Leia o trecho abaixo para responder à questão.
Esta Ilha de Maré, ou de alegria,
Que é termo da Bahia
Tem quase tudo quanto o Brasil todo,
Que de todo o Brasil é breve apodo;
E se algum tempo Citereia a achara,
Por esta sua Chipre desprezara,
Porém tem com Maria verdadeira
Outra Vênus melhor por padroeira.
Em “Porém tem com Maria verdadeira / Outra Vênus melhor por padroeira”, temos, do ponto de vista gramatical, dentre outras funções:
“Uma vida é tão pouco, penso. Às seis
os teus passos se alastram feito música.
O teu riso é um jazz. O azul em inglês
toma conta do tempo e a nós dois dubla.”
A estrofe aqui transcrita, do poema Clichê número Dois,
I. é um exemplo de função poética da linguagem, contribuindo para isso o emprego de símile (“os teus passos se alastram feito música”) e metáfora (“o teu riso é um jazz”), além de outros recursos poéticos sonoros.
II. enquadra-se predominantemente na função emotiva da linguagem, pois percebe-se a presença do “eu”, emprestando lirismo ao texto, além de uma linguagem carregada de emoção. Contribui ainda para isso o aspecto musical, tanto no emprego de aliterações e assonâncias, quanto em outros aspectos melódicos.
III. configura-se como um misto de função metalinguística e referencial, pois apropria-se da forma poética para referir-se ao sentimento de paixão do emissor pelo receptor da mensagem.
IV. exemplifica muito bem um caso misto de função poética e apelativa, pois, como se sabe, todo poema tem linguagem poética e , além disso, o poeta usa as palavras para comover a amada, apelando para seus sentimentos.
É correto o que se afirma apenas em
A poesia, sabemos, permite-se licenças poéticas que a prosa não literária rejeita. Abaixo seguem versos de Nova Cantada, de Astier Basílio.
“Você é mais bonita que a Estação Ciência
cercada de anoitecer por todos os seus finais,
mais bonita que Pola Oloixarac,
que o Cabo Branco despencando da Praça de
Iemanjá, mais
bonita que o trecho do Grande Sertão
que diz: ‘Diadorim é minha neblina’ ou a cena
que Riobaldo
tenta segurá-la com os olhos”
Em “a cena que Riobaldo tenta...”, o processo de relativização formal, quanto ao emprego do relativo “que”, para uma regência de acordo com a norma culta, exigiria como alternativa correta
I. que o relativo viesse regido da preposição “em”, cujo resultado seria “em que”.
II. que o relativo fosse substituído por “a qual”, regido da preposição “em”, resultando em “na qual”.
III. que o relativo fosse substituído pelo advérbio de lugar “onde”.
IV. que o relativo fosse substituído pelo pronome “cuja”.
É correto o que se afirma apenas em
Na Carta ao Leitor da Veja (23/04/2014), lê-se:
“Há sinais de vida ética e inteligente vindos do inóspito mundo oficial brasileiro. Eles são tênues e quase somem em meio ao alarido de escândalos sucessivos que se abatem sobre a opinião pública. Mas vale a pena aguçar os sensores para detectá-los.”
No trecho acima:
I. São termos que se constituem como articuladores textuais, mantendo a coesão, “Eles”, “que”, “Mas” e “los”.
II. “los” tem o mesmo referente que “Eles”.
III. “los” tem como referente “sensores”.
IV. O verbo haver, na primeira linha, tem sentido existencial.
Das proposições apresentadas podemos concluir que
Na revista Época, nº 801, pág. 15, lê-se:
“Havia muito tempo não se via tanto panda num lugar só. Nada menos que 14 filhotes de panda-gigante foram apresentados na quarta-feira, dia 25, pelo governo chinês, num centro de pesquisa para a reprodução de pandas, na província de Sichuan, no sul do país”.
Com relação ao trecho acima, julgue as proposições abaixo.
I. A forma “havia” poderia ser substituída, em linguagem culta, por “Há”, que é a forma mais corrente quando se usa esse verbo no sentido de tempo passado.
II. Seria melhor usar a forma “Há”, em vez de “Havia”, para evitar a rima interna com “via”.
III. Há erro no emprego da forma “foram apresentados”, no plural, pois o sujeito iniciado por “Nada menos” impõe o singular.
IV. “pelo governo chinês” funciona como agente da passiva com relação à forma verbal “foram apresentados”.
Da análise das proposições, podemos concluir que
Em “A outra nobreza de Bruzundanga, porém, não tem base em cousa alguma”, temos a expressão adversativa deslocada.
A posição da adversativa está correta também em:
I. A outra nobreza, porém, de Bruzundanga, não tem base em cousa alguma.
II. A outra nobreza de Bruzundanga não tem, porém, base em cousa alguma.
III. A outra nobreza de Bruzundanga não tem base, porém, em cousa alguma.
IV. Porém a nobreza de Bruzundanga não tem tem base em cousa alguma.
Conclui-se que estão corretas apenas
Leia a mensagem abaixo:
Se você seguir fielmente o padrão aí sugerido, nunca dirá ( I ), mas, sim ( II ).
Complete as lacunas acima com as expressões adequadas ao contexto e assinale a alternativa que mantém a relação correta:
Observe os conhecidos versos de Vinícius de Moraes (de Soneto da Fidelidade), abaixo:
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Analise as assertivas:
I. Uma figura de estilo que se destaca, entre outras, é o assíndeto, marcado pelas vírgulas no segundo verso.
II. “De tudo”, que abre a estrofe, complementa o adjetivo “atento”, evidenciando um caso de inversão.
III. “Que”, no terceiro verso, é um conectivo consecutivo, pois inicia a oração “mesmo em face do maior encanto”, com significado de consequência em relação ao zelo pelo amor.
IV. O sujeito “meu pensamento” é um caso de anástrofe, entre várias outras ocorrências de inversão presentes na estrofe.
V. “ele”, no último verso, tem como referente “o meu amor” (primeiro verso), constituindo-se como um caso de coesão referencial.
Com relação às assertivas acima, estão corretas apenas
Leia o excerto de um texto de João Guimarães Rosa, O burrinhopedrês, do livro Sagarana, para responder à questão
Era um burrinho pedrês, miúdo e resignado, vindo de Passa-Tempo, Conceição do Serro, ou não sei onde no sertão. Chamava-se Sete-de-Ouros, e já fora tão bom, como outro não existiu e nem pode haver igual.
Agora, porém, estava idoso, muito idoso. Tanto, que nem seria preciso abaixar-lhe a maxila teimosa, para espiar os cantos dos dentes. Era decrépito mesmo a distância: no algodão bruto do pelo — sementinhas escuras em rama rala e encardida(...)
Assinale o único item correto com relação a propriedades gramaticais de excertos do texto em pauta:
Sabendo que HAVER, empregado como EXISTIR, ACONTECER e na acepção de tempo decorrido é impessoal, preencha as lacunas com as formas corretas indicadas, respectivamente, abaixo.
– Mas momentos ___________________ em que, levados pela emoção, procedemos como seres indignos.
– Esta luta vocês a ___________________ por perdida antes mesmo do seu encerramento.
– ___________________ motins em naus de bons comandantes.
– ___________________ umas mil pessoas no auditório.
– Eles estavam à espera ___________________ muitas horas.
Assinale a alternativa que preenche corretamente o que se pede.