Nos quadrinhos, há uma representação de crescente desespero do personagem que estaria com a aranha em sua perna. A representação desse desespero é construída por meio do emprego de:
No último quadrinho, formula-se uma analogia moral, quando se sugere que não é possível ver tudo o que acontece à frente dos olhos.A partir dessa analogia, pode-se chegar à seguinte conclusão:
Soneto da hora final
Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
[3] Sentiremos no rosto, de repente
O beijo leve de uma aragem fria.
Tu me olharás silenciosamente
[6] E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.
[9] Ao transpor as fronteiras do Segredo
Eu, calmo, te direi: – Não tenhas medo
E tu, tranquila, me dirás: – Sê forte.
[12] E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.
No título Soneto da hora final, para revelar o tema do poema, recorre-se à figura de linguagem denominada:
Os ministros Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, e Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, afirmaram que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia o direito dos empregados domésticos ajuda a eliminar o “resquício da escravidão” que há no Brasil. Os dois discursaram em evento do Conselho Nacional do Ministério Público. Gilberto Carvalho citou o livro Casa grande e senzala, do sociólogo Gilberto Freyre, sobre os relacionamentos históricos dos homens brancos com índios e africanos. O ministro disse que a PEC ajuda a encerrar a “casa grande e senzala” que o país vivia.
Adaptado de g1.globo.com, 03/04/2013.No texto, destaca-se uma justificativa para a relevância da lei que visa a garantir novos direitosaos empregados domésticos. De acordo com o texto, a criação dessa lei se relaciona principalmente ao seguinte fator:
CANÇÃO DO VER
[1] Fomos rever o poste.
O mesmo poste de quando a gente brincava de pique
e de esconder.
Agora ele estava tão verdinho!
[5] O corpo recoberto de limo e borboletas.
Eu quis filmar o abandono do poste.
O seu estar parado.
O seu não ter voz.
O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com
[10] as mãos.
Penso que a natureza o adotara em árvore.
Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos
que um dia teriam cantado entre as suas folhas.
Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos.
[15] Mas o mato era mudo.
Agora o poste se inclina para o chão − como alguém
que procurasse o chão para repouso.
Tivemos saudades de nós.
Manoel de Barros Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.No poema, o poste é associado à própria vida do eu poético. Nessa associação, a imagem do poste se constrói pelo seguinte recurso da linguagem:
Soneto da hora final
Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
[3] Sentiremos no rosto, de repente
O beijo leve de uma aragem fria.
Tu me olharás silenciosamente
[6] E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.
[9] Ao transpor as fronteiras do Segredo
Eu, calmo, te direi: – Não tenhas medo
E tu, tranquila, me dirás: – Sê forte.
[12] E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.
No poema, há diversas referências metafóricas à morte, como exemplifica o seguinte verso:
bem no fundo
[1] no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
[5] resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela − silêncio perpétuo
[10] extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
[15] problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas
Paulo LeminskiToda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013.no fundo, no fundo, bem lá no fundo, (v. 1-2) Nesses versos iniciais do poema, a repetição de palavras e o emprego do vocábulo “bem” produzem um efeito de:
O CONTO A SEGUIR FOI RETIRADO DO LIVRO HORA DE ALIMENTAR SERPENTES, DE MARINA COLASANTI.
CENA ANTIGA
Amanhece o dia entre neblinas, quando o Bem e o Mal se encontram para mais um duelo.
Escolhem as armas nos estojos, aproximam-se para o encontro ritual, encaram-se. Os padrinhos
que aguardam ao lado do campo, escuros como as gralhas que saltitam entre restolhos, são instados
a partir. Que não haja testemunhas.
[5]Afastados estes, Bem e Mal guardam as armas, se envolvem em suas capas e caminham até a taverna
mais próxima. Ali, frente a canecos cheios, discutirão estratégias e trocarão conselhos durante dias
ou séculos, até o próximo duelo.
No conto de Marina Colasanti, Bem e Mal são ideias personificadas. Essa personificação é identificada pela narração de:
A invasão dos blablablás
O planeta é dividido entre as pessoas que falam no cinema − e as que não falam. É uma divisão
recente. Por décadas, os falantes foram minoria. E uma minoria reprimida. Quando alguém abria
a boca na sala escura, recebia logo um shhhhhhhhhhhhh. E voltava ao estado silencioso de onde
nunca deveria ter saído. Todo pai ou mãe que honrava seu lugar de educador ensinava a seus
filhos que o cinema era um lugar de reverência. Sentados na poltrona, as luzes se apagavam,
uma música solene saía das caixas de som, as cortinas se abriam e um novo mundo começava.
Sem sair do lugar, vivíamos outras vidas, viajávamos por lugares desconhecidos, chorávamos,
ríamos, nos apaixonávamos. Sentados ao lado de desconhecidos, passávamos por todos os
estados de alma de uma vida inteira sem trocar uma palavra. Comungávamos em silêncio do
mesmo encantamento. (...)
Percebi na sexta-feira que não ia ao cinema havia três meses. Não por falta de tempo, porque
trabalhar muito não é uma novidade para mim. Mas porque fui expulsa do cinema. Devagar,
aos poucos, mas expulsa. Pertenço, desde sempre, às fileiras dos silenciosos. Anos atrás, nem
imaginava que pudesse haver outro comportamento além do silêncio absoluto no cinema. Assim
como não imagino alguém cochichando em qualquer lugar onde entramos com o compromisso
de escutar.
Não é uma questão de estilo, de gosto. Pertence ao campo do respeito, da ética. Cinema é a
experiência da escuta de uma vida outra, que fala à nossa, mas nós não falamos uns com os
outros. No cinema, só quem fala são os atores do filme. Nós calamos para que eles possam falar.
Nossa vida cala para que outra fale.
Isso era cinema. Agora mudou. É estarrecedor, mas os blablablás venceram. Tomaram conta
das salas de cinema. E, sem nenhuma repressão, vão expulsando a todos que entram no cinema
para assistir ao filme sem importunar ninguém. (...)
Eliane Brum revistaepoca.globo.com, 10/08/2009No cinema, só quem fala são os atores do filme. Nós calamos para que eles possam falar. Nossa vida cala para que outra fale. (l. 19-20) O trecho acima usa uma figura de linguagem chamada de:
No cartum, há uma alusão aos “rolezinhos”, manifestações em que jovens, em geral oriundos de periferias, formam grandes grupos para circular dentro de shoppings. Com base no diálogo entre os guardas e nos elementos visuais que compõem o cartum, é possível inferir uma crítica do cartunista baseada no seguinte fato: