A poesia de Manuel Bandeira, marcada pela simplicidade no modo de dizer, alcança grau considerável de lirismo e de subjetividade ao tratar de cenas do cotidiano, como pode ser notado no exemplo que segue:
Poema de Finados
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20 ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993. p. 144-5).
Ao observar a relação entre o conteúdo do Poema de Finados e seus aspectos formais, pode-se afirmar que:
Leia atentamente o trecho a seguir:
Agora que já vivi o meu caso, posso rememorá-lo com mais serenidade. Não tentarei fazer me perdoar. Tentarei não acusar. Aconteceu simplesmente.
Não me recordo com nitidez de seu início. Transformei me independente de minha consciência e quando abri os olhos o veneno circulava irremediavelmente no meu sangue, já antigo no seu poder.
Ao considerar o registro linguístico empregado, pode-se considerar que:
Leia este fragmento de texto para responder a esta questão: “Os gramáticos mexem e remexem com as palavras da língua e estudam o comportamento delas, xingam-nas de nomes rebarbativos, mas não podem alterá-las. Quem as altera e as faz e desfaz e esquece umas e inventa novas, é o dono da língua — o Povo. Os gramáticos, apesar de toda a sua importância, não passam dos ‘grilos’ da língua.”
LOBATO, J. B. Monteiro. Emília no país da gramática. 36. ed. São Paulo: Brasiliense, 1992. p. 26. AdaptadoAnalisadas as relações de coesão no texto, a única palavra que NÃO faz referência a “palavras da língua” é:
Leia atentamente os quadrinhos e responda à questão.
Além da diferença linguística causada pelo conhecimento técnico da profissão, o segundo quadrinho também evidencia como fator gerador de diferença no uso da linguagem:
Ainda em observância à norma culta, assinale a alternativa em que NÃO há problema de coesão nem erro de pontuação:
Leia atentamente o texto informativo a seguir.
Nosso símbolo
O nome já deixa evidente a origem indígena da bebida consumida diariamente por sulmato-grossenses de todos os cantos. O tereré só se tornou símbolo do Estado porque os índios guaranis aprenderam a domesticar a erva-mate.
Depois da Guerra do Paraguai, Tomás Laranjeira consegue a concessão de aproximadamente 8 milhões de hectares da região sul-fronteira para explorar a planta. Posteriormente, funda a Companhia Mate Laranjeira, que exporta grande volume para Argentina e para o Uruguai. O professor da UFMS Antônio Hilário Urquiza destaca que 70% da mão de obra utilizada nos ervais era guarani, que já tinham prática na lida.
“Os guaranis que domesticaram a erva-mate, que criaram o tereré, o chimarrão. Não qualquer índio. Foram os guaranis que estão aqui no nosso Estado. E hoje [o tereré] é um símbolo da juventude, da gastronomia, um símbolo identitário do nosso Estado. E é indígena”, reforça o professor e antropólogo. [...]
(Correio do Estado. Caderno especial “MS 41 anos”, 11 out. 2018).A respeito dos sentidos construídos por esse texto, cujo objetivo maior é o de informar os leitores a respeito do tereré como elemento identitário de Mato Grosso do Sul, é possível afirmar que:
Considere o trecho a seguir para responder à questão.
“Olhai, oh Senhor, os jovens nos postos de gasolina. Apiedai-vos dessas pobres criaturas, a desperdiçar as mais belas noites de suas juventudes sentadas no chão, tomando Smirnoff Ice, entre bombas de combustível e pães de queijo adormecidos. Ajudai-os, meu Pai: eles não sabem o que fazem. [...] As ruas são violentas, é verdade, mas nem tudo está perdido.
[...]
Salvai-me do preconceito e da tentação, oh Pai, de dizer que no meu tempo tudo era lindo, maravilhoso. [...] Talvez exista alguma poesia em passar noite após noite sentado na soleira de uma loja de conveniência, e desfilar com a chave do banheiro e sua tabuinha, em gastar a mesada em chicletes e palha italiana. Explica-me o mistério, numa visão, ou arrancai-os dali. É só o que vos peço, humildemente, no ano que acaba de nascer. Obrigado, Senhor.”
A palavra “após” recebe acento gráfico por ser:
Leia atentamente os quadrinhos e responda à questão.
Os quadrinhos apresentam situações comunicativas em que se percebem registros de uso da Língua Portuguesa específicos para grupos ou comunidades falantes em situações de trabalho.
A esse vocabulário específico de uma profissão, denomina-se:
Leia atentamente o poema de Gregório de Matos:
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
O soneto, de Gregório de Matos, sintetiza algumas das ditas características do período barroco, como o jogo de oposição entre luz e sombra, promovido, no poema, por construções de caráter contraditório, como: “um dia” versus “noite escura”; “tristeza” versus “alegria”; e “constância” versus “inconstância”.
A esse expediente, denomina-se:
Leia atentamente as estrofes do poema a seguir e responda à questão.
Antífona
(Cruz e Sousa)
Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...
Formas do Amor, constelarmente puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas...
Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...
Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...
O poema de Cruz e Souza, “Antífona”, sintetiza algumas das características do período simbolista, como a combinação de termos que remetem a diferentes sentidos do corpo, promovida no verso “Harmonias da Cor e do Perfume...”.
A essa construção, denomina-se: