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PortuguêsUNIVAG2017

Porquinho-da-índia

Quando eu tinha seis anos

Ganhei um porquinho-da-índia.

Que dor de coração me dava

Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!

Levava ele pra sala

Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos

Ele não gostava:

Queria era estar debaixo do fogão.

Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

– O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

(Estrela da vida inteira, 2009.)

Quanto à conjugação verbal, percebe-se no poema

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Considere o poema de Alberto da Cunha Melo.

Falar, falar


Se conviver é conversar,
este falatório sem pausa,
onde o silêncio é mais temido
que palavrão dentro de casa,


faz da vida inteira um entulho
de vozes de bar, de barulho;


neste metralhado lugar,
tão atulhado de palavras,
que não se pode caminhar,


onde do corpo só a paz
do amor calado satisfaz.
(Poesia completa, 2017.)

Por meio da linguagem figurada, o eu lírico sugere que

PortuguêsUNIVAG2014

Plano de saúde é o 3.º desejo, diz pesquisa

Ter um plano de saúde é o terceiro maior desejo dos brasileiros, depois da casa própria e da educação, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, a pedido do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

A qualidade do atendimento foi apontada como a principal razão para desejar ter um plano de saúde por 47% dos entrevistados. Para 39%, a saúde pública é precária e não se quer depender do SUS. A segurança de ter o plano para se sentir tranquilo em caso de doença foi lembrada por 18%.

Para Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do IESS, os resultados indicam crescimento da saúde suplementar no Brasil nos próximos anos.

“Menos de 25% da população brasileira contava com esse benefício no fim do ano passado”, diz.

“Existe o potencial de crescimento, mas a mais médio prazo o que deve ocorrer é o contrário porque infelizmente o aumento de custo é muito alto, de 15% ao ano.” [...]

“O custo é elevado e o produto para quem não o tem ainda é caro. Os planos grandes não conseguem atender, por exemplo, em algumas áreas do país, nos prazos mínimos de agendamento de consultas e exames”, afirma.

“Por isso, a tendência é de os planos se concentrarem nas regiões metropolitanas”, acrescenta. O Datafolha entrevistou 3,32 mil pessoas, entre beneficiários e não beneficiários, em oito regiões metropolitanas. (Folha de S.Paulo, 05.08.2013.)

Pela leitura do texto, é correto afirmar que

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Quando o filósofo canadense Marshall McLuhan (1989) cunhou a expressão “aldeia global” como paradigma da sociedade contemporânea, buscou inspiração na TV, meio de comunicação capaz de divulgar notícias a qualquer ponto do planeta de modo quase instantâneo. Seria o advento da internet, porém, que viria a propiciar as condições para o surgimento de uma sociedade verdadeiramente conectada em escala global. Tendo em conta o caráter desigual da geografia de acesso à internet no mundo, é discutível até que ponto a visão de McLuhan encontra amparo na realidade.

Estatísticas de 2009 estimavam que o número de pessoas que acessavam a internet no mundo era da ordem de 1,6 bilhão. Trata-se de uma cifra impressionante, sobretudo tendo em conta que a internet começou a se popularizar somente na década de 1990. Entretanto, há que se ter presente que esse número corresponde a menos de 25% da população mundial e sua distribuição geográfica não é equilibrada.

Estados Unidos e Canadá, que juntos detêm 5% da população do planeta, reuniam, em 2009, 16% do total mundial de pessoas com acesso à internet. O continente africano possuía 15% da população do globo e tinha apenas 4% do total mundial de usuários.

(Governança da Internet, 2011. Adaptado.)

“Seria o advento da Internet, porém, que viria a propiciar as condições para o surgimento de uma sociedade verdadeiramente conectada em escala global.”

Os verbos destacados, no tempo e no modo em que estão conjugados, indicam um fato que

PortuguêsUNIVAG2019

Leia o texto de Geir Campos para responder à questão.

Desde sempre, em todos os tempos e lugares, teóricos e praticantes têm dito o que pensam da tradução, do que ela é ou do que deveria ser. São opiniões que em muitos casos se contradizem, se desdizem, não só no acessório como no essencial; contradições que enfim não bastam para impedir que os tradutores continuem a fazer o seu trabalho, com a sua prática muitas vezes desmentindo a teoria.

Há quem diga, como o alemão Herder, que o melhor dos tradutores há de ser o melhor dos explicadores; diametralmente oposta é a opinião do americano Vázquez-Ayora, para quem traduzir não é explicar nem comentar coisa alguma. O fato é que, como dizem, não há povo tão isolado que possa dispensar os serviços da tradução. E as traduções afinal estão aí mesmo, pondo em xeque as afirmações de quem diz que tradução é impossível, que tradução não existe, coisas assim...

Pode-se comparar a tradução ao voo do besouro. O besouro é um animal que tem tudo para não poder voar: o corpo é rombudo, as patas não se recolhem, as asas são enfiadas num estojo de cascas duras... mas, apesar de todos os pesares, o besouro voa e muito. Com o tradutor dá-se a mesma coisa: cada texto é um complexo de obstáculos e dificuldades aparentemente intransponíveis, linguísticas e não linguísticas; entender o que o autor disse e o que ele quis dizer, na língua dele, é difícil; dizer na língua da gente o que se entendeu na língua do original, não é fácil... mas o tradutor traduz e muito. E quanto mais difícil parece um texto, maior é o número de tradutores que se candidatam.

(O que é tradução, 2004. Adaptado.)

O voo do besouro, assim como a tradução,

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Mas, na beira da alpendrada, tinha um canteirozinho de jardim, com escolha de poucas flores. Das que sobressaíam, era uma flor branca – que fosse caeté, pensei, e parecia um lírio – alteada e muito perfumosa. E essa flor é figurada, o senhor sabe? Morada em que tem moças, plantam dela em porta da casa- de-fazenda. De propósito plantam, para resposta e pergunta. Eu nem sabia. Indaguei o nome da flor.

— “Casa-comigo…” – Otacília baixinho me atendeu. E, no dizer, tirou de mim os olhos; mas o tiritozinho1 de sua voz eu guardei e recebi, porque era de sentimento. Ou não era? Daquele curto lisim2 de dúvidas foi que minou meu maisquerer.

1 tiritar: tremer.

2 lisim: veio, fenda ou rachadura nas pedras.

O uso repetido do diminutivo — em “canteirozinho”, “baixinho” e “tiritozinho” — contribui para

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Quando estas índias entram em dores de parir, não buscam parteiras, não se guardam do ar, nem fazem outras cerimônias, parem pelos campos e em qualquer outra parte como uma alimária; e em acabando de parir, se vão ao rio ou fonte, onde se lavam, e as crianças que pariram; e vêm-se para casa, onde o marido se deita logo na rede, onde está muito coberto, até que seca o umbigo da criança

(Gabriel Soares de Souza. Tratado descritivo do Brasil em 1587, 1987.)

O trecho, escrito na segunda metade do século XVI por um colono português no Brasil, indica

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Em meados da década de 1960, pouco antes de a oposição à Guerra do Vietnã se tornar muito comentada e difundida, fui procurado, na Universidade de Colúmbia, por um estudante de graduação de aparência mais velha, que me pediu que o admitisse num seminário com vagas limitadas. Parte de seus argumentos residia no fato de que era um veterano de guerra, tendo servido na força aérea. Enquanto conversávamos, tive um estranho vislumbre acerca da mentalidade do profissional – nesse caso, um piloto experiente −, cujo vocabulário usado em seu trabalho poderia ser descrito como “jargão interno”. Nunca vou esquecer meu choque quando, ao responder à minha pergunta insistente “O que é que você realmente fazia na força aérea?”, ele disse: “Aquisição do alvo”. Demorei mais alguns minutos para perceber que ele era um bombardeiro, cujo trabalho, claro, era bombardear. Mas ele revestia isso de uma linguagem profissional que, de certa maneira, excluía e mistificava as indagações mais diretas de alguém fora do ramo. Eu o aceitei no seminário – talvez pensando que podia mantê-lo sob meu olhar e, como incentivo adicional, persuadi-lo a abandonar o espantoso jargão. “Aquisição do alvo”, tenha dó!

(Representações do intelectual, 2005.)

O texto narra um pequeno episódio da vida do autor. É um elemento essencial das narrativas, encontrado no texto de Said:

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Quando o filósofo canadense Marshall McLuhan (1989) cunhou a expressão “aldeia global” como paradigma da sociedade contemporânea, buscou inspiração na TV, meio de comunicação capaz de divulgar notícias a qualquer ponto do planeta de modo quase instantâneo. Seria o advento da internet, porém, que viria a propiciar as condições para o surgimento de uma sociedade verdadeiramente conectada em escala global. Tendo em conta o caráter desigual da geografia de acesso à internet no mundo, é discutível até que ponto a visão de McLuhan encontra amparo na realidade.

Estatísticas de 2009 estimavam que o número de pessoas que acessavam a internet no mundo era da ordem de 1,6 bilhão. Trata-se de uma cifra impressionante, sobretudo tendo em conta que a internet começou a se popularizar somente na década de 1990. Entretanto, há que se ter presente que esse número corresponde a menos de 25% da população mundial e sua distribuição geográfica não é equilibrada.

Estados Unidos e Canadá, que juntos detêm 5% da população do planeta, reuniam, em 2009, 16% do total mundial de pessoas com acesso à internet. O continente africano possuía 15% da população do globo e tinha apenas 4% do total mundial de usuários.

(Governança da Internet, 2011. Adaptado.)

O texto cita Marshall McLuhan a fim de mostrar que

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Deslumbramentos

Milady1, é perigoso contemplá-la,

Quando passa aromática e normal,

Com seu tipo tão nobre e tão de sala,

Com seus gestos de neve e de metal.

Sem que nisso a desgoste ou desenfade,

Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas,

Eu vejo-a, com real solenidade,

Ir impondo toilettes2 complicadas!...

Em si tudo me atrai como um tesoiro:

O seu ar pensativo e senhoril,

A sua voz que tem um timbre de oiro

E o seu nevado e lúcido perfil!

Ah! Como me estonteia e me fascina...

E é, na graça distinta do seu porte,

Como a Moda supérflua e feminina,

E tão alta e serena como a Morte!...

Eu ontem encontrei-a, quando vinha,

Britânica, e fazendo-me assombrar;

Grande dama fatal, sempre sozinha,

E com firmeza e música no andar!

O seu olhar possui, num jogo ardente,

Um arcanjo e um demônio a iluminá-lo;

Como um florete, fere agudamente,

E afaga como o pelo dum regalo!

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,

E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,

O modo diplomático e orgulhoso

Que Ana d’Áustria mostrava aos cortesãos.

E enfim prossiga altiva como a Fama,

Sem sorrisos, dramática, cortante;

Que eu procuro fundir na minha chama

Seu ermo coração, como um brilhante.

Mas cuidado, milady, não se afoite,

Que hão de acabar os bárbaros reais;

E os povos humilhados, pela noite,

Para a vingança aguçam os punhais.

E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,

Sob o cetim Azul e as andorinhas,

Eu hei-de ver errar, alucinadas,

E arrastando farrapos — as rainhas!

(Poemas reunidos, 2010.)

1 milady: tratamento que se dá a uma inglesa de berço nobre ou elegante.

2 toilette: vestuário em sentido amplo, que inclui, além de roupa, penteado, maquilagem e objetos de adorno pessoal.

O termo Mas, em destaque no início da penúltima estrofe do poema, sinaliza o início de um discurso em que o eu lírico se expressa de modo marcadamente