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Considerando o contexto da obra Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, leia o textopara responder à questão.

TEXTO

[...]

— E esse povo lá de riba

de Pernambuco, da Paraíba,

que vem buscar no Recife

poder morrer de velhice,

encontra só, aqui chegando,
cemitérios esperando.
— Não é viagem o que fazem,
vindo por essas caatingas, vargens;

ai está o seu erro:

vêm é seguindo seu próprio enterro.

[...]

Fonte: MELO NETO, J. C. Morte e vida Severina e outros poemas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

O termo “ai” é um elemento de continuidade.

No contexto, o sentido desse termo pode ser recuperado, de modo coerente, na seguinte expressão

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O fragmento seguinte integra o primeiro capítulo do livro Memórias de um Sargento de Milícias, intitulado Origem, nascimento e batizado. Leia-o para responder à questão que segue.

[...] Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente que temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo. [...]

ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015.

No contexto, o fragmento “Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo[...]”, de acordo com as relações sintático-semânticas, contém o sentido equivalente à

PortuguêsUEMA2018

O capítulo, a seguir, extraído de Dias e Dias, de Ana Miranda, integra a segunda parte do livro intitulada “Um sabiá na gaiola”. Leia-o com atenção para responder ao que se pede naquestão.

Texto IV

Astúcia de caçador

Os sabiás são assim: você não pode caçar um sabiá crescido, porque ele nunca se acostuma na gaiola, ele vai definhando, fica tão triste que nem canta mais, e morre, você também não pode caçar os sabiás filhotes porque eles igualmente morrem quando ficam longe da mãe, então o que o papai fazia era caçar toda a ninhada com ninho e tudo, e caçava a mãe, ele punha a ninhada e o ninho dentro de uma gaiola, a mãe ele deixava solta depois que ela aprendia a encontrar os filhotes no ninho, a mãe vinha trazer as minhocas e as sementes para os filhotes no ninho e papai abria a porta da gaiola, a mãe alimentava os filhotes e ia voar, voltava depois, assim as coisas iam se passando, até que um dia os filhotes ficavam grandes, acostumados com a gaiola, e papai separava os filhotes, levava-os para lugares onde a mãe não os encontrava mais, e a mãe ficava triste, definhava, até morrer. Ele era capaz de palmilhar léguas e léguas para negociar um sabiá por sessenta milréis, porque ouvira falar que tinha um assobio diferente, e estava sempre barganhando gaiolas e pios.

MIRANDA, A. Dias e Dias. São Paulo: Cia das Letras, 2002.

No capítulo Astúcia de caçador, percebe-se que o discurso literário se utiliza do tom de convencimento para fazer o leitor acreditar na “astúcia” do pai caçador. Essa característica ocorre no uso do (da)

PortuguêsUEMA2017

Texto II

[...]

Almiro foi o primeiro dos Capitães da Areia que caiu com alastrim. Uma noite, quando o negrinho Barandão o procurou no seu canto para fazer o amor (aquele amor que Pedro Bala proibira no trapiche),

Almiro lhe disse:

– Tou com uma coceira danada.

Mostrou os braços já cheios de bolhas a Barandão:

– Parece que também tou queimando de febre.

[...]

Os meninos foram se levantando aos poucos e se afastando receosos do lugar onde estava Almiro. Este começou a soluçar. Pedro Bala não tinha chegado ainda. Professor, o Gato e João Grande também andavam por fora. Daí ter sido o Sem-Pernas quem dominou a situação. O Sem-Pernas nestes últimos tempos andava cada vez mais arredio, quase não falava com ninguém. Fazia espantosas burlas de todo mundo, por tudo puxava uma briga, [...]

Barandão o olhou assustado. Depois, Sem-Pernas falou para todos, apontando Almiro com o dedo:

– Ninguém aqui vai ficar bexiguento só por causa deste fresco.

Todos o olhavam, esperando o que ele diria. Almiro soluçava, as mãos no rosto, encolhido na parede. Sem-pernas falava:

– Ele vai sair daqui agorinha mesmo. Vai se meter em qualquer canto da rua até que os mata-cachorro da saúde pegue ele e leve pro lazareto.

– Não. Não – rugiu Almiro.

AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Na linguagem informal de “Sem-Pernas”, o termo “agorinha”, em “– Ele vai sair daqui agorinha mesmo”, embora apresente um sufixo próprio do grau do substantivo, possibilita entender, pelo contexto, que essa construção de advérbio conota uma ideia

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Texto IV

Astúcia de caçador

Os sabiás são assim: você não pode caçar um sabiá crescido, porque ele nunca se acostuma na gaiola, ele vai definhando, fica tão triste que nem canta mais, e morre, você também não pode caçar os sabiás filhotes porque eles igualmente morrem quando ficam longe da mãe, então o que o papai fazia era caçar toda a ninhada com ninho e tudo, e caçava a mãe, ele punha a ninhada e o ninho dentro de uma gaiola, a mãe ele deixava solta depois que ela aprendia a encontrar os filhotes no ninho, a mãe vinha trazer as minhocas e as sementes para os filhotes no ninho e papai abria a porta da gaiola, a mãe alimentava os filhotes e ia voar, voltava depois, assim as coisas iam se passando, até que um dia os filhotes ficavam grandes, acostumados com a gaiola, e papai separava os filhotes, levava-os para lugares onde a mãe não os encontrava mais, e a mãe ficava triste, definhava, até morrer. Ele era capaz de palmilhar léguas e léguas para negociar um sabiá por sessenta milréis, porque ouvira falar que tinha um assobio diferente, e estava sempre barganhando gaiolas e pios.

MIRANDA, A. Dias e Dias. São Paulo: Cia das Letras, 2002.

Infere-se da expressão “barganhando”, no texto IV, ao final do parágrafo, que o pai caçador negociava

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A charge apresenta uma crítica severa à falta de liberdade do ser humano.

Há relação temática, sobretudo, evidenciada na sequência do segundo ao quarto quadrinhos com o seguinte trecho do conto A Escrava:

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Leia o texto a seguir para responder aquestão.

CARTA PRAS ICAMIABAS

Ás mui queridas súbditas nossas, Senhoras Amazonas.

Trinta de Maio de Mil Novecentos e Vinte e Seis,

São Paulo.

Senhoras:

Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saùdade e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo – a maior do universo, no dizer de seus prolixos habitantes – não sois conhecidas por “icamiabas”, voz espúria, sinão que pelo apelativo de Amazonas; e de vós, se afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois chamadas [...]

Nem cinco sóis eram passados que de vós nos partíramos, quando a mais temerosa desdita pesou sobre Nós. Por uma bela noite dos idos de maio do ano translato, perdíamos a muiraquitã; que outrém grafara muraquitã, e, alguns doutos, ciosos de etimologias esdrúxulas, ortografam muyrakitan e até mesmo muraqué-itã, não sorriais! Haveis de saber que esse vocábulo, tão familiar às vossas trompas de Eustáquio, é quasi desconhecido por aqui. [...] Mas não nos sobra já vagar para discretearmos “sub tegmine fagi” sobre a língua portuguesa, também chamada lusitana. [...]

Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018.

Há efeito de estranhamento para o leitor, porque a escrita difere da língua padrão atual, nas seguintes palavras:

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Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, é um ser que alegoricamente traz em si ambiguidades, ironias e diversas marcas como um mosaico da cultura original do Brasil.

Há correspondência entre o fragmento do texto e o sentimento expresso pela palavra dos parênteses em:

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TEXTO

BISPO

Vamos deixar de brincadeiras! O senhor sabe perfeitamente a que estou me referindo. Por que chamou
a mulher dele de cachorra?

[...]

PADRE

Não chamei, Senhor Bispo!

Bispo

Chamou, Padre João!

PADRE

Não chamei, Senhor Bispo!

Bispo

(elevando a voz)

Chamou, Padre João!

PADRE

resignado

Chamei, Senhor Bispo!

Bispo

Afinal, chamou ou não chamou?

PADRE

Não chamei, mas se Vossa Reverendíssima diz que eu chamei é porque sabe mais do que eu!

Fonte: SUASSUNA, A. Auto da Compadecida. 36. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.

No texto, o tratamento cerimonioso empregado pelo Padre, ao se referir ao Bispo, muda de Senhor para Vossa Reverendíssima.

Essa mudança ocorre em função de uma relação hierárquica de poder que, no contexto,

PortuguêsUEMA2020

Este é um outro trecho do poema Evocação do Recife.

“[...]
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!

À distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão

(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
[...]”

BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013.

Sinestesia é a figura de linguagem que associa sensações percebidas por diferentes sentidos.

Essa figura está presente no seguinte verso: