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LiteraturaUECE2019

TEXTO

[...]
Uma noite de inverno, gelada e nevoenta,
cercava a criaturinha. Silêncio completo,
nenhum sinal de vida nos arredores. O galo
velho não cantava no poleiro, nem Fabiano
[120] roncava na cama de varas. Estes sons não
interessavam Baleia, mas quando o galo
batia as asas e Fabiano se virava,
emanações familiares revelavam-lhe a
presença deles. Agora parecia que a

[125] fazenda se tinha despovoado.

Baleia respirava depressa, a boca aberta, os
queixos desgovernados, a língua pendente
e insensível. Não sabia o que tinha
sucedido. O estrondo, a pancada que
[130] recebera no quarto e a viagem difícil no
barreiro ao fim do pátio desvaneciam-se no
seu espírito.

Provavelmente estava na cozinha, entre as
pedras que serviam de trempe. Antes de se
[135] deitar, sinhá Vitória retirava dali os carvões
e a cinza, varria com um molho de
vassourinha o chão queimado, e aquilo
ficava um bom lugar para cachorro
descansar. O calor afugentava as pulgas, a
[140] terra se amaciava. E, findos os cochilos,
numerosos preás corriam e saltavam, um
formigueiro de preás invadia a cozinha.

A tremura subia, deixava a barriga e
chegava ao peito de Baleia. Do outro peito
[145] para trás era tudo insensibilidade e
esquecimento. Mas o resto do corpo se
arrepiava, espinhos de mandacaru
penetravam na carne meio comida pela
doença.

[150] Baleia encostava a cabecinha fatigada na
pedra. A pedra estava fria, certamente
sinhá Vitória tinha deixado o fogo apagar-se
muito cedo.

Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num
[155] mundo cheio de preás. E lamberia as mãos
de Fabiano, um Fabiano enorme. As
crianças se espojariam com ela, rolariam
com ela num pátio enorme, num chiqueiro
enorme. O mundo ficaria todo cheio de
[160] preás, gordos, enormes.

RAMOS, Graciliano. Vidas secas, 82ª ed. Rio de Janeiro: Record. 2001. p. 85-91.

Atente para o que se diz a seguir a respeito da cena narrada no excerto acima e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.

( ) O autor atribui à cachorra uma série de características que não são comumente associadas a animais, mas aos seres humanos.

( ) A vira-lata, em seu leito de morte, se apresenta aflita ao refletir sobre o que estaria acontecendo com ela, mostrando o desdém que tinha por um mundo melhor.

( ) O texto nos apresenta uma família de retirantes dentro de um contexto festivo e alegre de muita abastança do sertão brasileiro.

( ) Se, de um lado, vê-se a humanização da cadela, por outro lado, observam-se, como contraponto, alguns aspectos que mostram a animalização dos personagens humano.

A sequência correta, de cima para baixo, é:

LiteraturaPUC-RS2011

Para responder à questão, ler o excerto do conto “Mineirinho”, de Clarice Lispector, e preencher os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

“É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizálas. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. (...) No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.”

( ) O narrador não compreende plenamente por que está sensibilizado com a morte de um facínora que matou muitas pessoas.

( ) A cozinheira apresenta-se bastante confortável em discutir a morte do Mineirinho.

( ) Ao longo da contagem dos tiros que abateram o criminoso, o narrador vai se apiedando progressivamente, culminando no décimo terceiro tiro, momento em que se coloca no lugar do próprio facínora.

( ) A certa altura do conto, o narrador, movido pela lei da sobrevivência, chega a aceitar o extermínio de facínoras como o Mineirinho.

A sequência correta, de cima para baixo, é

LiteraturaCESGRANRIO2011

Associe os gêneros literários às suas respectivas características.

1 – Gênero lírico

2 – Gênero épico

3 – Gênero dramático

( ) Exteriorização dos valores e sentimentos coletivos

( ) Representação de fatos com presença física de atores

( ) Manifestação de sentimentos pessoais predominando, assim, a função emotiva

A sequência correta, de cima para baixo, é

LiteraturaFCMMG2019

Aquestão refere-se à obra Eu e outras poesias, de Augusto dos Anjos, indicada para este processo seletivo.

Leia, com atenção, os versos de Augusto dos Anjos, que se tornaram populares, e complete CORRETAMENTE as lacunas com os termos adequados.

I. “Já o _________________ – este operário das ruínas – / Que o sangue podre das carnificinas / Come, e à vida em geral declara guerra” (“Psicologia de um vencido”)

II. “Parece muito doce aquela cana. / Descasco-a, provo-a, chupo-a...Ilusão treda! / o _________________, poeta, é como a cana azeda, / A toda a boca que o não prova engana.” (“Versos de amor”)

III. “Ah, um _________________ pousou na minha sorte! / Também, das diatomáceas da lagoa / A criptógama cápsula se esbroa / Ao contato de bronca destra forte!” (“Budismo moderno”)

IV. “Toma um fósforo. Acende teu cigarro! / o _________________, amigo, é a véspera do escarro, / A mão que afaga é a mesma que apedreja.” (“Versos íntimos”)

A sequência CORRETA para o preenchimento das lacunas é

LiteraturaFACISA2016

Assinale V para afirmações verdadeiras e F para as falsas.

( ) Os poemas finais da obra equilibram em parte a visão maniqueísta presente nas duas primeiras partes.

( ) O pessimismo, a atmosfera depressiva e o satanismo presentes em Lira dos Vinte Anos são influências das obras e das ideias de Lord Byron.

( ) Por serem poemas narrativos típicos do ultrarromantismo, não se encontram na obra rimas, versos metrificados ou musicalidade.

( ) O tema da traição, da interdição amorosa e dos sofrimentos de que padecem os que amam filiam a obra ao Realismo.

( ) Em Lira dos Vinte Anos estão presentes algumas características da prosa romântica, como o exagero descritivista, o nacionalismo ufanista e o pastoralismo.

A sequência correta é:

LiteraturaFACISA2013

A questão aborda o livro Geração 90: manuscritosde computador

Sobre os contos de Marcelino Freire, julgue corretas (C) ou erradas (E) as assertivas:

( ) É marcante o uso do padrão oral da linguagem.

( ) Os personagens são caricaturais e algumas cenas são intencionalmente inverossímeis.

( ) Aspectos sociais relacionados ao modo de vida dos moradores das periferias das grandes cidades filiam os contos à literatura engajada.

( ) É forte a influência da literatura introspectiva da terceira geração modernista.

( ) O conto “Linha de tiro” aproxima-se do gênero crônica em mais de um aspecto.

A sequência correta é:

LiteraturaFACISA2016

A questão aborda o livro “Água Viva”, de Clarice Lispector

Coloque V para as afirmações verdadeiras e F para as que possuem erros:

( ) A narrativa se distancia do romance típico da segunda geração modernista por adotar como predominante a linguagem lírica, enfatizar a reflexão metalinguística e as questões existenciais.

( ) O(a) narrador(a) assume uma enunciação feminina no início da trama, passa a narrar sob a perspectiva masculina e conclui com a adoção de um ponto de vista neutro (o it da linguagem).

( ) O fluxo de consciência, o apelo excessivo aos elementos sensoriais, as aliterações, os devaneios e as imagens hiperbólicas filiam a narrativa à estética Simbolista.

( ) A linguagem, o tempo, o espaço, o enredo e os personagens se fragmentam, dando destaque para questões subjetivas de quem narra, como é comum em romances de ações internas.

( ) O longo monólogo de “Água Viva”, marcado por profunda angústia e pessimismo, tem por finalidade estabelecer um diálogo com Deus, que se constitui como personagem central do enredo.

A sequência correta é:

LiteraturaFACISA2016

A narradora de Outros Cantos afirma: “Que eu pusesse a funcionar o meu tear de palavras, desenrolasse e refizesse as meadas de histórias do vasto mundo”. Associando esta sentença com ações do enredo, coloque V para as afirmações verdadeiras e F para as falsas.

( ) O trabalho coletivo de confecção de redes em Olho d’Água se assemelha, do ponto de vista metafórico, à construção de redes de comunicação, luta e resistência dos opositores do regime militar.

( ) Por não fazer parte da comunidade, a protagonista exercia em Olho d’Água apenas a função de contadora de histórias.

( ) Constantes indagações filosóficas, um olhar crítico sobre os costumes, um constante sentimento de empatia e a disposição permanente para ouvir as histórias de vida faziam parte do “tear de palavras” da narradora.

( ) As “meadas de histórias” de Maria eram compostas por experiências de vida adquiridas em passagens por continentes, culturas e comunidades ao mesmo tempo distantes e assemelhadas.

( ) O método Paulo Freire era incompatível com os propósitos da professora Maria de alfabetizar adultos a partir das experiências de vida deles.

A sequência correta é:

LiteraturaUnirG2015

Sobre o romance O Beijo do Vesúvio, marque V ou F nas afirmações abaixo:

( ) A linguagem dessa obra é, fortemente, marcada por uma prosa poética, como neste exemplo da metáfora da morte: “Olhos marejando, abracei mestre Antenor, após servir-lhe um suco de laranja, fruta de sua preferência. Poucos dias depois, voltei a ver meu amigo,- quando partia para a condição de matéria cósmica. Nesta vida, sempre estamos assinando o livro das despedidas.”(p.119) .
( ) No referido romance, o narrador-protagonista, Pedro Caneti, jovem órfão de pai, estudante de jornalismo, expõe sua paixão pela Literatura, sua conturbada vocação de escritor bem como sua devoção à boemia.
( ) Do ponto de vista da tipologia textual, O Beijo do Vesúvio é classificado como um romance => narrativa longa, várias personagens, progressão temporal, ações <= porém, em certos aspectos beira a crônica e avizinha-se do ensaio. Paulo Aires,pela voz do narrador-protagonista, traça o perfil de uma geração tumultuada, condenada à cultura do vazio,proibida de cultuar sonhos sagrados, forçada à solidão social.
( ) O enredo transcorre na fictícia cidade de Capadócia, capital de um país imaginário. O livro apresenta elementos reveladores das acirradas contradições sociais do mundo atual, como no trecho:” Demitido sem justa causa. Tive que trancar a faculdade. Mais um pontapé na bunda. Um horror. Chorei de raiva”. (p.85)
( ) Pedro Caneti reencontra, após anos, o primeiro grande amor de sua vida => Beatriz Somoza. Entretanto, os dois não podem reatar o relacionamento do passado, embora ela queira, pois ele a chantageia por fragrá-la no escritório aos amassos com o motorista. Ela é casada com um rico empresário.

A sequência correta é:

LiteraturaUnirG2015

Sobre a cidadezinha de A Hora dos Ruminantes marque V ou F:


( ) Se fôssemos desenhar um mapa de Manarairema com as informações fornecidas pelo romance, um dado geográfico fundamental seria a divisão entre a tapera, local onde os homens se instalam, e o núcleo da cidade, porção habitada pelos demais personagens.
( ) As duas partes avizinham-se - de uma se avista a outra -, mas estão claramente separadas: há um rio no meio, e sobre ele, uma ponte. A ponte é um símbolo indicador de passagem, mudança,transição. Não por acaso, a narrativa começa justo nesse lugar, limiar geográfico e simbólico entre dois mundos.
( ) De um lado da ponte, concentram-se comércio, cartório, correio, cadeia, largo, chafariz, coreto, igreja, cemitério, campo de futebol, em resumo, a parte mais organizada da cidade.
( ) Do outro, há pastos, capinzais, paragens onde se podem coletar lenha e raízes para chá, além da já mencionada tapera. Lá os forasteiros se organizam em um acampamento, onde criam animais, porém o narrador não fornece ao leitor pistas sobre quais espécies são criadas.
( ) Manarairema ocupa simultaneamente dois papéis na narrativa; é uma espécie de espaço-personagem – como no exemplo: (“Manarairema foi dormir pensando nos vizinhos esquivos e fazendo planos para tratar com eles quando chegasse a ocasião.” p.5) Nesse caso José J. Veiga aplica a prosopopeia ao espaço a fim de ratificar a tese naturalista de que o homem é fruto de seu meio. Essa premissa determinista encaixa-se perfeitamente em A Hora dos Ruminantes, pois os forasteiros que chegam à cidadezinha passam a se comportar como os manarairenses. E condição única de espaço (“Manarairema estaria se acabando, se perdendo para sempre?” p.44).

A sequência correta é: