TEXTO:
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrada na história.
Todos as personagens que aparecem no poema estão desprovidos de nome, apenas aparece o prenome, exceto o de J. Pinto Fernandes.
Isso significa que
O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor
de bichos moribundos.
— Anda, excomungado.
O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou
[5] matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar
alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como
um fato necessário — e a obstinação da criança irritava-o.
Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas
dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não
[10] sabia onde. Tinham deixado os caminhos, cheios de
espinho e seixos, fazia horas que pisavam a margem do
rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés.
Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a ideia
de abandonar o filho naquele descampado. Pensou nos
[15] urubus, nas ossadas, coçou a barba ruiva e suja,
irresoluto, examinou os arredores. Sinha Vitória esticou
o beiço indicando vagamente uma direção e afirmou com
alguns sons guturais que estavam perto. Fabiano meteu
a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se,
[20] pegou o pulso do menino que se encolhia, os joelhos
encostados no estômago, frio como um defunto. Aí a
cólera desapareceu e Fabiano teve pena. Impossível
abandonar o anjinho aos bichos do mato. Entregou a
espingarda a sinha Vitória, pôs o filho no cangote,
[25] levantou-se, agarrou os bracinhos que lhe caíam no peito,
finos como cambitos. Sinha Vitória aprovou esse arranjo,
lançou de novo a interjeição gutural designou os juazeiros
invisíveis.
RAMOS, Graciliano. Mudança. Vidas Secas. 65. ed. São Paulo: Record, 1994. p. 10.Inserindo-se o fragmento no contexto da obra “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, a única informação incorreta é a que se faz na alternativa
Emigração
Neste estilo popular
nos meus singelos versinhos,
o leitor vai encontrar
em vez de rosas espinhos
[5] na minha penosa lida
conheço do mar da vida
as temerosas tormentas
eu sou o poeta da roça
tenho mão calosa e grossa
[10] do cabo das ferramentas
Por força da natureza
sou poeta nordestino
porém só conto a pobreza
do meu mundo pequenino
[15] eu não sei contar as glórias
nem também conto as vitórias
do herói com seu brasão
nem o mar com suas águas
só sei contar minhas mágoas
[20] e as mágoas do meu irmão.
Há uma relação de causa e efeito no fragmento transcrito na alternativa
TEXTO:
A sustentabilidade, um dos temas centrais da
Rio+20, não acontece mecanicamente. Resulta de um
processo de educação pela qual o ser humano redefine
o feixe de relações que entretém com o Universo, com a
[5] Terra, com a natureza, com a sociedade e consigo
mesmo, dentro dos critérios de equilíbrio ecológico, de
respeito e amor à Terra e à comunidade de vida, de
solidariedade para com as gerações futuras e da
construção de uma democracia socioecológica sem fim.
[10] Estou convencido de que somente um processo
generalizado de educação pode criar novas mentes e
novos corações, como pedia a Carta da Terra, capazes
de fazer a revolução paradigmática exigida pelo risco
global sob o qual vivemos. Como repetia com frequência
[15] Paulo Freire: “A educação não muda o mundo, mas muda
as pessoas que vão mudar o mundo”. Agora todas as
pessoas são urgidas a mudar. Não temos outra
alternativa: ou mudamos ou conheceremos a escuridão.
Não cabe aqui abordar a educação em seus
[20] múltiplos aspectos tão bem formulados em 1996 pela
UNESCO: aprender a conhecer, a fazer, a ser e a viver
juntos; eu acrescentaria: aprender a cuidar da Mãe Terra
e de todos os seres.
Mas esse tipo de educação é ainda insuficiente. A
[25] situação mudada do mundo exige que tudo seja
ecologizado, isto é, cada saber deve prestar a sua
colaboração a fim de proteger a Terra, salvar a vida
humana e o nosso projeto planetário. Portanto o momento
ecológico deve atravessar todos os saberes. Afinal, ser
[30] humano, Terra e natureza se pertencem mutuamente.
Por isso, é possível forjar um caminho de convivência
pacífica. É o desafio da educação no atual momento.
BOFF, Leonardo. Sustentabilidade e educação. Disponível em: < https://leonardoboff.wordpress.com/2012/05/06/sustentabilidade-eeducacao/>. Acesso em: 18 jun. 2016.Existe uma aproximação semântica entre a frase de Paulo Freire citada pelo locutor e a expressa na alternativa
"No ardor do sonho que o fronema exalta
Construí de orgulho ênea pirâmide alta,
Hoje, porém, que se desmoronou” (v. 9-11)
Em relação aos versos destacados, da terceira estrofe, pode-se afirmar:
TEXTO:
Considerando-se os elementos verbais presentes na capa da Edição Verde de “Época”, é correto afirmar:
TEXTO:
Crescer como pessoa de cor na África do Sul do
Apartheid, na década de 1940, não era nada agradável.
Principalmente se você era brutalmente lembrado da cor
de sua pele a cada momento do dia. Depois, ser
[5] espancado aos 10 anos por jovens brancos que o
consideravam negro demais e, em seguida, por jovens
negros que o consideravam branco demais era uma
experiência humilhante que poderia levar qualquer um à
vingança violenta.
[10] Uma das muitas coisas que aprendi com meu avô
foi a compreender a profundidade e a amplitude da não
violência e a reconhecer que somos todos violentos e
precisamos efetuar uma mudança qualitativa em nossas
atitudes. Com frequência, não reconhecemos nossa
[15] violência porque somos ignorantes a respeito dela.
Presumimos que não somos violentos porque nossa
visão da violência é aquela de brigar, matar, espancar e
guerrear – o tipo de coisa que os indivíduos comuns não
fazem.
[20] O mundo em que vivemos é aquilo que fazemos
dele. Se hoje é impiedoso, foi porque nossas atitudes o
tornaram assim. Se mudarmos a nós mesmos,
poderemos mudar o mundo, e essa mudança começará
por nossa linguagem e nossos métodos de comunicação.
[25] É um primeiro passo significativo para mudarmos nossa
comunicação e criarmos um mundo mais compassivo.
ARUN GANDHI (Fundador e presidente do M. K. Gandhi Institute for Nonviolence). In: Marshall B. Rosenberg. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Tradução Mário Vilela. São Paulo: Ágora, 2006. p. 22. Adaptado.Considerando-se os aspectos linguísticos do texto, é correto afirmar:
Comparando o anúncio com o poema de Carlos Drummond de Andrade, é correto afirmar que a peça publicitária
TEXTO:
Morri! E a Terra — a mãe comum — o brilho
Destes meus olhos apagou!… Assim
Tântalo, aos reais convivas, num festim,
Serviu as carnes do seu próprio filho!
[5]Por que para este cemitério vim?!
Por quê?! Antes da vida o angusto trilho
Palmilhasse, do que este que palmilho
E que me assombra, porque não tem fim!
No ardor do sonho que o fronema exalta
[10] Construí de orgulho ênea pirâmide alta,
Hoje, porém, que se desmoronou
A pirâmide real do meu orgulho,
Hoje que apenas sou matéria e entulho
Tenho consciência de que nada sou!
Ao se propor imaginar o seu morrer, o que mais o inquieta é
TEXTO:
Morri! E a Terra — a mãe comum — o brilho
Destes meus olhos apagou!… Assim
Tântalo, aos reais convivas, num festim,
Serviu as carnes do seu próprio filho!
[5]Por que para este cemitério vim?!
Por quê?! Antes da vida o angusto trilho
Palmilhasse, do que este que palmilho
E que me assombra, porque não tem fim!
No ardor do sonho que o fronema exalta
[10] Construí de orgulho ênea pirâmide alta,
Hoje, porém, que se desmoronou
A pirâmide real do meu orgulho,
Hoje que apenas sou matéria e entulho
Tenho consciência de que nada sou!
Analisando-se os elementos estilísticos e linguísticos que servem para a transmissão do conteúdo do poema, é correto afirmar: