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LiteraturaUVA2017

TEXTO

[1] José Roberto e Sebastião Campos serviam às senhoras, acompanhando com uma pilhéria cada prato que lhes

ofereciam. Raimundo pediu dispensa do chá, com medo do Freitas que lhe abrira um lugar ao lado do seu.

Ouviu-se mastigar as torradas e sorver, aos golinhos, o chocolate quente.

– Doutor, exclamou o cônego, procurando espetar com o garfo uma fatia de um bolo de tapioca. Prove ao

[05] menos do nosso “Bolo do Maranhão”. Também o chamam por aí “Bolo podre”. Prove, que isto não há fora de cá...

é uma especialidade da terra!

– Não é mau... disse Raimundo, fazendo-lhe a vontade. Muito saboroso, mas parece-me um tanto pesado...

– É de substância! acrescentou Maria Bárbara. Faz-se de tapioca de forno e ovos.

– D. Bibina! chamou Ana Rosa, apontando para os beijus. São fresquinhos...

[10] Amância, com a boca cheia, dizia baixo a Maria do Carmo:

– Pois, minha amiga, quando precisar de missa com cerimônia, não tem mais do que se entender com o padre

que lhe digo... É muito pontual e contenta-se com o que a gente lhe dá! Est’r’o dia apanhou-me dezoito mil- réis

por uma missinha cantada, mas também podia se ver a obra que o homem apresentou!.. Pois então! Há de dar

uma criatura seus cobrinhos, que, tanto custam a juntar, a muito padre, como há por aí, desses que, mal chegam

[15] ao altar, estão pensando no almoço e na comadre?... Deus te livre, credo! Até pesa na consciência de um cristão!

– Como o padre Murta!... lembrou a outra.

– Oh! Esse, nem se fala! Às vezes, Deus me perdoe! nos enterros, até se apresenta bêbado!

(AZEVEDO, Aluísio. O mulato. 8ª ed. São Paulo: Ática, 1988. p.60).

Amância e Maria do Carmo falavam mal de:

LiteraturaFBD2017

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe ‒ todos eles príncipes ‒ na vida...

Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos ‒ mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que venho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

CAMPOS, Álvaro de, (Fernando Pessoa). Poema em linha reta. Disponível em: <https://verdadesdepapel.wordpress.com> Acesso em: mar. 2017. Adaptado.

Álvaro de Campos, nesses versos, revela-se

LiteraturaUFG2013

Leia o poema a seguir.

A CANTIGA DO SERTANEJO

[...]

Pobre amor! o sertanejo

Tem apenas seu desejo

E as noites belas do val!

Só – o ponche adamascado,

O trabuco prateado

E o ferro de seu punhal!

[...]

Se tu viesses, donzela,

Verias que a vida é bela

No deserto do sertão!

Lá têm mais aroma as flores

E mais amor os amores

Que falam no coração!

AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 131.

Álvares de Azevedo é um importante representante do Romantismobrasileiro oitocentista. No trecho da obra citada, o autor constrói uma imagem do sertão, decorrente

LiteraturaUNEMAT2011

Aluísio Azevedo tinha estabelecido um planocomo romancista: “traçar um grande painel da sociedade brasileira, com a intenção declarada de reunir todos os tipos brasileiros, bons e maus, de seu tempo e compendiar, em forma de romance, fatos de nossa vida pública que jamais serão apresentados pela História”. Assim, ao lançar, em 1890, O Cortiço, o autor coloca no romance as seguintes personagens ficcionais que contracenam, exceto:

LiteraturaUCS2012

Aluísio Azevedo foi um dos principais seguidores do Naturalismo no Brasil. Pode-se afirmar que sua obra O Mulato,publicada em 1881, dá início a esse movimento em nosso país. Assinale a alternativa correta, em relação ao romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e ao movimento Naturalista.

LiteraturaUVA2017

TEXTO

[1] José Roberto e Sebastião Campos serviam às senhoras, acompanhando com uma pilhéria cada prato que lhes

ofereciam. Raimundo pediu dispensa do chá, com medo do Freitas que lhe abrira um lugar ao lado do seu.

Ouviu-se mastigar as torradas e sorver, aos golinhos, o chocolate quente.

– Doutor, exclamou o cônego, procurando espetar com o garfo uma fatia de um bolo de tapioca. Prove ao

[05] menos do nosso “Bolo do Maranhão”. Também o chamam por aí “Bolo podre”. Prove, que isto não há fora de cá...

é uma especialidade da terra!

– Não é mau... disse Raimundo, fazendo-lhe a vontade. Muito saboroso, mas parece-me um tanto pesado...

– É de substância! acrescentou Maria Bárbara. Faz-se de tapioca de forno e ovos.

– D. Bibina! chamou Ana Rosa, apontando para os beijus. São fresquinhos...

[10] Amância, com a boca cheia, dizia baixo a Maria do Carmo:

– Pois, minha amiga, quando precisar de missa com cerimônia, não tem mais do que se entender com o padre

que lhe digo... É muito pontual e contenta-se com o que a gente lhe dá! Est’r’o dia apanhou-me dezoito mil- réis

por uma missinha cantada, mas também podia se ver a obra que o homem apresentou!.. Pois então! Há de dar

uma criatura seus cobrinhos, que, tanto custam a juntar, a muito padre, como há por aí, desses que, mal chegam

[15] ao altar, estão pensando no almoço e na comadre?... Deus te livre, credo! Até pesa na consciência de um cristão!

– Como o padre Murta!... lembrou a outra.

– Oh! Esse, nem se fala! Às vezes, Deus me perdoe! nos enterros, até se apresenta bêbado!

(AZEVEDO, Aluísio. O mulato. 8ª ed. São Paulo: Ática, 1988. p.60).

Aluísio Azevedo é um autor:

LiteraturaENEM2018

Quanto às mulheres de vida alegre, detestava-as; tinha gasto muito dinheiro, precisava casar, mas casar com uma menina ingênua e pobre, porque é nas classes pobres que se encontra mais vergonha e menos bandalheira. Ora, Maria do Carmo parecia-lhe uma criatura simples, sem essa tendência fatal das mulheres modernas para o adultério, uma menina que até chorava na aula simplesmente por não ter respondido a uma pergunta do professor! Uma rapariga assim era um caso esporádico, uma verdadeira exceção no meio de uma sociedade roída por quanto vício há no mundo. Ia concluir o curso, e, quando voltasse ao Ceará, pensaria seriamente no caso. A Maria do Carmo estava mesmo a calhar: pobrezinha, mas inocente...

CAMINHA, A. A normalista. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 16 maio 2016.

Alinhado às concepções do Naturalismo, o fragmento do romance de Adolfo Caminha, de 1893, identifica e destaca nos personagens um(a)

LiteraturaUFAL2013

O indianismo romântico teve como principal romancista o cearense José de Alencar, autor de obras representativas desse movimento no Brasil.

Com base na leitura do trecho de O Guarani, transcrito abaixo, assinale a opção incorreta.

“Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóbada de árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade.

“Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caía-lhe dos ombros até o meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto como um junco selvagem.”

ALENCAR, José de. O guarani. 20 ed. São Paulo: Ática, 1996, p. 19.

LiteraturaPUC-Campinas2011

Argumento histórico − Na primeira expedição foi ao Rio Grande do Norte um moço de nome Martim Soares Moreno, que se ligou de amizade com Jacaúna, chefe dos índios do litoral, e seu irmão Poti. Em 1608, por ordem de D. Diogo Meneses, voltou a dar princípio à regular colonização daquela capitania. Poti recebeu no batismo o nome de Antônio Filipe Camarão, que ilustrou na guerra holandeza. Martim chegou a mestre-de-campo e foi um dos excelentes cabos portugueses que libertaram o Brasil da invasão holandeza. O Ceará deve honrar sua memória como um varão prestante e seu verdadeiro fundador.

(Adaptado de José de Alencar. Notas a Iracema. S. Paulo: Melhoramentos, 2.ed. p. 154)

Alencar identifica como personagens de seu romance as figuras históricas de Martim e Poti, mas não faz o mesmo com Iracema. Isso se deve ao fato de que Iracema

LiteraturaUEMA2021

Leia o trecho do Cap. 1 para responder às questões

Capítulo I

[...]

Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos. E pediu pra mãe que largasse da mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Macunaíma choramingou dia inteiro. De-noite continuou chorando. No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que a mãe principiasse o trabalho. Então pediu pra ela que largasse de tecer o paneiro de guarumá-membeca e levasse ele no mato passear. A mãe não quis porque não podia largar o paneiro não. E pediu pra nora, companheira de Jiguê, que levasse o menino. A companheira de Jiguê era bem moça e chamava Sofará. Foi se aproximando ressabiada porém desta vez Macunaíma ficou muito quieto sem botar a mão na graça de ninguém. A moça carregou o piá nas costas e foi até o pé de aninga na beira do rio. A água parara pra inventar um ponteio de gozo nas folhas do javari. O longe estava bonito com muitos biguás e biguatingas avoando na estrada do furo. A moça botou Macunaíma na praia porém ele principiou choramingando, que tinha muita formiga!... e pediu pra Sofará que o levasse até o derrame do morro lá dentro do mato. A moça fez. Mas assim que deitou o curumim nas tiriricas, tajás e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num átimo e ficou um príncipe lindo. Andaram por lá muito.

[...]

Andrade, M. Macunaíma. São Paulo: Ótima, 2015.

As metamorfoses experimentadas pelo herói no percurso da obra concorrem para a solidez do epíteto “herói sem nenhum caráter”.

Além dessas transformações, Macunaíma apresenta, ao longo da narrativa, indícios de sua falta de caráter, tal como se comprova no trecho: