AprendiAprendi
LiteraturaESA2012

“A feição deles é serem pardos, quase avermelhados, de rostos regulares e narizes bem feitos; andam nus sem nenhuma cobertura; nem se importam de cobrir nenhuma coisa, nem de mostrar suas vergonhas.” Essa passagem pertence à Carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro texto escrito no Brasil, no qual eram descritos a terra e o povo que a habitava.

A respeito da Literatura Quinhentista, é correto afirmar que

LiteraturaUFPA2013

Em fevereiro de 1897, o poeta Olavo Bilac substitui o já renomado romancista Machado de Assis na função de cronista do periódico fluminense Gazeta de Notícias. A crônica, que no século XIX cumpre a função de registrar as questões mais prementes do dia, fossem políticas, culturais ou literárias, é o gênero ao qual se dedicará o poeta conhecido como um dos mestres do verso parnasiano.

A respeito da crônica “A prostituição infantil”, é correto afirmar que Olavo Bilac

LiteraturaESCS2014

Dois velhinhos

Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.

Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.

Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:

— Um cachorro ergue a perninha no poste.

Mais tarde:

— Uma menina de vestido branco pulando corda.

Ou ainda:

— Agora é um enterro de luxo.

Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.

Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.

Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.

Dalton Trevisan. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Editora Record, 1979, p. 110.

A respeito da construção literária do texto, é correto afirmar que o conto de Dalton Trevisan é

LiteraturaESCS2014

Sítio

O morro está pegando fogo.

O ar incômodo, grosso,

faz do menor movimento um esforço,

como andar sob outra atmosfera,

entre panos úmidos, mudos,

num caldo sujo de claras em neve.

Os carros, no viaduto,

engatam sua centopeia:

olhos acesos, suor de diesel,

ruído motor, desespero surdo.

O sol devia estar se pondo, agora

mas como confirmar sua trajetória

debaixo desta cúpula de pó,

este céu invertido?

Olhar o mar não traz nenhum consolo

(se ele é um cachorro imenso, trêmulo,

vomitando uma espuma de bile,

e vem acabar de morrer na nossa porta).

Uma penugem antagonista

deitou nas folhas dos crisântemos

e vai escurecendo, dia a dia,

os olhos das margaridas,

o coração das rosas.

De madrugada,

muda na caixa refrigerada,

a carga de agulhas cai queimando

tímpanos, pálpebras:

O menino brincando na varanda.

Dizem que ele não percebeu.

De que outro modo poderia ainda

ter virado o rosto: — Pai!

acho que um bicho me mordeu! assim

que a bala varou sua cabeça?

Claudia Roquette-Pinto. Margem de manobra. Rio de Janeiro: Editora Aeroplano, 2005 (com adaptações).

A respeito da construção literária do texto, assinale a opção correta.

LiteraturaFAI2015

Leia o soneto de Florbela Espanca para responder à questão.

Não ser

Quem me dera voltar à inocência
Das coisas brutas, sãs, inanimadas,
Despir o vão orgulho, a incoerência:
— Mantos rotos de estátuas mutiladas!

Ah! Arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! Poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo1 ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!

Ser haste, seiva, ramaria inquieta,
Erguer ao sol o coração dos mortos
Na urna de ouro duma flor aberta!...
(A mensageira das violetas, 1997.)

1choupo: espécie de árvore.

A respeito da construção de sentido no poema, é correto afirmar que

LiteraturaURCA2019

Voltemos à fachada da igreja de Nossa Senhora, tal qual se nos apresenta ainda hoje. [...] Três coisas importantes faltam hoje àquela frontaria; em primeiro lugar, a escadaria de onze degraus que antigamente a elevava acima do solo; depois, a série inferior de estátuas que ocupava os nichos dos três pórticos, e a série superior dos vinte e oito reis de França mais antigos, que guarnecia a galeria do primeiro andar, principiando por Childeberto até Filipe-Augusto, que tinha na mão o "pomo imperial"

(HUGO, Victor, s/d, p. 142-143)

A citação acima, do escritor Victor Hugo, refere-se à Catedral de Nossa Senhora de Paris situada no coração da cidade, na chamada Ilê de la Citê.

A respeito catedral mencionada na obra do escritor francês, podemos considerar com correto que:

LiteraturaFMABC2015

De como não fui ministro de estado

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A representação gráfica acima subentende um texto vazio de palavras, mas pleno de significado. É um capítulo do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Dela pode-se afirmar que

LiteraturaFGV-SP2019

Texto para aquestão

Um boi vê os homens

Tão delicados (mais que um arbusto) e correm
e correm de um para outro lado, sempre esquecidos
de alguma coisa. Certamente, falta-lhes
não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres
e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves,
até sinistros. Coitados, dir-se-ia não escutam
nem o canto do ar nem os segredos do feno,
como também parecem não enxergar o que é visível
e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes
e no rasto da tristeza chegam à crueldade.
(...)

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

A representação dos homens pelo ponto de vista do boi, tal como ocorre no poema, tem, sobretudo, a função de

LiteraturaPUC-SP2011

A reportagem e as cartas inseridas nas páginas iniciais do livro Capitães de Areia, de Jorge Amado,criam uma relação entre jornal e literatura e acabam compondo a matéria propriamente dita da obra. Dessa relação, é possível afirmar que

LiteraturaUNIEVA2017

Leia o trecho a seguir para responder a questão.

Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de umdos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado”

Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. [...]

MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Klick Editora, 1999. p. 17.

A repetição das palavras “triste” e “constante” em “uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste” é uma estratégia por meio da qual o narrador