Para os psicopatas, obrigações e compromissos não significam absolutamente nada. A sua incapacidade de serem responsáveis e confiáveis se estende para todas as áreas de suas vidas. No trabalho apresentam desempenho errático, com faltas frequentes, uso indevido dos recursos da empresa e violação da política da companhia. Nas relações interpessoais não honram compromissos formais ou implícitos com as outras pessoas. Por isso, nunca acredite em acordos escritos ou verbais com eles, pois nunca irão cumpri-los totalmente. Talvez o façam parcialmente no início do acordo somente para impressionar e ganhar confiança de suas ví- timas. Mas uma coisa é certa: mais cedo ou mais tarde eles irão “aprontar”!
Quando a questão é família, o comportamento deles também segue o mesmo padrão de indiferença e irresponsabilidade. Quando constituem famílias (cônjuges e filhos) os psicopatas não o fazem por sentimentos amorosos, mas sim como um instrumento necessário para construir uma boa imagem perante a sociedade.
(Mentes perigosas, 2008.)- A psicopatia é um problema mental.
- A definição de psicopatia não é absoluta.
- As definições nunca são absolutas.
O período que, mantendo o sentido original, conecta corretamente as três frases é:
“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.”
Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regímen do amor doméstico; diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora, e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam.
Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas. Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações que se transformam, alentadas perpetuamente do mesmo ardor, sobre a mesma base fantástica de esperanças, a atualidade é uma. Sob a coloração cambiante das horas, um pouco de ouro mais pela manhã, um pouco mais de púrpura ao crepúsculo — a paisagem é a mesma de cada lado, beirando a estrada da vida.
Eu tinha onze anos.
(O Ateneu, 2013.)O narrador descreve a infância como
Leia a tira.
O efeito de humor da tira decorre
Leia o texto para responder à questão.
Metaforicamente, o Brasil vive com um pé no campo e outro na cidade, o que se reflete na literatura, que sempre espelha imagens sutis da nação. Amadurecemos mantendo uma divisão marcante entre esses dois mundos, a um tempo geográficos e ideológicos. José de Alencar (1829-1877) fez do exotismo brasileiro a chave da nacionalidade (do “nacionalismo”, diríamos hoje), de acordo com o ideário de poder do longo período de Dom Pedro II: seus romances eram mapas geográfico-mentais que nos definiam brasileiros (numa imagem, aliás, em que o negro ainda estava ausente, embora fosse visto em toda parte). Já o mulato Machado de Assis (1839-1908), criador da literatura mais refinada das Américas do seu tempo, jamais gastou duas linhas para descrever a natureza, o exótico, o peculiar – todo o seu universo é puramente urbano e mental. Nessas duas vertentes, encontramos duas imagens culturais do Brasil, que se entrecruzam numa tensão que permanece vivíssima entre nós.
(Cristovão Tezza. “Mundo rural, mundo urbano, e o Brasil no meio”. www.gazetadopovo.com.br, 27.10.2014.)
O autor se refere a José de Alencar e a Machado de Assis partindo do pressuposto de que
“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.”
Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regímen do amor doméstico; diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora, e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam.
Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas. Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações que se transformam, alentadas perpetuamente do mesmo ardor, sobre a mesma base fantástica de esperanças, a atualidade é uma. Sob a coloração cambiante das horas, um pouco de ouro mais pela manhã, um pouco mais de púrpura ao crepúsculo — a paisagem é a mesma de cada lado, beirando a estrada da vida.
Eu tinha onze anos.
(O Ateneu, 2013.)“Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas” (3o parágrafo).
No texto, a palavra “eufemismo” foi usada a fim de revelar que
Quando o filósofo canadense Marshall McLuhan (1989) cunhou a expressão “aldeia global” como paradigma da sociedade contemporânea, buscou inspiração na TV, meio de comunicação capaz de divulgar notícias a qualquer ponto do planeta de modo quase instantâneo. Seria o advento da internet, porém, que viria a propiciar as condições para o surgimento de uma sociedade verdadeiramente conectada em escala global. Tendo em conta o caráter desigual da geografia de acesso à internet no mundo, é discutível até que ponto a visão de McLuhan encontra amparo na realidade.
Estatísticas de 2009 estimavam que o número de pessoas que acessavam a internet no mundo era da ordem de 1,6 bilhão. Trata-se de uma cifra impressionante, sobretudo tendo em conta que a internet começou a se popularizar somente na década de 1990. Entretanto, há que se ter presente que esse número corresponde a menos de 25% da população mundial e sua distribuição geográfica não é equilibrada.
Estados Unidos e Canadá, que juntos detêm 5% da população do planeta, reuniam, em 2009, 16% do total mundial de pessoas com acesso à internet. O continente africano possuía 15% da população do globo e tinha apenas 4% do total mundial de usuários.
(Governança da Internet, 2011. Adaptado.)“Tendo em conta o caráter desigual da geografia de acesso à Internet no mundo, é discutível até que ponto a visão de McLuhan encontra amparo na realidade.”
No período em que se insere, a oração destacada é uma subordinada com função de
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo
[tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma ideia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são
[superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são
[superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de
[caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
[…]
(Antologia poética, 2012.)“E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles”.
No contexto em que está inserido, o segmento destacado tem sentido de
Ginástica sintática
Pesquisadores de neurociência da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, publicaram há pouco, na revista “Plos One”, sua descoberta de que, quando os músicos de jazz improvisam sobre uma melodia — criando contra melodias sobre uma base harmônica comum —, estão ativando uma área do cérebro associada à sintaxe, não à semântica. Ou seja, não produzem conteúdos, mas estruturas. O estudo, que utilizou testes de ressonância magnética, visa a mapear o papel do cérebro na criatividade.
A quase 100 anos da gravação do primeiro disco do gênero (“Livery Stable Blues”, pela Original Dixieland Jazz Band, em 1917), o achado não me soa como grande novidade. De certa maneira, todos nós, fãs de jazz, já nascemos sabendo disso. O que seria o improviso coletivo de Nova Orleans senão uma deliciosa conversa de comadres significando nada? E o concerto no Massey Hall, de Toronto, em 1953? Charlie Parker e Dizzy Gillespie, rompidos havia anos, não tiveram de fazer as pazes para falar jazzês e se complementar magistralmente em “Perdido”, “Hot House” e “A Night in Tunisia”.
O estudo diz avançar sobre uma pesquisa iniciada em 2008 e publicada na mesma revista, segundo a qual, quando os jazzistas improvisam, seus cérebros “desligam” os controles de censura e autoinibição, e “ligam” os que liberam a expressão — o que não aconteceria se tocassem um “conteúdo”, uma melodia conhecida e sem variações. (Ruy Castro. Folha de S.Paulo, 08.03.2014. Adaptado.)No contexto do segundo parágrafo, o termo jazzês, formado com o acréscimo do sufixo -ês à base jazz, é usado para sugerir que o jazz
A ideia de transformar O alienista de Machado de Assis numa sátira à ditadura de 1964 estava no ar. Havia um paralelo óbvio entre o terror espalhado por Simão Bacamarte – o cientista maluco e sinistro que infelicitava a pacata Itaguahy – e o regime antipopular dos militares, com seus ministros da Fazenda que metiam medo e disciplinavam o país para o capital. Nelson Pereira dos Santos percebeu as possibilidades artísticas da comparação, da qual tirou um filme agoniado e interessante, o Azyllo muito louco. Em espírito parecido, houve tentativas também de adaptação para o teatro, entre as quais a minha. O que todos procurávamos era o respaldo de um clássico nacional acima de qualquer suspeita, além de remoto no tempo, que deixasse desarmada a censura e possibilitasse a crítica ao Estado policial.
O paralelo funcionava como uma via de duas mãos e tinha efeitos retroativos. Não era só o velho Machado que emprestava personagens e situações para falar da repressão em nosso presente. O caminho inverso também valia, sugerindo uma leitura menos convencional do mestre e, por meio dele, do passado brasileiro. O festival de desfaçatez armado por nossas elites logo em seguida ao golpe, com sua salada de modernização, truculência e provincianismo, ensinava a reconhecer aspectos até então recalcados da ironia machadiana. Esta aparecia a uma luz nova, muito mais ferina e política, de incrível atualidade. Noutras palavras, as revelações sociais trazidas pelo golpe de 64 desempoeiravam o maior de nossos clássicos.
(“A lata de lixo da história”, Revista Piauí, agosto de 2014.)Nelson Pereira dos Santos percebeu as possibilidades artísticas da comparação, da qual tirou um filme agoniado e interessante, o Azyllo muito louco” (1° parágrafo)
Nesse trecho, o termo destacado é um verbo
O técnico de uma equipe desportiva dispõe de 10 atletas em condições de competir em duas provas de grupo, A e B, para as quais são necessários, respectivamente, 3 e 4 atletas. A única regra é que os atletas que disputam uma prova não podem disputar a segunda.
Nesse cenário, o número de possibilidades que o técnico tem para compor suas equipes é