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O presidente Michel Temer bem que tentou abrir a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), na floresta amazônica, para a exploração das mineradoras a toque de caixa. Mas, a reação de ambientalistas e da comunidade internacional foi tão grande que ele precisou voltar atrás, pelo menos por enquanto. Nesta segunda-feira o Governo anunciou a extinção total do decreto que previa a abertura da Renca, situada entre os Estados do Pará e Amapá, para a entrada de empresas de mineração que cobiçavam ouro, cobre e outros tesouros na região, que alcança o tamanho da Dinamarca. A decisão deve ser publicada nesta terça-feira, 26 de setembro, no Diário Oficial, como apurou o repórter Afonso Benites, em Brasília

(El País, set 2017).

Com relação à RENCA, não é correto afirmar:

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Assinale a opção que contenha a palavra que sofreu alteração no emprego do acento segundo o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

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TEXTO

Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopéias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.

(RAMOS, 1992, p. 20)

Ainda sobre o texto, analisando por uma vertente gramatical a última frase do trecho, assinale o item que contém a declaração verdadeira.

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Leia o capítulo IX do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder à questão.

Transição

E vejam agora com que destreza, com que arte faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou em presença de Virgília; Virgília foi o meu grão pecado da juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci. Viram? Nenhuma juntura aparente, nada que divirta a atenção pausada do leitor: nada. De modo que o livro fica assim com todas as vantagens do método, sem a rigidez do método. Na verdade, era tempo. Que isto de método, sendo, como é, uma coisa indispensável, todavia é melhor tê-lo sem gravata nem suspensórios, mas um pouco à fresca e à solta, como quem não se lhe dá da vizinha fronteira, nem do inspetor de quarteirão. É como a eloquência, que há uma genuína e vibrante, de uma arte natural e feiticeira, e outra tesa, engomada e chocha. Vamos ao dia 20 de outubro.

(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2018.)

A totalidade do capítulo constitui uma reflexão baseada no recurso estilístico chamado

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“Dizem que a primeira e maior invenção foi o fogo. Seria? E a fala? Não é mais importante? Outros querem que a primeira invenção seja a roda. Até pode ser. Mas aqui, nas Américas, os incas e os astecas não usavam a roda e se davam muito bem. Para mim, invenção importante mesmo foi o alfabeto. Antes, alguns povos escreviam com ideogramas, que não representavam sons da fala, mas sim, as ideias. Era um bom sistema, porque permitia aos chineses, aos coreanos, aos japoneses lerem, cada qual na sua língua, as mesmas escrituras. Era ruim porque precisava decorar mil a dois mil ideogramas para ler ou escrever. A escrita alfabética mais recente é melhor. Seu defeito é ficar preso a língua. Sua vantagem é facilidade com que se alfabetiza”.

[...] RIBEIRO, Darcy. Noções de coisas. São Paulo: FTD, 2000. p. 63.

A partir da análise do texto e de seus conhecimentos, escolha entre as afirmações a seguir a alternativa incorreta.

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Considere o texto de Tercio Sampaio Ferraz Junior para responder à questão.

O direito é um dos fenômenos mais notáveis na vida humana. Compreendê-lo é compreender uma parte de nós mesmos. É saber em parte por que obedecemos, por que mandamos, por que nos indignamos, por que aspiramos a mudar em nome de ideais, por que em nome de ideais conservamos as coisas como estão. Ser livre é estar no direito e, no entanto, o direito também nos oprime e tira-nos a liberdade. Por isso, compreender o direito não é um empreendimento que se reduz facilmente a conceituações lógicas e racionalmente sistematizadas. O encontro com o direito é diversificado, às vezes conflitivo e incoerente, às vezes linear e consequente. Estudar o direito é, assim, uma atividade difícil, que exige não só acuidade, inteligência, preparo, mas também encantamento, intuição, espontaneidade. Para compreendê-lo, é preciso, pois, saber e amar. Só o homem que sabe pode ter-lhe o domínio. Mas só quem o ama é capaz de dominá-lo, rendendo-se a ele.

(Introdução ao estudo do direito, 2003.)

A palavra “incoerente” é formada com um prefixo que tem o mesmo significado do prefixo de:

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A questão têm como texto base fragmento do romance O Mulato, de Aluísio Azevedo. Leia-o para responder à questão

TEXTO

Foi então que Ana Rosa veio ao mundo; a princípio muito fraquinha e quase sem dar acordo de si. Manuel andava aflito, com medo de perdê-la. Que luta, os três primeiros meses de sua vida! Parecia morrer a todo instante, coitadinha! Ninguém dormia na casa; o negociante chorava como um perdido, enquanto a mulher fazia promessas aos santos da sua devoção.

Fonte: AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Martin Claret, 2010.

No discurso indireto livre, há a fusão dos discursos direto e indireto e a supressão de marcas que indiquem a mudança das falas no discurso.

Serve como ilustração do discurso indireto livre, no fragmento acima, o seguinte trecho:

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Encourado

Arrogância e falta de humildade no desempenho de suas funções: esse bispo, falando com um pequeno, tinha um orgulho só comparável à subserviência que usava para tratar com os grandes. Isto sem se falar no fato de que vivia com um santo homem, tratando-o sempre com o maior desprezo.

Fonte: SUASSUNA, A. Auto da Compadecida. 36. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.

Sem prejuízo do entendimento do texto, as palavras orgulho e subserviência poderiam ser substituídas, respectivamente, por

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O filósofo camaronês, Achille Mbembe, descreve que o avanço do neoliberalismo produz o fim do trabalho, criando o sujeito sem trabalho (“Já não há trabalhadores propriamente dito”) que gera uma “humanidade supérflua”, um ser totalmente abandonado, inútil para o sistema capitalista. De modo que os indivíduos se veem diante de uma “vida psíquica”, prisioneira de uma patologia de sintomas como memória artificial e modelados pela neurociência e neuroeconomia, originando um novo sujeito humano que só tem uma possibilidade, o sujeito “empreendedor de si mesmo”. A pessoa neoliberal se caracteriza por ser um “sujeito do mercado e da dívida”, ou seja, uma “forma abstrata já pronta”. Ele fica puramente dependente de elaborar uma reconstrução de sua “vida íntima” para se ofertar ao mercado como uma mercadoria. Por isso, o homem novo é composto de capitalismo e animalismo, conceitos cindidos em outros tempos, agora motivados a se conectarem.

MEMBE, A.. Crítica da razão negra. São Paulo: N-1, 2018. Adaptado.

Segundo Achille Mbembe, o racismo, no neoliberalismo,

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Texto VIII

Dona Petronilha – vamos chamá-la assim, pois como não conheço mesmo ninguém com esse nome, servirá ele para batizar essa dama. Dama que existiu com sua voz macia e olhos de aço, [...]. Falar com Dona Petronilha era falar em alma piedosa, sem orgulho, pronta para descer de seu pedestal para se dedicar às obras de caridade que o jornal local apregoava e que o padre mencionava com fartura de detalhes nos sermões de domingo. Tinha cadeira cativa na igreja, controle total das quermesses no Largo do Jardim, nome gravado no mármore da biblioteca e opinião acatada pelo juiz quando a pequena sala do fórum se agitava nos julgamentos locais. Afinal, quem ajudou a reconstruir a cadeia?

[...]

Lembro-me agora da figura bem desenhada de dona Petronilha, a de voz macia e olhos de aço. E vejo nessa figura de minha infância o símbolo da burguesia diante da qual se curvavam os poderes públicos e a igreja.”

[...]

TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Considere o seguinte fragmento.

“Dona Petronilha – vamos chamá-la assim, pois como não conheço mesmo ninguém com esse nome, servirá ele para batizar essa dama.”

Quanto ao uso expressivo dos verbos em seus tempos e modos, observa-se o emprego