Para responder à questão, ler o texto que segue, de Clarice Lispector, e as afirmativas, preenchendo os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.
“Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. (...) E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar?”
( ) O texto apresenta uma caminhante que inicia um processo de reflexão interior, a partir de um encontro inusitado com um rato.
( ) A narradora divaga sobre uma possível conexão divina entre a sua liberdade e o seu estranho encontro.
( ) Inserida na prosa urbana, esta narrativa realista, desprovida de uma consciência interior, discute os problemas da cidade contemporânea.
( ) O texto materializa, de modo insólito, uma espécie de prosa poética na qual inexistem certezas absolutas sobre a condição humana.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Para responder à questão, leia o trecho do poema “Retrato falante”, de Cecília Meireles, e as afirmativas.
Não há quem não se espante, quando
mostro o retrato desta sala,
que o dia inteiro está mirando,
e à meia-noite em ponto fala.
Cada um tem sua raridade:
selo, flor, dente de elefante.
Uns tem até felicidade!
Eu tenho o retrato falante
[...]
Na outra noite me disse: “A morte
leva a gente. Mas os retratos
são de natureza mais forte,
além de serem mais exatos.
Quem tiver tentado destruí-los,
por mais que os reduza a pedaços,
encontra os seus olhos tranquilos
mesmo rotos, sobre os seus passos.
Depois que estejas morta, um dia,
tu, que és só desprezo e ternura,
saberás que ainda te vigia
meu olhar, nesta sala escura.
Em cada meia-noite em ponto,
direi o que viste e o que ouviste.
Que eu – mais que tu – conheço e aponto
quem e o que te deixou tão triste.”
Com base na leitura do poema, preencha os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.
( ) O retrato tem uma determinada hora para dialogar com o Eu poético, primeira voz no poema.
( ) O leitor pode ser levado, pelo retrato, a pensar sobre a brevidade da vida.
( ) O retrato é uma espécie de duplo ameaçador do Eu poético.
( ) O poema sugere que o retrato é mais duradouro do que a vida.
( ) O retrato suscita terror na alma do Eu poético.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Para responder à questão, leia o trecho do diário de viagem de Mário de Andrade, retirado de O turista aprendiz.
“Durante esta viagem pela Amazônia, muito resolvido a... escrever um livro modernista, provavelmente mais resolvido a escrever que a viajar, tomei muitas notas como vai se ver. Notas rápidas, telegráficas muitas vezes. Algumas porém se alongaram mais pacientemente, sugeridas pelos descansos forçados do vaticano de fundo chato, vencendo difícil a torrente do rio. Mas quase tudo anotado sem nenhuma intenção da obra-de-arte, reservada pra elaborações futuras, nem com a menor intenção de dar a conhecer aos outros a terra viajada. E a elaboração definitiva nunca realizei. Fiz algumas tentativas, fiz. Mas parava logo no princípio, nem sabia bem porque, desagradado. Decerto já devia me desgostar naquele tempo o personalismo do que anotava. Se gostei e gozei muito pelo Amazonas, a verdade é que vivi metido comigo por todo esse caminho largo de água.”
Com base no excerto e em seu contexto, preencha os parênteses com V para verdadeiro ou F para falso.
( ) O diário de viagem é uma modalidade de narrativa que relata não só os acontecimentos transcorridos durante o percurso, mas também os sentimentos do sujeito viajante.
( ) As anotações do diário acompanhavam a rotina do barco: às vezes eram breves, outras mais longas em função das paradas e do movimento da embarcação nas águas do rio.
( ) O narrador se assume como um tipo especial de viajante porque não se integra à paisagem e ao ambiente da Amazônia, uma vez que a viagem que empreende é de ordem subjetiva.
( ) Mário de Andrade se identifica como um turista aprendiz porque fez muitas anotações, escreveu um livro sobre a viagem, corrigiu os originais e experimentou um personalismo exacerbado.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Para responder à questão, leia o excerto do poema “Borboleta morta”, de Alberto de Oliveira, e preencha os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.
Abrindo as asas, – leve fantasia
Da primavera quando despertava,
Sonho dos campos, – ao nascer do dia
De trecho em trecho a borboleta voava.
(...)
Ia e vinha, volteava no ar, arfando,
Descia às flores e, num torvelinho
De pétalas e pólen doidejando,
Ruflava as asas como um passarinho.
E voava. Os vossos olhos, entretanto,
Viam-na, e quando junto da janela
Passava acaso, enchendo-se de espanto:
–“Lá vai!” – disseram, enlevados nela.
“Lá vai! tão grande! tão azul! tão linda!
Apanhemo-la” – Assim foi que a tivestes;
E a esforçar por ser livre, vendo-a ainda,
A sacudir as pequeninas vestes,
Mão bárbara e cruel, mão feminina
De atro estilete segurando na haste
Como que vibra, lâmina assassina,
O peito, sem piedade, lhe varaste” (...)
( ) O poeta utiliza-se de imagens que revelam a delicadeza do voo da borboleta.
( ) O uso de aliterações pode também ser encontrado no poema, recurso que auxilia na construção sonora do bater das asas da borboleta.
( ) O poeta humaniza, em diversos momentos, a borboleta.
( ) A fragilidade da borboleta é presa fácil à mão humana, e o inseto não oferece qualquer tipo de resistência.
( ) O poeta suaviza a morte da borboleta com a utilização de eufemismos, técnica comum no movimento simbolista.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Para responder à questão, leia o excerto a seguir, no contexto do conto de Simões Lopes Neto, e as afirmativas, preenchendo os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.
“Foi então que um gaúcho gadelhudo, mui alto, canhoto, desprendeu da cintura as boleadeiras e fêlas roncar por cima da cabeça… e quando ia soltálas, zunindo, com força pra rebentar as costelas dum boi manso, e que o negro estava cocando o tiro, de facão pronto pra cortar as sogas…, nesse mesmo momento e instante a velha Fermina entrou na roda, e ligeira como um gato, varejou no Bonifácio uma chocolateira de água fervendo, que trazia na mão, do chimarrão que estava chupando…
O negro urrou como um touro na capa…; a rumo no mais avançou o braço, e fincou e suspendeu, levando a velha, estorcendo-se, atravessada no facão até o esse…; ao mesmo tempo, mandado por pulso de homem um bolaço cantou-lhe no tampo da cabeça e logo outro, no costilhar, e o negro caiu, como boi desnucado, de boca aberta, a língua pontuada, mexendo em tremura uma perna, onde a roseta da chilena tinia, miúdo…
Patrício, escuite!”
( ) As comparações com bichos (boi manso, gato, touro na capa, boi desnucado) conferem aos personagens uma espécie de animalização, um instinto não racional que potencializa o tom violento da cena.
( ) Na leitura do trecho, torna-se evidente a força visual na escrita de Simões Lopes Neto, autor que detalhava, com riqueza, as ações de seus personagens, gerando tensão no relato.
( ) A utilização de expressões tipicamente urbanas do Rio Grande do Sul dá ao texto um caráter regionalista.
( ) O vaqueano Blau Nunes é o narrador da obra, personagem que testemunhou ou ouviu os causos que relata. Essa marca de oralidade torna-se ainda mais explícita com a passagem “Patrício, escuite!”.
( ) O trecho pertence ao conto “Negro Bonifácio”.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Para responder à questão, compare os poemas, leia as afirmativas que seguem e preencha os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.
leia o poema a seguir, de Luís de Camões
Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
que, como o acidente em seu sujeito,
assim coa alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.
leia o poema “Encarnação”
Carnais, sejam carnais tantos desejos,
carnais, sejam carnais tantos anseios,
palpitações e frêmitos e enleios,
das harpas da emoção tantos arpejos...
Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
à noite, ao luar, intumescer os seios
láteos, de finos e azulados veios
de virgindade, de pudor, de pejos...
Sejam carnais todos os sonhos brumos
de estranhos, vagos, estrelados rumos
onde as Visões do amor dormem geladas...
Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
formem, com claridades e fragrâncias,
a encarnação das lívidas Amadas!
( ) Os dois poemas falam mais sobre o sentimento do amor do que sobre o objeto amado.
( ) No poema de Camões, o amor figura-se no campo das ideias.
( ) Quanto à forma, os dois poemas são sonetos.
( ) O título “Encarnação” contém uma certa ambiguidade, aliando um sentido espiritual a um erótico.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Para responder à questão, analise as afirmativas a seguir, referentes a O Alienista, de Machado de Assis, e preencha os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).
( ) A novela O Alienista, de Machado de Assis, é uma sátira à arbitrariedade do conceito de loucura.
( ) As pesquisas de Dr. Simão Bacamarte, protagonista de O Alienista, são ridicularizadas pelo narrador devido ao seu cientificismo.
( ) O Alienista demonstra como a loucura não pode ser relativizada, pois a definição de demência é um assunto consensual.
( ) Mesmo detendo o poder absoluto dos critérios da razão e da loucura, Simão Bacamarte também é alvo de suas próprias investigações quanto a sua demência.
( ) O Alienista estabelece um tratado científico detalhado que avança nos estudos sobre a sanidade metal.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Leia as seguintes afirmações sobre Lucíola de José de Alencar e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.
(___) É um romance urbano que trata da paixão socialmente inviável entre um jovem de boa família e uma cortesã de luxo, ou seja, do choque entre os sentimentos individuais e a ordem social.
(___) A degradação da personagem principal, Lúcia, decorre das imposições de uma sociedade cruel, assim, ela se corrompe pela necessidade de ajudar a família.
(___) A heroína do romance passa por um amadurecimento interior e uma forte consciência dos mecanismos sociais, por isso, não demonstra sentimento de culpa por ser prostituta.
(___) No decorrer da narrativa, não é possível perceber em momento algum que a personagem Paulo tenha optado por seguir seus sentimentos, ou seja, por enfrentar as convenções e preconceitos da época.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Leia as afirmativas referentes a contos de Machado de Assis e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.
(__) "A cartomante" é uma narrativa com final trágico, envolvendo Vilela, Camilo e Rita.
(__) Em "Cantiga de esponsais", o autor propõe-se a estudar profundamente a alma feminina por meio da protagonista, focalizando seus amores, desencantos aspirações.
(__) Machado de Assis, no conto "Missa do galo", apresenta a mulher como aquela que conduz o homem, desencadeando crises e problemas.
(__) Visando a uma lição de moral, o conto "O apólogo" apresenta personagens antropomorfizados.
(__) Em "Conto de escola", a história se inicia quando o narrador-personagem opta por não ir à escola para ficar brincando na rua.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Leia as afirmações sobre o estilo de época denominado Realismo e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.
(__) Nota-se a completa ausência da ironia nas obras desse período.
(__) O romance realista é encarado como um instrumento de denúncia.
(__) As personagens realistas se distinguem por virtudes e aptidões especiais e, assim, não mostram as contradições da natureza humana.
(__) A atenção aos desequilíbrios sociais é uma das características do romance realista.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: