Uma pessoa verdadeiramente forte
A gente costuma ouvir que uma pessoa é forte, que tem gênio forte, quando ela reage com grande violência em situações que a desagradam. Ou seja, a pessoa de temperamento forte só está bem e calma quando tudo acontece exatamente de acordo com a vontade dela. Nos outros casos, sua reação é explosiva e o estouro costuma provocar o medo nas pessoas que a cercam.
As pessoas que não toleram frustrações, dores e contrariedades são as fracas e não as fortes. Fazem muito barulho, gritam, fazem escândalos e ameaçam bater. São barulhentas e não fortes. O forte é aquele que ousa e se aventura em situações novas, porque tem a convicção íntima de que, se fracassar, terá forças interiores para se recuperar.
Ninguém pode ter certeza de que seu empreendimento – sentimental, profissional, social – será bem-sucedido. Temos medo da novidade justamente por causa disso. O fraco não ousará, pois a simples ideia do fracasso já lhe provoca uma dor insuportável. O forte ousará porque tem a sensação íntima de que é capaz de aguentar o revés.
O forte é aquele que monta no cavalo porque sabe que, se cair, terá forças para se levantar. O fraco encontrará uma desculpa – em geral, acusando uma outra pessoa – para não montar no cavalo. Fará gestos e pose de corajoso, mas, na verdade, é exatamente o contrário. Buscará tantas certezas prévias de que não irá cair do cavalo que, caso chegue a tê-las, o cavalo já terá ido embora há muito tempo. O forte é o que parece ser o fraco: é quieto, discreto, não grita e é o ousado. Faz o que ninguém esperava que ele fizesse.
GIKOVATE, F. Disponível em: . Acesso em: 01 out. 2016.
A relação entre a tese do texto e os argumentos apresentados pelo autor para sustentar seu ponto de vista é caracterizada pela
A leitura do infográfico indica que
Parece mesmo que a crônica é um gênero menor. ― Graças a Deus ― seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para vida, que ela serve de perto, mas para a literatura (...) Por meio dos assuntos, da composição aparentemente solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo o dia. Principalmente porque ela elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão uma certa profundidade de significado e um certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada embora discreta candidata à perfeição.
CANDIDO, Antonio et alii. A crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil. Campinas; Rio de Janeiro: UNICAMP; Fundação Casa de Rui Barbosa, 1992.
A ideia de que o gênero crônica está a serviço não só da vida, mas também da literatura, é bem representada pela seguinte referência da obra Crônicas para ler na escola, de Zuenir Ventura:
Texto para aquestão:
Afora espíritos essencialmente satíricos e caricatos como Emílio de Menezes, outros havia, como Lima Barreto, que parece se vingavam das desditas da existência transbordando o fel da maledicência travestido em constantes ataques a tudo e a todos. (...) Raro era o homem de letras e, até mesmo, o homem público que tivesse passado a vida sem experimentar a vivência belicosa da polêmica. Tal era a frequência, que tinha foros de gênero literário que alguém poderia cultivar e no qual fosse, por assim dizer, um especialista. As biografias dos grandes homens da época são, a esse respeito, bastante instrutivas. Não são poucos aqueles cujos biógrafos qualificam de polemista como poderiam qualificar de publicista, romancista ou polígrafo.
(Antonio Luís Machado Neto, Estrutura social da república das Letras: sociologia da vida intelectual brasileira 1870-1930, Edusp)Segundo o texto:
Textos para aquestão.
Os fenômenos da linguagem examinavam-se outrora apenas à luz da gramática e da lógica, e já era muito se a análise reconhecia como palavras expletivas ou de realce os termos sobejantes1 unidos à oração ou nela encravados.
Hoje que a ciência da linguagem investiga os fatos sem deixar-se pear2 por antigos preconceitos, já não podemos levar essas expressões à conta da superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decorativo, o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante justamente no falar desataviado de todos os dias.
Uma coisa é dirigirmo-nos à coletividade, a pessoas desconhecidas, de condições diversas, e que nos ouvem caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto, falar e ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em atenção a essa pessoa que está diante de nós, para que fique sempre bem impressionada com as nossas palavras.
1sobejantes: demasiados, excessivos, de sobras.
2pear: prender.
Segundo o texto:
Textos para aquestão.
Os fenômenos da linguagem examinavam-se outrora apenas à luz da gramática e da lógica, e já era muito se a análise reconhecia como palavras expletivas ou de realce os termos sobejantes1 unidos à oração ou nela encravados.
Hoje que a ciência da linguagem investiga os fatos sem deixar-se pear2 por antigos preconceitos, já não podemos levar essas expressões à conta da superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decorativo, o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante justamente no falar desataviado de todos os dias.
Uma coisa é dirigirmo-nos à coletividade, a pessoas desconhecidas, de condições diversas, e que nos ouvem caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto, falar e ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em atenção a essa pessoa que está diante de nós, para que fique sempre bem impressionada com as nossas palavras.
1sobejantes: demasiados, excessivos, de sobras.
2pear: prender.
Segundo o autor, não seria um contrassenso:
Leia:
Insatisfeito com a arbitragem do jogo contra o Avaí, que eliminou o Botafogo da Copa do Brasil, o clube criticou o desempenho do juiz Ricardo Marques Ribeiro, que marcou um pênalti que não aconteceu, por meio de uma nota oficial. A Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), através de seu site, responde ao clube alvinegro, dizendo que colocaram a culpa de sua derrota na entidade. Além disso, defendem o árbitro Ricardo Marques Ribeiro. Veja a nota na íntegra:
“Infelizmente as mesmas desculpas voltam à tona após um fracasso em campo. O Botafogo, eliminado do Campeonato Carioca e da Copa do Brasil, disfere [sic] sua raiva na Comissão de Arbitragem ao invés de [sic] procurar solucionar seus problemas. A incompetência dentro e fora dos gramados supera os erros que por ventura aconteçam. Transferir responsabilidades e acusar a pessoa de Sérgio Corrêa é no mínimo falta de inteligência.”
(Fonte: https://oglobo.globo.com/esportes/anaf-responde-botafogo-ninguem-aguenta-este-choro-repetitivo--2792520#ixzz4ruMIhILZ)
Por duas vezes, no segundo parágrafo do texto jornalístico, aparece a expressão latina “sic”. Isso se deve ao fato de:
Considere como verdadeira a premissa “O mundo não seria um bom lugar se não houvesse pessoas boas”. Entre as proposições abaixo;
- Se não houvesse pessoas boas, o mundo não seria um bom lugar.
- Se houvesse pessoas boas, o mundo seria um bom lugar.
- O mundo seria um bom lugar se houvessepessoas boas.
- Existem pessoas boas ou o mundo não seria um bom lugar.
podemos afirmar que são logicamente verdadeiras, em relação à premissa dada:
O PATO SOCIAL
Amigos que atuam no mercado editorial e na imprensa de Lisboa, externando com bom humor a sua indignação, argumentavam: “Queremos igualdade de condições e direitos. Se não podemos ser ‘exactos’ em nosso idioma, então vocês não podem ter um ‘pacto’, mas, sim, um pato social”.
Avicultura sociopolítica à parte, os lusos, a despeito de seus questionamentos, e os demais governos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com exceção de Angola, já ratificaram o acordo ortográfico. O mais importante de tudo isso é entender que as mudanças que unificaram a ortografia não alteraram a gramática e a riqueza do português, com sua multiplicidade de expressões homônimas e parônimas e infinitas possibilidades sintáticas para a composição das frases e sentenças.
Ademais, o alto grau de redundância linguística de nosso idioma permite que os textos sejam lidos rapidamente e na diagonal, sem prejuízo de se assimilar a informação mínima, e também facilita o mecanismo da previsibilidade (ou seja, mesmo quando faltam letras numa palavra, o leitor consegue ler de maneira correta). Tudo isso vai a favor do consenso nacional quanto à necessidade de estimular a leitura.
Considerando a adequada e rápida adaptação do Brasil e levando-se em conta que até os portugueses já ratificaram o acordo ortográfico, são incompreensíveis as propostas que às vezes surgem no nosso Legislativo ou na retórica de pretensos estudiosos do tema, de se produzirem novas mudanças.
(Karine Pansa, Folha de SP, adaptado, 19.08.2014)Pode-se afirmar que segundo a autora do texto:
Leia:
“Se fosse com qualquer governo da situação, nós seríamos criticados diuturna e noturnamente”, disse a presidente reeleita Dilma Rousseff ontem à noite, em rede nacional de televisão, referindo-se à seca em São Paulo.
(Folha de Pernambuco, 28.10.2014)
“Nós temos de nos dedicar à estabilidade institucional, econômica, política e social do país. Eu sei que tem brasileiros que estão sofrendo. Por isso é que eu me comprometo a trabalhar diuturna e noturnamente”, disse a presidente.
(g1.globo.com, 07.08.2015)
Pelo contexto das passagens acima, constata- se uma impropriedade vocabular com o termo “diuturno”, uma vez que este possui o seguinte sentido de dicionário: