Leia o poema de Bocage.
Nariz, nariz, e nariz,
Nariz, que nunca se acaba;
Nariz, que se ele desaba,
Fará o mundo infeliz;
Nariz que Newton não quis
Descreve-lhe a diagonal;
Nariz de massa infernal,
Que, se o cálculo não erra,
Posto entre o Sol e a Terra,
Faria eclipse total!
(Poesia arcádica, 1985.)A intenção do eu lírico realiza-se em um
A informação expressa na gravura
Em 2009, a Escola Estadual D. Pedro I, na aldeia Betânia, onde vivem cinco mil ticunas (estima-se que haja 32 mil ticunas vivendo no Alto Solimões, entre a Amazônia brasileira, a colombiana e a peruana), ficou na rabeira do Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio. O colégio, frequentado por 600 jovens representantes da etnia, ostentou o último lugar.
“Há dois ou três anos, todos os professores eram de fora da aldeia. A Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngues foi formando professores indígenas, e o quadro mudou. Nossa escola é muito boa. Tem um ponto de internet. Há dois anos, temos eletricidade. Nosso problema é a língua. Das regiões de Tefé a Tabatinga, predomina a etnia ticuna. Eu acho que justifica lutar por uma universidade ticuna”, diz Saturnino, um dos poucos fluentes em português na aldeia Betânia.
São índios. Mas não adoram o Sol, a Lua, as estrelas, os animais, as árvores. Praticam, sim, com afinco, a religião batista, imposta por um missionário americano, o pastor Eduardo – provavelmente, Edward – que passou por ali, pelo Alto Solimões, a região mais isolada da Amazônia, no amanhecer dos anos 60. São brasileiros, amazonenses, porém não assistem à novela das oito nem ouvem sertanejo universitário. Eles se ligam na TV colombiana e escutam música importada do país vizinho, que ecoa estrondosa dos casebres de madeira. O único sinal de que devem passear de vez em quando pela Globo é o penteado do Neymar enfeitando as cabeleiras escorridas e negras. Não falam português fluentemente. As crianças nem sequer entendem. A língua dos bate-papos animados é o ticuna. No entanto, são obrigados a aprender matemática, química, física, história, geografia, etc. na língua-pátria. Uma situação insólita: na língua que não dominam, o português, os jovens precisam ler e escrever – e prestar exames. E, na língua que dominam, o ticuna, também encontram limitações na leitura e na escrita, por tratar-se de uma língua de tradição oral. Assim caminha a juventude ticuna: soterrada numa salada de identidades.
(MONTEIRO, Karla. A pior escola do Brasil? Revista Samuel, número 1, 2012, p.36-39. Adaptado).A informação − “São índios. Mas não adoram o Sol, a Lua, as estrelas, os animais, as árvores.” − é uma negativa ao estereótipo indígena presente nas obras do Indianismo, primeira fase do período literário cuja preocupação era a valorização das raízes históricas brasileiras e, por consequência, da soberania nacional. Assinale a alternativa que nomeia esse período.
As rosas amo dos jardins de Adônis,
Essas volucres1 amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.
(O guardador de rebanhos e outros poemas, 1997.)
1 volucre: que tem vida curta.
A imagem da “rosa”
A imagem apresentada e o romance Triste fim de Policarpo Quaresma se aproximam porque retratam
A imagem abaixo foi bastante difundida nosanos 1990 especialmente a partir da publicação de uma obra clássica do geógrafo britânico David Harvey, Condição pós moderna. Guarda estreita relação com a mensagem divulgada na canção:
A ideia da morte parece ter sido o temaprincipal da cultura medieval. Acreditava-se que uma vida submetida ao julgamento imediatamente deixava o corpo. Sabe-se que cada uma das personagens do Auto da Barca do Inferno (1517), de Gil Vicente, possui um objeto terreno que não consegue se desvincular. No caso do judeu, do onzeiro e do frade, esses objetos são respectivamente:
Leia o trecho do romance A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, para responder a questão
Chegou o sábado. O nosso Augusto, depois de muitos rodeios e cerimônias, pediu finalmente licença para ir passar o dia de domingo na ilha de… e obteve em resposta um não redondo; jurou que tinha dado sua palavra de honra de lá se achar nesse dia e o pai, para que o filho não cumprisse a palavra, nem faltasse à honra, julgou muito conveniente trancá-lo em seu quarto.
Mania antiga é essa de querer triunfar das paixões com fortes meios; erro palmar, principalmente no caso em que se acha o nosso estudante; amor é um menino doidinho e malcriado que, quando alguém intenta refreá-lo, chora, escarapela, esperneia, escabuja, morde, belisca e incomoda mais que solto e livre; prudente é facilitar-lhe o que deseja, para que ele disso se desgoste; soltá-lo no prado, para que não corra; limpar-lhe o caminho, para que não passe; acabar com as dificuldades e oposições, para que ele durma e muitas vezes morra. O amor é um anzol que, quando se engole, agadanha-se logo no coração da gente, donde, se não é com jeito, o maldito rasga, esburaca e se aprofunda.
(A moreninha, 1997.)A ideia central do segundo parágrafo consiste em que
Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever, em geral, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro. Senhores Congressistas, o tupi-guarani, língua aglutinante, é a única capaz de traduzir as nossas belezas, de pôr-nos em relação com a nossa natureza e adaptar-se perfeitamente aos nossos órgãos vocais e cerebrais, por ser criação de povos que aqui viveram e ainda vivem.
Lima Barreto Adaptado de Triste fim de Policarpo Quaresma (119115). Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2008.A história narrada em Triste fim de Policarpo Quaresma se passa no momento de implantação do regime republicano no Brasil. Seu personagem principal, o Major Quaresma, defende alguns projetos de reforma, um deles relatado no trecho citado. A justificativa do personagem para a adoção do tupi-guarani como língua oficial brasileira baseia-se na associação entre nacionalidade e a ideia de:
O curupira é um dos mais populares personagens míticos das matas brasileiras, representado por um anão, com os pés ao inverso, com os calcanhares para frente. Demônio da floresta, explicador dos rumores misteriosos, desaparecimento de caçadores, esquecimento de caminhos, pavores súbitos inexplicáveis.
(Câmara Cascudo. Dicionário do folclore brasileiro, s/d.)
A história do Curupira pode ser definida como um mito, uma vez que constitui