Vozes D'África
Castro AlvesDeus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...
[...]
Vi a ciência desertar do Egito...
Vi meu povo seguir — Judeu maldito —
Trilho de perdição.
Depois vi minha prole desgraçada
Pelas garras d'Europa — arrebatada —
Amestrado falcão! ...
Cristo! embalde morreste sobre um monte
Teu sangue não lavou de minha fronte
A mancha original.
Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos — alimária do universo,
Eu — pasto universal...
Hoje em meu sangue a América se nutre
Condor que se transformara em abutre,
Ave da escravidão,
Ela juntou-se às mais... irmã traidora
Qual de José os vis irmãos outrora
Venderam seu irmão.
[...]
Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço
Perdão p'ra os crimes meus!
Há dois mil anos eu soluço um grito...
Escuta o brado meu lá no infinito,
Meu Deus! Senhor, meu Deus!!
Os versos que apresentam a condição de escravo do negro africano são:
TEXTO:
Desencanto
Manuel Bandeira
Eu faço versos como quem chora
De desalento, de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto
Meu verso é sangue, volúpia ardente
Tristeza esparsa, remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota a gota do coração.
E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
- Eu faço versos como quem morre.
TEXTO:
Autopsicografia
Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
"Fernando Pessoa - Obra Poética", Cia. José Aguilar Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 164.
Os textos evidenciam a seguinte função da linguagem:
Os fatores que importam para Susanita correspondem, na ESTRUTURA DA ORAÇÃO, aos seguintes termos:
O profissional fala
SÉRGIO RODRIGUES
Escritor, jornalista colunista do Jornal Folha de São Paulo
“Para escrever meus textos, me baseio no repertório de leituras e pesquisas que desenvolvi sobre meus principais interesses durante a vida inteira. Acredito que ler variados formatos, autores e temas diferentes é o primeiro passo para escrever bem.
Se você quer desenvolver uma argumentação, é importante entrar em contato com muitos pontos de vista sobre um mesmo tema, até para formar a sua opinião. Sem uma opinião formada e uma ideia clara, não se argumenta com eficiência. O pensamento precisa estar claro para você antes de começar a escrever”. (...)
(Revista Nova Escola – abril/2017)Os dois momentos da fala do profissional correspondem, respectivamente a:
Invasão gringa
Até dezembro de 2015 foram vendidos 603 mil ingressos para as Olimpíadas. Estrangeiros pesam na conta: os americanos são os que mais compraram tíquetes, 88 mil. Os franceses adquiriram 54 mil. Alemães, 42 mil. Australianos, 41 mil. E Japão arremataram 35 mil. Ajudará ainda mais o fim da exigência de visto para turistas dos EUA, Austrália e Japão durante os jogos.
(Istoé – 10.2.2016)Ocorre erro de concordância na informação de compra de ingressos referente:
Eles têm desafio complexo: transformar as ideias de Sócrates, Friedrich Nietzsche e William Shakespeare em pílulas de conhecimento para milhões. Essa é a missão que o professor Clóvis de Barros filho, o historiador Leandro Karnal e o filósofo Mário Sérgio Cortella têm cumprido com bom humor e ironia, despertando o interesse de pessoas em todo o País. Em projetos conjuntos, ou separados, eles lançam livros e lotam auditórios com palestras sobre ética, religiosidade, felicidade e morte. Atualmente, são os mais requisitados pensadores para democratizar o conhecimento filosófico, antes restrito a uma parcela da população e agora abordado com graça e ousadia até mesmo nas redes sociais.
(...)
Mas o que os três pensadores têm em comum?
Clóvis, Karnal e Cortella saíram das salas de aula das universidades para falar para públicos cada vez maiores sem a ajuda de grandes aparatos tecnológicos. A habilidade com a palavra e com os gestos os ajuda a traduzir a filosofia clássica para milhões de brasileiros e ainda passear por temas atuais como intolerância, corrupção, gestão do conhecimento e preconceito.
(...)
Para os filósofos, as pessoas precisam ser incentivadas a pensar sobre o mundo em que vivem.
(...)
Fonte: Revista “Istoé” – 5/10/2016O trecho cuja mensagem associa as ideias da primeira e da última frases é:
Quando há alguns meses recebi um convite para participar como voluntário de um teste eu aceitei imediatamente. Trata-se de um estudo sobre possíveis efeitos do ácido linoleico conjugado (CLA) sobre o teor de gordura corporal em homens na minha faixa etária. Depois de uma longa entrevista sobre hábitos alimentares e um exame biométrico, complementado por exames de urina e de sangue, recebi o conjunto de potes 533. Nem eu nem a pesquisadora responsável sabemos se as cápsulas dos potes 533 contêm o tal ácido ou um placebo.
Disponível em: http://ccientifica.blogspot.com.br Acesso em: 13 out. 2015.O texto evidencia que o voluntário:
Pelas abas das serras, quantidades de cavernas — do teto de umas poreja, solta do tempo, a aguinha estilando salobra, minando sem-fim num gotejo, que vira pedra no ar, se endurece e dependura, por toda a vida, que nem renda de torrõezinhos de amêndoa ou fios de estadal, de cera-benta, cera santa, e grossas lágrimas de espermacete; enquanto do chão sobem outras, como crescidos dentes, como que aquelas sejam goelas da terra, com boca para morder.
João Guimarães Rosa, no livro "No Urubuquaquá, no Pinhém" (Corpo de Baile). 9ª ed., Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011.O relevo explicitado no texto apresenta:
A vida
A vida é o resultado
De operações fundamentais.
De unidades, dezenas, centenas
De sonhos realizáveis
E vitórias alcançadas.
A vida é o todo harmonioso
De espírito e matéria.
É a adição perfeita,
Quando se subtrai a dor,
Multiplicando o bem,
E dividindo o amor!
Zoraide Guerra David
O recurso linguístico-literário predominante na construção desse poema denomina-se:
O problema gramatical que constrói o humorismo dessa tirinha é: