AprendiAprendi
LiteraturaUESB2010

TEXTO:

Paisagens da minha terra,

Onde o rouxinol não canta

— Mas que importa o rouxinol?

Frio, nevoeiros da serra

[5] Quando a manhã se levanta

Toda banhada de sol!

Sou romântico? Concedo.

Exibo, sem evasiva,

A alma ruim que Deus me deu.

[10] Decorei “Amor e medo”,

“No lar”, “Meus oito anos”... Viva

José Casimiro Abreu!

Sou assim, por vício inato.

Ainda hoje gosto de Diva,

[15] Nem não posso renegar

Peri, tão pouco índio, é fato,

Mas tão brasileiro... Viva,

Viva José de Alencar!

BANDEIRA, Manuel. Sextilhas românticas.Estrela da vida inteira: poesias reunidas. 2. ed. Rio de Janeiro:José Olympio, 1970. p.185-186.

Assinale V ou F, conforme as alternativas sejam verdadeiras ou falsas.

O texto apresenta,

( ) nos versos 1, 2 e 3, a indiferença do sujeito poético em face da ausência de um elemento atípico na paisagem nacional.

( ) nos versos 4, 5 e 6, imagens contrastantes.

( ) no verso 13, o reconhecimento de algo inerente ao ser.

( ) no verso 15, uma construção frasal coloquial.

( ) no verso 16, uma visão crítica a respeito da idealização romântica.

A alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, é a

LiteraturaUnirG2017

Sobre o livro "A Emparedada e outros contos" de Olivia Sarmento, analise as afirmativas e marque V para as verdadeiras e F, para as falsas

( ) O conto "Mater Dolorosa" enquadra-se no conto fantástico, pois é um gênero textual de cunho literário que mostra uma realidade não lógica dentro de uma lógica e liga-se à ficção e à realidade.
( ) No conto "Mater Dolorosa", o narrador em 3a pessoa onisciente relata a fantasia de uma jovem que decide investigar a história de Celeste, que vivia emparedada com seu filho, há anos, no porão do sobrado de seus pais.
( ) A velha portuguesa, personagem do conto "Mater Dolorosa", ficou muito feliz ao ver a filha regressar ao lar, pois Celeste havia desaparecido há muito tempo e nunca dera notícias de seu paradeiro.
( ) O conto "A Partir de um olhar", empregando um foco narrativo em 3a pessoa, narra a história de uma família de judeus que vivia em Avignon, na França, sob a proteção do Papado, muda para Paris e lá vive os terrores da perseguição nazista.

A alternativa que apresenta a sequência correta é:

LiteraturaUNIPE2018

Relógio

O mais feroz dos animais domésticos

é o relógio de parede:

conheço um que já devorou

três gerações da minha família.

QUINTANA, Mário. Relógio. Disponível em: <https://www.revis tabula.com/2329-os-10-melhores-poemas-de-mario-quintana/>. Acesso em: 1º maio 2018.

Esses versos de Mário Quintana revelam

I. um discurso metafórico.

II. uma constatação da transitoriedade da vida.

III. o relógio na condição de moderador do tempo.

IV. a representação simbólica da existência humana.

V. a morte indolor como consequência de uma ação rápida.

A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

LiteraturaUNEB2018

TEXTO:

Quando um homem morre, ele se reintegra em
sua respeitabilidade a mais autêntica, mesmo tendo
cometido loucuras em vida. A morte apaga, com sua
mão de ausência, as manchas do passado e a
[5] memória do morto fulge como diamante. Essa a tese
da família, aplaudida por vizinhos e amigos. Segundo
eles, Quincas Berro Dágua, ao morrer, voltara a ser
aquele amigo e respeitável Joaquim Soares da Cunha,
de boa família, exemplar funcionário da mesa de
[10] rendas estadual, de passo medido, barba escanhoada,
paletó negro de alpaca, pasta sob o braço, ouvido
com respeito pelos vizinhos, opinando sobre o tempo
e a política, jamais visto num botequim, de cachaça
caseira e comedida. Em realidade, num esforço digno
[15] de todos os aplausos, a família conseguira que assim
brilhasse, sem jaça, a memória de Quincas desde
alguns anos, ao decretá-lo morto para a sociedade.
Dele falavam no passado quando, obrigados pelas
circunstâncias, a ele se referiam.
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. São Paulo, Companhia das Letras, 2008. p. 91-92.

Sobre o personagem central da obra de onde foi extraído o trecho acima, é correto afirmar:


I. Quincas Berro Dágua e Joaquim Soares da Cunha correspondem a traços contrastantes de um mesmo indivíduo, sendo Quincas uma transmutação de Joaquim, que rompe com as configurações de sua vida social de teor burguês.
II. Quincas e Joaquim, apesar de comportamentos antitéticos, são amigos e têm em comum o nome e o desejo de promover uma ruptura com tudo que represente a opressão: o funcionalismo público e o conservadorismo de suas respectivas famílias.
III. O personagem central sintetiza uma oposição entre um ícone da ordem burguesa – o funcionário público exemplar Joaquim Soares da Cunha, esposo, pai e cidadão de bem – e a marginalidade – representada pelo boêmio e malandro Quincas Berro Dágua.
IV. Para Joaquim, Quincas é o seu alter ego, um ser imaginário que representa seu desejo reprimido e não consumado de romper com as amarras de um emprego monótono de funcionário público e os vínculos sufocantes de uma família conservadora.
V. Apesar do título, na obra, há três mortes do personagem: a morte moral, promovida pela família para ocultar a ruptura de Joaquim com a ordem estabelecida, a morte real, ocorrida na pocilga em que ele morava como boêmio, e a morte onírica ou fantástica, narrada pelos amigos, ocorrida nos mares da Bahia.

A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

LiteraturaUNINTA2017

Há doenças piores que as doenças,

Há dores que não doem, nem na alma

Mas que são dolorosas mais que as outras.

Há angústias sonhadas mais reais

Que as que a vida nos traz, há sensações

Sentidas só com imaginá-las

Que são mais nossas do que a própria vida.

Há tanta cousa que, sem existir,

Existe, existe demoradamente,

E demoradamente é nossa e nós...

Por sobre o verde turvo do amplo rio

Os circunflexos brancos das gaivotas...

Por sobre a alma o adejar inútil

Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

PESSOA, Fernando. Há doenças piores que as doenças. Disponível em: <http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/fernando-pessoa-poemas/>.Acesso em: 2 nov. 2016.

Nesses versos de Fernando Pessoa, o eu lírico revela que

I. o tédio e a sensação de inutilidade de estar no mundo o impelem a refletir sobre a própria identidade.

II. a dor física causada pela doença que o acometeu é encarada com serenidade, resignação e altivez.

III. o vinho é o remédio capaz de aliviar, diante da realidade palpável, o seu sofrimento metafísico.

IV. o sono resultante da ingestão do álcool lhe basta para fugir da angústia que o consome.

V. os conflitos existenciais vão sendo solucionados, paulatinamente, pelo desabafo.

A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

LiteraturaUnit-AL2019

Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce – uma estrela,
Quando se morre – uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
“Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!”

QUINTANA, Mário. Inscrição para um portão de cemitério. Disponível em: https://www.pensador.com/poemas_de_mario_quintana_ sobre_a_vida/. Acesso em: 12 maio 2019.

Sobre esses versos do poeta Mário Quintana, está correto o que se afirma em

I. A pressuposta emenda solicitada pelos que já morreram sinaliza a ideia de que vida é sofrimento, e morte, libertação.

II. A transgressão das convenções sociais é estimulada sob o pretexto de que a existência humana é marcada pela desventura.

III. O choque entre duas mentalidades, uma libertadora e a outra castradora, torna-se o fio condutor das ideias veiculadas no texto, em relação, respectivamente, a "princípio" e "fim".

IV. O discurso poético apresenta alguns recursos estilísticos, dentre os quais, o eufemismo (“repousam”) e a antítese (“princípio/fim”).

V. A função da linguagem que predomina no poema é a metalinguística, ou seja, o uso do código objetivando seu próprio esclarecimento.

A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

LiteraturaUNICID2021

TEXTO:


A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

MEIRELES, Cecília. Reinvenção. Cecília Meireles-obra poética. 3. ed. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1987. p.195.

Cecília Meireles, poeta modernista, insere-se ao grupo de escritores neo-simbolistas. Em seus poemas, há o registro de aspectos peculiares do Modernismo assim como reminiscências de características específicas dos simbolistas.

A alternativa em que ocorre ausência de característica de um desses movimentos literários em seu fazer poético é a

LiteraturaUNIPE2016

TEXTO:

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
[5] existe apenas o medo, nosso pai e nosso
[companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das
[igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos
[democratas,

cantaremos o medo da morte e o medo de depois da
[morte.
[10] Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e
[medrosas.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Congresso Internacional do Medo.

A alternativa em que o verso transcrito do poema faz uso da vírgula para separar um aposto explicativo é a

LiteraturaUESB2013

(Diálogo entre Quirino e Mestre Aurélio dos Santos)

QUIRINO:

Estamos comemorando as enroladas que os capitães da areia fizeram. São uns artistas esses meninos.

MESTRE AURÉLIO:

Capitães da areia são as alma da Bahia, as alma daqui da Bahia.

QUIRINO:

Um brinde de cachaça pra selar nossa amizade.

CAPITÃES DA AREIA. Direção: Cecília Amado e Guy Gonçalves. Intérpretes: Jean Luís Amorim (Pedro Bala), Ana Graciela (Dora), Robério Lima (Professor), Paulo Abade (Gato), Israel Gouvêa (Sem Pernas) e Jordan Mateus (Boa Vida). Música: Carlinhos Brown. Produção: Imagem Filmes. C. 2011. 1 DVD (96 min). Color.

A alternativa em desacordo com o trecho e o filme em sua totalidade é a

LiteraturaPUC-RS2015

Para responder à questão, leia a passagem a seguir, referente a uma marcante personagem da literatura brasileira, e preencha as lacunas do texto relacionado ao excerto.

Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.

Narrada por ________________, a obra ________________, de ________________, traz uma das mais cativantes personagens da literatura brasileira: ________________.

A alternativa correta para o preenchimento das lacunas é