Tocando em Frente
Almir Sater / Renato TeixeiraAndo devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque eu já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza
De que muito pouco eu sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe
A sua própria história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
O gênero música, como outros textos, está interrelacionado com outros discursos que podem apresentar uma complexidade social e histórica do sujeito. Em relação à letra da música deAlmir Sater e Renato Teixeira, analise as seguintes afirmações.
I. No título “Tocando em Frente”, o verbo tocar não se refere apenas ao seu significado lexical, mas também à condução do gado, à vida conduzida e ao próprio sujeito.
II. Na primeira estrofe, apresenta uma fase da vida marcada pela individualidade, a necessidade imediata própria da juventude.
III. Na terceira estrofe, ainda na primeira pessoa, apresenta as rimas “manhas/manhãs”, em que se percebe na primeira palavra – o que se aprende; e na segunda palavra – o que está posto.
IV. No trecho “cada um de nós compõe a sua história”, percebe-se um indivíduo consciente de sua posição social, mesmo sob uma ideologia, pode reverter sua história.
É correto apenas o que se afirma em
Texto para as questão
Leitura
Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras. As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha do escuríssimo vinho,
o gosto caprichado das coisas fora do seu tempo desejadas.
Ao longo do muro eram talhas de barro.
Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo
que lá fora o mundo havia parado de calor.
Depois encontrei meu pai, que me fez festa e não estava doente e nem tinha
morrido, por isso ria, os lábios de novo e a cara circulados de sangue, caçava
o que fazer para gastar sua alegria: onde está meu formão, minha vara de pescar,
cadê minha binga, meu vidro de café?
Eu sempre sonho que uma coisa gera, nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba
Ao que parece estático, espera.
PRADO, Adélia – Bagagem,1976.Do ponto de vista da composição do poema Leitura deAdélia Prado,é CORRETO afirmar que
Me chamem de velha
Sugeri a uma amiga que trocasse a palavra “idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”. Pensei: “roubaram a velhice”. As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam – dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra fotoshopada – ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa do “velho” – a palavra e o ser /estar de um tempo que, se tivermos sorte, chegará para todos.
Desde que a juventude virou não mais uma fase da vida, mas uma vida inteira, temos convivido com essas tentativas de tungar a velhice também no idioma. Vale tudo. Asilo virou casa de repouso, como se isso mudasse o significado do que é estar apartado do mundo. Velhice virou terceira idade e, a pior de todas, “melhor idade”. Tenho anunciado a amigos e familiares que, se alguém me disser, em um futuro não tão distante, que estou na “melhor idade”, vou romper meu pacto pessoal de não violência. O mesmo vale para o primeiro que ousar falar comigo no diminutivo, como se eu tivesse voltado a ser criança. Insuportável.
BRUM, Eliane. A menina quebrada. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2013.Diante das ideias contidas no texto, podemos afirmar que, para a autora,
A sensação de estar caindo constantemente em ratoeiras virtuais é grande após assistir ao documentário da Netflix “O Dilema das Redes”. Sua história gira em torno de diversos profissionais da área da tecnologia da informação que, nos últimos quinze anos, ajudaram na construção do que hoje é o Facebook, Twitter, Instagram, Google, Pinterest e Oracle. Com a direção de Jeff Orlowski, a estrutura tradicional é corrompida quando a narrativa passa ao espectador informações na forma de animação e de ficção, com uma história que ilustra os pontos de vista dos entrevistados. [...]
KLIMIUC. O Dilema das Redes (Netflix, 2020): mea culpa e medo da verdade. Cinema com Rapadura. Disponível em: . Acesso em: 28 nov. 2020.As redes sociais causam impactos reais nas interações humanas da contemporaneidade.
Dessa forma, a construção no texto da metáfora “ratoeiras virtuais” está alicerçada em um
“Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é
suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranquilos e escuros
como o sofrimento dos homens.”
João Guimarães RosaDe acordo com o texto, pode-se inferir que:
ALGUÉM, EM algum beco escuro da internet, acha que os seguintes itens têm a ver comigo: saias curtas na altura das coxas, camisetas se mangas e bem cavadas, chapéus com detalhes metálicos, t-shirts estampadas com letras enormes e dizeres irônicos.
Tudo moderno, descolado e... feminino. Por quê? Sou um senhor de meia-idade, grisalho, heterossexual e que, com todo respeito ao genial “crossdresser” Laerte, se veste com roupas masculinas. Mas esse tipo de moda me bombardeia.
Entro em um site sério de notícias, como o da própria Folha, e está lá um anúncio divulgando a última coleção da marca. Navego pelo “New York Times”, idem: essa mesma publicidade preenche os espaços em branco e se oferece para mim, justamente o ser menos interessado da Via Láctea nos tais produtos.
Pode ser um bobo ranço geracional, mas tenho enorme dificuldade para aceitar que conteúdo informativo e publicidade se transformem em uma coisa só.
Álvaro Pereira Júnior. Folha de S. Paulo, Ilustrada, sábado, 11 out. 2014 (texto adaptado)De acordo com o texto, pode-se inferir que:
O jornalista e escritor Zuenir Ventura, 83 anos, é um fascinado pelas habilidades naturais de sua neta Alice, 5 anos, com as novas tecnologias. Com frequência, o autor de 1968 – O ano que não terminou a cita em suas crônicas no jornal O Globo. Entre o espanto, a admiração e o autodeboche pelo fato de ele ser um “analfabyte”, Zuenir questiona se essa geração será capaz de se aprofundar em algo. “Fico me perguntando se, com todos esses apelos audiovisuais, se com todo esse deslumbramento acrítico pelas novas mídias, com esse fascínio atual de índio por espelho, a geração de Alice ainda vai se interessar por livro e pelo que a leitura de um texto propicia: reflexão, conhecimento e senso crítico”, escreveu na crônica Alice no reino do iPad, de 2001, quando a menina tinha dois anos.
Débora Rubin. A geração de Alice.
Educação. Ano 19. Nº 218. Junho, 2015,
p.35-37.
De acordo com o texto, pode-se inferir que
“Sempre fui avesso aos prólogos. Em meu conceito eles fazem à obra o mesmo que o pássaro à fruta antes de colhida: roubam as primícias do sabor literário.”
José de AlencarDe acordo com o texto, o termo “prólogos” tem o sentido de:
Você vai começar a ler o novo romance de Italo Calvino, Se um viajante numa noite de inverno. Relaxe. Concentre-se. Afaste todos os outros pensamentos. Deixe que o mundo a sua volta se dissolva no indefinido. É melhor fechar a porta; do outro lado há sempre um televisor ligado. Diga logo aos outros: “Não quero ver televisão! ”. Se não ouvirem, levante a voz: “Estou lendo! Não quero ser perturbado! ”. Com todo aquele barulho, talvez ainda não o tenham ouvido; fale mais alto, grite: “Estou começando a ler o novo romance de Italo Calvino!”. Se preferir, não diga nada; tomara que o deixem em paz.
CALVINO, Italo. Se um Viajante numa Noite de Inverno. São Paulo: Planeta de Agostini, 2003, p.11.De acordo com o texto, há predominância do tipo textual
Mas não desisto da rosa
Que plantei no meu jardim
Nem da poesia ou da prosa
Que trago dentro de mim.
(João Soares Lôbo)De acordo com o texto, assinale a alternativa correta: