Para responder à questão, leia o trecho a seguir.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá. (...)
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Os versos do famoso poema “Canção do Exílio” evidenciam um grande amor à pátria, simbolizada por sua natureza. Criado por _________________ e pertencente à escola _________________, o poema revela, em tom _________________, um eu lírico que exterioriza sua _________________.
A alternativa correta para o preenchimento das lacunas acima é:
Sobre A Hora dos Ruminantes, leia as afirmações a seguir:
I. Se tomarmos A Hora dos Ruminantes sob o aspecto alegórico, veremos que se reincena o mesmo jogo político de praticamente toda a história brasileira; a intervenção de um poder centralizador que ignora os direitos humanos mais básicos com o intuito de fazer o país alcançar o patamar mundial – o capitalista.
II. A Hora dos Ruminantes é uma narrativa em 3a pessoa onisciente. O discurso do narrador não só revelaao leitor a subjetividade de vários personagens como incorpora a voz desses à sua. Sendo onisciente em relação a todos os personagens, o narrador compartilha com o leitor todas as informações sobre a trama.
III. Em A Hora dos Ruminantes, o carroceiro Geminiano faz papel de valente diante dos homens da tapera, recusa-se a obedecer a suas ordens, mas não demora a ser o primeiro a servi-los. Manuel Florêncio, o marceneiro, também é resistente, mas acaba cedendo.
IV. Amâncio Mendes é o melhor exemplo de entrega do indivíduo aos apelos de uma ideologia totalitária. Sem qualquer escrúpulo, alia-se aos homens da tapera, seduzido pelas novidades propagadas sobre progresso e modernidade e passa a servir como uma espécie de interlocutor entre os homens e sua comunidade.
V. Os animais – cachorros e bois – são o símbolo de uma violência que se instala sem resistências; ou antes, a metáfora de uma bestialização do indivíduo. Quando os homens da tapera, de A Hora dos Ruminantes, enviam os cachorros à cidade, a cumplicidade e a subserviência da população são patéticas: todos passam a servir os cachorros como verdadeiros escravos.
A alternativa correta é:
Analise as afirmações abaixo sobre a estrutura narrativa do romance Breve espaço entre cor e sombra, de Cristóvão Tezza:
I - O romance é constituído por quatro capítulos introduzidos como quadros-contos, com indicação de títulos, tamanhos e temáticas distintas. Essa estrutura permite que sejam lidos separadamente, como contos autossuficientes e completos;
II - A cena inicial do romance é o enterro de Aníbal Marsotti, ex-mestre e amigo de Tato Simmone, cuja morte foi causada por overdose;
III - O protagonista é Tato Simmone, um pintor de 28 anos. Outros personagens que surgem no romance são: a mãe e o pai de Tato; Richard Constantin; a amiga Dora; uma nova amiga, a Vampira; seu ex-mestre Aníbal Marsotti; a amiga italiana;
IV - O romance tem dois narradores: Tato Simmone e a italiana.
A alternativa correta é:
Leia, com atenção o texto seguinte, para responder à questão.
Texto – Sem título, de Roger Chartier
A leitura é sempre apropriação, invenção, produção de significados. Segundo Michel de Certeau, o leitor é um caçador que percorre terras alheias. Apreendido pela leitura, o texto não tem de modo algum – ou ao menos totalmente – o sentido que lhe atribui o seu autor, seu editor ou seus comentadores. Toda história da leitura supõe, em seu princípio, esta liberdade do leitor que desloca e subverte aquilo que o livro pretende impor. Mas esta liberdade leitora não é jamais absoluta. Ela é cercada por limitações derivadas das capacidades, convenções e hábitos que caracterizam, em suas diferenças, as práticas de leitura. Os gestos mudam segundo os tempos e lugares, objetos lidos e as razões de ler. Novas atitudes são inventadas, outras se extinguem. Do rolo antigo ao códex medieval, do livro impresso ao texto eletrônico, várias rupturas maiores dividem a longa história das maneiras de ler. Elas colocam em jogo a relação entre o corpo e o livro, os possíveis usos da escrita e as categorias intelectuais que asseguram sua compreensão.
(CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: Unesp, 1998).Analise as considerações seguintes, julgando-as verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Conjugando-se esse texto de Roger Chartier com o de Michel de Certeau, é perceptível a noção de intertexto, não só por meio da referência explícita a este autor, mas também, e principalmente, por meio da apropriação de ideias dele.
( ) Depreende-se da leitura desse texto de Roger Chartier seu posicionamento em relação à atividade da escrita e à atividade da leitura: ao autor caberia a circunscrição do sentido textual e ao leitor, a sujeição advinda dessa mesma circunscrição.
( ) Infere-se que os suportes textuais (do rolo ao códex, do códex à tela) e as questões culturais que envolvem a leitura (da oral à silenciosa, da silenciosa à virtual) são fatores determinantes ao modo como se produzem textos e como circulam e são recebidos na sociedade.
( ) Tanto Michel de Certeau quanto Roger Chartier posicionam-se metaliguisticamente: este com viés político, já que detalha as oscilações da história da leitura; aquele com viés literário, já que concentra seus julgamentos nas relações de instabilidade entre autores e leitores.
A alternativa CORRETA é
Sobre Filandras, de Adélia Prado, indicado como leituraprévia, responda
Coloque V para as afirmações verdadeiras e F para as falsas.
( ) A observação da vida de personagens comuns, com seus dramas e seus poucos momentos de alegria, é pautada por questionamentos de ordem filosófica que remetem à formação acadêmica da autora de Filandras.
( ) O cristianismo de orientação católica é um dos temas transversais presentes em quase todas as narrativas curtas da obra.
( ) A ironia, o questionamento crítico e a constante humanização do sagrado são empregados na abordagem de aspectos teológicos que permeiam a vida das personagens.
( ) A distribuição desigual de rendas, os conflitos entre a cultura popular e a acadêmica, a condição de servilismo assumida pelos pobres e o coronelismo são ficcionalizados a partir de um posicionamento ideológico burguês.
( ) Os aspectos dramáticos que marcam a vida das personagens resultam de fatos predominantemente sociais e geográficos, como a seca, o coronelismo, o escravismo residual e o estado totalitário.
A alternativa correta é
Leia o fragmento a seguir, extraído dacrônica “Vivendo e...”, de Luis Fernando Veríssimo.
Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É vivendo e desaprendendo. Não falo daquelas coisas que deixamos de fazer porque não temos mais as condições físicas e a coragem de antigamente, como subir em bonde andando – mesmo porque não há mais bondes andando. Falo da sabedoria desperdiçada, das artes que nos abandonaram.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva. 2001, p. 46.A alteração que o autor faz no ditado popular “Vivendo e aprendendo” evidencia certo sentimento de
Relógio
As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão
ANDRADE, Oswald. Uma poética da radicalidade, por Haroldo de Campos. São Paulo: Globo, 1998. p. 55.A afirmativa em desacordo com o texto é a
Texto 3
O meu guri
Quando, seu moço
Nasceu meu rebento
Não era o momento
Dele rebentar
[130] Já foi nascendo
Com cara de fome
E eu não tinha nem nome
Pra lhe dar
Como fui levando
[135] Não sei lhe explicar
Fui assim levando
Ele a me levar
E na sua meninice
Ele um dia me disse
[130] Que chegava lá
Olha aí! Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
[145] É o meu guri e ele chega!
Chega suado
E veloz do batente
Traz sempre um presente
Pra me encabular
[150] Tanta corrente de ouro
Seu moço!
Que haja pescoço
Pra enfiar
Me trouxe uma bolsa
[155] Já com tudo dentro
Chave, caderneta
Terço e patuá
Um lenço e uma penca
De documentos
[160] Pra finalmente
Eu me identificar
Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
[165] Olha aí!
É o meu guri e ele chega!
Chega no morro
Com carregamento
Pulseira, cimento
[170] Relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar
Cá no alto
Essa onda de assaltos
Tá um horror
[175] Eu consolo ele
Ele me consola
Boto ele no colo
Pra ele me ninar
De repente acordo
[180] Olho pro lado
E o danado já foi trabalhar
Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
[185] Olha aí!
É o meu guri e ele chega!
Chega estampado
Manchete, retrato
Com venda nos olhos
[190] Legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente
Seu moço!
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato
[195] Acho que tá rindo
Acho que tá lindo
De papo pro ar
Desde o começo eu não disse
Seu moço!
[200] Ele disse que chegava lá
Olha aí! Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí
Olha aí!
[205] É o meu guri!...(3x)
(Chico Buarque)A “venda nos olhos” (linha 189) “e as iniciais” (linha 190), em vez do nome completo, são um indício
É com base no mito da Arcádia que erguem suas doutrinas: destruindo a “hidra do mau gosto”, os árcades procuram realizar obra semelhante à dos clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos greco-latinos ser a primeira característica a considerar na configuração da estética arcádica.
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.)A “hidra do mau gosto” mencionada no texto refere-se ao estilo
TEXTO PARA A QUESTÃO
Romance LIII ou Das Palavras Aéreas
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova! (...)
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
— sois madeira que se corta,
— sois vinte degraus de escada,
— sois um pedaço de corda...
— sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
— sois um homem que se enforca!
A “estranha potência” que a voz lírica ressalta nas palavras decorre de uma combinação entre