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PortuguêsUEL2018

[1] O velho adormeceu, a mulher sentou-se à porta. Na sombra do seu descanso viu o sol vazar, lento rei

das luzes. Pensou no dia e riu-se dos contrários: ela, cujo nascimento faltara nas datas, tinha já o seu fim

marcado. Quando a lua começou a acender as árvores do mato ela inclinou-se e adormeceu. Sonhou dali

para muito longe: vieram os filhos, os mortos e os vivos, a machamba encheu-se de produtos, os olhos a

[5] escorregarem no verde. O velho estava no centro, gravatado, contando as histórias, mentira quase todas.

Estavam ali os todos, os filhos e os netos. Estava ali a vida a continuar-se, grávida de promessas. Naquela

roda feliz, todos acreditavam na verdade dos velhos, todos tinham sempre razão, nenhuma mãe abria a sua

carne para a morte. Os ruídos da manhã foram-na chamando para fora de si, ela negando abandonar aquele

sonho, pediu com tanta devoção como pedira à vida que não lhe roubasse os filhos.

[10] Procurou na penumbra o braço do marido para acrescentar força naquela tremura que sentia. Quando a

sua mão encontrou o corpo do companheiro viu que estava frio, tão frio que parecia que, desta vez, ele

adormecera longe dessa fogueira que ninguém nunca acendera.

(Adaptado de: COUTO, Mia. A fogueira. In: Vozes anoitecidas. São Paulo, Companhia das Letras, 2013. p. 25).

Acerca das figuras de linguagem usadas no trecho, assinale a alternativa correta.

PortuguêsUENP2017

Leia o excerto a seguir

BISAZINHA

Minha avozinha,

tão franzidinha,

quem te secou?

Foi o vento, meu netinho,

foi o vento que ventou.

(BANDEIRA, P. Cavalgando o arco-íris. 17. ed. São Paulo: Moderna, 1991.)

Quanto ao recurso estilístico empregado no verso “Foi o vento que ventou”, assinale a alternativa correta.

PortuguêsUENP2016

Rataplã é o gato siamês. Olho todo azul. Magro de tão libidinoso. Pior que um piá de mão no bolso.

Vive no colo, se esfrega e ronrona.

– Você não acredita. Se eu ralho, sai lágrima azul daquele olho. Hora de sua volta do colégio, ele trepa na cadeira e salta na janela. Ali à espera, batendo o rabinho na vidraça. Doente incurável. O veterinário propõe sacrificá-lo. A moça deita-o no colo. Ela mesma enfia a agulha na patinha. E ficam se olhando até o último suspiro nos seus braços. Nem quando o pai se foi ela sentiu tanto.

(TREVISAN, D. Ah, é?: ministórias. Rio de Janeiro: Record, 1994. p.28.)

No texto, alguns elementos linguísticos fazem a retomada de um termo já citado, é o caso do pronome “o” em “O veterinário propõe sacrificá-lo” e “A moça deita-o no colo”; e dos pronomes “se” e “seus” em “E ficam se olhando até o último suspiro nos seus braços”.

Quais os referentes dos elementos linguísticos sublinhados, respectivamente?

PortuguêsUENP2016

Irene no céu

Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:

– Licença, meu branco!

E São Pedro bonachão:

– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

(BANDEIRA, M. Libertinagem e Estrela da Manhã: Irene no céu. Rio de Janeiro: MEDIA Fashion, [1936] 2008.)

Por meio de qual verso do poema é possível inferir que Irene é respeitosa e submissa?

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Irene no céu

Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:

– Licença, meu branco!

E São Pedro bonachão:

– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

(BANDEIRA, M. Libertinagem e Estrela da Manhã: Irene no céu. Rio de Janeiro: MEDIA Fashion, [1936] 2008.)

O verso: “– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença”, retrata uma

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Nova reforma?

Mal se implantam as regras do recente acordo ortográfico entre países lusófonos e já surge um movimento para fazer outra reforma, que simplificaria a ortografia. Ela seria mais uniforme (por exemplo, prescreve escrita uniforme para o fonema /s/, que sempre seria grafado com a letra ‘s’, o que resultaria em escritas como ‘sesta’ para as atuais ‘sexta’ / ‘cesta’ / ‘sesta’); e seriam eliminadas algumas “contradições” (‘estender’ e ‘extensão’, por exemplo).

Ora, qualquer análise da escrita popular e da produzida nos primeiros anos de escola mostra que os erros de grafia se dividem em diversos tipos: a) erros como escrever ‘casa’ e ‘exemplo’ com ‘z’, ‘caça’ com ‘ss’, ‘jeito’ com ‘g’ etc.; b) erros ligados à pronúncia variável (‘mininu’ (= menino), ‘curuja’ (= coruja), ‘anzou’ (= anzol), sem contar a famosa troca entre ‘mal’ e ‘mau’); c) juntar palavras separadas (‘serhumano’, com ou sem ‘h’) e separar palavras (‘ante posto’); d) acrescentar (‘apito’ = apto) ou tirar (‘habto’ = hábito) letras; e) eliminar ditongos (‘vassora’, ‘otro’, ‘pexe’) ou criá-los (‘professoura’, ‘bandeija’) etc.

Ou seja: uniformizar a grafia com base em análise fonológica não resolve o problema que se pretende resolver, porque se parte de duas hipóteses sem nenhum fundamento: a) que todos os falantes adotam a mesma pronúncia; b) que o único problema é a relação letra/fonema. Ora, como os poucos exemplos mostram, os problemas são mais numerosos e nenhuma reforma pode resolvê-los. Se projetos de reforma como o que tramita em Comissão do Senado forem levados adiante, pouquíssimos problemas de escrita que se encontram na escola e nas ruas serão solucionados. Simplesmente porque suas principais causas – a diversidade de pronúncias e as hipóteses dos escreventes – não podem ser controladas por lei.

Se a solução é óbvia, os caminhos para chegar a ela são conhecidos dos especialistas. Mas, infelizmente, são completamente desconhecidos não só pela “sociedade”, mas mesmo por representantes das letras de alto gabarito.

(Adaptado de: POSSENTI, S. O verdadeiro problema ortográfico. Ciência Hoje Virtual. 25 jul. 2014. Coluna Palavreado. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/o-verdadeiro-problema-ortografico>. Acesso em: 28 set. 2015.)

No último parágrafo do texto, a palavra “sociedade” encontra-se entre aspas para indicar

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Rataplã é o gato siamês. Olho todo azul. Magro de tão libidinoso. Pior que um piá de mão no bolso.

Vive no colo, se esfrega e ronrona.

– Você não acredita. Se eu ralho, sai lágrima azul daquele olho. Hora de sua volta do colégio, ele trepa na cadeira e salta na janela. Ali à espera, batendo o rabinho na vidraça. Doente incurável. O veterinário propõe sacrificá-lo. A moça deita-o no colo. Ela mesma enfia a agulha na patinha. E ficam se olhando até o último suspiro nos seus braços. Nem quando o pai se foi ela sentiu tanto.

(TREVISAN, D. Ah, é?: ministórias. Rio de Janeiro: Record, 1994. p.28.)

No texto, que termos poderiam substituir, respectivamente, “libidinoso”, “piá”, “ralho” e “trepa”, sem prejuízo de sentido?

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Irene no céu

Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:

– Licença, meu branco!

E São Pedro bonachão:

– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

(BANDEIRA, M. Libertinagem e Estrela da Manhã: Irene no céu. Rio de Janeiro: MEDIA Fashion, [1936] 2008.)

No poema, a palavra “bonachão”

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Leia a tirinha a seguir

Entre os termos “cestas” e “sextas”, é correto afirmar que ocorre:

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Leia o excerto a seguir

BISAZINHA

Minha avozinha,

tão franzidinha,

quem te secou?

Foi o vento, meu netinho,

foi o vento que ventou.

(BANDEIRA, P. Cavalgando o arco-íris. 17. ed. São Paulo: Moderna, 1991.)

Em relação ao emprego dos diminutivos, assinale a alternativa correta.