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PortuguêsUEMA2018

O fragmento a seguir, extraído do capítulo Alma compassiva, serve de referência para responder à questão 08.

Texto VI

[...] E dizem em Caxias que sempre fui uma alma boa, titio falava isso, e Natalícia dizia: Ah, ela é uma boa samaritana! [...], sei que a Boa Samaritana queria dizer que eu dava trela mais a um filho de estrangeiro do que a um natural, que eu dava de beber a um inimigo e não a um brasileiro, mas como podia eu ser a boa samaritana se ela teve seis maridos? ou foram oito? ou doze? feliz dela que teve tantos amores, se é que amou, eu tive nenhum marido e apenas um único amor em toda a minha vida, um amor sem modos de o conseguir, [...] Maria Luiza disse que não entende como eu aceito ser uma preterida, [...]

MIRANDA, A. Dias e Dias. São Paulo: Cia. das Letras, 2002.

O trecho que apresenta marca da intenção comunicativa de negação do falante é o seguinte:

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O texto a seguir foi transcrito integralmente da obra Quarto de despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus. Leia-o com atenção e observe o mecanismo de coesão entre as frases no último parágrafo. 30 DE OUTUBRO (...) Eu comecei a fazer as contas quando levar os filhos na cidade quanto eu vou gastar de bonde. 3 filhos e eu, 24 cruzeiros ida e volta. Pensei no arroz a 30 o quilo. Uma senhora chamou-me para dar-me papeis. Disse-lhe que devido ao aumento da condução a policia estava nas ruas. Ela ficou triste. Percebi que a noticia do aumento entristece todos. Ela disse-me: – Eles gastam nas eleições e depois aumentam qualquer coisa. O Auro perdeu, aumentou a carne. O Adhemar perdeu, aumentou as passagens. Um pouquinho de cada um, eles vão recuperando o que gastam. Quem paga as despesas das eleições é o povo! Fonte: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: Diário de uma favelada. 9. ed. São Paulo: Ática, 2007. O discurso direto, reproduzido no fragmento em destaque, é marcado por um encadeamento semântico-discursivo que resulta na sequência narrativa. A expressão coesiva responsável por essa sequência é

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O poema Noturno citadino é a base para responder à questão

Um cartaz luminoso ri no ar.
Ó noite, ó minha nêga
toda acesa
de letreiros!... Pena
é que a gente saiba ler... Senão
tu serias de uma beleza única
inteiramente feita
para o amor dos nossos olhos..

QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

O sujeito lírico, para fazer entender seus sentimentos no poema, pretende criar um dialogismo imaginário íntimo no(s)

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Texto VI

O meu guri

Quando, seu moço, nasceu meu rebento

Não era o momento dele rebentar

Já foi nascendo com cara de fome

E eu não tinha nem nome pra lhe dar

Como fui levando não sei explicar

Fui assim levando, ele a me levar

E na sua meninice ele um dia me disse

Que chegava lá, olha aí, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri e ele chega

Chega suado e veloz do batente

E traz sempre um presente pra me encabular

Tanta corrente de ouro, seu moço

Que haja pescoço para enfiar

Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro

Chave, caderneta, terço e patuá

Um lenço e uma penca de documentos

Pra finalmente eu me identificar, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri e ele chega

Chega no morro com o carregamento

Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador

Rezo até ele chegar cá no alto

Essa onda de assaltos tá um horror

Eu consolo ele, ele me consola

Boto ele no colo pra ele me ninar

De repente acordo, olho pro lado

E o danado já foi trabalhar, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri e ele chega

Chega estampado, manchete, retrato

Com venda nos olhos, legenda e as iniciais

Eu não entendo essa gente, seu moço

Fazendo alvoroço demais

O guri no mato, acho que tá rindo

Acho que tá lindo, de papo pro ar

Desde o começo, eu não disse, seu moço?

Ele disse que chegava lá

Olha aí, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri

www.recantodasletras.com.br.chicobuarque.

Considerando o conteúdo semântico dos versos

“Chega suado e veloz do batente

E traz sempre um presente pra me encabular”,

o sentido de “batente” corresponde a (à)

PortuguêsUEMA2019

Algumas interpretações sociológicas sobre características genéricas dos brasileiros apontam o “jeitinho brasileiro” como um modo particular de lidar com situações problemáticas. Esse modo de resolver determinados problemas é exemplarmente praticado pelo personagem João Grilo, na obra O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.

O personagem de João Grilo é um exemplo da prática do “jeitinho brasileiro”, pois, dentre suas características,

PortuguêsUEMA2017

Texto II

[...]

Almiro foi o primeiro dos Capitães da Areia que caiu com alastrim. Uma noite, quando o negrinho Barandão o procurou no seu canto para fazer o amor (aquele amor que Pedro Bala proibira no trapiche),

Almiro lhe disse:

– Tou com uma coceira danada.

Mostrou os braços já cheios de bolhas a Barandão:

– Parece que também tou queimando de febre.

[...]

Os meninos foram se levantando aos poucos e se afastando receosos do lugar onde estava Almiro. Este começou a soluçar. Pedro Bala não tinha chegado ainda. Professor, o Gato e João Grande também andavam por fora. Daí ter sido o Sem-Pernas quem dominou a situação. O Sem-Pernas nestes últimos tempos andava cada vez mais arredio, quase não falava com ninguém. Fazia espantosas burlas de todo mundo, por tudo puxava uma briga, [...]

Barandão o olhou assustado. Depois, Sem-Pernas falou para todos, apontando Almiro com o dedo:

– Ninguém aqui vai ficar bexiguento só por causa deste fresco.

Todos o olhavam, esperando o que ele diria. Almiro soluçava, as mãos no rosto, encolhido na parede. Sem-pernas falava:

– Ele vai sair daqui agorinha mesmo. Vai se meter em qualquer canto da rua até que os mata-cachorro da saúde pegue ele e leve pro lazareto.

– Não. Não – rugiu Almiro.

AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

O narrador explora a fluidez da linguagem popular para estabelecer sua sintaxe, operando na ligação de frases ou de porções textuais com marcador discursivo, típico da oralidade, a exemplo de

PortuguêsUEMA2015

Ele entrou no seu passo macio, sem ruído, não

chegava a ser felino: apenas um andar discreto. Polido.

― Rodolfo! Onde está você?... Dormindo? — perguntou quando me viu levantar da poltrona e vestir a camisa. Baixou o tom de voz. – Está sozinho?

Ele sabe muito bem que estou sozinho, ele sabe que sempre estou sozinho.

― Estava lendo.

― Dostoiévski?

Fechei o livro e não pude deixar de sorrir. Nada lhe escapava.

― Queria lembrar uma certa passagem... Só que está quente demais, acho que este é o dia mais quente desde que começou o verão.

Ele deixou a pasta na cadeira e abriu o pacote de uvas roxas.

― Estavam tão maduras, olha só que beleza – disse tirando um cacho e balançando-o no ar como um pêndulo. – Prova! Uma delícia.

(...)

― Vou fazer um café – anunciei.

― Só se for para você, tomei há pouco na esquina. Era mentira. O bar da esquina era imundo e para ele o café fazia parte de um ritual nobre, limpo. (...)

Fonte: TELLES, Lygia Fagundes. Melhores contos de Lygia Fagundes Telles / Seleção de Eduardo Portella. 12. ed. Coleção melhores contos. São Paulo: Global, 2003.

O fragmento que evidencia ao leitor a imagem que o narrador tem de si mesmo e do irmão é

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Texto VIII

Dona Petronilha – vamos chamá-la assim, pois como não conheço mesmo ninguém com esse nome, servirá ele para batizar essa dama. Dama que existiu com sua voz macia e olhos de aço, [...]. Falar com Dona Petronilha era falar em alma piedosa, sem orgulho, pronta para descer de seu pedestal para se dedicar às obras de caridade que o jornal local apregoava e que o padre mencionava com fartura de detalhes nos sermões de domingo. Tinha cadeira cativa na igreja, controle total das quermesses no Largo do Jardim, nome gravado no mármore da biblioteca e opinião acatada pelo juiz quando a pequena sala do fórum se agitava nos julgamentos locais. Afinal, quem ajudou a reconstruir a cadeia?

[...]

Lembro-me agora da figura bem desenhada de dona Petronilha, a de voz macia e olhos de aço. E vejo nessa figura de minha infância o símbolo da burguesia diante da qual se curvavam os poderes públicos e a igreja.”

[...]

TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

O fragmento em que ocorre contundente subjetividade na crítica feita à dona Petronilha é:

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Texto VII

Passei o pente no cabelo, abotoei o colete, enfiei o anel no dedo e me olhei no espelho: a imagem (persona) correspondia exatamente ao juízo que eu (e os outros) faziam de mim. Fechei a mala. Tomei o trem. Na recepção do hotel, apresentei meus documentos, preenchi a ficha, gratifiquei o moço que me conduzia ao apartamento, descerrei as cortinas para a bela vista e liguei o rádio de cabeceira que tocava a Serenata de Schubert.

[...]

TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

O estilo demarcado pela escritora no trecho em análise caracteriza-se pelo (a)

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O poema Noturno citadino é a base para responder à questão

Um cartaz luminoso ri no ar.
Ó noite, ó minha nêga
toda acesa
de letreiros!... Pena
é que a gente saiba ler... Senão
tu serias de uma beleza única
inteiramente feita
para o amor dos nossos olhos..

QUINTANA, M. Esconderijos do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

O articulador argumentativo “Senão” imprime no poema um valor semântico de