O texto a seguir é um excerto da crônica O caso do charuto.
E o ascensorista inflexível. Que o homem guardasse o charuto no bolso, engolisse o charuto, fizesse o que melhor lhe parecesse. Sem o quê, ele não subiria. Distraído pelos próprios argumentos, o homem, em vez de se desfazer do charuto, tirou dele uma baforada. Foi o bastante para generalizar-se a confusão. A senhora do Bronx resolveu intervir, alegando raivosamente que ela não tinha nada com aquela história e queria subir. O panamenho, como se estivesse no mundo da lua, perguntava em vão e em mau inglês em que andar era o Consulado do Panamá. O gordinho gritava que aquilo era um desaforo etc. etc. E o elevador parado. O dono do charuto levou-o novamente à boca, para ter as mãos livres e poder se explicar, provocando indignação geral. Então o gordinho, fora de si, estendeu o braço para com uma tapa derrubar o charuto, resolvendo assim a questão. Acontece, porém, que seu gesto foi mal calculado e o que ele deu foi um bofetão na cara do homem. O charuto saltou no ar largando brasa para cima do panamenho, que até então não entendia coisa nenhuma.
SABINO, Fernando. As melhores histórias de FernandoSabino. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010. p. 61.Levando em consideração a totalidade da crônica O caso do charuto, percebe-se que o narrador
Em “Você Verá”, Luiz Vilela valoriza os animais. Por exemplo, no conto “Quando fiz sete anos”, ele lembra de uma bússola estragada, e de como voou “como um alegre pássaro da manhã”, ao ir para casa, doido para abrir o embrulho onde estava uma bússola estragada, que ganhara do avô.
Mas, por que a bússola estava estragada? Alguns candidatos aos cursos da UEMG fizeram algumas hipóteses para responder a essa pergunta:
Leonardo: um fio solto fez com que o contato elétrico da bússola estragasse e, por isso, a bússola deixou de funcionar.
Lorena: o Polo Norte da agulha da bússola apontava para o Polo Norte geográfico, e isto estava errado, pois ele deveria apontar para o Polo Sul geográfico, pois um Polo Norte é atraído por um Polo Sul.
Amanda: a agulha magnética poderia ter se desprendido de seu apoio, e não estava girando livremente para se orientar, segundo o campo magnético da Terra.
Fez (fizeram) comentários apropriados
Quando pensei que estava tudo cumprido,
havia outra surpresa: mais uma curva
do rio, mais riso,
mais pranto.
Quando calculei que tudo estava pago,
anunciaram-se novas dívidas e juros,
o amor e o desafio.
Quando achei que estava serena,
Os caminhos se espalmaram
Como dedos de espanto
em cortinas aflitas. E eu espio,
ainda que o olhar seja grande
e a fresta pequena.
LUFT, 2014, p.93Dos trechos a seguir, retirados da obra “O tempo é um rio que corre”, de Lya Luft, assinale aquele em que há uma perspectiva sobre a velhice semelhante à do poema acima transcrito:
O trecho a seguir faz parte do conto Janelas, de Adélia Prado, retirado da obra Filandras.
Foi antes da revolução dos Beatles, antes da minissaia, quando escândalos políticos não vazavam nos noticiosos da TV. Era um moço pacato e, para o gosto das ‘meninas estudadas’, que nem eu, as meninas da Escola Normal, até mesmo um pouco sonso. Sem garbo, sem aprumo, ficava lá com o pai, na loja de coisa pra fazendeiro, uma pessoa sonolenta. Nunca vi o Otavianinho marchar com os moços do Tiro de Guerra, jogar futebol, nadar, jogar malha no campinho, pertencer à Congregação Mariana, nada, nada mesmo. Parecia clone do pai que ficava na registradora, ele só atendendo a freguesia, embrulhando ração, pesando semente, mal levantando a cabeça pra encarar. (...)
Das expressões populares a seguir, a que melhor sintetiza a continuidade do enredo nessa narrativa é:
Esquecidos de que não se encontravam em casa, passaram a noite em busca de si mesmos numa centena de canais. Desculpe, cento e doze.
GIFFONI, L. Os canibais da notícia. In: O acaso abre portas. Belo Horizonte: Abacate, 2014. p. 49.
Considerando-se as relações entre o título e o enredo da crônica “Os canibais da notícia”, os protagonistas são
“Cruéis convenções nos convocam: estar em forma, ser competente, ser produtivo, mostrar serviço, prover, pagar, e ainda ter tempo para ternura, cuidados, amor. O curso da existência começa a ser para muitos uma ameaça real. A sociedade é uma mãe terrível, a vida um corredor estreito, o tempo um perseguidor implacável: belos e competentes, ou belos ou competentes, atordoados entre deveres e frestas estreitas demais de liberdade ou sonho. Nós construímos isso.
Só não prevíamos as corredeiras, as gargantas, os redemoinhos, a noite lá no fundo dessas águas. É quando toda a competência, a eficiência, o poder, se encolhem e ficamos nus, e sós, na nossa frágil maturidade, sob o império das perdas que começam a se apresentar sem cerimônia.”
LUFT, 2014, p. 79Em gramáticas e em manuais de língua portuguesa, costuma-se recomendar o uso da vírgula para indicar a elipse (omissão) de um verbo, como neste exemplo: “Ele prefere filmes de suspense; a namorada, filmes de aventura”.
Com base nessa regra, seria necessário alterar a pontuação da seguinte passagem:
A citação a seguir faz referência a um recurso literário conhecido como “bricolagem”.
Oriundo do francês, o termo bricolagem significa um trabalho manual feito de improviso e que aproveita materiais diferentes. Na apropriação realizada por Lévi-Strauss (1976), o conceito de bricolagem foi definido como um método de expressão através da seleção e síntese de componentes selecionados de uma cultura. Por sua vez, relendo o trabalho do antropólogo, Derrida (1971) ressignificou o termo no âmbito da teoria literária, adotando-o como sinônimo de colagem de textos numa dada obra.
LIPPI, B. G. & NEIRA, M. G. Tecendo a Colcha de Retalhos: a bricolagem como alternativa para a pesquisa educacional. In: Educação & Realidade. Porto Alegre: v. 37, n. 2, p. 607-625, maio/ago. 2012.Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE o título de um conto da obra “Você Verá”, no qual se evidencia claramente o uso do recurso literário citado:
Assinale a alternativa correta.
Leia a introdução do conto A mídia premiada, da obra Crônicas para ler na escola, de Zuenir Ventura:
“Uma das críticas que se faz ao jornalismo atual — vamos ficar apenas nessa — atribui a ele incompetência ou preguiça em esgotar ou mesmo aprofundar os assuntos tratados. Entre leitores mais velhos e até entre profissionais jovens há a crença de que antigamente, na minha época, digamos, as reportagens eram mais completas e melhores. Hoje, com o advento das novas tecnologias de informação e a aceleração do tempo, muitos acreditam que não há mais espaço para as matérias grandes (...)”.
Ao longo da crônica, o autor argumenta que
Considerando a análise de aspectos linguísticos dos trechos abaixo, extraídos da obra “Você Verá”, marque (V) para os comentários verdadeiros e (F) para os falsos. Em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
( ) Em “Acho a astrologia a ciência dos tolos, e, até prova em contrário, não me considero A sequência correta éum deles.” Houve um desvio da norma padrão, que prescreve como certa a expressão “até provem o contrário”, em substituição à expressão sublinhada.
( ) Em “Foi um morticínio, uma coisa que ninguém na região nunca vira(...)”, a palavra morticínio significa assassinato em série.
( ) O que aconteceu com o nome do narrador do conto Bem - Stanislaw > Lauro > Lau > Stané um fenômeno linguístico semelhante ao ocorrido com o pronome de tratamento Vossa Mercê - Vosmecê > você > cê.
( ) Em “(...) que direito tinha o Bem de se tornar milionário?”, o pronome sublinhado aparece anteposto ao verbo (próclise), uma vez que a preposição o atrai, segundo a norma padrão.
( ) Em “(...) quando a mãe a levava à matinê.” e “(...) pois ainda escutava em mim as risadas”, os pronomes sublinhados são classificados, respectivamente, como oblíquo átono e oblíquo tônico.
( ) Em “Minha mãe sempre dizia: 'Deus protege quem trabalha’”, a regência do verbo proteger não está de acordo com a norma padrão, uma vez que ele é transitivo indireto e, por isso, rege preposição, como em: 'Deus protege a quem trabalha’”.
A sequência correta é