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O trecho a seguir é parte do artigo”Três tempos de uma mesma história”, publicado na Revista Cult, que apresenta dados de épocas diferentes, revelando a situação social contrária a negros e a pobres. Leia-o para responder à questão.

[...]

Como se sabe, muitas das tropas brasileiras foram compostas de escravos, que se alistavam, não só com a promessa de alforria, mas também pelo compromisso do imperador Pedro Il em abolir a escravidão. Ao final da Guerra, em vez de libertação, em 1871, foi promulgada a Lei do Ventre Livre que, no papel, considerava em liberdade todos os filhos de mulheres escravas nascidos a partir daquela data. Na prática, crianças negras nascidas livres continuaram trabalhando nas mesmas condições das que nasceram escravizadas.

Tantos dados, de diferentes tempos, no mesmo território, nos informam como o estado brasileiro está a serviço do capital financeiro. E nós? Assistimos a tudo isso? Evoco a pergunta - provocação de um militante do movimento negro durante um seminário que aconteceu na 32. Edição da Feira Nacional da Reforma Agrária, em São Paulo: “Para o meu bisavô, disseram que ele deveria ser um bom escravo, que a abolição logo viria. Para o meu avó, prometeram que se ele trabalhasse bastante, teria condições de vida. Para o meu pai, disseram que depois do ginásio, viria a CLT. Para mim, foi o ensino superior. Mas mesmo graduado, sou parado pela polícia e não tenho emprego. Até quando vamos acreditar nas promessas?

Fonte: CULT - Revista Brasileira de Cultura. Nº. 235. São Paulo Ano 21, junho 2018. Adaptado.

No trecho: “Para o meu bisavô, disseram que ele deveria ser um bom escravo, que a abolição logo viria.”, o efeito semântico do adjetivo em “bom escravo”, considerando o contexto, ressalta a ideia de

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Verão no Aquário, publicado em 1963, é o segundo romance da escritora paulistana Lygia Fagundes Telles. O romance passa-se na década de 1960 e evidencia dilemas relacionados ao universo feminino, instaurados, principalmente, na relação conflituosa entre mãe e filha.

Leia a passagem a seguir para responder à questão.

Revolvi papéis e livros da minha mesa. Abri gavetas. Por onde andariam meus retratos? [...] Vi um retrato assim do meu pai: um menino débil e louro na sua roupa de marinheiro, a mão direita pousada na mesinha com uma toalha de franja e um vaso de flores em cima, a mão esquerda na cintura, os dedos graciosamente imobilizados pelo fotógrafo, “Vamos, olhe nessa direção!...”. O olhar ainda limpo do rancor pela bem-amada que havia de traí-lo um dia, pela mãe falhando no momento em que não podia falhar, pelo amigo que não era amigo, por Deus que não apareceria para salvá-lo quando ele próprio se erguesse para ferir o próximo assim como foi ferido também. Os ídolos ainda estão inteiros. O menino então sorri e nem o inimigo mais feroz resistirá a esse sorriso de quem se oferece tão sem defesa.

TELES, L. G. Verão no Aquário. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

No trecho, a narradora, ao encontrar o retrato de seu pai quando criança, e associando aquela imagem ao homem que se tornou, percebe-o como um sujeito

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Leia o trecho do Cap. 1 para responder às questões

Capítulo I

[...]

Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos. E pediu pra mãe que largasse da mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Macunaíma choramingou dia inteiro. De-noite continuou chorando. No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que a mãe principiasse o trabalho. Então pediu pra ela que largasse de tecer o paneiro de guarumá-membeca e levasse ele no mato passear. A mãe não quis porque não podia largar o paneiro não. E pediu pra nora, companheira de Jiguê, que levasse o menino. A companheira de Jiguê era bem moça e chamava Sofará. Foi se aproximando ressabiada porém desta vez Macunaíma ficou muito quieto sem botar a mão na graça de ninguém. A moça carregou o piá nas costas e foi até o pé de aninga na beira do rio. A água parara pra inventar um ponteio de gozo nas folhas do javari. O longe estava bonito com muitos biguás e biguatingas avoando na estrada do furo. A moça botou Macunaíma na praia porém ele principiou choramingando, que tinha muita formiga!... e pediu pra Sofará que o levasse até o derrame do morro lá dentro do mato. A moça fez. Mas assim que deitou o curumim nas tiriricas, tajás e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num átimo e ficou um príncipe lindo. Andaram por lá muito.

[...]

Andrade, M. Macunaíma. São Paulo: Ótima, 2015.

A obra Macunaíma apresenta uma exploração criativa da linguagem, em nível oral e popular, que se distancia da linguagem padrão.

No trecho acima, essa subversão linguística é marcada pelo(a)

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Leia o trecho a seguir para responder à questão.

[...]

— Mãe, quem que leva nossa casa pra outra banda do rio no banhado, quem que leva? Pergunta assim!

A velha fez. Macunaíma pediu pra ela ficar com os olhos fechados e carregou todos os carregos, tudo, pro lugar em que estavam de já-hoje no mondongo imundado. Quando a velha abriu os olhos tudo estava no lugar de dantes, vizinhando com os tejupares de mano Maanape e de mano Jiguê com a linda Iriqui. E todos ficaram roncando de fome outra vez.

Então a velha teve uma raiva malvada. Carregou o herói na cintura e partiu. Atravessou o mato e chegou no capoeirão chamado Cafundó do Judas. Andou légua e meia nele, nem se enxergava mato mais, era um coberto plano apenas movimentado com o pulinho dos cajueiros.

Nem guaxe animava a solidão. A velha botou o curumim no campo onde ele podia crescer mais não e falou:

— Agora vossa mãe vai embora. Tu ficas perdido no coberto e podes crescer mais não.

Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018

Em Macunaíma, Mário de Andrade inova nos padrões linguísticos, nos níveis lexical, morfológico e sintático, ao empregar a linguagem coloquial popular falada como marca de identidade nacional.

No trecho acima, essa brasilidade está presente no(a).

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Leia o texto que segue para responder à questão.

Manuel Bandeira, autor de Libertinagem (1930), insere-se na primeira Geração do Modernismo no Brasil. Sua obra, também influenciada por sua história de vida, rompeu com os padrões rígidos ditados pela produção anterior ao Modernismo. Ocupa lugar de relevância na produção poética brasileira no séc. XX, sendo um dos poetas conhecidos e estudados na contemporaneidade. Especificamente, Libertinagem acompanha o ideário do grupo modernista da Semana de 22.

Lenda brasileira

A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde.

- Deus me perdoe!

Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.

BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013.

O termo “Cussaruim” é uma sinonímia para “diabo”, realizada a partir da aproximação com “coisa-ruim” ou “cousa ruim”, expressões populares de certas regiões do Brasil.

No processo formativo de “Cussaruim”, tem-se a

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Texto IX

Homem e Máquina

Desde que as primeiras máquinas começaram a atuar em fábricas, as queixas sobre a perda de postos de trabalho são constantes. Um estudo divulgado em 2015 revelou que a tecnologia, na verdade, criou mais empregos do que eliminou.

“A tendência de reduzir postos de trabalho na agricultura e na indústria é compensada pelo rápido crescimento nos setores de serviços, criatividade e tecnologia”, dizem os economistas que analisaram dados dos últimos 144 anos para avaliar como os avanços na tecnologia afetaram o emprego na Inglaterra e no País de Gales. Eles falam em uma “mudança profunda” nas relações de trabalho. [...]

Os dados confirmam a ideia de que os robôs livram o homem de trabalhos pesados ou degradantes. As inovações tecnológicas reduziram os postos de trabalho em atividades maçantes, perigosas e repetitivas. O setor agrícola foi o primeiro a se beneficiar disso. [...]

Uma pesquisadora de Massachussets Institute of Technology (MIT), especialista nas relações humanosrobôs, é menos alarmista em relação à perda de postos para as máquinas. “A automação pode até ter substituído os humanos em algumas áreas, mas a tecnologia atual ainda não é suficiente para o trabalho totalmente sem humanos. Isso significa que boa parte do desenvolvimento hoje vai na direção de termos robôs criados para trabalhar com os humanos, em vez de substituí-los”, afirmou à PLANETA.

Um professor do departamento de Ciência da Computação da USP preocupa-se com uma troca de mão de obra. “Os robôs deveriam substituir o trabalho humano apenas em duas condições: na medida em que o trabalho desagrada o ser humano e na medida em que se dê um trabalho mais digno para a pessoa substituída”, avalia. Para ele, há risco de as pessoas tratarem colegas como máquinas.

Revista Planeta. 2017. (Adaptado).

No primeiro parágrafo, a expressão que serve para revelar a intenção do autor sobre o seu posicionamento, a respeito do que é dito, é

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Leia o fragmento para responder à questão 07.

Texto V

[...] Caxias já era uma comarca próspera, os portugueses desde muito antigamente tinham se estabelecido lá para negócios de comércio, retalho, exportação, importação, eles animavam a economia, tinham os cargos políticos, controlavam os negócios públicos, até mesmo trocaram o velho churka por um descaroçador de algodão mais novo, construíram casas grandes de negócio e edifícios sólidos de cantaria, eram os donos de tudo por aqui e achavam que aqui era terra deles, sempre foram uns “espetados”, dizia papai. [...]

MIRANDA, A. Dias e Dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2002

No plano da expressividade e da intencionalidade discursiva, a caracterização metafórica dos portugueses traz a marca linguística de depreciação no seguinte trecho:

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Texto IX

Homem e Máquina

Desde que as primeiras máquinas começaram a atuar em fábricas, as queixas sobre a perda de postos de trabalho são constantes. Um estudo divulgado em 2015 revelou que a tecnologia, na verdade, criou mais empregos do que eliminou.

“A tendência de reduzir postos de trabalho na agricultura e na indústria é compensada pelo rápido crescimento nos setores de serviços, criatividade e tecnologia”, dizem os economistas que analisaram dados dos últimos 144 anos para avaliar como os avanços na tecnologia afetaram o emprego na Inglaterra e no País de Gales. Eles falam em uma “mudança profunda” nas relações de trabalho. [...]

Os dados confirmam a ideia de que os robôs livram o homem de trabalhos pesados ou degradantes. As inovações tecnológicas reduziram os postos de trabalho em atividades maçantes, perigosas e repetitivas. O setor agrícola foi o primeiro a se beneficiar disso. [...]

Uma pesquisadora de Massachussets Institute of Technology (MIT), especialista nas relações humanosrobôs, é menos alarmista em relação à perda de postos para as máquinas. “A automação pode até ter substituído os humanos em algumas áreas, mas a tecnologia atual ainda não é suficiente para o trabalho totalmente sem humanos. Isso significa que boa parte do desenvolvimento hoje vai na direção de termos robôs criados para trabalhar com os humanos, em vez de substituí-los”, afirmou à PLANETA.

Um professor do departamento de Ciência da Computação da USP preocupa-se com uma troca de mão de obra. “Os robôs deveriam substituir o trabalho humano apenas em duas condições: na medida em que o trabalho desagrada o ser humano e na medida em que se dê um trabalho mais digno para a pessoa substituída”, avalia. Para ele, há risco de as pessoas tratarem colegas como máquinas.

Revista Planeta. 2017. (Adaptado).

No penúltimo parágrafo do texto, a pesquisadora do MIT, em sua fala, demonstra

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A questão têm como texto base fragmento do romance O Mulato, de Aluísio Azevedo. Leia-o para responder à questão

TEXTO

No dia seguinte, por todas as ruas da cidade de São Luís do Maranhão, e nas repartições públicas, na
Praça do Comércio, nos açougues, nas quitandas, nas salas e nas alcovas, boquejava-se largamente sobre a
misteriosa morte do Dr. Raimundo, era a ordem do dia.

Contava-se o fato de mil modos; inventavam-se lendas; improvisavam-se romances. O cadáver fora
recolhido pela Santa Casa de Misericórdia; procedeu-se a um corpo de delito; verificou-se que o paciente
morrera a tiro de bala, mas a polícia não descobriu o assassino.

Fonte: AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Martin Claret, 2010.

Em O Mulato, o leitor depara-se com o uso frequente do pronome “se”.

No fragmento, em destaque, o uso de “boquejava-se” e “procedeu-se” reforça a indeterminação do sujeito para

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Do capítulo Contrariedades, extraiu-se o fragmento que segue. Leia-o para responder à questão.

[...] Se tinha alguma virtude, era a de não enganar pela cara. Entre todas as suas qualidades possuía uma
que felizmente caracterizava naquele tempo, e talvez que ainda hoje, positiva e claramente o fluminense,
era a maledicência. José Manuel era uma crônica viva, porém crônica escandalosa, não só de todos os seus
conhecimentos e amigos, e das famílias destes, mas ainda dos conhecidos e amigos dos seus amigos e
[5] conhecidos e de suas famílias. Debaixo do mais fútil pretexto tomava a palavra, e enfiava um discurso de
duas horas sobre a vida de fulano ou de beltrano.

ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015.

No fragmento, considerando o contexto da obra, nota-se a presença da conotação enfática quando o narrador emprega a expressão