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PortuguêsFIP2019

Em uma entrevista, Ferreira Gullar, ao ser perguntado: “Você começou estudando gramática. É preciso isso para escrever bem?, responde: “Não (com ironia). E nem é preciso saber português. É ler os jornais e ver TV para perceber. Outro dia ouvi ‘as quinhentas milhões de pessoas’. Eles não sabem que ‘quinhentos’ é palavra masculina. Confundem ‘este’ com ‘esse’. Esse programa que estão vendo...’. Para eles é tudo a mesma coisa. Ignoram que as palavras têm sentido preciso e, para escrever bem, é preciso saber os significados, as relações entre elas, quais combinam, como convivem. Para isso é preciso ter lido algo”.

Língua Portuguesa.
São Paulo: Segmento, ano 1, n. 5.2006

O escritor Ferreira Gullar:

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Oh Josué, eu nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça
Peguei o balaio, fui à feira roubar tomate e cebola
la passando uma velha, pegou a minha cenoura
Aí, minha velha, deixa a cenoura aqui
Com a barriga vazia não consigo dormir
E com o bucho mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar (...)
Chico Sciens
Fonte: www.letras.mus.br/nação-zumbi. Acesso: 03/05/2016.

O contexto explicitado na letra dessa canção pode ser combatido mediante:

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SÓ (DOIS) MINUTINHOS
Teve um dia cheio? Este fato vai fazer você pensar:
Se a História da Terra fosse condensada em 24 horas,
a vida teria aparecido às 4 da manhã, as plantas terrestres às 22h24.
a extinção dos dinossauros seria às 23h41, e a história humana
começaria às 23h58.
Fonte: huffingtonpost.com
(Revista “SELEÇÕES” – janeiro/2018)

O caráter hipotético do fato proposto é expresso mediante o uso dos seguintes recursos gramaticais:

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Viu a planta num jardim e achou-a interessante. Informou-se do nome dela. Chamava-se hera, hera com h.

O nome soou-lhe igualmente interessante. Tanto que resolveu comprar uma muda da dita cuja para plantar em seu canteiro. Bateu para uma casa do gênero.

Na flora, ao ser atendido, embatucou-se diante da vendedora. Esquecera o nome da planta. Sem graça, teve de fazer o pedido dando as características do vegetal:

– A senhora tem muda de uma planta de jardim, com folhas arredondadas, que aderem à superfície de muros...

A vendedora voava:
– O senhor não tem a menor ideia do nome dela?
Ele puxava pela memória, mas o que lhe vinha era algo inconsciente, esgarçado (...)
– Bem... o nome se parece com foi, vai, fico...
– Já sei. É fícus – sentenciou a vendedora.
Quis irritar-se com a burrice da mulher, mas se conteve lembrando de que mais estúpido é quem vai comprar algo e esquece o nome da mercadoria.
Nisso a vendedora perguntou-lhe:
– Essa planta, por acaso, não era buganvilie?
Ao ouvir a palavra “era”, ocorreu-lhe o nome.
– Hera! Eis o bendito nome.
E a vendedora:
– Então era um buganvilie?
– Não. Era uma hera.
– Ah, meu Deus! Era uma hera.
– Era.
(...)

(João Caetano Canela – “Meu Tempo” – ERA OU NÃO ERA HERA – PP. 43-44)

O autor usou como tema de sua narrativa uma questão linguística envolvendo:

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Quem circulava pelas ruas de Nova Iorque, no começo da década de 70, talvez tenha presenciado uma cena incomum: um respeitável senhor, já beirando os sessenta anos, trajado com muito bom gosto, parar, abaixar-se no meio do burburinho, para catar no chão, com o cuidado de quem pega uma rosa prestes a ruir, uma ponta de cigarro fumado, imunda, uma guimba nojenta. Depois, de posse do ‘troféu’, desaparecia outra vez em meio à multidão.

A cena certamente se repetiu inúmeras vezes, e quem por acaso a presenciou saiba que assistia ao trabalho de um dos maiores fotógrafos de nossos tempos: Irving Penn. As pontas abandonadas, com marcas de dentes e batom, amassadas, pisadas, empoeiradas, semidestruídas, eram levadas com cuidado para o estúdio, para que não se perdesse o eventual fio de cabelo nem os grãos de poeira a elas grudados. Lá, eram fotografados, tendo as imagens muito ampliadas. Imagens exuberantes, ricas, belíssimas! (KUBRUSLY, 1984: 65-7)

(Gramática Houais – J. Carlos de Azeredo – Adaptado)

No texto:

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(...)

Quando amamos de verdade o nosso semelhante, nós nos purificamos e nos tornamos tão puros como recémsaídos do sopro do Criador.

Não conheço a autoria do texto que se segue, mas sem dúvida, ele é verdadeiro.

“A inteligência sem amor te faz prepotente.
A humildade sem amor te faz hipócrita.
A pobreza sem amor te faz orgulhoso.
A justiça sem amor te faz implacável.
A autoridade sem amor te faz tirano.
O trabalho sem amor te faz escravo.
A docilidade sem amor te faz servil.
O êxito sem amor te faz arrogante.
A política sem amor te faz egoísta.
A riqueza sem amor te faz avaro.
A oração sem amor te faz falso.
A lei sem amor te faz perverso.
A beleza sem amor te faz fútil.
A fé sem amor te faz fanático.
A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor não tem sentido.”

Maria Luíza Silveira Teles (presidente da Academia Montes-clarense de Letras)

(Jornal de Notícias – 1,2/5/2016)

No texto reproduzido pela autora, as expressões que se repetem – “sem amor” e “te faz” – transmitem noções, respectivamente, de:

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No bilhete da professora:

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SHOPPING CENTERS

75%

É quanto caiu o lucro líquido dos centros de compra no ano passado, em comparação ao ganho de sete anos atrás, segundo levantamento da consultoria Economatica. O setorlucrou R$246,5 milhões.

(Estado de Minas – 3/5/2016)

Nesse texto há:

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Barcos atracados, pequenas plantações e casas de barro que fazem parte do típico cenário das comunidades ribeirinhas e barranqueiras, e ainda resistem ao tempo, no Norte de Minas. Mas, cada vez mais, elas convivem com o aumento da degradação do rio e seu entorno. O relato faz parte da experiência que teve o professor Cássio Alexandre Silva, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), ao descer o leito do Rio São Francisco por quase 300 quilômetros, durante sete dias, entre julho e agosto.
O resultado da expedição, que percorreu 282 quilômetros entre as cidades de Pirapora e Januária, pode ser visto na exposição “Amigos do Velho Chico: Olhares Atentos, Naturezas das Geograficidades no Sertão dos Gerais Mineiro”, organizada pelo pesquisador. (...)
Nas imagens selecionadas para a exposição, há flagrantes de bombeamentos de água em grande escala para propriedades rurais e agroindústria, corte de lenhas em série, além de grandes bancos de areia e grandes áreas às margens, que deveriam ser de mata ciliar, totalmente desprotegidas ou com árvores e vegetação de pequeno ou, no máximo, médio porte. (...)
“O processo de degradação está cada vez mais acelerado”, revela o professor. (...)
“Fica mais uma vez o alerta de como estamos perdendo o rio aos poucos”, conclui Cássio.
(...)

Novo Jornal de Notícias – 18.9.2019 (com adaptação)

Nessa reportagem:

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O Quereres

Caetano Veloso

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói (...)

www.letras.mus.br

Na letra da música, há o emprego predominante de: