TEXTO:
Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
— Mas que importa o rouxinol?
Frio, nevoeiros da serra
[5] Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol!
Sou romântico? Concedo.
Exibo, sem evasiva,
A alma ruim que Deus me deu.
[10] Decorei “Amor e medo”,
“No lar”, “Meus oito anos”... Viva
José Casimiro Abreu!
Sou assim, por vício inato.
Ainda hoje gosto de Diva,
[15] Nem não posso renegar
Peri, tão pouco índio, é fato,
Mas tão brasileiro... Viva,
Viva José de Alencar!
BANDEIRA, Manuel. Sextilhas românticas.Estrela da vida inteira: poesias reunidas. 2. ed. Rio de Janeiro:José Olympio, 1970. p.185-186.Assinale V ou F, conforme as alternativas sejam verdadeiras ou falsas.
O texto apresenta,
( ) nos versos 1, 2 e 3, a indiferença do sujeito poético em face da ausência de um elemento atípico na paisagem nacional.
( ) nos versos 4, 5 e 6, imagens contrastantes.
( ) no verso 13, o reconhecimento de algo inerente ao ser.
( ) no verso 15, uma construção frasal coloquial.
( ) no verso 16, uma visão crítica a respeito da idealização romântica.
A alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, é a
Sobre o livro "A Emparedada e outros contos" de Olivia Sarmento, analise as afirmativas e marque V para as verdadeiras e F, para as falsas
( ) O conto "Mater Dolorosa" enquadra-se no conto fantástico, pois é um gênero textual de cunho literário que mostra uma realidade não lógica dentro de uma lógica e liga-se à ficção e à realidade.
( ) No conto "Mater Dolorosa", o narrador em 3a pessoa onisciente relata a fantasia de uma jovem que decide investigar a história de Celeste, que vivia emparedada com seu filho, há anos, no porão do sobrado de seus pais.
( ) A velha portuguesa, personagem do conto "Mater Dolorosa", ficou muito feliz ao ver a filha regressar ao lar, pois Celeste havia desaparecido há muito tempo e nunca dera notícias de seu paradeiro.
( ) O conto "A Partir de um olhar", empregando um foco narrativo em 3a pessoa, narra a história de uma família de judeus que vivia em Avignon, na França, sob a proteção do Papado, muda para Paris e lá vive os terrores da perseguição nazista.
A alternativa que apresenta a sequência correta é:
Relógio
O mais feroz dos animais domésticos
é o relógio de parede:
conheço um que já devorou
três gerações da minha família.
QUINTANA, Mário. Relógio. Disponível em: <https://www.revis tabula.com/2329-os-10-melhores-poemas-de-mario-quintana/>. Acesso em: 1º maio 2018.Esses versos de Mário Quintana revelam
I. um discurso metafórico.
II. uma constatação da transitoriedade da vida.
III. o relógio na condição de moderador do tempo.
IV. a representação simbólica da existência humana.
V. a morte indolor como consequência de uma ação rápida.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
TEXTO:
Quando um homem morre, ele se reintegra em
sua respeitabilidade a mais autêntica, mesmo tendo
cometido loucuras em vida. A morte apaga, com sua
mão de ausência, as manchas do passado e a
[5] memória do morto fulge como diamante. Essa a tese
da família, aplaudida por vizinhos e amigos. Segundo
eles, Quincas Berro Dágua, ao morrer, voltara a ser
aquele amigo e respeitável Joaquim Soares da Cunha,
de boa família, exemplar funcionário da mesa de
[10] rendas estadual, de passo medido, barba escanhoada,
paletó negro de alpaca, pasta sob o braço, ouvido
com respeito pelos vizinhos, opinando sobre o tempo
e a política, jamais visto num botequim, de cachaça
caseira e comedida. Em realidade, num esforço digno
[15] de todos os aplausos, a família conseguira que assim
brilhasse, sem jaça, a memória de Quincas desde
alguns anos, ao decretá-lo morto para a sociedade.
Dele falavam no passado quando, obrigados pelas
circunstâncias, a ele se referiam.
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. São Paulo, Companhia das Letras, 2008. p. 91-92.
Sobre o personagem central da obra de onde foi extraído o trecho acima, é correto afirmar:
I. Quincas Berro Dágua e Joaquim Soares da Cunha correspondem a traços contrastantes de um mesmo indivíduo, sendo Quincas uma transmutação de Joaquim, que rompe com as configurações de sua vida social de teor burguês.
II. Quincas e Joaquim, apesar de comportamentos antitéticos, são amigos e têm em comum o nome e o desejo de promover uma ruptura com tudo que represente a opressão: o funcionalismo público e o conservadorismo de suas respectivas famílias.
III. O personagem central sintetiza uma oposição entre um ícone da ordem burguesa – o funcionário público exemplar Joaquim Soares da Cunha, esposo, pai e cidadão de bem – e a marginalidade – representada pelo boêmio e malandro Quincas Berro Dágua.
IV. Para Joaquim, Quincas é o seu alter ego, um ser imaginário que representa seu desejo reprimido e não consumado de romper com as amarras de um emprego monótono de funcionário público e os vínculos sufocantes de uma família conservadora.
V. Apesar do título, na obra, há três mortes do personagem: a morte moral, promovida pela família para ocultar a ruptura de Joaquim com a ordem estabelecida, a morte real, ocorrida na pocilga em que ele morava como boêmio, e a morte onírica ou fantástica, narrada pelos amigos, ocorrida nos mares da Bahia.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.
PESSOA, Fernando. Há doenças piores que as doenças. Disponível em: <http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/fernando-pessoa-poemas/>.Acesso em: 2 nov. 2016.Nesses versos de Fernando Pessoa, o eu lírico revela que
I. o tédio e a sensação de inutilidade de estar no mundo o impelem a refletir sobre a própria identidade.
II. a dor física causada pela doença que o acometeu é encarada com serenidade, resignação e altivez.
III. o vinho é o remédio capaz de aliviar, diante da realidade palpável, o seu sofrimento metafísico.
IV. o sono resultante da ingestão do álcool lhe basta para fugir da angústia que o consome.
V. os conflitos existenciais vão sendo solucionados, paulatinamente, pelo desabafo.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce – uma estrela,
Quando se morre – uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
“Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!”
Sobre esses versos do poeta Mário Quintana, está correto o que se afirma em
I. A pressuposta emenda solicitada pelos que já morreram sinaliza a ideia de que vida é sofrimento, e morte, libertação.
II. A transgressão das convenções sociais é estimulada sob o pretexto de que a existência humana é marcada pela desventura.
III. O choque entre duas mentalidades, uma libertadora e a outra castradora, torna-se o fio condutor das ideias veiculadas no texto, em relação, respectivamente, a "princípio" e "fim".
IV. O discurso poético apresenta alguns recursos estilísticos, dentre os quais, o eufemismo (“repousam”) e a antítese (“princípio/fim”).
V. A função da linguagem que predomina no poema é a metalinguística, ou seja, o uso do código objetivando seu próprio esclarecimento.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
TEXTO:
A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Cecília Meireles, poeta modernista, insere-se ao grupo de escritores neo-simbolistas. Em seus poemas, há o registro de aspectos peculiares do Modernismo assim como reminiscências de características específicas dos simbolistas.
A alternativa em que ocorre ausência de característica de um desses movimentos literários em seu fazer poético é a
TEXTO:
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
[5] existe apenas o medo, nosso pai e nosso
[companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das
[igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos
[democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da
[morte.
[10] Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e
[medrosas.
A alternativa em que o verso transcrito do poema faz uso da vírgula para separar um aposto explicativo é a
(Diálogo entre Quirino e Mestre Aurélio dos Santos)
QUIRINO:
Estamos comemorando as enroladas que os capitães da areia fizeram. São uns artistas esses meninos.
MESTRE AURÉLIO:
Capitães da areia são as alma da Bahia, as alma daqui da Bahia.
QUIRINO:
Um brinde de cachaça pra selar nossa amizade.
CAPITÃES DA AREIA. Direção: Cecília Amado e Guy Gonçalves. Intérpretes: Jean Luís Amorim (Pedro Bala), Ana Graciela (Dora), Robério Lima (Professor), Paulo Abade (Gato), Israel Gouvêa (Sem Pernas) e Jordan Mateus (Boa Vida). Música: Carlinhos Brown. Produção: Imagem Filmes. C. 2011. 1 DVD (96 min). Color.A alternativa em desacordo com o trecho e o filme em sua totalidade é a
Para responder à questão, leia a passagem a seguir, referente a uma marcante personagem da literatura brasileira, e preencha as lacunas do texto relacionado ao excerto.
Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.
Narrada por ________________, a obra ________________, de ________________, traz uma das mais cativantes personagens da literatura brasileira: ________________.
A alternativa correta para o preenchimento das lacunas é