Leia o poema Psicologia de um vencido de Augusto dos Anjos (Texto) para responder as questão.
Texto
Psicologia de um vencido
(Augusto dos Anjos)
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos foi vinculado a um período de transição na Literatura Brasileira denominado Pré-Modernismo.
Acerca das características deste período é certo que:
Leia o poema de Augusto dos Anjos para responder aquestão.
A Ideia
De onde ela vem? De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica!
Augusto dos Anjos foi vinculado, segundo a História da Literatura, ao Pré-Modernismo brasileiro. Este foi um período de transição nas artes e na literatura em que se fundiam traços precursores do Modernismo e da tradição do Século XX.
Acerca das características desse período e do referido movimento é certo que:
Acerca da representação da infância em Vidas secas, de Graciliano Ramos, é INCORRETO dizer que
Assinale a alternativa correta sobre a fala de Abelardo II, em O rei da vela, de Oswald de Andrade, apresentada a seguir
Abelardo II – A burguesia só produziu um teatro de classe. A apresentação de classe. Hoje evoluímos. Chegamos à espinafração.
Para responder à questão, leia o excerto do poema denominado “Graciliano Ramos”, de João Cabral de Melo Neto.
Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca:
de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara.
Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens,
Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre:
que reduz tudo ao espinhaço,
cresta o simplesmente folhagem,
folha prolixa, folharada,
onde possa esconder-se na fraude.
Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas:
e onde estão os solos inertes
de tantas condições caatinga
em que só cabe cultivar
o que é sinônimo da míngua.
Falo somente para quem falo:
quem padece sono de morto
e precisa um despertador
acre, como o sol sobre o olho:
que é quando o sol é estridente,
a contrapelo, imperioso,
e bate nas pálpebras como
se bate numa porta a socos.
I. O poema de João Cabral dialoga com o imaginário acre e violento presente no livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
II. O poema se dirige aos que sofrem com as radicais condições da caatinga nordestina, onde o sol é estridente, atingindo as pálpebras como se bate numa porta a socos.
III. Apesar de todas as adversidades sertanejas, a natureza local possibilita um momento para cultivar uma multiplicidade de alimentos.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
Responder à questãocom base no poema a seguir, de Manuel Bandeira, e nas afirmativas.
“Na Solidão das Noites Úmidas”
Como tenho pensado em ti na solidão das noites úmidas,
De névoa úmida,
Na areia úmida!
Eu te sabia assim também, assim olhando a mesma cousa
No ermo da noite que repousa.
E era como se a vida,
Mansa, pousasse as mãos sobre a minha ferida...
Mas, ah! Como eu sentia
A falta de teu ser de volúpia e tristeza!
O mar... Onde se via o movimento da água,
Era como se a água estremecesse em mil sorrisos.
Como uma carne de mulher sob a carícia.
O luar era um afago tão suave
– Tão imaterial
E ao mesmo tempo tão voluptuoso e tão grave!
O luar era a minha inefável carícia:
A água em teu corpo a estremecer-se com delícia.
(...)
Oh, viver contigo!
Viver contigo todos os instantes...
Vivermos juntos, como seria a verdadeira vida,
Harmoniosa e pura,
Sem lastimar a fuga irreparável dos anos,
Dos anos lentos e monótonos que passam,
Esperando sempre que maior ventura
Viesse um dia no beijo infinito da mesma morte...
Com base no poema, afirma-se:
I. Por intermédio de lírica sensualidade, o poema recorre à metáfora do mar para descrever os múltiplos sorrisos e a suavidade da carne da mulher sob as carícias.
II. O luar configura-se como elemento da natureza para exemplificar a proximidade entre os amantes.
III. Ao final do poema, o eu lírico rejeita a ideia de um amor compartilhado, tendo em vista a monotonia dos lentos anos.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são
Para responder à questão, leia o trecho a seguir, da obra “Conto da ilha desconhecida” e as afirmativas que seguem.
Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta.
São características da obra de José Saramago, perceptíveis também no trecho em destaque:
I. A presença de um narrador que não apenas relata a história, mas também dela participa, com comentários e digressões.
II. A pontuação diferenciada, abandonando, por exemplo, o uso do travessão em diálogos.
III. A utilização da ironia contra as figuras do poder, marcando uma posição fortemente ideológica.
IV. A denúncia da engrenagem viciada e burocratizada da sociedade.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são
Para responder à questão, leia o poema “O que a musa eterna canta”, de Adélia Prado.
Cesse de uma vez meu vão desejo
de que o poema sirva a todas as fomes.
Um jogador de futebol chegou mesmo a declarar:
‘Tenho birra de que me chamem de intelectual,
sou um homem como todos os outros’.
Ah, que sabedoria, como todos os outros,
a quem bastou descobrir:
letras eu quero é pra pedir emprego,
agradecer favores,
escrever meu nome completo.
O mais são as maltraçadas linhas.
Com base no poema, afirma-se:
I. O eu lírico assume-se no ofício de poeta e revela-se conformado ao perceber a impossibilidade da poesia de atingir todos os tipos de público.
II. Ao apresentar no poema duas diferentes funções da linguagem – uma cotidiana, utilitária, e outra poética, subjetiva –, o eu lírico acaba por revelar uma desvalia da primeira em relação à segunda.
III. O poema apresenta versos livres e brancos.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são
Para responder à questão, considere o seguinte excerto do texto Silêncio, de Clarice Lispector, e as afirmativas que seguem.
É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. (...) Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece. O coração bate ao reconhecê-lo. Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. (...) Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro de cabeceira cair no chão. Mas, horror – o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio. Que se espere. Não o fim do silêncio, mas o auxílio bendito de um terceiro elemento, a luz da aurora. Depois nunca mais se esquece. Inútil até fugir para outra cidade. Pois quando menos se espera pode-se reconhecê-lo – de repente. Ao atravessar a rua no meio das buzinas dos carros. Entre uma gargalhada fantasmagórica e outra. Depois de uma palavra dita. Às vezes no próprio coração da palavra. Os ouvidos se assombram, o olhar se esgazeia – ei-lo. E dessa vez ele é fantasma.
I. A autora sugere a dificuldade do homem de ficar em silêncio.
II. Alguns de nossos sentidos tornam-se mais aguçados em momentos de absoluto silêncio.
III. A autora aponta que a fuga para a cidade é a forma de, afinal, vencer o silêncio.
IV. Em determinada passagem, a narradora personifica o silêncio.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são
Para responder à questão, analise o texto e as afirmativas que seguem.
Muitos poetas brasileiros tematizam a loucura. Entre eles, o poeta Carlos Drummond de Andrade, que escreveu um poema intitulado “Doido”, transcrito a seguir.
O doido passeia
pela cidade sua loucura mansa.
É reconhecido seu direito
à loucura. Sua profissão.
Entra e come onde quer. Há níqueis
reservados para ele em toda casa.
Torna-se o doido municipal,
respeitável como o juiz, o coletor,
os negociantes, o vigário.
O doido é sagrado. Mas se endoida
de jogar pedra, vai preso no cubículo
mais tétrico e lodoso da cadeia.
I. Em certos momentos, o “doido” se apresenta absolutamente integrado no espaço urbano.
II. Se o louco passa dos limites aceitos, perde a condição de habitante sagrado para ser recolhido à prisão.
III. O “doido” está sempre encarcerado nas grandes cidades, pois nunca é visto nos ambientes públicos.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são