ódio por um passado que culpou (...). Com esta observação, Mário de Andrade considera que O Ateneu é um romance bastante marcado
O Modernismo no Brasil foi um movimento cultural, artístico e literário da primeira metade do século XX, dividido em três gerações. A última fase desse movimento, também chamada de “Geração de 45”, Terceira geração modernista, Terceira fase do modernismo ou Fase pós-modernista, representa o último momento do movimento no Brasil. Analise as afirmativas a seguir sobre essa geração.
I. Os escritores desse período possuíam um estilo mais formal em oposição ao espírito radical, contestador e de liberdade desenvolvido na Semana de 1922.
II. Os principais autores dessa fase são: João Cabral de Melo Neto, José de Alencar, Clarice Lispector, João Guimarães Rosa, Ariano Suassuna e Lygia Fagundes Teles.
III. Tem-se um predomínio e diversidade da prosa urbana, a prosa intimista e a prosa regionalista.
IV. A oposição à liberdade formal, o realismo fantástico e as inovações linguísticas e metalinguagem estão entre as suas principais caraterísticas.
Ao analisar as assertivas anteriores, pode-se afirmar que:
Ao afirmarmos que estamos tratando de uma época marcada pelo regionalismo, pelo positivismo, pela busca dos valores tradicionais, pelo uso de linguagem coloquial e pela valorização dos problemas sociais, estamos nos referindo:
Ao afirmar que suas extravagantes memórias foram escritas com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, Brás Cubas, o mais inventivo narrador machadiano,
O que singulariza o pessimismo de Machado de Assis é a sua posição antagônica em relação ao evolucionismo oitocentista, ao culto do progresso e da ciência. Frente às ingenuidades do cientificismo, o sarcasmo de Brás Cubas reabre a interrogação metafísica, a perplexidade radical ante a variedade do ser humano. Um artista como Machado levou mais a sério do que os arautos do evolucionismo cientificista o golpe que Darwin tinha desfechado contra as ilusões antropocêntricas da humanidade.
(MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977, p. 171-172)Ao afirmar que Machado de Assis referendou o golpe que Darwin tinha desfechado contra as ilusões antropocêntricas da humanidade, o autor do texto dá força à ideia de que o criador de Brás Cubas
Leia o fragmento a seguir para responder à questão.
Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.
— Desta vez, disse ele, vais para a Europa; vais cursar uma Universidade, provavelmente Coimbra; quero-te para homem sério e não para arruador e gatuno.
MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Klick Editora, 1999. p. 53.Ao afirmar “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”, o narrador machadiano se mostra
TEXTO
[1] Dançava-se a quatragem no mutirão da tia Umbelina.
Margarida estava sentada junto de Eugênio, de cujo lado não se arredara desde que este havia chegado.
Ia-se formar nova roda de dançadores; Luciano, que tinha a viola em punho, dirigiu-se a Margarida, e
convidou-a para a dança. Ela recusou-se protestando já ter dançado muito e achar-se fatigada.
[5] – Então venha esse mocinho, que aí está com a senhora — disse Luciano.
Com este convite o rapaz procurava mesmo ocasião de travar-se de razões com o estudante, a fim de
desabafar o ciúme e o despeito que por dentro o corroíam.
– Eu não sei dançar — respondeu Eugênio com timidez.
– Deveras!... não me diga isso, moço; isso é desculpa; falta-nos uma pessoa; venha... não se faça de
[10] rogado.
– É deveras; não sei dançar, nunca dancei em dias de minha vida.
– Então para que vem a estas funções?...
– Ora essa é boa!... para ver...
– Como quem vem aqui ver... mas ah! já o estou conhecendo; o senhor não é aquele coroinha, que
[15] ultimamente tem ajudado à missa ao vigário lá na vila?
– É ele mesmo — acudiu Margarida, que já se impacientava com as grosserias —, é o filho do Sr. capitão
Antunes.
– Do capitão Antunes?... ah!... e o que vem ele aqui fazer?... decerto aqui veio fugido de casa, e há de ser
benfeito que o pai lhe passe uma dúzia de bolos, quando souber que já anda metido em súcias...
(GUIMARÃES, Bernardo. O seminarista. São Paulo: Martin Claret, 2013. p. 70-1).Antunes era o pai de:
Antonio Candido, em sua Formação da literatura brasileira, afirma que o Brasil careceu, do século XVI até meados do século XVIII, de um sistema literário, verificando-se, nesse período, tão somente a existência de manifestações literárias isoladas, mais ou menos efêmeras. Segundo Candido, só se pode falar de uma literatura nacional propriamente dita, no país, quando se observa a emergência de um conjunto de obras ligadas por denominadores comuns. Esses denominadores englobam, além das características internas das obras (língua, temas, imagens), os seguintes elementos:
Antônio Brás, proprietário de um bar na praça do Restelo, próxima a Lisboa, é a personagem central de O vampiro que descobriu o Brasil, de Ivan Jaf. Atacado por um poderoso vampiro, o que transformou sua vida e seus hábitos alimentares, ele embarca na armada de Cabral e chega ao Brasil, com o fim especial de
Antônio Brás, em O vampiro que descobriu o Brasil, segundo narra seu autor, Ivan Jaf, participou de todos os momentos históricos do Brasil, exceto