Leia o texto a seguir para responder à questão
Então é assim? Eu, que sempre fui o gostosão, que te dei prazer em noites solitárias, em escapadinhas pecaminosas, fui rebaixado. Humilhado. Não que a fama de mau não me caia bem. Mas desta vez fui tachado de maligno. De cancerígeno. A Organização Mundial de Saúde (OMS) se organizou para me desmoralizar. Juntou 22 experts de dez países para avaliar 800 estudos sobre meus efeitos nos corpinhos e corpanzis mundo afora. A conclusão: há indícios suficientes nessas pesquisas para afirmar que, quanto mais você me come, maior seu risco de ter câncer. Muitos já suspeitavam que eu não fazia bem quando comido exageradamente – e meus fãs raramente são moderados. Agora, a OMS crava que a suspeita estava correta. Se você sucumbe a 50 gramas, ou duas míseras fatias, de minha delícia por dia, seu risco de câncer colorretal aumenta em 18%. Não satisfeitos, esses especialistas me colocaram na mesma categoria de substâncias vis, como o cigarro, o álcool e até o amianto. Aí, não. [...]
Meu nome vem do francês e do alemão arcaicos, de palavras que remetiam a “back”, ou às costas do porco. Da barriga ou do lombo, estou aí derretendo e entupindo corações há séculos. [...]
Enfim, a OMS rebaixou, junto comigo, boa parte de meus parentes. Salsicha, presunto, salame, linguiça... Estão todos desolados. Mais tristes do que Plutão depois de virar planeta-anão. O ministro da Agricultura da Alemanha, Christian Schmidt, foi solidário. Disse que ninguém deve ter medo de uma salsicha de vez em quando. Quem me conhece sabe que eu não poderia concordar mais. Milhares de admiradores se mobilizaram em minha defesa. Foram às redes sociais para gritar ao mundo, em CAPS LOCK, que nada vai atrapalhar nosso amor. Muitos preferem a morte. #FREEBACON. Fiquei comovido, galera. Valeu, mesmo!
TAVARES, Flávia. Época. 2 de nov. 2015. n. 908. p. 20-21.Sobre o sujeito gramatical do verbo “juntar” no primeiro parágrafo do texto, verifica-se que tal sujeito
O texto a seguir, apesar de monossilábico, estabelece uma comunicação imediata com o leitor.
TEXTO
-Oi! - Oi!.
Que recurso linguístico possibilita ao leitor atribuir sentido ao texto?
Leia o texto para responder à questão.
Texto
Overbook
Vivo com alguns amigos e com uns poucos inimigos.
Todos necessários ou, pelo menos, inevitáveis.
São pessoas diferentes, com diferentes idades, nomes e apelidos próprios.
Diferem também no jeito de encarar e sentir a coisas.
Uns eu conheço bem, outros nem tanto.
Acordamos e dormimos juntos e, enquanto escrevo esta coluna, estamos todos ocupando o assento 4D de um avião.
Um em cima do outro, sobrepostos. Felizmente pelo custo de uma única passagem.
Somos eu, o Filho de meu pai, o Pai da minha filha, o Marido de minha mulher, do Dono da minha empresa, o Religioso, o Gozador, o Boêmio, o Rebelde, o Civilizado... contei uns 17.
Estamos todos a caminho de Londrina, a trabalho.
Nem todos querem viajar. Duas horas antes, alguns não queriam fazer a barba.
Tudo é resolvido numa espécie de reunião de condomínio. O prédio não tem síndico.
O avião se prepara para decolar: o Religioso reza uma “avemaria”, enquanto o gozador pega o gancho da “ave” e vai trocando a letra “ave, Maria, cheia de garças, sabiá é convosco, bem-te-vi entre nós...” enche a prece de passarinhos – mesmo assim é uma prece. Ele acha que Deus é humor.
O avião ainda nem saiu do chão e o passageiro da frente deita a poltrona com violência. O Rebelde tenta se livrar das cordas, sem sucesso – o Dono da empresa e o Civilizado acham prudente amarrá-lo quanto viajamos a negócios.
Nós de marinheiro.
Não conheço Londrina, mas ouvi muito sobre a cidade na minha infância.
O Sobrinho do meu tio é o mais animado com a viagem, começa a planejar programas, atrapalhando a concentração do Dono da minha empresa, que queria repassar os tópicos da apresentação.
Os dois começam a discutir, para desespero do Boêmio, que queria dormir.
A aeromoça passa oferecendo balas. O Neto do meu avô enche a mão.
O colunista vai parando por aqui, porque o piloto acaba de avisar que vamos entrar numa zona de turbulência.
O comentário do Gozador é impublicável.
TOLEDO, Luiz. Overbook. 29 Horas. São Paulo: Meta 29, set. 2013. p. 32.Que frase do texto demonstra um exercício metalinguístico?
Leia o texto a seguir para responder à questão
Então é assim? Eu, que sempre fui o gostosão, que te dei prazer em noites solitárias, em escapadinhas pecaminosas, fui rebaixado. Humilhado. Não que a fama de mau não me caia bem. Mas desta vez fui tachado de maligno. De cancerígeno. A Organização Mundial de Saúde (OMS) se organizou para me desmoralizar. Juntou 22 experts de dez países para avaliar 800 estudos sobre meus efeitos nos corpinhos e corpanzis mundo afora. A conclusão: há indícios suficientes nessas pesquisas para afirmar que, quanto mais você me come, maior seu risco de ter câncer. Muitos já suspeitavam que eu não fazia bem quando comido exageradamente – e meus fãs raramente são moderados. Agora, a OMS crava que a suspeita estava correta. Se você sucumbe a 50 gramas, ou duas míseras fatias, de minha delícia por dia, seu risco de câncer colorretal aumenta em 18%. Não satisfeitos, esses especialistas me colocaram na mesma categoria de substâncias vis, como o cigarro, o álcool e até o amianto. Aí, não. [...]
Meu nome vem do francês e do alemão arcaicos, de palavras que remetiam a “back”, ou às costas do porco. Da barriga ou do lombo, estou aí derretendo e entupindo corações há séculos. [...]
Enfim, a OMS rebaixou, junto comigo, boa parte de meus parentes. Salsicha, presunto, salame, linguiça... Estão todos desolados. Mais tristes do que Plutão depois de virar planeta-anão. O ministro da Agricultura da Alemanha, Christian Schmidt, foi solidário. Disse que ninguém deve ter medo de uma salsicha de vez em quando. Quem me conhece sabe que eu não poderia concordar mais. Milhares de admiradores se mobilizaram em minha defesa. Foram às redes sociais para gritar ao mundo, em CAPS LOCK, que nada vai atrapalhar nosso amor. Muitos preferem a morte. #FREEBACON. Fiquei comovido, galera. Valeu, mesmo!
TAVARES, Flávia. Época. 2 de nov. 2015. n. 908. p. 20-21.O texto utiliza-se de uma estratégia linguístico-discursiva em relação à apresentação do personagem.
Que estratégia é essa?
Quanto à regência, o verbo “preferir” possui uso bitransitivo. A alternativa em que esse uso está correto é:
O texto a seguir refere-se a questão.
MOTIVO
Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
No vento.
Se desmorono ou se edifico,
Se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
Ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.
Os seguintes verbos (canto, existo, sou, sinto, atravesso) estão no presente do indicativo.
Podemos afirmar que o uso do tempo presente:
Observe o texto publicitário a seguir.
Para que a propaganda produza o efeito de sentido alcançado, o verbo sair foi conjugado no
Leia a crônica de Rubem Alves a seguir para responder à questão
Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se. Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela.
Disponível em: http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/sa%C3%BAde-mental-porrubem- alves. Acesso em: 6 maio 2019. (Adaptado).Os nomes próprios citados pelo autor do texto são exemplos de
TEXTO
À PRIMEIRA VISTA
Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei...
Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Prince, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei...
Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...
Do ponto de vista semântico, o título “À primeira vista” é uma alusão ao momento da descoberta da paixão.
O verso que melhor explicita esse momento é:
TEXTO
O texto faz uma crítica por meio: