A história de um menino que viaja para um lugar onde se construía uma grande cidade é narrada em um conto da obra Primeiras estórias, de Guimarães Rosa. O título desse conto é:
OTRECHO A SEGUIR FOI RETIRADO DA PEÇA GOTA D’ÁGUA − UMA TRAGÉDIA BRASILEIRA, DE CHICO BUARQUE E PAULO PONTES.
JOANA:
(...)
Olhando eles assim, sem sofrimento,
imóveis, sorrindo até, flutuando,
olhando eles assim, fiquei pensando:
podem acordar a qualquer momento
Se eles acordam, minha vida assim
do jeito que ela está destrambelhada,
sem pai, sem pão, a casa revirada,
se eles acordam, vão olhar pra mim
Vão olhar pro mundo sem entender
Vão perder a infância, o sonho e o sorriso
pro resto da vida... Ouçam, eu preciso
de vocês e vocês vão compreender:
duas crianças cresceram pra nada,
pra levar bofetada pelo mundo,
melhor é ficar num sono profundo
com a inocência assim cristalizada
O fragmento da cena acima contém um índice, para os leitores, da construção da história.
A função desse índice é:
Se Ricardo Reis simboliza uma forma humanística de ver omundo, evidente na adesão ressuscitadora do espírito da Antiguidade clássica e do paganismo, Álvaro de Campos é o poeta moderno, embebido do século XX, engenheiro de profissão. Já Alberto Caeiro foge para o campo, pois deve procurar viver simplesmente, como as flores, os regatos, as fontes, os prados. Contemporâneo da Guerra de 1914, Fernando Pessoa vive a crise provocada pela necessidade de abandonar as velhas e tradicionais formas de civilização e da cultura burguesa; em resposta a isso, viu-se num espelho de múltiplas faces e possibilidades, dos mitos às formas futuristas, e representou a todas.
(Baseado em Massaud Moisés.A literatura portuguesa. São Paulo: Cultrix, 1965, p. 347-350)A frase viu-se num espelho de múltiplas faces e possibilidades, dos mitos às formas futuristas, e representou a todas define o processo de criação, utilizado por Fernando Pessoa, conhecido como
Da Discrição
Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também…
QUINTANA, Mário. Da Discrição. Disponível em: <http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/mario-quintana-poemas/>. Acesso em: 30 jun. 2018.A frase que mais se aproxima da mensagem transmitida por esses versos de Mário Quintana é a de
A primeira aula de metodologia de O capital deixou-me fascinado. O professor era um espanhol simpático, que viera para Moscou muito jovem, por ocasião da guerra civil e ali permanecera. Mais tarde, contou-me que, após a Revolução cubana, mandaramno a Havana a fim de ensinar economia política a Fidel Castro e Che Guevara. Fidel era um aluno aplicado e estudioso, Guevara, brilhante, confidenciou-me.
Mansila começou analisando a frase com que Marx inicia O capital: “Na superfície da sociedade capitalista, a riqueza aparece sob a forma de mercadoria.”
(Ferreira Gullar. Rabo de foguete. Os anos de exílio. Rio de Janeiro: Revan, 1998. p. 63)A frase que inicia O capital, citada no texto, repercute também nestes versos do poema “A flor e a náusea”, de Carlos Drummond de Andrade:Preso à minha classe e a algumas roupas,Vou de branco pela rua cinzenta.Melancolias, mercadorias espreitam-me.Nesses versos,
Ao vencedor, as batatas!
“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As
batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que
assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra
vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos
[5] dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se
suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a
destruição e a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina
a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos,
aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das
[10] ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações
não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só
comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo
motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que
virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao
[15] vencedor, as batatas.”
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 648-649.)A frase inicial do texto – Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas – mostra uma característica marcante da ficção machadiana. Assinale-a.
Texto para aquestão
Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia — algumas vezes gemendo —, mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um “Ai, nhonhô!”, ao que eu retorquia: “Cala a boca, besta!”. Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.A frase do texto em que o segundo verbo exprime ideia de anterioridade em relação ao primeiro é:
Leia o texto de Luiz Eduardo Soares para responder à questão.
Logo depois que assumi a Secretaria Nacional de Segurança, em 2003, recebi, por vias transversas, uma mensagem de Luciano, da Rocinha. Ele desejava deixar a vida de traficante e viajar para longe. Tinha chegado à conclusão de que seu caminho era a perdição: morreria cedo, de modo cruel, em mãos inimigas. Queria começar de novo e pedia uma chance. Tratara com respeito a comunidade, que era, afinal de contas, sua família. A violência, ele a usara apenas na medida necessária à proteção de seus negócios. Esse era seu ponto de vista, sem dúvida demasiado edulcorado. Não obstante a possível autoidealização, o fato é que explicitá-la, naquele contexto, não deixava de ser significativo, indicando a valorização positiva do lado certo da vida. Era um negociante clandestino, dizia, não um criminoso selvagem: alguns traziam uísque do Paraguai; ele vendia outras drogas. Reivindicava uma diferença importante, no mundo do crime carioca.
(Cabeça de porco, 2005.)A frase “A violência, ele a usara apenas na medida necessária à proteção de seus negócios” expressa uma opinião
A fotografia, feita por Mário de Andrade, é um registro de uma cena Amazônica. Na concepção de Modernismo desse artista paulista,
A forma fixa caracterizada por versos heroicos ou alexandrinos dispostos em duas quadras e dois tercetos é chamada: