A obra de Martins Pena foi uma das pioneiras em representar a malandragem carioca, fenômeno complexo, cuja figura central (o malandro) se coloca nas fronteiras entre o certo e o errado. Uma das teses elaboradas para explicar a malandragem associa seu surgimento à existência, sobretudo no Rio de Janeiro imperial, de muitos homens livres pobres, numa sociedade em que o trabalho braçal era reservado aos escravos
Pobre e indisponível para o trabalho duro, o malandro forjava estratagemas diversos para obter recursos que lhe permitissem a sobrevivência e mesmo, num golpe de sorte, galgar as posições dominantes da sociedade. Como ensina o ditado popular: “Malandro é o cavalo marinho, que finge que é peixe pra não puxar carroça”.
A partir dessas reflexões e do ditado popular referido, assinale a alternativa que associa corretamente as personagens de O noviço em sua relação com as ambivalências da malandragem.
Leia o seguinte excerto de Flaubert, iniciador do realismo literário.
O autor, em sua obra, deve ser como Deus no universo, presente em toda parte, e visível em parte nenhuma. A arte sendo uma segunda natureza, o criador dessa natureza deve agir com o procedimento análogo. Que se sinta em todos os átomos, em todos os aspectos, uma impassibilidade escondida e infinita. O efeito, para o espectador, deve ser uma espécie de assombro. Como tudo isto foi feito? É o que se deve dizer, e sentir-se, esmagado sem saber por quê.
(FLAUBERT, Gustave. Cartas exemplares. Rio de Janeiro: Imago, 2005, p. 83.)A partir dessa afirmação e levando em conta a obra madura de Machado de Assis, sobretudo Memórias Póstumas de Brás Cubas, é CORRETO afirmar:
Soneto de Carnaval
[01] Distante o meu amor, se me afigura
[02] O amor como um patético tormento
[03] Pensar nele é morrer de desventura
[04] Não pensar é matar meu pensamento.
[05] Seu mais doce desejo se amargura
[06] Todo o instante perdido é um sofrimento
[07] Cada beijo lembrado uma tortura
[08] Um ciúme do próprio ciumento.
[09] E vivemos partindo, ela de mim
[10] E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
[11] Para a grande partida que há no fim
[12] De toda a vida e todo o amor humanos:
[13] Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo
[14] Que se um fica o outro parte a redimi-lo.
Vinícius de Moraes
A partir de “Soneto de Carnaval”, é correto afirmar que:
“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como a couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha.”
KAFKA, Franz. A metamorfose. São Paulo: Cia das Letras, 1997. p. 7.A partir das sentenças iniciais de A metamorfose, de Franz Kafka, e de seu conhecimento sobre o livro, é correto dizer que
Já estamos habituados ao romance anual de José Lins do Rego: uma escapada ao Nordeste em sua companhia faz parte do nosso ritmo de vida. Durante cinco anos, em livros ora mais plenamente realizados, como Menino de engenho, ora mais fracos, como Doidinho, mas sempre vivos e verdadeiros, o romancista nos trazia mais um caso da família do velho coronel José Paulino, mais um aspecto da existência nas lavouras de cana do Nordeste, e da indústria do açúcar. (...) Que daria José Lins do Rego sem o açúcar, sem as recordações de infância? O romance Pureza foi a resposta que nos permitiu aquilatar com segurança da sua capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida das evocações de gente e coisas familiares.
(Adaptado do prefácio de Lúcia Miguel Pereira a Pureza, de José Lins do Rego. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956, 5. ed.)A partir das considerações que a crítica Lúcia Miguel Pereira faz a respeito de José Lins do Rego deve-se entender que esse escritor,
TEXTO-IMAGEM
Como principais características desse período têm-se a troca de informações e serviços e a imposição da mentalidade relativista. Este movimento é também uma expressão utilizada para designar as mudanças que a ciência, as artes e a sociedade sofreram dos anos 50 até os dias atuais.
A partir da observação e leitura da imagem acima, é possível afirmar que o movimento pós-modernista:
TEXTO
“As manchas dos juazeiros tornaram a aparecer, Fabiano aligeirou o passo, esqueceu a fome, a canseira e os ferimentos. As alpercatas dele estavam gastas nos saltos, e a embira tinha-lhe aberto entre os dedos rachaduras muito dolorosas. Os calcanhares, duros como cascos, gretavam-se e sangravam. Num cotovelo do caminho avistou um canto de cerca, encheu-o a esperança de achar comida, sentiu desejo de cantar. A voz saiu-lhe rouca, medonha. Calou-se para não estragar força.”
“Deixaram a margem do rio, acompanharam a cerca, subiram uma ladeira, chegaram aos juazeiros. Fazia tempo que não viam sombra. Sinhá Vitória acomodou os filhos, que arriaram como trouxas, cobriu-os com molambos. O menino mais velho, passada a vertigem que o derrubara, encolhido sobre folhas secas, a cabeça encostada a uma raiz, adormecia, acordava. E quando abria os olhos, distinguia vagamente um monte próximo, algumas pedras, um carro de bois. A cachorra Baleia foi enroscarse junto dele.”
“Estavam no pátio de uma fazenda sem vida. O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono. Certamente o gado se finara e os moradores tinham fugido.”
Vidas Secas. Graciliano Ramos.A partir da leitura dos excertos da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, mostrados no texto, podemos observar:
Texto para aquestão.
O trecho abaixo é um fragmento do capítulo de abertura do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio
ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou
a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento,
duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira
[05] é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto
autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito
ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou
a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical
entre este livro e o Pentateuco.
[10] Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês
de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns
sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca
de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.
Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce
[15] que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão
constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a
intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de
minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis
dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável
[20] de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade.
Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que
cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má
que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um
sublime louvor ao nosso ilustre finado.”
[25] Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que
lhe deixei. [...] Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi
menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da
minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade.
Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.
A partir da leitura do trecho de abertura do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, indique qual característica elencada abaixo está completamente ausente do trecho.
Leia um trecho do poema A Flor e a Náusea.
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas,
alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
[....]
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
E lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas
em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo
e o ódio.
ANDRADE, C. D. Antologia Poética. Rio de Janeiro. José Olympio, 1978.A partir da leitura do trecho de A Flor e a Náusea, poema do modernista Carlos Drummond de Andrade, assinale a alternativa em que o conceito é adequado à temática apresentada nos versos.
O Zé-das-palhas gira pra trás o botão do rádio, apaga o bolero mexicano que tocava, arruma o brim do terno e a palheta na cabeça, e fica c’um jeito de quem faz pose enquanto se concentra. Atrás dele, de pé, separado só pelo balcão, o galinheiro se amontoa. Não se ouve um pio, até que o seu Zé sapeca a voz rachada no rádio, como se falasse num microfone, martelando ao mesmo tempo o dedo no ar, como se passasse um pito:
“Doutor Getúlio Vargas, o povo brasileiro tá cansado, cansado, cansado: não aguenta mais apertar o cinto, não aguenta mais passar com farinha de mandioca, não aguenta mais o senhor mandar as pessoas pra cadeia; o xadrez já tá apinhado, seu Getúlio, tá assim de bêbado, assim, ó, de pau-d’água”.
NASSAR, Raduan. Menina a caminho e outros textos. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 29-30.A partir da leitura do trecho acima e do conto “Menina a caminho”, do livro homônimo de Raduan Nassar, infere-se que: