[1] O velho adormeceu, a mulher sentou-se à porta. Na sombra do seu descanso viu o sol vazar, lento rei
das luzes. Pensou no dia e riu-se dos contrários: ela, cujo nascimento faltara nas datas, tinha já o seu fim
marcado. Quando a lua começou a acender as árvores do mato ela inclinou-se e adormeceu. Sonhou dali
para muito longe: vieram os filhos, os mortos e os vivos, a machamba encheu-se de produtos, os olhos a
[5] escorregarem no verde. O velho estava no centro, gravatado, contando as histórias, mentira quase todas.
Estavam ali os todos, os filhos e os netos. Estava ali a vida a continuar-se, grávida de promessas. Naquela
roda feliz, todos acreditavam na verdade dos velhos, todos tinham sempre razão, nenhuma mãe abria a sua
carne para a morte. Os ruídos da manhã foram-na chamando para fora de si, ela negando abandonar aquele
sonho, pediu com tanta devoção como pedira à vida que não lhe roubasse os filhos.
[10] Procurou na penumbra o braço do marido para acrescentar força naquela tremura que sentia. Quando a
sua mão encontrou o corpo do companheiro viu que estava frio, tão frio que parecia que, desta vez, ele
adormecera longe dessa fogueira que ninguém nunca acendera.
(Adaptado de: COUTO, Mia. A fogueira. In: Vozes anoitecidas. São Paulo, Companhia das Letras, 2013. p. 25).Acerca das figuras de linguagem usadas no trecho, assinale a alternativa correta.
Leia o excerto a seguir
BISAZINHA
Minha avozinha,
tão franzidinha,
quem te secou?
Foi o vento, meu netinho,
foi o vento que ventou.
(BANDEIRA, P. Cavalgando o arco-íris. 17. ed. São Paulo: Moderna, 1991.)Quanto ao recurso estilístico empregado no verso “Foi o vento que ventou”, assinale a alternativa correta.
Rataplã é o gato siamês. Olho todo azul. Magro de tão libidinoso. Pior que um piá de mão no bolso.
Vive no colo, se esfrega e ronrona.
– Você não acredita. Se eu ralho, sai lágrima azul daquele olho. Hora de sua volta do colégio, ele trepa na cadeira e salta na janela. Ali à espera, batendo o rabinho na vidraça. Doente incurável. O veterinário propõe sacrificá-lo. A moça deita-o no colo. Ela mesma enfia a agulha na patinha. E ficam se olhando até o último suspiro nos seus braços. Nem quando o pai se foi ela sentiu tanto.
(TREVISAN, D. Ah, é?: ministórias. Rio de Janeiro: Record, 1994. p.28.)
No texto, alguns elementos linguísticos fazem a retomada de um termo já citado, é o caso do pronome “o” em “O veterinário propõe sacrificá-lo” e “A moça deita-o no colo”; e dos pronomes “se” e “seus” em “E ficam se olhando até o último suspiro nos seus braços”.
Quais os referentes dos elementos linguísticos sublinhados, respectivamente?
Irene no céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
– Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
(BANDEIRA, M. Libertinagem e Estrela da Manhã: Irene no céu. Rio de Janeiro: MEDIA Fashion, [1936] 2008.)
Por meio de qual verso do poema é possível inferir que Irene é respeitosa e submissa?
Irene no céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
– Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
(BANDEIRA, M. Libertinagem e Estrela da Manhã: Irene no céu. Rio de Janeiro: MEDIA Fashion, [1936] 2008.)
O verso: “– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença”, retrata uma
Nova reforma?
Mal se implantam as regras do recente acordo ortográfico entre países lusófonos e já surge um movimento para fazer outra reforma, que simplificaria a ortografia. Ela seria mais uniforme (por exemplo, prescreve escrita uniforme para o fonema /s/, que sempre seria grafado com a letra ‘s’, o que resultaria em escritas como ‘sesta’ para as atuais ‘sexta’ / ‘cesta’ / ‘sesta’); e seriam eliminadas algumas “contradições” (‘estender’ e ‘extensão’, por exemplo).
Ora, qualquer análise da escrita popular e da produzida nos primeiros anos de escola mostra que os erros de grafia se dividem em diversos tipos: a) erros como escrever ‘casa’ e ‘exemplo’ com ‘z’, ‘caça’ com ‘ss’, ‘jeito’ com ‘g’ etc.; b) erros ligados à pronúncia variável (‘mininu’ (= menino), ‘curuja’ (= coruja), ‘anzou’ (= anzol), sem contar a famosa troca entre ‘mal’ e ‘mau’); c) juntar palavras separadas (‘serhumano’, com ou sem ‘h’) e separar palavras (‘ante posto’); d) acrescentar (‘apito’ = apto) ou tirar (‘habto’ = hábito) letras; e) eliminar ditongos (‘vassora’, ‘otro’, ‘pexe’) ou criá-los (‘professoura’, ‘bandeija’) etc.
Ou seja: uniformizar a grafia com base em análise fonológica não resolve o problema que se pretende resolver, porque se parte de duas hipóteses sem nenhum fundamento: a) que todos os falantes adotam a mesma pronúncia; b) que o único problema é a relação letra/fonema. Ora, como os poucos exemplos mostram, os problemas são mais numerosos e nenhuma reforma pode resolvê-los. Se projetos de reforma como o que tramita em Comissão do Senado forem levados adiante, pouquíssimos problemas de escrita que se encontram na escola e nas ruas serão solucionados. Simplesmente porque suas principais causas – a diversidade de pronúncias e as hipóteses dos escreventes – não podem ser controladas por lei.
Se a solução é óbvia, os caminhos para chegar a ela são conhecidos dos especialistas. Mas, infelizmente, são completamente desconhecidos não só pela “sociedade”, mas mesmo por representantes das letras de alto gabarito.
(Adaptado de: POSSENTI, S. O verdadeiro problema ortográfico. Ciência Hoje Virtual. 25 jul. 2014. Coluna Palavreado. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/o-verdadeiro-problema-ortografico>. Acesso em: 28 set. 2015.)
No último parágrafo do texto, a palavra “sociedade” encontra-se entre aspas para indicar
Rataplã é o gato siamês. Olho todo azul. Magro de tão libidinoso. Pior que um piá de mão no bolso.
Vive no colo, se esfrega e ronrona.
– Você não acredita. Se eu ralho, sai lágrima azul daquele olho. Hora de sua volta do colégio, ele trepa na cadeira e salta na janela. Ali à espera, batendo o rabinho na vidraça. Doente incurável. O veterinário propõe sacrificá-lo. A moça deita-o no colo. Ela mesma enfia a agulha na patinha. E ficam se olhando até o último suspiro nos seus braços. Nem quando o pai se foi ela sentiu tanto.
(TREVISAN, D. Ah, é?: ministórias. Rio de Janeiro: Record, 1994. p.28.)
No texto, que termos poderiam substituir, respectivamente, “libidinoso”, “piá”, “ralho” e “trepa”, sem prejuízo de sentido?
Irene no céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
– Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
(BANDEIRA, M. Libertinagem e Estrela da Manhã: Irene no céu. Rio de Janeiro: MEDIA Fashion, [1936] 2008.)
No poema, a palavra “bonachão”
Leia a tirinha a seguir
Entre os termos “cestas” e “sextas”, é correto afirmar que ocorre:
Leia o excerto a seguir
BISAZINHA
Minha avozinha,
tão franzidinha,
quem te secou?
Foi o vento, meu netinho,
foi o vento que ventou.
(BANDEIRA, P. Cavalgando o arco-íris. 17. ed. São Paulo: Moderna, 1991.)Em relação ao emprego dos diminutivos, assinale a alternativa correta.