Leia o poema de Paulo Henriques Britto para responder à questão.
Nada nas mãos nem na cabeça, nada
no estômago além da sensação vazia
de haver ultrapassado toda sensação.
É em estado assim que se descobre a verdade,
que se cometem os grandes crimes, os gestos
mais sublimes, ou então não se faz nada.
É como as cobras. As mais silenciosas,
de corpo mais esguio, de cor esmaecida,
destilam o veneno mais perfeito.
Assim também os poemas. Os mais contidos
e lisos, os que menos coisa dizem,
destilam o veneno mais perfeito.
O prefixo empregado na formação da palavra “ultrapassado” significa
Leia o texto de Sabrina Craide para responder à questão.
Lançado ao espaço satélite brasileiro que será usado para comunicações e defesa
Foi lançado ao espaço o primeiro satélite geoestacionário1 brasileiro para defesa e comunicações estratégicas. O lançamento foi feito do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa.
Com 5,8 toneladas e 5 metros de altura, o satélite brasileiro ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo todo o território brasileiro e o Oceano Atlântico. A capacidade de operação do satélite é de 18 anos.
O projeto é uma parceria entre os ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, e envolve investimentos de R$ 2,7 bilhões. O equipamento será utilizado para comunicações estratégicas do governo e para ampliar a oferta de banda larga no país, especialmente em áreas remotas.
(http://agenciabrasil.ebc.com.br, 04.05.2017. Adaptado.)1geoestacionário: relativo ao satélite que gira à mesma velocidade da rotação da Terra e acompanha a órbita do Equador.
O objetivo do lançamento do satélite brasileiro ao espaço é explicitado no seguinte trecho:
O Novo Acordo Ortográfico faz a seguinte distinção: são acentuados os ditongos abertos em palavras oxítonas, mas não nas paroxítonas. Exemplificam tal distinção e estão corretamente acentuadas as palavras:
Leia o excerto para responder à questão.
O arqueólogo recolhe, classifica e compara as ferramentas e armas de nossos ancestrais e predecessores, examina as casas que construíram, os campos que cultivaram, o alimento que comiam (ou, antes, que jogavam fora). São esses os instrumentos e ferramentas da produção característicos dos sistemas econômicos que nenhum documento escrito descreve.
(Vere Gordon Childe. A evolução cultural do homem, 1966.)
O excerto alude à pesquisa sobre sociedades remotas, o que permite o estudo
As acapuranas e o rio
As acapuranas, que árvores solenes!,
aqui de frente de casa
na beirinha do Andirá,
ficam indisfarçadamente desgostosas
quando as águas da cheia começam a subir
pelos seus troncos centenários,
mas muito bem conservados e roliços.
Encolhem as suas favas,
os galhos pendem cabisbaixos.
Elas são quatro, mas de tão juntinhas,
quem vê de longe pensa que é uma só.
Já escutei quando a maior delas
disse para um banzeiro emproado:
Pode bater, que daqui a gente não sai.
Ontem eu quis a sesta à sombra delas,
o rio ficou longe na vazante.
A nossa amizade de vinte anos
me pede a verdade: elas estão
com faceirices de moça no verão.
Aconchegaram a minha fadiga
de tantas páginas defronte das águas.
Mas quando abri devagarinho os olhos,
me espantei, depois sorri, ao ver
as folhas delas dançando e chamando
o rio para subir, vir mais para pertinho,
lamber devagar os seus troncos,
porque tinham delícias para dar.
(Thiago de Mello. Campo de milagres, 1998.)O eu lírico apresenta as acapuranas como árvores
O enunciado escrito de acordo com as regras de concordância da norma-padrão da língua portuguesa é:
Para a biodiversidade, a floresta é boa inteira e não em pedaços
Sobrevoar áreas de produção agropecuária revela, em diversas regiões do país, uma colcha de retalhos: são grandes trechos de lavouras e pastos entrecortados aqui e ali por porções de florestas, que toda propriedade rural deve manter – as reservas legais –, mais as áreas de preservação permanente, que protegem corpos d’água e topos de morro.
O efeito prático desse modelo de ocupação da terra é a chamada fragmentação, quando as porções de florestas não se conectam. Esse é um dos mais graves choques impostos aos ambientes naturais, que tendem a ter sua riqueza diminuída ou até eventualmente eliminada.
Mais do que o impacto visual, a fragmentação prejudica a vida de animais e de plantas, impedindo o fluxo gênico entre as espécies, a oferta de água, ao não proteger os cursos por inteiro, a regulação do clima e outros serviços oferecidos gratuitamente por áreas conservadas.
O novo Código Florestal, em vigor desde 2012, abre excelentes oportunidades para mudanças nesse cenário. Bastaria que, na validação dos Cadastros Ambientais Rurais obrigatórios de propriedades e de posses rurais, fosse estimulada a recuperação e a união desses fragmentos de florestas, entre si e entre Parques Nacionais, terras indígenas e quilombolas, áreas militares e outras áreas protegidas.
A formação dessas “rodovias verdes” ajudaria na preservação da biodiversidade; além disso, ampliaria a oferta de água, beneficiando a produção no campo e melhorando a vida das pessoas.
(Aldem Bourscheit. http://epoca.globo.com. Adaptado.)O enunciado escrito de acordo com as regras de concordância da norma-padrão da língua portuguesa é:
Considere a charge de Fortuna:
O efeito de humor decorre da ideia de que
Considere o cartum:
O cartum
Leia o trecho de O quinze, de Rachel de Queiroz (1910-2003), para responder à questão.
Todos os anos, nas férias da escola, Conceição vinha passar uns meses com a avó (que a criara desde que lhe morrera a mãe), no Logradouro, a velha fazenda da família, perto do Quixadá.
Ali tinha a moça o seu quarto, os seus livros, e, principalmente, o velho coração amigo de Mãe Nácia. Chegava sempre cansada, emagrecida pelos dez meses de professorado; e voltava mais gorda com o leite ingerido à força, reposta de corpo e espírito graças ao carinho cuidadoso da avó.
Conceição tinha vinte e dois anos e não falava em casar. As suas poucas tentativas de namoro tinham-se ido embora com os dezoito anos e o tempo de normalista; dizia alegremente que nascera solteirona. Ouvindo isso, a avó encolhia os ombros e sentenciava que mulher que não casa é um aleijão...
– Esta menina tem umas ideias!
Estaria com razão a avó? Porque, de fato, Conceição talvez tivesse umas ideias; escrevia um livro sobre pedagogia, rabiscara dois sonetos, e às vezes lhe acontecia citar o Nordau ou o Renan da biblioteca do avô.
Chegara até a se arriscar em leituras socialistas, e justamente dessas leituras é que lhe saíam as piores das tais ideias, estranhas e absurdas à avó.
Acostumada a pensar por si, a viver isolada, criara para seu uso ideias e preconceitos próprios, às vezes largos, às vezes ousados, e que pecavam principalmente pela excessiva marca de casa.
(O quinze, 2013.)
O advérbio “ali”, que inicia o segundo parágrafo, refere-se a