AprendiAprendi
LiteraturaPUC-RS2015

Para responder à questão, leia o trecho de O cortiço, de Aluísio de Azevedo, e preencha as lacunas.

Bertoleza é que continuava na cepa torta, sempre a mesma crioula suja, sempre atrapalhada de serviço, sem domingo nem dia santo: essa, em nada, em nada absolutamente, participava das novas regalias do amigo: pelo contrário, à medida que ele galgava posição social, a desgraçada fazia-se mais e mais escrava e rasteira.

A personagem Bertoleza em O cortiço, de Aluísio de Azevedo, representa o fatalismo_________________ que se presentifica em muitas obras _________________, pautadas pela forte influência de escritores franceses como _________________.

LiteraturaFAMEMA2016

Convencida de que todos os seus inúmeros apaixonados, sem exceção de um, a pretendiam unicamente pela riqueza; Aurélia reagia contra essa afronta, aplicando a esses indivíduos o mesmo estalão.

Assim costumava ela indicar o merecimento relativo de cada um dos pretendentes, dando-lhes certo valor monetário. Em linguagem financeira, Aurélia cotava os seus adoradores pelo preço que razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial.

Uma noite, no Cassino, a Lísia Soares, que se fazia íntima com ela, e desejava ardentemente vê-la casada, dirigiu- -lhe um gracejo acerca do Alfredo Moreira, rapaz elegante que chegara recentemente da Europa:

− É um moço muito distinto, respondeu Aurélia sorrindo; vale bem como noivo cem contos de réis; mas eu tenho dinheiro para pagar um marido de maior preço, Lísia; não me contento com esse.

Riam-se todos destes ditos de Aurélia, e os lançavam à conta de gracinhas de moça espirituosa; porém a maior parte das senhoras, sobretudo aquelas que tinham filhas moças, não cansavam de criticar desses modos desenvoltos, impróprios de meninas bem-educadas.

Os adoradores de Aurélia sabiam, pois ela não fazia mistério, do preço de sua cotação no rol da moça; e longe de se agastarem com a franqueza, divertiam-se com o jogo que muitas vezes resultava do ágio de suas ações naquela empresa nupcial.

(Senhora, 2013. Adaptado.)

A personagem Aurélia é descrita no trecho como

LiteraturaUnaerp2018

A personagem Ana, protagonista do conto “Amor”, de Clarice Lispector, é uma

LiteraturaUnaerp2017

O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles… Um homem cego mascava chicles.

Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mascava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir – como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. Mas continuava a olhá-lo, cada vez mais inclinada [...] O cego interrompera a mastigação e avançava as mãos inseguras, tentando inutilmente pegar o que acontecia. [...] Poucos instantes depois já não a olhavam mais. O bonde se sacudia nos trilhos, e o cego mascando goma ficara atrás para sempre. Mas o mal estava feito.

Clarice Lispector, “Amor”.

A personagem Ana, ao deparar com a visão de um cego em meio a um dia de rotina,

LiteraturaUERJ2010

Science Fiction

O marciano encontrou-me na rua

e teve medo de minha impossibilidade humana.

Como pode existir, pensou consigo, um ser

que no existir põe tamanha anulação de existência?

[5] Afastou-se o marciano, e persegui-o.

Precisava dele como de um testemunho.

Mas, recusando o colóquio, desintegrou-se

no ar constelado de problemas.

E fiquei só em mim, de mim ausente

Carlos Drummond de Andrade Nova reunião. São Paulo: José Olympio, 1983.

A pergunta formulada pelo marciano pode ser lida como uma projeção da consciência do próprio sujeito poético. Um verso que também sugere essa projeção é:

LiteraturaFMJ2020

Para responder à questão, leia a “Lira XVIII” da obra Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga.

Não vês aquele velho respeitável,
Que, à muleta encostado,
Apenas mal se move e mal se arrasta?
Oh! quanto estrago não lhe fez o tempo,
O tempo arrebatado,
Que o mesmo bronze gasta!

Enrugaram-se as faces e perderam
Seus olhos a viveza;
Voltou-se o seu cabelo em branca neve;
Já lhe treme a cabeça, a mão, o queixo,
Nem tem uma beleza
Das belezas que teve.

Assim também serei, minha Marília,
Daqui a poucos anos,
Que o ímpio tempo para todos corre.
Os dentes cairão, e os meus cabelos.
Ah! sentirei os danos,
Que evita só quem morre.

Mas sempre passarei uma velhice
Muito menos penosa.
Não trarei a muleta carregada:
Descansarei o já vergado corpo
Na tua mão piedosa,
Na tua mão nevada.

As frias tardes, em que negra nuvem
Os chuveiros não lance,
Irei contigo ao prado florescente:
Aqui me buscarás um sítio ameno,
Onde os membros descanse,
E ao branco Sol me aquente.

Apenas me sentar, então, movendo
Os olhos por aquela
Vistosa parte, que ficar fronteira,
Apontando direi: Ali falamos,
Ali, ó minha bela,
Te vi a vez primeira.

Verterão os meus olhos duas fontes,
Nascidas de alegria;
Farão teus olhos ternos outro tanto;
Então darei, Marília, frios beijos
Na mão formosa e pia,
Que me limpar o pranto.

Assim irá, Marília, docemente
Meu corpo suportando
Do tempo desumano a dura guerra.
Contente morrerei, por ser Marília
Quem, sentida, chorando,
Meus baços olhos cerra.

(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 2002.)

A percepção do tempo revelada pelo eu lírico aproxima-se daquela presente na seguinte citação:

LiteraturaFDV2014

A peça Dois perdidos numa noite suja é uma peça de teatro do autor Plínio Marcos foi escrita em 1966 e o romance As meninas de Lygia Fagundes Telles foi escrito em 1973. Sobre os dois textos, só não é correto afirmar que:

LiteraturaFCMMG2016

Aquestão refere-se às obras literárias indicadas para este concurso: Olhai os lírios do campo, de Erico Verissimo, e Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles.

No romance de Erico Verissimo, a médica Olívia, em uma de suas cartas, deixa para Eugênio a seguinte mensagem:

“Já pensaste na importância social que os médicos têm e no enorme trabalho que ainda está por fazer em matéria de higiene?

Às vezes eu me pergunto se por estarmos parados a cuidar apenas de nós mesmos, não somos um pouco culpados da miséria e da desgraça que anda pelo mundo.

Consola-me a ideia que num dia que não estará muito longe um de nós comece um trabalho sério nesse sentido.”

(VERISSIMO, E. Olhai os lírios do campo. Porto Alegre: Globo, 1966, p.159.)

A passagem que evidencia preocupação de Dr. Eugênio com o problema referido na mensagem é:

LiteraturaUFSM2016

Os versos a seguir são de A rosa de Hiroxima (1954), de Vinícius de Moraes.

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroxima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A antirrosa atômica.

A partir dos versos, assinale a alternativa INCORRETA.

LiteraturaUCS2014

Leia os versos abaixo, de autoria de Augusto dos Anjos e publicados em 1912, na obra Eu.

Psicologia de um vencido
(...)
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Fonte: ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. 40. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995. p. 82.

O poema “Psicologia de um vencido” apresenta traços pré-modernistas, pois se afasta das características ___________________ e ___________________ recorrentes no Período, tematizando a morte, sob uma perspectiva __________________ e _________________.

A partir dos versos lidos, assinale a alternativa cuja sequência de palavras completa correta e respectivamente as lacunas acima.