Leia o poema de Álvares de Azevedo para responder à questão.
Adeus, meus sonhos!
Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
Misérrimo! votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto...
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
Que me resta, meu Deus?!... morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!
No último verso do poema, o adjetivo “murchas” equivale a
Leia o trecho de O quinze, de Rachel de Queiroz (1910-2003), para responder à questão.
Todos os anos, nas férias da escola, Conceição vinha passar uns meses com a avó (que a criara desde que lhe morrera a mãe), no Logradouro, a velha fazenda da família, perto do Quixadá.
Ali tinha a moça o seu quarto, os seus livros, e, principalmente, o velho coração amigo de Mãe Nácia. Chegava sempre cansada, emagrecida pelos dez meses de professorado; e voltava mais gorda com o leite ingerido à força, reposta de corpo e espírito graças ao carinho cuidadoso da avó.
Conceição tinha vinte e dois anos e não falava em casar. As suas poucas tentativas de namoro tinham-se ido embora com os dezoito anos e o tempo de normalista; dizia alegremente que nascera solteirona. Ouvindo isso, a avó encolhia os ombros e sentenciava que mulher que não casa é um aleijão...
– Esta menina tem umas ideias!
Estaria com razão a avó? Porque, de fato, Conceição talvez tivesse umas ideias; escrevia um livro sobre pedagogia, rabiscara dois sonetos, e às vezes lhe acontecia citar o Nordau ou o Renan da biblioteca do avô.
Chegara até a se arriscar em leituras socialistas, e justamente dessas leituras é que lhe saíam as piores das tais ideias, estranhas e absurdas à avó.
Acostumada a pensar por si, a viver isolada, criara para seu uso ideias e preconceitos próprios, às vezes largos, às vezes ousados, e que pecavam principalmente pela excessiva marca de casa.
(O quinze, 2013.)
No trecho, a personagem Conceição é caracterizada como
Geografia
O rio Amazonas, como rio de planície, possui uma correnteza vagarosa e cria sinuosas trajetórias. É a maior bacia hidrográfica do mundo e a única que não legou nenhuma civilização importante para a história da humanidade. Dizem que o Amazonas não é um rio, é uma gafe geológica.
(Galvez, Imperador do Acre, 2001.)No trecho transcrito, há o predomínio da
A tecnologia para que possamos interferir de modo direto e decisivo sobre o que antigamente se chamava “grande cadeia do ser” já está disponível. Com uma técnica que permite editar o DNA, já é possível modificar um mosquito fazendo, por exemplo, com que ele produza somente gametas do sexo masculino e transmita tal característica aos descendentes. Assim, se indivíduos alterados forem liberados numa população, é questão de tempo até que ela encontre a extinção por ausência de fêmeas. Se esse mosquito for o Anopheles gambiae, principal responsável pela transmissão da malária na África, estaremos poupando centenas de milhares de bebês a cada ano.
Entretanto, é arriscado interferir em ecossistemas. Qual o impacto da extinção desse mosquito na cadeia alimentar? O nicho ecológico por ele ocupado não seria tomado por outra espécie? Que garantia temos de que o parasita da malária não se adaptaria ao próximo mosquito?
Não devemos renunciar a moldar o mundo para nossa conveniência – o que já fazemos há milhares de anos –, mas é importante providenciar antes protocolos de segurança que reduzam a chance de nos tornarmos vítimas do muito que não sabemos.
(Folha de S.Paulo, 19.10.2016. Adaptado.)No texto, o autor
Leia o fragmento do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, para responder a questão.
Deu estalos com os dedos. A cachorra Baleia, aos saltos, veio lamber-lhe as mãos grossas e cabeludas. Fabiano recebeu a carícia, enterneceu-se:
— Você é um bicho, Baleia.
Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos — exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.
Uma das crianças aproximou-se, perguntou-lhe qualquer coisa. Fabiano parou, franziu a testa, esperou de boca aberta a repetição da pergunta. Não percebendo o que o filho desejava, repreendeu-o. O menino estava ficando muito curioso, muito enxerido. Se continuasse assim, metido com o que não era da conta dele, como iria acabar? Repeliu-o, vexado: — Esses capetas têm ideias...
Não completou o pensamento, mas achou que aquilo estava errado. Tentou recordar o seu tempo de infância, viu- -se miúdo, enfezado, a camisinha encardida e rota, acompanhando o pai no serviço do campo, interrogando-o debalde. Chamou os filhos, falou de coisas imediatas, procurou interessá-los. Bateu palmas:
— Ecô! ecô!
A cachorra Baleia saiu correndo entre os alastrados e quipás, farejando a novilha raposa. Depois de alguns minutos voltou desanimada, triste, o rabo murcho. Fabiano consolou-a, afagou-a. Queria apenas dar um ensinamento aos meninos. Era bom eles saberem que deviam proceder assim.
(Vidas secas, 2013.)No terceiro parágrafo, a ideia expressa por “exclamações, onomatopeias” corresponde
Para a biodiversidade, a floresta é boa inteira e não em pedaços
Sobrevoar áreas de produção agropecuária revela, em diversas regiões do país, uma colcha de retalhos: são grandes trechos de lavouras e pastos entrecortados aqui e ali por porções de florestas, que toda propriedade rural deve manter – as reservas legais –, mais as áreas de preservação permanente, que protegem corpos d’água e topos de morro.
O efeito prático desse modelo de ocupação da terra é a chamada fragmentação, quando as porções de florestas não se conectam. Esse é um dos mais graves choques impostos aos ambientes naturais, que tendem a ter sua riqueza diminuída ou até eventualmente eliminada.
Mais do que o impacto visual, a fragmentação prejudica a vida de animais e de plantas, impedindo o fluxo gênico entre as espécies, a oferta de água, ao não proteger os cursos por inteiro, a regulação do clima e outros serviços oferecidos gratuitamente por áreas conservadas.
O novo Código Florestal, em vigor desde 2012, abre excelentes oportunidades para mudanças nesse cenário. Bastaria que, na validação dos Cadastros Ambientais Rurais obrigatórios de propriedades e de posses rurais, fosse estimulada a recuperação e a união desses fragmentos de florestas, entre si e entre Parques Nacionais, terras indígenas e quilombolas, áreas militares e outras áreas protegidas.
A formação dessas “rodovias verdes” ajudaria na preservação da biodiversidade; além disso, ampliaria a oferta de água, beneficiando a produção no campo e melhorando a vida das pessoas.
(Aldem Bourscheit. http://epoca.globo.com. Adaptado.)No primeiro, no segundo e no terceiro parágrafo há, respectivamente,
Leia a estrofe inicial de um poema de José de Anchieta (1534-1597) para responder à questão.
Não há cousa segura;
Tudo quanto se vê, se vai passando;
A vida não tem dura;
O bem se vai gastando,
E toda criatura vai voando.
(Sérgio Buarque de Holanda (org.). Antologia dos poetas brasileiros da fase colonial, 1979.)
No primeiro verso, o termo “cousa segura” exerce a função de
Leia os versos do poema “Os estatutos do homem”, de Thiago de Mello, para responder à questão.
Artigo 12
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
Tudo será permitido,
sobretudo brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
No poema, expressam uma regra geral e um exemplo dessa regra, respectivamente,
Onde eu cresci, no Bairro Benfica, em Benguela, havia homens de todas as línguas, sofrendo as mesmas amarguras. O primeiro bando a que pertenci tinha mesmo meninos brancos, e tinha miúdos nascidos de pai umbundo, tchokue, kimbundo, fiote, kuanhama. […] Qual é a minha língua, eu, que não dizia uma frase sem empregar palavras de línguas diferentes? E agora, que utilizo para falar com os camaradas, para deles ser compreendido? O português. A que tribo angolana pertence a língua portuguesa?
(Pepetela. Mayombe, 2013.)O romance Mayombe foi escrito entre 1970 e 1971, durante a participação de seu autor na guerra de libertação de Angola.
No excerto, um personagem guerrilheiro
Considere o poema de Augusto Massi para responder à questão.
Homem rindo
A roda de amigos
sacudida por uma
rajada de risos.
Me concentro num
homem tímido que
sorri por dentro.
Deslocado na roda
rapidamente corta
o riso pela raiz.
Mas o riso retorna.
Coceira furiosa nos
orifícios do nariz.
Bebe graça no gargalo
rola rala racha o bico
ri até ficar sem graça.
A rodada de amigos
explode às gargalhadas:
o tímido é sua cachaça.
No contexto do poema, o sentido expresso pelo último verso é: