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LiteraturaUNISC2014

“Era no tempo do rei.

Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo — O canto dos meirinhos —; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo.”

Manuel Antonio de Almeida

In: Memórias de um Sargento de Milícias. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978, p. 5.

A partir do fragmento de Memórias de um Sargento de Milícias, é correto afirmar que

LiteraturaUNISC2013

“Mayer Guinzburg tem ideias. Formarão uma colônia coletiva, Leia, José Goldman e ele. Ficará longe de Porto Alegre; não muito longe, é claro, pois de lá terá de vir, um dia, a Grande Marcha. Haverá um mastro, onde flutuará ao vento a bandeira de Nova Birobidjan. Semearão milho e feijão. Tratarão as plantas como amigas, como aliadas no grande empreendimento. Criarão um porco – o Companheiro Porco; uma cabra – a Companheira Cabra; uma galinha – a Companheira Galinha. O Companheiro Goldman gostará do Companheiro Porco, a Companheira Leia gostará da Companheira Cabra, mas o Companheiro Mayer Guinzburg não gostará da Companheira Galinha – não saberá por quê, mas não gostará. Se esforçará para gostar, mas não conseguirá. Leia o criticará, ele reconhecerá seu erro, mas nada poderá fazer a respeito. Morarão em barracas; num pequeno telheiro instalarão o Palácio da Cultura, onde estarão expostos os desenhos do Companheiro Guinzburg, e onde a Companheira Leia declamará Walt Whitman e o Companheiro José Goldman lerá suas proclamações. A colônia terá um jornal: A voz de Nova Birobidjan, cujo diretor será o Companheiro Mayer Guinzburg; conterá proclamações, noticiário internacional e até uma seção de variedades – palavras cruzadas, xadrez.”

(SCLIAR, Moacyr. O exército de um homem só. Porto Alegre: L&PM, 2012, Ed. Digital, cap. II, “1928”, p. 7 e 8)

A partir do fragmento acima, de O exército de um homem só, podemos dizer que I- a história de Scliar é uma fábula, já que apresenta somente animais como personagens. II- é narrado em primeira pessoa, já que o protagonista, Mayer Guinzburg, conta suas peripécias de Dom Quixote. III- as poesias de Walt Whitman serão as leis dessa nova colônia. IV- o protagonista Guinzburg imagina que a colônia coletiva Nova Birobidjan terá uma bandeira e um jornal. V- ele se constrói por alegorias em torno do socialismo, a exemplo de uma colônia utópica, imaginada por Mayer Guinzburg.Assinale a alternativa correta.

LiteraturaUCS2012

O movimento árcade no Brasil procurou refletir as influências europeias aliadas aos interesses dos poetas pelas coisasda nossa terra. O mais popular poeta mineiro do período foi Tomás Antônio Gonzaga, que, em sua poesia lírica, Marília de Dirceu, tematiza os amores entre Dirceu e Marília.
Leia o fragmento de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga.

Lira II

Na sua face mimosa,

Marília, estão misturadas

Purpúreas folhas de rosa,

Brancas folhas de jasmim.

Dos rubins mais preciosos

Os seus beiços são formados;

Os seus dentes delicados

São pedaços de marfim.

(GONZAGA, T. A. Marília de Dirceu. s/l. Editora Tecnoprint. s/d. p.28.)

A partir do fragmento acima, assinale a alternativa correta em relação ao Arcadismo.

LiteraturaUNIOESTE2020

Na palestra que contém o trecho abaixo citado, Antonio Candido defende a fruição das artes, e da literatura em particular, como direito inalienável dos seres humanos, uma vez que ela nos humaniza. Segundo o autor, devemos encará-la como uma profunda necessidade, do mesmo tipo que a necessidade de alimentação, moradia, vestuário, do amparo da justiça ou da instrução.

“Entendo aqui por humanização (...) o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante.”

CANDIDO, Antonio. “O Direito à Literatura”. In: Vários Escritos. São Paulo: Duas Cidades. 2004.

A partir do exposto, assinale a alternativa que expressa de maneira CORRETA a associação entre os direitos humanos e a fruição artística.

LiteraturaUFRN2011

Leia o texto abaixo, transcrito do capítulo “O primeiro beijo”, de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo, que lhe não permitia arrastar pelas ruas os seus estouvamentos e berlindas; luxuosa, impaciente, amiga de dinheiro e de rapazes. Naquele ano morria de amores por um certo Xavier, sujeito abastado e tísico, – uma pérola.

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 27. ed. São Paulo: Ática,1999. p. 40.

A partir desta passagem, é correto afirmar que

LiteraturaFAGOC2019

O pré-modernismo foi um período na Literatura marcado pela transição, ou seja, trata-se de um período que reflete claramente como se dá a evolução dos movimentos literários.

A partir desta informação, assinale a afirmativa que corretamente expressa características de tal período.

LiteraturaUNESP2020

No romance O amor nos tempos do cólera, Gabriel García Márquez relata os primeiros contatos do jovem médico Juvenal Urbino, um dos três protagonistas do romance, com o cólera.

O cólera se transformou em obsessão. Não sabia a respeito mais do que aprendera na rotina de algum curso marginal, e lhe parecera inverossímil que há apenas trinta anos tivesse causado na França, inclusive em Paris, mais de cento e quarenta mil mortes. Mas depois da morte do pai aprendeu tudo que se podia aprender sobre as diversas formas do cólera, quase como uma penitência para dar descanso à sua memória, e foi aluno do epidemiólogo mais destacado do seu tempo […], o professor Adrien Proust, pai do grande romancista. De modo que quando voltou à sua terra e sentiu vinda do mar a pestilência do mercado, e viu os ratos nos esgotos expostos e os meninos se revolvendo nus nas poças das ruas, não só compreendeu que a desgraça tivesse acontecido como teve a certeza de que se repetiria a qualquer momento.

(O amor nos tempos do cólera, 1985.)

A partir desse trecho, pode-se inferir que Juvenal Urbino

LiteraturaUEA2014

Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

Não tinha predileção por esta ou aquela parte de seu país, tanto assim que aquilo que o fazia vibrar de paixão não eram só os pampas do Sul com o seu gado, não era o café de São Paulo, não eram o ouro e os diamantes de Minas, não era a beleza da Guanabara, não era a altura da Paulo Afonso, não era o estro de Gonçalves Dias ou o ímpeto de Andrade Neves − era tudo isso junto, fundido, reunido, sob a bandeira estrelada do Cruzeiro.

Logo aos dezoito anos quis fazer-se militar; mas a junta de saúde julgou-o incapaz. Desgostou-se, sofreu, mas não maldisse a Pátria. O ministério era liberal, ele se fez conservador e continuou mais do que nunca a amar a “terra que o viu nascer”. Impossibilitado de evoluir-se sob os dourados do Exército, procurou a administração e dos seus ramos escolheu o militar.

Era onde estava bem. No meio de soldados, de canhões, de veteranos, de papelada inçada de quilos de pólvora, de nomes de fuzis e termos técnicos de artilharia, aspirava diariamente aquele hálito de guerra, de bravura, de vitória, de triunfo, que é bem o hálito da Pátria.

Durante os lazeres burocráticos, estudou, mas estudou a Pátria, nas suas riquezas naturais, na sua história, na sua geografia, na sua literatura e na sua política. Quaresma sabia as espécies de minerais, vegetais e animais, que o Brasil continha; sabia o valor do ouro, dos diamantes exportados por Minas, as guerras holandesas, as batalhas do Paraguai, as nascentes e o curso de todos os rios. Defendia com azedume e paixão a proeminência do Amazonas sobre todos os demais rios do mundo. Para isso ia até ao crime de amputar alguns quilômetros ao Nilo e era com este rival do “seu” rio que ele mais implicava. Ai de quem o citasse na sua frente!

(www.dominiopublico.gov.br)

A partir desse trecho e da obra em que ele está inserido, é correto afirmar que o protagonista retratado é

LiteraturaFPP2019

Leia com atenção o seguinte trecho de Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

[...] desde já posso ver
na vida desse menino
acabado de nascer:
aprenderá a engatinhar
por aí, com aratus,
aprenderá a caminhar
na lama, com goiamuns,
e a correr o ensinarão
os anfíbios caranguejos,
pelo que será anfíbio
como a gente daqui mesmo.

MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina e outros poemas para vozes. 4.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000, p. 76.

A partir desse excerto, e com base na totalidade de obra, assinale a alternativa CORRETA.

LiteraturaFPP2017

Com relação à obra São Bernardo de Graciliano Ramos, leia o seguinte fragmento:

(...) “O seu oferecimento é vantajoso para mim, Seu Paulo Honório, murmurou Madalena. Muito vantajoso. Mas é preciso refletir. De qualquer maneira, estou agradecida ao senhor, ouviu? A verdade é que sou pobre como Job, entende?

- Não fale assim, menina. E a instrução, a sua pessoa, isso não vale nada? Quer que lhe diga? Se chegarmos a acordo, quem faz um negócio supimpa sou eu.(...)

Fonte: RAMOS, Graciliano. São Bernardo. São Paulo: Martins, 1970.

A partir desse diálogo pode-se afirmar que: