AprendiAprendi
PortuguêsUFMS2018

Há mais de uma década, no mesmo ano em que o Ministério da Justiça publicou o Manual da nova classificação indicativa, a Folha de S. Paulo trouxe o seguinte texto da chargista e cartunista Laerte:

A alternativa que traz informações corretas sobre o texto e seu respectivo gênero é:

PortuguêsUFMS2022

A questão avaliaconhecimentos sobre diferentes itens do conteúdo previsto para a prova e tomam como referência o seguinte texto:

“Mulher proletária”

Mulher proletária – única fábrica
que o operário tem, (fábrica de filhos)

tu

na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.

Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar teu proprietário.

(LIMA, Jorge de. “Mulher proletária” [1932]. In: Poesia completa. Organização de Alexei Bueno; textos críticos de Marco Lucchesi [et al.]. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 286-287)

A alternativa que relaciona corretamente os recursos linguísticos aos sentidos produzidos é:

PortuguêsUFMS2019

A questão refere-se ao seguinte fragmento de texto:

Em termos muito simples, podemos dizer que o amor é um horizonte de compreensão que tem em vista a real dimensão do outro, que não o inventa em uma projeção, que permanece aberto ao seu mistério. Se o amor é aberto ao outro, o ódio é fechado a ele. Tendemos a não querer ver o ódio que nos fecha porque ele nos diminui. “Não querer ver” é uma armadilha, pois todos somos afetados pelo ódio e contribuímos com a nossa parte para a sua persistência

(TIBURI, Marcia. Odiar, verbo intransitivo. Revista Cult, n. 20, ano 18, p. 59, set. 2015. Fragmento).

A alternativa correta com relação à estrutura sintática e de significação dos enunciados é:

PortuguêsULBRA2015

Observe a expressão “um monte de cabeças falantes” e assinale a alternativa correta quanto à figura de linguagem.

PortuguêsULBRA2015

O humor da história sequencial acima se fundamenta em uma informação implícita que o leitor descobre ao final. Qual das alternativas abaixo expressa essa informação?

PortuguêsPUC-MG2019

Mal fechei os olhos, o quarto foi invadido por um batalhão de enfermeiras e auxiliares perguntando-me se apresentava alguma alergia, queixa cardíaca, pulmonar, urinária ou digestiva. Enquanto respondia a uma delas, outra instalava o aparelho de pressão em meu braço, e uma terceira colocava o termômetro e enlaçava a pulseira de identidade. Um técnico do laboratório passou um garrote para colher sangue e ligar o frasco de soro: "Vou dar uma picadinha".

Foi o primeiro de uma série infindável de diminutivos que viriam a ser pronunciados. Achei graça porque me lembrei de meu sogro, engenheiro agrônomo que se orgulhava de ter passado a vida a abrir fazendas e a desbravar rincões longínquos. Quando esse homem à moda antiga saiu do centro cirúrgico depois de uma operação de catarata e lhe perguntei se havia sentido dor, respondeu: "Dor é o de menos; duro é ouvir 'Abre o olhinho', 'Fecha o olhinho', e ser obrigado a ficar quieto".

Deitado de camisola e pulseirinha, sem forças para agir por conta própria, cercado de gente que diz: "Vamos tomar um remedinho"; "Abre a boquinha"; "Levanta a perninha"... há maturidade que resista?

VARELLA, D. O médico doente. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. Adaptado.

O texto relaciona o emprego do diminutivo à

PortuguêsPUC-MG2019

TEXTO PARA AQUESTÃO

O homem que petrificava cadáveres e outros cientistas que hoje estariam presos

França, verão de 1885. Jean-Baptiste Vincent Laborde espera ansioso na entrada do cemitério. A lei determina que, antes de um cadáver ser doado para a ciência, deve-se encenar um enterro cristão. Para Laborde, é fundamental ganhar tempo. Ele criou um laboratório portátil montado numa carroça, que conta com uma maca, lanternas e material cirúrgico. No país que viu nascer a guilhotina, esse médico tenta demonstrar que os executados continuam conscientes após a decapitação. Quando chegam os restos do condenado à morte, cedido pelas autoridades, Laborde segura sua cabeça, perfura o crânio e aplica correntes elétricas no cérebro. A cara começa a se mexer e, por fim, abre um olho.

Várias décadas mais tarde, Gabriel Beaurieux, outro médico francês, presencia uma execução na guilhotina. Segundos depois, o doutor levanta a cabeça do cesto e grita o nome do condenado. Os olhos se abrem e voltam a se fechar. O médico chama pela segunda vez. E de novo o morto abre os olhos

Laborde e Beaurieux explicaram seus experimentos em publicações da época, mas nunca conseguiram provar sua hipótese. A guilhotina deixou de ser usada em 1977. A história desses médicos é contada agora em O cientista louco: uma história da pesquisa no limite, que será lançado em 30 de janeiro. Trata-se de um compêndio de pesquisadores reais que, movidos por uma forte convicção e pela ânsia de conhecimento, enfrentaram o pensamento dominante da época e inclusive realizaram testes que hoje poderiam levá-los à prisão.

DOMINGUEZ, N. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/.html. Acesso em: 05 mar. 2019.

O texto foi produzido com o intuito de

PortuguêsPUC-MG2019

Os grãos de feijão no frasco

O velho ficou doente, achou que ia morrer, então chamou sua mulher e confessou: "Andei saindo da
linha, então quero ser honesto com você e lhe pedir perdão antes de partir".
Então ela disse: "Está bem, eu o perdoo".
E o perdoou.
Ela começou a adoecer, chamou o marido e disse: "Ouça, saí da linha um bocado, e quero lhe pedir
perdão".
Ele disse: "Sim, eu a perdoo".
Ela disse:
"Toda vez que saí da linha coloquei um grão de feijão no frasco. Eles estão todos na cornija da lareira,
exceto os do outro frasco, que cozinhei sábado passado".

CARTER, A. 103 contos de fadas. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

O humor do texto decorre da

PortuguêsPUC-MG2019

Alguns físicos, não muitos, são físicos/poetas. Eles veem o mundo, ou melhor, a realidade física, como uma narrativa lírica escrita em um código secreto que a mente humana pode decifrar. O físico e escritor italiano Carlo Rovelli é um deles. Seu estilo de escrita é encantador, tão lírico quanto um livro sobre física permite ser. Suas referências a outros poetas, em particular Dante e Petrarca, exalam um orgulho patriota e o entendimento, infelizmente raro na maioria dos departamentos de física, da profunda ligação entre as ciências e as humanidades enquanto parceiras gêmeas na busca dos seres humanos em encontrar significado em um universo misterioso e intrigante.

GLEISER, M. Disponível em: https://www.fronteiras.com/artigos/conferencistas/. Acesso em: 28 fev. 2019.

O emprego de adjetivos como “encantador”, “misterioso” e “intrigante” assinala a

PortuguêsPUC-MG2019

TEXTO PARA A QUESTÃO

Doar a si próprio

Tenho lidado com problemas de enxerto de pele, fiquei sabendo que um banco de doação de pele não é viável, pois esta, sendo alheia, não adere por muito tempo à pele do enxertado. É necessário que a pele do paciente seja tirada de outra parte de seu corpo, e em seguida enxertada no lugar necessário. Isto quer dizer que no enxerto há uma doação de si para si mesmo.

Esse caso me fez devanear um pouco sobre o número de outros em que a própria pessoa tem que doar a si própria. O que traz solidão, e riqueza, e luta. Cheguei a pensar na bondade que é tipicamente o que se quer receber dos outros – e no entanto às vezes só a bondade que doamos a nós mesmos nos livra da culpa e nos perdoa. E é também, por exemplo, inútil receber a aceitação dos outros, enquanto nós mesmos não nos doamos a autoaceitação do que somos. Quanto à nossa fraqueza, a parte mais forte nossa é que tem que nos doar ânimo e complacência. E há certas dores que só a nossa própria dor, se for aprofundada, paradoxalmente chega a amenizar.

No amor felizmente a riqueza está na doação mútua. O que não significa que não haja luta: é preciso se doar o direito de receber amor. Mas lutar é bom. Há dificuldades que só por serem dificuldades já esquentam o nosso sangue, que este felizmente pode ser doado.

Lembrei-me de outra doação a si mesmo: a da criação artística. Pois em primeiro lugar por assim dizer tenta-se tirar a própria pele para enxertá-la onde é necessário. Só depois de pegado o enxerto é que vem a doação aos outros. Ou é tudo já misturado, não sei bem, a criação artística é um mistério que me escapa, felizmente. Não quero saber muito.

LISPECTOR, C. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

No último parágrafo, a associação entre ‘enxerto’ e ‘criação artística’ configura uma concepção de escrita caracterizada por um