Há mais de uma década, no mesmo ano em que o Ministério da Justiça publicou o Manual da nova classificação indicativa, a Folha de S. Paulo trouxe o seguinte texto da chargista e cartunista Laerte:
A alternativa que traz informações corretas sobre o texto e seu respectivo gênero é:
A questão avaliaconhecimentos sobre diferentes itens do conteúdo previsto para a prova e tomam como referência o seguinte texto:
“Mulher proletária”
Mulher proletária – única fábrica
que o operário tem, (fábrica de filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.
Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar teu proprietário.
A alternativa que relaciona corretamente os recursos linguísticos aos sentidos produzidos é:
A questão refere-se ao seguinte fragmento de texto:
Em termos muito simples, podemos dizer que o amor é um horizonte de compreensão que tem em vista a real dimensão do outro, que não o inventa em uma projeção, que permanece aberto ao seu mistério. Se o amor é aberto ao outro, o ódio é fechado a ele. Tendemos a não querer ver o ódio que nos fecha porque ele nos diminui. “Não querer ver” é uma armadilha, pois todos somos afetados pelo ódio e contribuímos com a nossa parte para a sua persistência
(TIBURI, Marcia. Odiar, verbo intransitivo. Revista Cult, n. 20, ano 18, p. 59, set. 2015. Fragmento).A alternativa correta com relação à estrutura sintática e de significação dos enunciados é:
Observe a expressão “um monte de cabeças falantes” e assinale a alternativa correta quanto à figura de linguagem.
O humor da história sequencial acima se fundamenta em uma informação implícita que o leitor descobre ao final. Qual das alternativas abaixo expressa essa informação?
Mal fechei os olhos, o quarto foi invadido por um batalhão de enfermeiras e auxiliares perguntando-me se apresentava alguma alergia, queixa cardíaca, pulmonar, urinária ou digestiva. Enquanto respondia a uma delas, outra instalava o aparelho de pressão em meu braço, e uma terceira colocava o termômetro e enlaçava a pulseira de identidade. Um técnico do laboratório passou um garrote para colher sangue e ligar o frasco de soro: "Vou dar uma picadinha".
Foi o primeiro de uma série infindável de diminutivos que viriam a ser pronunciados. Achei graça porque me lembrei de meu sogro, engenheiro agrônomo que se orgulhava de ter passado a vida a abrir fazendas e a desbravar rincões longínquos. Quando esse homem à moda antiga saiu do centro cirúrgico depois de uma operação de catarata e lhe perguntei se havia sentido dor, respondeu: "Dor é o de menos; duro é ouvir 'Abre o olhinho', 'Fecha o olhinho', e ser obrigado a ficar quieto".
Deitado de camisola e pulseirinha, sem forças para agir por conta própria, cercado de gente que diz: "Vamos tomar um remedinho"; "Abre a boquinha"; "Levanta a perninha"... há maturidade que resista?
VARELLA, D. O médico doente. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. Adaptado.O texto relaciona o emprego do diminutivo à
TEXTO PARA AQUESTÃO
O homem que petrificava cadáveres e outros cientistas que hoje estariam presos
França, verão de 1885. Jean-Baptiste Vincent Laborde espera ansioso na entrada do cemitério. A lei determina que, antes de um cadáver ser doado para a ciência, deve-se encenar um enterro cristão. Para Laborde, é fundamental ganhar tempo. Ele criou um laboratório portátil montado numa carroça, que conta com uma maca, lanternas e material cirúrgico. No país que viu nascer a guilhotina, esse médico tenta demonstrar que os executados continuam conscientes após a decapitação. Quando chegam os restos do condenado à morte, cedido pelas autoridades, Laborde segura sua cabeça, perfura o crânio e aplica correntes elétricas no cérebro. A cara começa a se mexer e, por fim, abre um olho.
Várias décadas mais tarde, Gabriel Beaurieux, outro médico francês, presencia uma execução na guilhotina. Segundos depois, o doutor levanta a cabeça do cesto e grita o nome do condenado. Os olhos se abrem e voltam a se fechar. O médico chama pela segunda vez. E de novo o morto abre os olhos
Laborde e Beaurieux explicaram seus experimentos em publicações da época, mas nunca conseguiram provar sua hipótese. A guilhotina deixou de ser usada em 1977. A história desses médicos é contada agora em O cientista louco: uma história da pesquisa no limite, que será lançado em 30 de janeiro. Trata-se de um compêndio de pesquisadores reais que, movidos por uma forte convicção e pela ânsia de conhecimento, enfrentaram o pensamento dominante da época e inclusive realizaram testes que hoje poderiam levá-los à prisão.
DOMINGUEZ, N. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/.html. Acesso em: 05 mar. 2019.O texto foi produzido com o intuito de
Os grãos de feijão no frasco
O velho ficou doente, achou que ia morrer, então chamou sua mulher e confessou: "Andei saindo da
linha, então quero ser honesto com você e lhe pedir perdão antes de partir".
Então ela disse: "Está bem, eu o perdoo".
E o perdoou.
Ela começou a adoecer, chamou o marido e disse: "Ouça, saí da linha um bocado, e quero lhe pedir
perdão".
Ele disse: "Sim, eu a perdoo".
Ela disse:
"Toda vez que saí da linha coloquei um grão de feijão no frasco. Eles estão todos na cornija da lareira,
exceto os do outro frasco, que cozinhei sábado passado".
O humor do texto decorre da
Alguns físicos, não muitos, são físicos/poetas. Eles veem o mundo, ou melhor, a realidade física, como uma narrativa lírica escrita em um código secreto que a mente humana pode decifrar. O físico e escritor italiano Carlo Rovelli é um deles. Seu estilo de escrita é encantador, tão lírico quanto um livro sobre física permite ser. Suas referências a outros poetas, em particular Dante e Petrarca, exalam um orgulho patriota e o entendimento, infelizmente raro na maioria dos departamentos de física, da profunda ligação entre as ciências e as humanidades enquanto parceiras gêmeas na busca dos seres humanos em encontrar significado em um universo misterioso e intrigante.
GLEISER, M. Disponível em: https://www.fronteiras.com/artigos/conferencistas/. Acesso em: 28 fev. 2019.O emprego de adjetivos como “encantador”, “misterioso” e “intrigante” assinala a
TEXTO PARA A QUESTÃO
Doar a si próprio
Tenho lidado com problemas de enxerto de pele, fiquei sabendo que um banco de doação de pele não é viável, pois esta, sendo alheia, não adere por muito tempo à pele do enxertado. É necessário que a pele do paciente seja tirada de outra parte de seu corpo, e em seguida enxertada no lugar necessário. Isto quer dizer que no enxerto há uma doação de si para si mesmo.
Esse caso me fez devanear um pouco sobre o número de outros em que a própria pessoa tem que doar a si própria. O que traz solidão, e riqueza, e luta. Cheguei a pensar na bondade que é tipicamente o que se quer receber dos outros – e no entanto às vezes só a bondade que doamos a nós mesmos nos livra da culpa e nos perdoa. E é também, por exemplo, inútil receber a aceitação dos outros, enquanto nós mesmos não nos doamos a autoaceitação do que somos. Quanto à nossa fraqueza, a parte mais forte nossa é que tem que nos doar ânimo e complacência. E há certas dores que só a nossa própria dor, se for aprofundada, paradoxalmente chega a amenizar.
No amor felizmente a riqueza está na doação mútua. O que não significa que não haja luta: é preciso se doar o direito de receber amor. Mas lutar é bom. Há dificuldades que só por serem dificuldades já esquentam o nosso sangue, que este felizmente pode ser doado.
Lembrei-me de outra doação a si mesmo: a da criação artística. Pois em primeiro lugar por assim dizer tenta-se tirar a própria pele para enxertá-la onde é necessário. Só depois de pegado o enxerto é que vem a doação aos outros. Ou é tudo já misturado, não sei bem, a criação artística é um mistério que me escapa, felizmente. Não quero saber muito.
LISPECTOR, C. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.No último parágrafo, a associação entre ‘enxerto’ e ‘criação artística’ configura uma concepção de escrita caracterizada por um